quarta-feira, 10 de novembro de 2010

HOLANDA:LÍDER NA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL?

HAIA-Menos dinheiro e mais independência do governo a longo prazo. Essa é a mensagem para as organizações de desenvolvimento holandesas no estabelecimento de subsídios para o próximo ano. Aquela velha Holanda vanguardista na área de desenvolvimento ameaça ficar de saias justas.
Organizações holandesas de desenvolvimento terão de contentar-se ao longo dos próximos cinco anos com muito menos. As 19 maiores organizações, unidas em alianças, receberão conjuntamente um montante de 2,1 bilhões de euros, ao passo que haviam pedido cerca de 3 bilhões. Além disso, esse montante poderá ser reduzido ainda mais em vista dos cortes propostos pelo novo governo de coligação.
30 por cento
Muitas grandes organizações, incluindo a Oxfam Novib, a Cordaid e a ICCO, foram informadas no início desta semana de que deverão contentar-se com in grosso um terço a menos do que prevê o orçamento anual actual. Outras, como a Terre des Hommes, acabarão inteiramente fora de campo.
A escolha do ministro revelou não estar baseada em nenhuma preferência política real, diz o professor catedrático de Cooperação ao Desenvolvimento, Paul Hoebink. "Pode-se dizer que a maioria das alianças envolvidas na assistência e na reconstrução tenham obtido resultados um pouco melhores que o esperado."
O ministro responsável, Ben Knapp, considera que as organizações de desenvolvimento no futuro terão de aprender a manter-se sobre as próprios pernas. O que acontece agora é que as organizações têm de conseguir um quarto de seu orçamento com outros meios de financiamento.
Essa fracção deve aumentar, porque cresce o cepticismo que reina junto aos cidadãos em relação ao gasto dos fundos de desenvolvimento, diz Knapp: "É minha firme convicção de que os cidadãos efectivamente se preocupam com o destino dos outros, mas têm dúvidas sobre como o dinheiro dos impostos é gasto. Portanto, temos de mostrar resultados e manter uma comunicação aberta sobre assuntos que não vão bem. Precisamos também de participação e engajamento activo de pessoas e empresas. "
Impasse
Após ter desempenhado um papel de liderança no campo do desenvolvimento, a Holanda agora não consegue acertar o passo com a tendência europeia, diz Mirjam van Reisen, directora da European External Policy Advisors: “Isso significa que se acredita que o auxílio ao desenvolvimento deve dar-se em troca de uma política saudável e de apoio às empresas holandesas, com o respaldo das organizações de desenvolvimento.
Ainda assim, a Holanda ainda é tida como progressista”, acrescenta Van Reisen. "O que acontece na Holanda ainda é considerado impactante no resto da Europa, e os 0,7% (do PIB) são hoje inferiores ao que eram, mas ela continua no topo das nações europeias. Isso mostra que segue sendo um país de política relevante e de peso.”
Orçamento reduzido pela metade
Esses não são os sinais que dá o VVD (Partido Democrático Liberal), o maior partido no governo. O novo primeiro-ministro, Mark Rutte, tem expressado repetidamente o desejo de reduzir o orçamento para o desenvolvimento pela metade. O partido anti-imigração PVV (Partido Pela Liberdade), cujo apoio ao gabinete é de carácter restrito e tolerante, quer abolir o auxílio ao desenvolvimento por completo. O líder do PVV, Geert Wilders, chama esse tipo de auxílio de "hobby das esquerdas".
Mas a experiência europeia mostra que o auxílio ao desenvolvimento não é prerrogativa da esquerda social, diz Paul Hoebink: "Rutte, vá aprender como fazem os conservadores britânicos, que se mostram muito mais positivos sobre a auxílio ao desenvolvimento! O mesmo vale para os conservadores alemães. Os conservadores britânicos afirmam ter obtido óptimos resultados numa ampla gama de áreas, enquanto que na Holanda se diz: ‘Na África ainda existem países pobres, de maneira que o auxílio ao desenvolvimento falhou’. O que é, naturalmente, completamente falso" .
Fonte:RNW- Por Thijs Papôt (Foto: ANP)

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