segunda-feira, 28 de junho de 2010

CV(BRAVANEWS):Banco Cabo-Verdiano de Negocio na ilha Brava

NOVA SINTRA-No próximo mês de Julho, um novo balcão bancário passa a funcionar na ilha Brava. Trata-se do Banco Cabo-Verdiano de Negócios que abre as suas portas. O anuncio foi feito por altura das festas de São João e deste modo o BCN vem colocar a disposição dos bravenses um leque variado de produtos.
Ontem, sem balcão para funcionar, mas ganhando tempo, na Praça Eugenio Tavares, Gisela Évora, um dos futuros funcionários da agencia da Brava era o rosto da campanha de abertura de contas de forma gratuita.
Muitas pessoas dirigiram ao pátio da esplanada para procederem ao preenchimento de uma ficha de abertura de contas nesta nova agencia na Brava.
http://www.bravanews.com/?c=118&a=2886

CV:Mário Lúcio no Festival Sete Sóis Sete Luas em Oeiras


Mário Lúcio é dos mais prestigiados músicos de Cabo Verde. Já foi líder do grupo Simentera, actuando com este nos mais importantes festivais de world music de todo o mundo. O concerto de Mário Lúcio oferece uma inesquecível viagem aos sons cabo-verdianos, mornas, coladeiras, funaná, que envolvem o público com os seus ritmos de festa.
Sapo.cv

G20:G20 condiciona cortes a preservação do crescimento

TORONTO-Os líderes dos países do G20 (grupo das principais economias avançadas e em desenvolvimento) reunidos em Toronto, no Canadá, concordaram neste domingo em reduzir seus déficits orçamentários, mas sem ameaçar da consolidação do crescimento global.

