quinta-feira, 10 de setembro de 2009

CPLP:Doentes de sida estão mais vulneráveis à gripe A

"Os doentes de SIDA são os mais vulneráveis à infecção pela gripe A H1N1. Felizmente, África não foi atingida de modo importante pela gripe, mas se vier a acontecer é importante que os sistemas de saúde estejam preparados e mobilizados para atender às pessoas mais vulneráveis e com maior risco de mortalidade", defendeu Pedro Chequer.
O responsável pela ligação entre a agência da ONU para a sida e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) falava à agência Lusa à margem da mesa-redonda com potenciais parceiros e investidores no Plano Estratégico de Cooperação em Saúde da CPLP, que necessita de 12 milhões de euros para arrancar.
Para Pedro Chequer, o facto de em África a maioria de pessoas infectadas com HIV não saber que é seropositiva, "cria um grande problema" já que não adopta medidas de protecção face ao novo vírus de gripe.
Por isso, adiantou, é importante ampliar a capacidade instalada de diagnóstico de HIV "para tratamento imediato destes doentes e com isso minimizar o efeito de uma possível epidemia de gripe no futuro".
Pedro Chequer disse ainda que a fragilidade das infra-estruturas e recursos humanos dos sistemas de saúde continua a constituir um obstáculo à luta contra a sida em África, sublinhando a importância do Plano Estratégico de Cooperação em Saúde da CPLP.
"Pela primeira vez estamos a ver um processo organizativo dos países da CPLP. Por um lado, este plano cria facilidades de interlocução e dá peso político, tratando-se de um passo muito importante para aprofundar o processo de saúde da comunidade", disse.
O também coordenador da ONUSIDA-Brasil adiantou que está em preparação um acordo formal de parceria com a CPLP e lembrou que os apoios directos e indirectos da agência da ONU para a sida aos países lusófonos rondam os 2,7 milhões de euros.
Também presente na reunião, o ministro da Saúde de Angola, José Van-Dúnem, alertou para a falta de recursos humanos em saúde que se faz sentir em Angola.
"Estamos a fazer um grande esforço de reconstrução de infra-estruturas que tem que ser associado a um reforço de recursos humanos, o que não tem a mesma velocidade. Temos que ter um programa claro e depois encontrar as pessoas que ajudem a materializar esse programa", disse.
Nesse sentido, acrescentou, a mesa-redonda de hoje permitirá ver a possibilidade de partilha de recursos humanos para promover sinergias nas áreas mais carenciadas.
Angola tem cerca de 2 mil médicos e 45 mil enfermeiros para uma população de 18 milhões de habitantes, faltando especialistas de todas as áreas.
Sobre o Plano Estratégico de Cooperação em Saúde da CPLP, José Van-Dúnem disse à Lusa que o seu país assumiu nesta reunião o princípio de que vai contribuir para o plano, sem avançar o valor dessa contribuição.
"Se Angola conseguir financiar o seu programa de saúde nacional estará a dar uma boa contribuição e o esforço que Angola faz para a captação de fundos para o seu programa poderá ser um bom catalizador para obtenção de fundos de outras instituições", disse.
DN.PT/LUSA.PT

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