terça-feira, 6 de outubro de 2009

ANGOLA:Global Witness pede a FMI que exija transparência a Luanda

LUANDA-A "Global Witness" acusou  o Fundo Monetário Internacional (FMI) de estar a alimentar a corrupção em Angola ao proceder a um empréstimo de 1,3 mil milhões de dólares para o equilíbrio da balança de pagamentos do país.


Num relatório enviado à Agência Lusa, a organização internacional que mantém uma vigilância sobre a corrupção em Angola há vários anos adianta que o FMI não devia aceitar o empréstimo a Angola porque o seu governo é "altamente corrupto".
O empréstimo a que se refere a "Global Witness" foi negociado pelo FMI e o governo angolano em duas rondas de negociações que tiveram lugar em Luanda nas últimas semanas e tem uma duração de 27 meses, a partir de Novembro, com o objectivo de apoiar o governo no controlo da sua balança de pagamentos.
"O FMI não devia continuar com os seus plano de empréstimo de milhões de dólares a Angola, país rico em petróleo com um governo altamente corrupto, sem garantir condições de abertura das autoridades angolanas a um escrutínio público sobre a sua indústria petrolífera", apontou a "Global Witness" num documento divulgado na Turquia, no decurso do encontro anual do fundo.
Este organismo que se dedica à vigilância da corrupção no mundo, que tem as suas antenas viradas para Luanda há vários anos e a quem as autoridades angolanas não atribuem crédito muito por causa da forma insistente como mantêm o país sob fogo cerrado, sublinha ainda no texto que Angola é um dos maiores produtores de crude em África, mas onde a sua população sofre mais com a pobreza.
Para sustentar esta posição, a "Global Witness" cita um relatório oficial norte-americano de 2008 onde Angola é apontado com um país onde a corrupção está "totalmente disseminada", frisando que também o organismo tem feito o mesmo alerta "na última década".
"O FMI devia usar a sua influência em Angola para exigir maior transparência, sem a qual não existem garantias de que o petróleo sirva para ajudar a população a sair da pobreza, mas sim para enriquecer as suas elites", nota o relatório.

A organização informa ainda que escreveu ao directores do FMI para que não aprovem o empréstimo a Angola, "excepto se Luanda aceitar abrir o sector petrolífero ao escrutínio público".
Uma das dúvidas da "Global Witness" são as informações sobre as contas do petróleo e os dados de difícil entendimento e "aparentemente" não auditados dos dividendos do petróleo, "impedindo saber o que se passa com o dinheiro do sector petrolífero".
A Lusa tentou obter um comentário do governo angolano, mas até ao momento não foi possível.
OJE/LUSA.PT

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