No comunicado final da Cúpula do G20, divulgado na tarde deste domingo(27), as economias avançadas se comprometeram em reduzir em pelo menos a metade seus déficits até 2013 e em estabilizar ou reduzir a relação entre dívida e PIB (Produto Interno Bruto) até 2016.
Essas metas haviam sido propostas pelo anfitrião do encontro, o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper.
O documento diz, porém, que os planos de consolidação fiscal serão diferenciados de acordo com circunstâncias de cada país e “focados em medidas para manter o crescimento econômico”.
"O caminho do ajuste deve ser cuidadosamente calibrado para sustentar a recuperação da demanda privada. Há um risco de que ajustes fiscais sincronizados em diversas grandes economias possam impactar negativamente a recuperação", diz o texto.
“Mas também há um risco de que o fracasso em implementar a consolidação onde necessária possa minar a confiança e impedir o crescimento.”
O Japão, que tem um déficit muito alto, ficou de fora e não se comprometeu em cumprir a meta.
Emergentes
A questão das medidas de ajuste fiscal e da retirada de estímulos vinha dividindo os países do G20.
No sábado, antes das discussões da cúpula, o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, que liderou a delegação brasileira em Toronto, havia dito que cortar o déficit pela metade até 2013 era uma meta “draconiana” e “exagerada”.
O Brasil, assim como os Estados Unidos, alertaram antes e durante a cúpula sobre o risco de que ajustes fiscais drásticos demais e a retirada prematura de medidas de estímulo, especialmente em países da Europa, pudessem ameaçar a consolidação da recuperação da economia global.
No entanto, após a divulgação do comunicado, Mantega disse que, apesar de ainda considerar as metas “ambiciosas”, acredita que os países emergentes foram “plenamente contemplados” no comunicado final.
“A posição dos países emergentes está contemplada no comunicado. Estávamos querendo enfatizar a necessidade de continuar com a recuperação mundial, enfatizando a consolidação do crescimento, e isso foi aprovado no comunicado, com forte apoio dos Estados Unidos e dos países emergentes”, afirmou o ministro.
“Temíamos que alguns países enveredassem por uma desativação dos estímulos de crescimento”, disse.
Segundo Mantega, não se pode “desconhecer” o problema fiscal enfrentado por países europeus, que vêm adotando medidas de austeridade para conter suas crises de déficit orçamentário e dívida pública.
“Há países com déficit acima de 10%, cujas dívidas cresceram muito, então eles também têm a preocupação de uma melhoria da situação fiscal, só que no documento foi colocado que essa política de ajuste fiscal não deve prejudicar a recuperação e a consolidação do crescimento”, disse Mantega.
Mercado interno
Durante a cúpula, os líderes também concordaram com a necessidade de estimular seus mercados internos, iniciativa que teve adesão inclusive da China, até então reticente.
Mantega voltou a criticar, porém, os países avançados e exportadores que, em vez de estimular seus mercados internos, fazem um ajuste fiscal muito severo, “às custas dos emergentes”. O ministro citou a Alemanha e o Japão.
“Eles também têm que fomentar o mercado interno. E esse recado é para a Alemanha e para o Japão, que vivem dos mercados externos e agora querem fazer um ajuste sem estimular tanto a economia quanto deveriam”, afirmou Mantega.
“Nós fazemos a nossa parte, eles também têm que fazer a parte deles”, disse.
A Cúpula do G20 também voltou a discutir a reforma do sistema financeiro global, ponto já em debate em reuniões anteriores.
Os líderes concordaram em aprovar a regulação do sistema financeiro na próxima Cúpula do G20, marcada para novembro, em Seul.
Entre as medidas previstas estão maior controle de operações com derivativos, aumento de capital dos bancos e maior supervisão do sistema financeiro, com o objetivo de garantir mais transparência e evitar a ocorrência de novas crises econômicas como a de 2008.
Taxação e Doha
Em pelo menos dois pontos, porém, não houve acordo em Toronto.
A proposta de taxação sobre os bancos, defendida por países como Grã-Bretanha e França, sofre resistências por parte do Brasil e de outras economias, e acabou descartada.
A decisão de implementar essas medidas ficará a cargo de cada país individualmente.
Também não houve avanço na questão sobre as negociações da Rodada Doha de liberalização do comércio mundial.
Em um almoço com os demais líderes, neste domingo, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deixou claro que não concorda com a aprovação da atual proposta.
Segundo Mantega, a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi lamentada por vários líderes, mas todos manifestaram solidariedade pelo problema das chuvas no Brasil.
Lula cancelou a participação na cúpula na sexta-feira, véspera do encontro, para acompanhar de perto os esforços de auxílio às vítimas das enchentes no Nordeste.
Protestos
Os dois dias de discussões no Canadá, com as reuniões de cúpula do G8 (grupo das nações mais industrializadas do planeta) e do G20, também foram marcados por confrontos entre a polícia e manifestantes.
Neste domingo, policiais chegaram a disparar balas de borracha para disperar os protestos.
Mais de 500 pessoas foram presas durante o fim de semana.
Alessandra Corrêa-Enviada especial da BBC Brasil a Toronto
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/06/100628_g20_final_ale_rw.shtml

DIASPORA CV MOÇAMBIQUE:Cabo-verdianos de Maputo reúnem-se para promover a sua cultura


MAPUTO-A Associação Cabo-Verdiana de Moçambique (ACVM), sob o slogan “No Djunta Mon” (De mãos dadas), organizou este fim-de-semana um encontro para promover a sua cultura em Moçambique.
Emerson de Sousa, nascido em Moçambique mas neto de cabo-verdianos, é o representante do grupo jovem que têm por principal função prestar apoio aos idosos de origem cabo-verdiana.
“Este é o primeiro evento cultural que organizamos para melhor divulgarmos a nossa cultura, porque pensamos que ela está a esbater-se um pouco no seio da sociedade moçambicana. A nossa presença está um pouco enfraquecida”, refere Emerson e acrescenta: “A ideia é termos estes encontros trimestralmente, estando eles abertos a toda a gente que queira participar.”
Para este evento, de Cabo Verde, só veio a gastronomia, com destaque para a cachupa, o prato nacional das ilhas crioulas. Na mostra podia ainda ver-se pintura, vasos decorativos, artigos de tricot, objectos feitos em capulana, bijutarias, calçado, etc., tudo de origem moçambicana.
SAPO-Cristóvão Araújo

CV(ASEMANA):Deputados voltam ao parlamento com agenda quente: política agrícola, Taxa de Iluminação Pública e Segredo de Estado

