sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

CV:Jorge Carlos Fonseca: “um espaço interessante de debate e de reflexão sobre os problemas de Cabo Verde”


A sociedade civil cabo-verdiana na diáspora é complexa. Desta distinguimos, num primeiro período da história, maioritariamente trabalhadores da construção civil, empregadas domésticas, doentes evacuados e uma nova vaga de emigrantes, aqueles que utilizam o país de acolhimento, como ferramenta académica para o seu desenvolvimento. Deste último grupo surge uma vontade de mudança utilizando para isso as ferramentas adquiridas no seu percurso. É neste contexto de estabilização social e económica que surge uma vontade de fazer mais por Cabo Verde como é o exemplo do "Movimento Cabo-Verdiano para a Cidadania Activa em Portugal". O resultado da soma de todas as varáveis da Conferência foi uma satisfação e sentido de missão cumprido.
Jorge Carlos Fonseca fez-nos um balanço do fórum, concluindo que "esta foi mais uma amostra da vitalidade e das potencialidades que as comunidades cabo-verdianas do exterior e as suas elites a nível político, económico e cultural, podem contribuir para a afirmação do desenvolvimento em Cabo Verde". Foi para o jurisconsulto, sobretudo "um espaço interessante de debate e de reflexão sobre os problemas de Cabo Verde, da democracia, do Estado de Direito, da participação política e ainda dos problemas do desenvolvimento económico, nomeadamente sobre o empreendedorismo, ordem social como as questões da igualdade e da paridade do género das novas tecnologias ou o problema da regulação económica. Valeu sobretudo por isso! É evidente que destes debates surgem sempre novas pistas interessantes para o desenvolvimento de novas ideias, novos projectos e novos inputs para o desenvolvimento global do país e reforça essa ideia da ‘nação diaspórica', da nação global que é Cabo Verde, nação essa que é muito anterior ao Estado, à independência e à democracia."
Apesar do sucesso desta iniciativa Fonseca reconhece que "ainda se pode aproveitar melhor a diáspora. Há um potencial de cooperação que pode ser desenvolvido, mesmo quando sabemos que as remessas dos emigrantes representam uma fatia importante do PIB cabo-verdiano. Hoje do ponto de vista do investimento produtivo em Cabo Verde, de investimento em sectores novos e tradicionais há potencialidades que estão ainda por desenvolver e potenciar.
Do ponto de vista político a participação da diáspora cabo-verdiana tem sido relevante, tem sido até decisiva em alguns casos, mas a taxa de participação ainda é aquém do que seria possível e desejável. Com este tipo de iniciativas, com o aprimoramento das instituições do Estado de Cabo Verde nos Estados de acolhimento, pelo desenvolvimento do espírito associativo e comunitário dos cabo-verdianos no exterior, podem ser criadas condições para que essa participação seja muito mais forte, em articulação também com políticas públicas de integração dessas comunidades nos países de acolhimento. "Este objectivo não deve ser estranho no que concerne ao trabalho das próprias comunidades, o seu trabalho de auto-organização de associação, que é importante para que no espírito de coesão possam influenciar e pressionar no encontrar de caminhos e soluções para a integração política, social e cultural mais harmoniosa nos próprios estados de acolhimento", sublinhou Fonseca.
EXPRESSO DAS ILHAS.CV

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