Na apresentação do estudo "A Banca em Análise", Rui Santos Silva, da Deloitte, considera como "boas notícias" os resultados a que este chegou, sublinhando que permanecem "desafios significativos" e lembrando também que esta análise é referente a 2008, ano que se revelou bastante diferente do de 2009 na economia angolana.
Uma das certezas substanciadas no estudo é o aumento significativo da bancarização do país, com um crescente número de operadores e particulares a recorrerem aos bancos na sua actividade normal.
Mas fica ainda subjacente aos resultados da análise a necessidade de "desenvolver o capital humano para garantir a qualidade que o mercado exige".
O ano de 2008 foi, aponta João Paulo de Carvalho, também da Deloitte, "um excelente ano", nomeadamente com um crescimento "explosivo" de mais de 70% no número de cartões, passando a barreira do milhão.
Também a rede de terminais multicaixa cresceu mais de 40 % passando, no país, de 408 em 2007 para 717 em 2008.
No ranking que a Deloitte criou para os depósitos de clientes, em 2008, foi o Banco Africano de Desenvolvimento o melhor posicionado, com 26,3%, mantendo o mesmo banco a posição quanto à captação de novos clientes, com 24,5%.
Quanto à disputa no crédito a clientes, é o Banco de Poupança e Crédito que figura no topo, com 20,8%, embora no que toca aos resultados líquidos seja o Banco de Fomento de Angola (BFA) a superar a concorrência, ficando o Banco Privado Atlântico com o melhor resultado no que toca à rentabilidade no ranking da Deloitte.
No entanto estas posições, segundo a Deloitte, têm apenas uma importância relativa, visto que os cinco maiores bancos do país, o BAI, o BPC, o BFA, BIC e BESA, que detêm mais de 86% da quota do mercado, apresentam resultados aproximados.
O estudo da Deloitte, que vai na quarta edição, tem este ano novidades, como uma auscultação aos banqueiros sobre perspectivas de crescimento, sendo uma das conclusões a bancarização sem consolidação à vista. Os banqueiros, na síntese da consultora, esperam ainda a aposta na gestão de clientes com base na proximidade, bem como um esforço para sustentar e controlar o crescimento.
É ainda expectável para os homens da banca angolana um crescimento de 30% na rede de bancos nacionais em dois anos, bem como o aumento dos quadros de pessoal, acompanhado por um esforço no desenvolvimento de competências de molde a garantir a qualidade, sendo esta considerada um "aspecto crítico" pelos auscultados.
OJE/LUSA.PT
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