PRAIA-Começa hoje, segunda-feira 28, mais uma sessão plenária da Assembleia Nacional, a referente ao mês de Junho.
O debate sobre a situação e as perspectivas do sector agrícola em Cabo Verde - um tema que a oposição vem preparando em jornadas abertas presididas pelo seu presidente, Carlos Veiga, em ilhas de vocação agrícola como Santo Antão e Santiago- já faz prever mais um confronto de políticas entre situação e oposição, um ponto cada vez mais frequente na Agenda Parlamentar à medida que começa a contagem regressiva para as eleições legislativas previstas para Março do próximo ano.
A taxa sobre a iluminação pública também volta ao Parlamento, e promete mobilizar os deputados dos dois lados da barricada: o MpD promete novo chumbo a essa proposta que considera mais um imposto no orçamento dos cabo-verdianos, já demasiado sobrecarregado. E o PAICV volta à carga por achar que alguém tem de se responsabilizar pela iluminação das cidades, vilas e povoados do país, já que as Câmaras recusam a assumir essa responsabilidade. E iluminação pública significa segurança para os cabo-verdianos e, mais ainda, garantir o direito constitucional de cada um circular livremente.
E o MpD deve afinar pelo mesmo diapasão no relativo à taxa ecológica.
No capítulo das leis o diploma que define o regime de Segredo de Estado destaca-se como sendo o mais sensível, quanto mais não seja pelas restrições que esses regimes de excepção costumam colocar aos direitos liberdades e garantias de qualquer Estado de Direito Democrático. O Código Marítimo de Cabo Verde; o diploma que estabelece o regime de divisão, designação e determinação das categorias administrativas que executam a política criminal são outras leis a pedir a aprovação dos deputados.
Também vai a votação final e global a proposta de lei que autoriza o governo a legislar sobre o regime jurídico da actividade industrial, nomeadamente a definição dos objectivos da política industrial do país e o estabelecimento dos princípios, meios e instrumentos indispensáveis à sua prossecução.
Nesta sessão, o Governo também vai pedir autorização legislativa para aprovar o Código Marítimo de Cabo Verde bem como para alterar o regime jurídico de restrição do uso de cheque.
O regime jurídico de organização e funcionamento dos municípios e suas associações, bem como o quadro de competências, abreviadamente designado por estatuto dos municípios, é outro diploma que se destaca pela sua importância, daí um aceso debate em perspectiva.
No fim da pauta, a ratificação pelo Parlamento da Convenção Internacional para a resolução de diferendos, relativos a investimentos entre Estados e nacionais de outros Estados.
A sessão não termina sem apreciar e votar a conta do Estado para 2007.
http://asemana.sapo.cv/spip.php?article53866&ak=1

MUNDIAL 2010:Argentina vence México (3-1) e marca encontro nos “quartos” com a Alemanha

Uma final antecipada nos "quartos"
A Argentina apurou-se esta noite para os quartos-de-final do Campeonato do Mundo, ao derrotar o México por 3-1. Golo irregular de Tevez – apontado em posição de fora-de-jogo – abriu caminho à vitória da “alviceleste”, que marca encontro com a Alemanha.
E a história repete-se. Adversários nos quartos-de-final do Mundial-2006, Argentina e Alemanha voltam a medir forças na mesma fase do Campeonato do Mundo que decorre na África do Sul. Há quatro anos, o triunfo sorriu aos germânicos, por 4-2, no desempate por grandes penalidades. No próximo dia 3 de Julho, na Cidade do Cabo, ver-se-á quem leva a melhor.

