sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Portugal: Detido o homem que burlou centenas de pessoas com bilhetes para Cabo Verde 26 Outubro 2012 -

A Polícia Judiciária portuguesa anunciou esta quinta-feira a detenção do proprietário de uma agência de viagens que burlou centenas de pessoas na venda de voos para Cabo Verde. De acordo com a PJ, o suspeito utilizou uma empresa - a Abrimar - para vender um elevado número de passagens aéreas apesar de saber que os compradores não os poderiam utilizar, perante o incumprimento dos pagamentos acordados pela sua empresa com a companhia de aviação que era suposto fazer as ligações aéreas.


Portugal: Detido o homem que burlou centenas de pessoas com bilhetes para Cabo Verde

A Lusa escreve que o detido terá vendido centenas de viagens de ida e volta a Cabo Verde e muitas pessoas não conseguiram embarcar nos aviões em Portugal e as que o fizeram, mais tarde, não conseguiram regressar.
O homem, de nacionalidade cabo-verdiana, tem antecedentes criminais e estava "impedido de celebrar contratos e de renovar documentos de identificação" em Portugal, avançou ainda a fonte. O cabo-verdiano, de 48 anos, está indiciado por burla qualificada a um número ainda não determinado de pessoas e pelo menos a duas sociedades comerciais, em crimes que atingem várias centenas de milhares de euros.
A 25 de Agosto, dezenas de pessoas ficaram retidas em Cabo Verde devido ao cancelamento de voos de uma companhia aérea, uma vez que a agência de viagens que teria vendido as passagens, encerrou.
26 Outubro 2012
http://asemana.sapo.cv/spip.php?article81483&ak=1

Centenas de passageiros burlados: Agência Abrimar fecha as portas e White Airways cancela voos

Duas centenas de pessoas que compraram passagens de ida e volta Cabo Verde – Portugal nas agências Abrimar, em Lisboa, para viajar em voos da White Airways ficaram em terra. São na maioria emigrantes e estudantes em férias que foram aliciados com passagens de baixo custo mais 50 quilos de bagagem, mas o barato saiu-lhes caro. A charter White Airways cancelou os voos e a Abrimar está incomunicável. Em Cabo Verde, quer as agências de viagens quer os ministérios das Comunidades e das Relações Exteriores já lavaram as mãos. Para a Agência do Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) esta é, de facto, uma situação-limite, mas diz não saber a quem os passageiros lesados devem recorrer.

