segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

CV(Liberal):JOSÉ MARIA NEVES DIZ QUE A CRISE CHEGOU A CABO VERDE

Que grande lata! 
Dando o dito por não dito, o Primeiro-ministro lá veio reconhecer que a “crise internacional” já chegou ao país. No entanto, um mês atrás, dizia: “a economia cabo-verdiana não está em crise”. Em que ficamos? São os reconhecidos “golpes de rins” de um PM cada vez mais desacreditado…

Diz e desdiz é ADN deste PM...
Diz e desdiz é ADN deste PM...
PRAIA – É a grande notícia deste final de ano. Depois do escândalo da prisão do presidente da Bolsa de Valores, o ano político fica marcado pelo reconhecimento público de que a crise já chegou ao país: “Esta crise tem tido um impacto enorme na economia cabo-verdiana”, disse José Maria Neves aos cabo-verdianos que o ouviram, atónitos, na noite de Natal. É que, na memória de todos, ainda estão as palavras do Primeiro-ministro, feitas um mês atrás, de que “a economia cabo-verdiana não está em crise”…
Nessa altura, a crise parecia ser somente “internacional” – isto, segundo as palavras de José Maria Neves -, porque o Governo teria tomado as “medidas preventivas” que o tornavam “blindado à crise internacional”. Afinal, das duas, uma: ou as medidas do Governo não resolveram coisa nenhuma; ou o Primeiro-ministro – num hábito que lhe é muito próprio – mentiu, mais uma vez, aos cabo-verdianos.
Apelando, ainda, ao “diálogo” e “concertação” – depois de se ter marimbado para as propostas da oposição, no debate sobre o OE 2012 -, o Primeiro-ministro, vem ainda afirmar que “é o momento de construirmos consensos sobre as grandes questões nacionais e aprofundarmos a democracia, de expandirmos as liberdades e de trabalharmos unidos, para a realização do bem comum”, isto depois de, dois dias antes, ter provocado o chumbo do Acordo de Concertação Estratégica (ACE) pelos sindicatos, que acusam o Governo de “falta de diálogo”…
Mostrando-se grato à comunidade internacional, um dos suportes fundamentais da sua manutenção à frente do Governo, José Maria Neves veio dizer que esta “nunca como hoje confiou tanto em nós”, ou seja, nele próprio. E, porque mais uns cobres extras dão sempre jeito, aproveitou para piscar o olho aos emigrantes: “Os cabo-verdianos na Diáspora nunca confiaram tanto em Cabo Verde, nunca sentiram tão orgulhosos de serem cabo-verdianos”.
E, lá foi desfiando as vitórias do seu Governo: “somos considerados dos países mais bem governados em África, a 26ª democracia do mundo, um país totalmente livre em termos de liberdade de imprensa. Hoje, Cabo Verde é o primeiro país do mundo a ser seleccionado para um segundo compacto do Millenium Challenge Account”. O 26º lugar - diga-se - é razão para grande contentamento, bem melhor que o 36º ou 46º, mesmo assim muito longe dos dez primeiros, mas não se pode ter tudo. E, em matéria de liberdade de imprensa, descartando a ordem da ministra Janira para que um jornalista da TCV fosse punido, exceptuando a censura do mesmo canal às actividades do Presidente da República, dando de barato o favorecimento com publicidade do Governo aos “jornais amigos” e colaterais…

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