Frente ao México, a Argentina pode agradecer o primeiro golo a erro crasso da equipa de arbitragem liderada pelo italiano Roberto Rossetti. Tevez estava em clara posição de fora-de-jogo quando, à passagem do minuto 26, desviou de cabeça para o fundo das redes, após passe de Messi.
Antes do tento irregular de Tevez, tinha sido o México a ameaçar a baliza à guarda de Romero. Primeiro por Salcido, num disparo violento à barra; depois por Guardado, que ficou a centímetros do golo com remate cruzado desferido à entrada da área.
Aos 33 minutos, Higuaín aumentou a vantagem da “alviceleste”, beneficiando de autêntico brinde de Ricardo Osório, que serviu o golo em “bandeja” ao melhor marcador do Mundial.
A Argentina saía para o intervalo a vencer por 2-0, fruto de um erro da equipa de arbitragem e de uma infantilidade do defesa mexicano. Desvantagem de dois golos era castigo demasiado pesado para a El Tri.
Na etapa complementar, o México quase não teve tempo para esboçar uma reacção. Estavam cumpridos apenas sete minutos quando Tevez, num momento sublime, puxa o pé direito atrás, ainda longe da baliza, fazendo sair um “míssil” do seu pé direito que só parou no fundo das redes aztecas. Perez nada podia fazer para travar a marcha vitoriosa da bola.
O terceiro golo argentino sentenciou o resultado e o vencedor. O melhor que a "El Tri" logrou fazer foi reduzir a diferença com um grande golo de Chicharito, apontado à passagem do minuto 71.
FICHA TÉCNICA:
Estádio Soccer City, em Joanesburgo
Árbitro: Roberto Rossetti (Itália)
ARGENTINA: Romero; Otamendi, Demichelis, Burdisso e Heinze; Maxi Rodriguez (Pastore, 86), Mascherano e Di María (Gutiérrez, 79); Tevez (Verón, 69), Messi e Higuaín
MÉXICO: Perez; Osorio, F. Rodriguez, Juarez e Salcido; Rafa Márquez, Torrado e Guardado (Franco, 61); Giovani dos Santos, Hernandez e Bautista (Barrera, 46)
Disciplina: Cartão amarelo a Rafa Márquez (28)
Marcadores: 1-0, Tevez (26); 2-0, Higuaín (33); Tevez (52); 3-1, Javier Hernandez (71)
Ao intervalo: 2-0
Resultado final: 3-1
Fonte:Abola.pt

domingo, 27 de junho de 2010

FORMULA1:Vettel ganha em Valência numa corrida marcada pelo acidente de Webber

VALÊNCIA-O alemão Sebastian Vettel (Red Bull) venceu hoje, domingo, o Grande Prémio da Europa em Fórmula 1, nona corrida da temporada, à frente dos pilotos ingleses da McLaren Lewis Hamilton e Jenson Button.
Vettel arrancou do primeiro lugar da grelha de partida e venceu uma corrida relativamente monótona, que liderou do princípio ao fim.
Com esta segunda vitória da época, o piloto da Red Bull subiu ao terceiro lugar do Mundial de Pilotos, com 115.
A corrida ficou marcada pelo espectacular acidente do colega de Vettel na Red Bull, o australiano Mark Webber, que saiu ileso de um violento embate no monolugar do finlandês Heikki Kovalainen, à 11.ª volta.
O inglês Lewis Hamilton, com o segundo lugar, na corrida, manteve a liderança no Mundial de pilotos, com 127 pontos, à frente do campeão em título, Jensen Button, com 121. A McLaren lidera entre os construtores.

GP Europa: nove pilotos penalizados
Nove pilotos foram castigados com uma penalização de cinco segundos pela FIA por rolarem a uma velocidade superior ao permitido durante a entrada do safety-car em pista no GP da Europa em Valência, após um acidente entre Webber e Kovalainen.
Robert Kubica e Vitaly Petrov (Renault), Adrian Sutil e Vitantonio Liuzzi (Force India), Rubens Barrichello e Nico Hulkenberg (Williams), Jenson Button (McLaren), Sébastien Buemi (Toro Rosso) e Pedro de la Rosa (Sauber) são os pilotos visados pela FIA.
Assim, Buemi cai e cede a oitava posição a Fernando Alonso e Nico Rosberg passa De La Rosa para ficar com o 10.º lugar.
ABOLA.PT/ JN.PT