Por: Constânça de Pina

Centenas de passageiros burlados: Agência Abrimar fecha as portas e White Airways cancela voos
Carla Tavares, emigrante há 10 anos em Portugal, é um dos rostos do desespero. Construiu a sua vida em terras lusas, mas este Verão resolveu voltar ao seu querido Cabo Verde com as três filhas para gozar umas merecidas férias. Agora quer retornar a Portugal, para trabalhar, e embora de passagem na mão não consegue viajar porque a White Airways cancelou todas as ligações para Portugal. Inconformados, na quarta-feira, dezenas de passageiros que estão na mesma situação de Carla Tavares invadiram as instalações da agência Aliança Kriola, numa última tentativa de dar a volta a uma situação que já parece irremediável.
“Vim para Cabo Verde no dia 3 e deveria regressar no dia 31. Hoje vim confirmar o meu regresso e informaram-me que já não haverá mais voos. Telefonei para a Abrimar, mas ninguém atende. O meu marido, que está em Portugal, foi à agência e encontrou-a de portas fechadas. Por acaso, esbarrou no dono da agência num transporte público, questionou-o e este lhe disse que devíamos dirigir-nos à Aliança Kriola, em Cabo Verde, que resolveria tudo. Mas aqui disseram-nos que se limitaram a vender os bilhetes”, conta Carla Tavares cujo caso nem sequer é o mais grave.
Diariamente dezenas de passageiros, em alguns casos famílias inteiras, deslocam-se ao Aeroporto Internacional da Praia para tentar embarcar. Muitos vêm do interior de Santiago, o que implica elevados gastos com transporte e alimentação, pois permanecem ali o dia inteiro à espreita de uma oportunidade para viajar. Mas também há muitos estudantes que vão iniciar o ano lectivo nos primeiros dias de Setembro. “Há famílias de sete pessoas que vieram de férias, investiram o seu dinheiro em obras nas suas casas e em encomendas para os familiares. Agora não têm um tostão para comprar a passagem de regresso, o que vão fazer esses pobres coitados? Também temos estudantes em férias que compraram as suas passagens com muito esforço e agora não têm condições para sequer adquirir um segundo bilhete de passagem. A situação é complicada”, diz Sérgio Querido, da agência Cabetour.
O problema assume contornos desastrosos, até de direitos humanos, quando se sabe que estão metidas nessa “embrulhada” muita gente com poucos recursos e formação – muitos deles trabalhadores braçais que não sabem a quem dirigir-se, não têm dinheiro para contratar um advogado, estão longe de Portugal –, que correm o risco de ficar para sempre em Cabo Verde, por falta de recursos para voltar a Portugal. Mais: com a crise que se vive hoje naquele país, onde os despedimentos são o pão de cada dia, a probabilidade de não encontrarem trabalho quando para lá voltarem é muito grande.
E a “afronta” é dos dois lados porque daqui de Cabo Verde partiram muitos passageiros que agora estão em Portugal a fazer contas à vida para ver como podem regressar. Enfim, neste “caçubody” generalizado aplicado por uma empresa portuguesa que não aparece registada em nenhum lado – a Associação portuguesa de Agências de Viagens e Turismo já disse que não conhece nenhum sócio com esse nome –, ninguém escapou. Até as duas agências de viagens caboverdianas que por cá deram a cara pelo negócio – Aliança Kriola e uma outra da Calheta estão agora a amargar os prejuízos: venderam os bilhetes, pagaram à Abrimar e agora chupam o dedo a enfrentar um grande desgaste da sua imagem, analisa Querido.
Este operador diz compreender a aflição dos passageiros, mas lembra que a Aliança Kriola foi igualmente enganada pela Abrimar. “A Aliança Kriola limitou-se a vender alguns bilhetes, assim como fizeram outras agências. Não tem qualquer responsabilidade neste caso, mas arranjou bilhetes em outras companhias aéreas para os seus clientes a fim de evitar ser acusada de conivência. Ou seja, as empresas cabo-verdianas estão a ser responsabilizadas pela vigarice de uma agência de viagem que é portuguesa”, considera Sérgio Querido.
Os voos da White Airways são muitos procurados pela comunidade cabo-verdiana, explica este operador, porque vende passagens abaixo da tabela praticada pelas companhias aéreas de carreira. A TACV e a TAP, por exemplo, estavam a vender bilhetes por 87 mil escudos, incluindo as taxas, mas os passageiros da White Airways pagaram apenas 530 euros, ou seja, 58.300 escudos, e ainda tinham direito a transportar 50 quilos de bagagem. “Era um grande chamariz e os primeiros voos vieram todos cheios. Depois começaram os cancelamentos e as desresponsabilizações”, lembra Sérgio Querido.
Voos cancelados
Três voos programados para os dias 10, 17 e 24 de Agosto foram cancelados. E não há confirmação se o voo do dia 31 vai acontecer. O primeiro cancelamento mereceu destaque na RTP África e indiciou aos passageiros dos voos agendados para os dias seguintes que algo não ia bem. E o pior aconteceu: 57 passageiros estiveram vários dias no aeroporto de Lisboa à espera do voo da White Airways que os devia trazer à cidade da Praia. Queixavam-se sobretudo da falta de informação e do desrespeito por parte da agência Abrimar.
A White Airways justificou o cancelamento do voo com incumprimento do acordo por parte da Abrimar. Esta, por sua vez, garantiu à Associação Portuguesa das Agências de Viagem e Turismo (APAVT) que iria reembolsar os passageiros que ficaram sem viajar para Cabo Verde. Entretanto, no dia 20, a Abrimar colocou no seu site um comunicado em que admitia que o cancelamento do voo do dia 10 com destino à cidade da Praia causou muitos incómodos aos passageiros, mas ao mesmo tempo ilibava a companhia aérea de qualquer responsabilidade.
Além disso, na mesma nota, a Abrimar explicava que o cancelamento do voo do dia 10, após a realização de uma ligação no dia 3 em que se bateu o recorde de passageiros, deveu-se a “interferências de origem desconhecida junto dos passageiros, tendo-lhes sido transmitido que não haveria voo nesse dia”. Mais, face ao número reduzido de passageiros que ainda se dispuseram a viajar, e consumado o cancelamento, a Abrimar explica que contratou lugares em voos alternativos e, nesse mesmo dia, viajaram cerca de 30 pessoas. Os restantes seguiram um dia depois. Quanto aos outros voos entretanto cancelados – nos dias 17 e 24 - nenhuma palavra.
Autoridades desresponsabilizam-se: “Este é um caso comercial”
As autoridades cabo-verdianas garantem que estão a acompanhar pela imprensa o drama destes cabo-verdianos que foram burlados pela Abrimar. Os ministérios das Relações Exteriores e das Comunidades desresponsabilizam-se, no entanto, alegando que este é um caso “puramente comercial”. Entretanto, admitem que poderão agir caso os visados solicitem apoio consular. Já a embaixadora de Cabo Verde em Portugal, Madalena Neves, de acordo com a assessoria de imprensa do Mirex, foi informada sobre esta situação pelo próprio ministro, depois de este ter sido abordado pelo jornal A Semana.
De acordo com o assessor de imprensa do Mirex, essa situação – passageiros que não puderam viajar porque a White Airways cancelou os voos em que deviam seguir para Praia e Lisboa – é um problema que deve ser resolvido entre os passageiros lesados e as agências de viagem, inclusive com recurso aos tribunais. “O Mirex só vai agir a partir do momento em que os lesados solicitarem apoio consular directamente ao Ministério ou à nossa embaixada em Portugal”, diz Jorge Martins, para quem o caso ainda não chegou à esfera das relações entre os Estados de Cabo Verde e Portugal.
Igual entendimento tem o Ministério das Comunidades. Fernanda Fernandes, também através da sua assessoria, mandou dizer que o assunto deve ser tratado junto das agências de viagem que venderam os bilhetes.
Apesar de se mostrar sensível ao problema e admitir que esta “é uma situação limite”, o director da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) em Cabo Verde, Armindo Rios, prefere explicar que todos os dias há no seu país dezenas de empresas que fecham as portas por causa da crise e que a agência de viagens Abrimar será apenas mais uma.
“A White Airways é uma companhia aérea charter que provavelmente não recebeu o dinheiro das passagens da agência e optou por deixar os passageiros em terra. Quanto à Abrimar duvido que seja sócia da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo, que poderia obrigá-los a assumir as suas responsabilidades para com os passageiros. Diante disto, não sei a que autoridade ou entidade os passageiros poderão recorrer para resolver esta situação”, conclui Rios.
A Abrimar Travel, refira-se, apresenta-se no seu site oficial – abrimaronline.com – como organizadora de viagens, concebendo e comercializando pacotes turísticos, além de ser intermediária na venda de bilhetes de avião, cruzeiros, alojamentos, rent-a-car. Também comercializa produtos turísticos através da Internet, fornecendo aos consumidores informações sobre preços competitivos, simplicidade e comodidade.
26 Agosto 2012

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