G20: Manifestações continuam e a polícia já fez meio milhar de detidos

TORONTO-A polícia mantém-se hoje, domingo, alerta na cidade de Toronto quanto a eventuais novos incidentes com manifestantes contra a cimeira do G20, enquanto contabiliza já meio milhar de detenções.
Com mais protestos marcados para hoje, domingo, a polícia deteve, logo pela manhã, dezenas de pessoas que se encontravam no "campus" da Universidade de Toronto, localizado a poucos quarteirões do centro de congressos onde estão reunidos os líderes dos 20 países mais ricos e países emergentes do mundo.
Numa justificação dada à imprensa, a polícia referiu que as pessoas detidas se "encontravam na posse de tijolos e outros objectos que podem colocar em perigo a segurança dos cidadãos de Toronto".
Várias manifestações contra o G8 e o G20 realizaram-se nas ruas centrais de Toronto desde sexta-feira, promovidos por organizações com diversas mensagens, como anti-pobreza, ecologia ou questões laborais, todas elas assumindo, em tom pacífico.
Porém, no sábado, outros grupos de manifestantes que usavam máscaras e roupas negras iniciaram uma vaga de violência, avançando em algumas artérias para a destruição de lojas e incêndio de carros.
Seguiram-se confrontos com a polícia, a qual agiu à bastonada e com gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.
Na sequência da violência registada, as forças policiais elevaram para máximo o perímetro de segurança em redor do centro de congressos onde decorre o G20.
O Grupo dos 20 é constituído pelo Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Japão, Alemanha, Rússia e as economias em desenvolvimento da Argentina, Austrália, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Arábia Saudita, África do sul, Coreia do sul e Turquia e a União Europeia.
JN.PT

MUNDIAL 2010: ALEMANHA X INGLATERRA (4-1)

Quarenta e quatro anos se passaram desde que a Inglaterra se sagrou campeã mundial pela única vez. Naquela final de 1966, o English Team, jogando em casa, derrotou a Alemanha por 4 a 2. Na prorrogação, com o jogo empatado em dois golos, Hurst protagonizou um lance que entrou para a história como uma das grandes polêmicas das Copas e pôs os ingleses em vantagem. Neste domingo, no Free State Stadium, em Bloemfontein, a Inglaterra provou deste veneno e, em lance semelhante, teve o erro da arbitragem contra si. A Alemanha, que ficaria contra as cordas na partida, respirou e construiu uma goleada de 4 a 1 que a levou à fase de quartos de final da Copa do Mundo de 2010.
Se em 1966 o chute de Hurst bateu no travessão e bateu exatamente em cima da linha, desta vez a conclusão de Lampard tocou a barra e caiu dentro da baliza alemã. Em vez de assinalar o golo, como há 44 anos, a arbitragem do século XXI mandou o jogo correr. Seria o golo de empate da Inglaterra, que àquela altura, no fim do primeiro tempo, perdia por 2 a 1 (Klose e Podolski marcaram para os alemães, com Upson descontando). Na etapa final, o English Team foi com tudo em busca da igualdade e acabou levando mais dois golos de contra-ataque, ambos marcados por Müller.
Nos quarto de final, a Alemanha vai defrontar, no próximo sábado, o vencedor do confronto entre Argentina e México, que acontece ainda neste domingo, às  20h30m . Os ingleses, que foram maioria entre os 40.510 adeptos que foram ao estádio Free State Stadium, voltam para casa uma vez mais com campanha decepcionante (uma vitória, dois empates e uma derrota).
FICHA TÉCNICA
Estádio: Free State, Bloemfontein (AFS).
ALEMANHA:Neuer, Lahm, Friedrich, Mertesacker e Boateng; Schweinsteiger, Khedira, Müller (Trochowski), Özil e Podolski (Gomez); Klose (Kiessling).
Técnico: Joachim Löw.
INGLATERRA:James, Johnson (Wright-Phillips), Upson, Terry e Ashley Cole; Lampard, Barry, Milner (Joe Cole) e Gerrard; Defoe (Heskey) e Rooney. 
 Técnico: Fabio Capello.
Golos: Klose, aos 20, Podolski, aos 32, e Upson, aos 37 minutos do primeiro tempo; Müller, aos 22 e aos 25 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Friedrich (ALE) e Johnson (ING).
 Árbitro: Jorge Larrionda (URU). Assistentes: Pablo Fandino (URU) e Mauricio Espinosa (URU).
Fonte:Globoesporte.com

REINO UNIDO:NOVO GOVERNO VAI BARRAR IMIGRANTES

LONDRES-O Reino Unido vai limitar a entrada de imigrantes a partir de Julho, numa tentativa de proteger os empregos dos cidadãos ingleses. A medida está já a suscitar críticas nos meios empresariais.
Entre o próximo mês e Abril de 2011, as autoridades britânicas permitirão a entrada de apenas 24 mil imigrantes de fora da União Europeia no país.
A partir de Abril, os planos do Governo incluem a aprovação de uma legislação permanente que impõem mais restrições ao número de pessoas que pede vistos para morar no país.
Em 2008, o número total de imigrantes no Reino Unido foi de 163 mil. O objectivo da coligação conservadora-liberal-democrata que governa o pais é aproximar este número dos 50 mil, registo equivalente a meados dos anos 1990.
Entretanto, a maioria dos imigrantes que entram no país vem de outros membros da União Europeia, que não podem ser barrados nas fronteiras.
Para substituir o tecto temporário que ficará em vigor nos próximos meses, a secretária do Interior, Theresa May, conduzirá um processo de consulta pública para definir como limitar a entrada de não-europeus.
Organizações empresariais já se pronunciaram contra os planos do Governo, alegando que as medidas podem gerar falta de mão-de-obra qualificada na, já frágil, economia britânica.
Recentemente, a Confederação de Recrutamento e Emprego, uma das maiores organizações de recrutamento do país, afirmou que o sector de saúde e assistência social – que utiliza um grande número de profissionais de países asiáticos e africanos – será especialmente afectado.
No início do mês, a falta de médicos no país levou o serviço de saúde público a contratar profissionais indianos.
A decisão veio no momento em que, paradoxalmente, muitos médicos do subcontinente asiático estão a voltar para casa devido às restrições de impostos aos profissionais de outros países.
SOL com agências

sábado, 26 de junho de 2010

MUNDIAL 2010:Gana afasta EUA após prolongamento (1-2)

RUSTENBURG -O Gana venceu os Estados Unidos da América, por 2-1 e após prolongamento, e está nos quartos-de-final do Mundial 2010. Agora defrontarão o Uruguai nos "quartos".
O Gana entrou a ganhar, com um golo de Boateng, aos cinco minutos, mas Donovan, aos 62', de grande penalidade, repôs a igualdade. Com o jogo a ter que ir a prolongamento, os africanos cedo despacharam o assunto, com Gyan a fazer o 2-1 no primeiro minuto e a dar a passagem do Gana aos "quartos".
A contagem foi aberta cedo pelo Gana, com Boateng a fazer o tento que colocou em vantagem os africanos, logo aos cinco minutos.
Clark perdeu a bola no meio-campo, Kevin Boateng recuperou e lançou-se ao ataque, rematando sem hipóteses para Howard.
Os africanos, que se qualificaram em segundo lugar do Grupo D, conseguiram manter uma boa toada após o golo, impedindo os norte-americanos de construir jogo, mas não por muito tempo.
A partir dos 20 minutos de jogo, os Estados Unidos começaram a chegar à área ganesa: primeiro por Donovan (22’), na cobrança de um livre, com Mensah a cortar, e logo depois, Dempsey serviu Bradley, mas Kingson estava atento.
Aos 35’, grande susto para o Gana. Dempsey, novamente, serviu Findley, rematou forte e só o pé de Kingson salvou o empate. Logo a seguir foi a vez de Howard brilhar. O guardião americano salvou o golo ganês da mesma forma que Kingson, depois de a defesa ter permitido a Asamoah ficar com a bola.
Na segunda parte os norte-americanos chegariam ao golo do empate, por intermédio de Landon Donovan, que conseguiu juntar-se à lista de jogadores com três golos, além de se tornar o norte-americanos com mais golos em Mundiais.
O jogador converteu uma grande penalidade que foi cometida por Mensah sobre Dempsey.
Antes do penaltie, já os americanos tinham ameaçado chegar ao golo, numa segunda parte em que foram superiores aos ganeses, que haviam dominado a primeira. Aos 59’, Cherundolo cruzou para o segundo poste, Altidore ainda meteu para um colega rematar, mas os ganeses chegaram a tempo.
Aos 68’, Kingson novamente em destaque a salvar o Gana da derrota, mas aos 81’ fio a sorte a salvar a equipa africana. Altidore ganhou a Mensah, rematou de pé esquerdo e já com o guardião batido, a bola passou ao lado.
Com o jogo empatado no tempo regulamentar, foi preciso seguir para prolongamente e o Gana, logo no primeiro minuto, voltou para a frente do marcador.
Aos 93’, Gyan de pé esquerdo foi superior a ao defesa Bocanegra e a Howard e fez o 2-1.
Sem força física ou mental, os norte-americanos não conseguiram ter ideias para contrariar o Gana, que entretanto soube gerir bem o resultado, e por isso estão fora do Mundial.
O Gana terá agora pela frente, nos quartos-de-final, o Uruguai, que estar tarde venceu a Coreia do Sul por 2-1.
FICHA TÉCNICA:
Estádio: Royal Bafokeng Stadium
Sob arbitragem do húngaro Victor Kassai, as equipas alinharam:
EUA: Tim Howard; Cherundolo, Jay DeMerit, Bocanegra, Bornstein; Dempsey, Michael Bradley, Ricardo Clark (Edu, 30), Donovan; Altidore e Robbie Findley
Suplentes: Brad Guzan, Marcus Hahnemann, Onyewu, Clarence Goodson, Spector, Beasley, Benny Feilhaber, Francisco Torres, Maurice Edu, Stuart Holden, Edson Buddle e Hercules Gomez
Treinador: Bob Bradley
GANA: Richard Kingson; John Pantsil, John Mensah, Jonathan Mensah; Samuel Inkoom, Anthony Annan, Kevin Prince Boateng, Hans Sarpei; Kwadwo Asamoah, Asamoah Gyan e André Ayew
Suplentes: Daniel Agyei, Stephen Ahorlu, Isaac Vorsah, Lee Addy, Rahim Ayew, Stephen Appiah, Derek Boateng, Sulley Muntari, Mathew Amoah, Prince Tagoe, Owusu-Abeyie e Dominic Adiyiah
Treinador: Milovan Rajevac
Marcador: 0-1 por Kein-Prince Boateng (6) 1-1 por Donovan (62, g.p.); 1-2 por Gyan (93)
FONTE:SAPO.PT/ABOLA

CV(ANAÇÃO)ENTREVISTA COM A.PEREIRA NEVES PCA DOS TACV

PRAIA-Mesmo num contexto internacional desfavorável ao negócio aéreo internacioal e de críticas provenientes de alguns sectores da sociedade, a Transportadora Aérea Cabo-Verdiana (TACV), registou um crescimento de 14% no 1º trimestre de 2010.
Este é apenas um dos vários resultados da gestão de António Neves, que apesar de considerar que “a Companhia começou a respirar, afirma que a Empresa está confrontada com “problemas estruturais e de contexto graves”.
Ainda assim, contiua determinado a mudar o estado de coisas que encontrou há dois anos e enumera como ganhos da sua gestão, entre outros, o pagamento regular aos fornecdores, o pagamento atempado dos salários, a liquidação de mais de 600 mil contos da dívida encontrada, a reconquista dos operadores turísticos internacionais, a renovação do Certificado IOSA e a entrada da TACV como membro de pleno direito da IATA.
A NAÇÃO - As críticas à TACV chovem por todos os lados. Os clientes e fornecedores da Companhia têm mais razões para criticar a Empresa hoje do que quando assumiu a Administração?
António Pereira Neves - Não tenho a percepção de que chovem críticas de todos os lados. Vamos ser justos. As situações que envolvem a TACV são muito mediatizadas e não raras vezes apresentadas como verdadeiros escândalos. Há muitos interesses em torno da TACV e, não poucas vezes, há a tentação de aproveitamento de situações que acontecem para outros fins que não a crítica séria, justa, honesta e construtiva. Todas as companhias aéreas registam atrasos e cancelamentos. Estes devem-se a razões diversas: avarias, condições atmosféricas adversas, cumprimento dos requisitos de planos de voo, transporte de doentes, deficiências na programação e problemas de gestão de tripulações. O que podemos garantir, suportados em estatísticas, é que os dois últimos factores, que são os que estão sob controlo da TACV, respondem, actualmente, por um número significativamente inferior de irregularidades que temos registado.
Isso significa avanço ou recuo?
É um avanço extraordinário relativamente ao início do nosso mandato. Só os desatentos e aqueles que querem pintar a TACV com as cores do seu desejo é que não reconhecem isso. Os outros factores impedem-nos de descolar porque não podemos, em caso algum, pôr em causa a segurança das nossas operações por razões óbvias ou porque não podemos deixar de transportar doentes evacuados de umas ilhas para outras onde podem contar com melhores cuidados. Devo dizer, como alguns se recordam, que, no ano passado, a nossa operação foi grandemente afectada pelas condições atmosféricas: época chuvosa prolongada em Cabo Verde e Inverno extremamente rigoroso na Europa e nos Estados Unidos. Ficámos muitas vezes impossibilitados de voar e, consequentemente, de facturar. As situações de irregularidades são sempre muito difíceis de gerir em qualquer companhia. Pior numa companhia com uma frota à justa em que não há flexibilidade operacional e disponibilidade para avançar com um outro aparelho quando por qualquer motivo um outro não pôde descolar no horário previsto. No nosso caso concreto, as irregularidades constituem uma espiral e são muito custosas em razão da protecção de passageiros a que estamos obrigados por lei: hotel, alimentação, transporte, etc. Não somos masoquistas: as irregularidades são penalizantes para a nossa imagem, desconfortam os passageiros e originam uma hemorragia de recursos financeiros. Continuaremos a trabalhar na consolidação e melhoria do nosso sistema global de produção.
MELHORAR A COMUNICAÇÃO
O staff da TACV trata os clientes e passageiros com arrogância. Partilha desta constatação do público?
Sinceramente que não diria, nem sinto isso. Reconheço que temos muitos problemas de comunicação e que nem sempre agimos com prontidão e eficácia. O atendimento no transporte aéreo, especialmente em situação de irregularidade, é muito sensível devido ao estado de tensão e estresss que se gera. Os atendedores e responsáveis de assistência a passageiros devem ter muita calma e serenidade para explicarem e esclarecerem os clientes, e eles são treinados para isso. Entretanto, o ambiente que se cria com o descontentamento de passageiros que não podem cumprir o seu plano de voo, que perderam o seu compromisso no destino, que não podem chegar a tempo para o baptizado ou a festa de aniversário, etc. é susceptível de descambar para o conflito, e não raras vezes isso acontece. Sobretudo, quando aparece alguém a tirar proveito da situação, como ocorreu, recentemente, no Aeroporto Internacional da Praia, quando foi necessária a intervenção policial. Temos de continuar a qualificar os nossos serviços de assistência em terra, para podermos prestar um serviço de cada vez maior “standing” neste particular.
A comunicação com os passageiros e com o público tem sido muito deficitária. O que mudou e o que vai mudar nessa área?
O propósito é continuar a mudar e a melhorar. Temos vindo a fazer esse percurso. Como disse já, o melhor mesmo era não termos irregularidades na nossa operação. Quando há atrasos e cancelamentos devido aos factores acima apontados, a situação é dificilmente gerível. Nunca se consegue ter sucesso absoluto. Por exemplo, em matéria de informação aos passageiros, há sempre aqueles que não são contactados porque não deixaram um meio de contacto ou porque a comunicação devia ter sido assegurada pela agência onde adquiriram o seu bilhete. Quando atrasamos um voo para transportar um doente não se sabe se o voo seguinte vai ser realizado porque toma-se muito tempo com a operação e podemos atingir o pôr-do-sol que nos impede de seguir para o próximo destino programado. Por isso é que eu digo que é complicado. Como temos de conviver com irregularidades o que temos de fazer é tornar cada vez mais eficiente o nosso serviço de Call Center e fazer um uso mais intensivo de todos os meios de comunicação e de informação e não apenas do telefone. As informações no aeroporto também devem ser melhoradas. Já estamos a tratar disso, mas reconheço que os resultados são mitigados.
FIDELIDADE
Como justifica que o destino Portugal, um dos mais solicitados, tenha uma das tarifas mais altas do mercado, sobretudo quando há maior procura?
Importa dizer que nas rotas de e para Portugal existe um acordo de “code share” que deve ser respeitado pelas partes. A TACV é fiel ao compromisso e pretende continuar a sê-lo. Relativamente à segunda parte da sua pergunta, deve compreender que essa é uma das regras de ouro do sector: quando há maior procura, as tarifas são também mais altas. Todas as companhias do mundo funcionam assim. Incluindo as chamadas “low-cost”. E aceita-se que assim seja tendo em conta a sazonalidade do negócio de transporte aéreo: factura-se bem na época alta e assim-assim e pouco nos períodos baixos.
Muitas pessoas defendem que a TACV já teve dias melhores. O que há de justo nesta apreciação?
Não tenho elementos para informar. O que posso assegurar com dados objectivos e insuspeitos é que a TACV está melhor do que quando esta Administração iniciou o seu mandato. Do ponto de vista comercial, recuperámos mercado étnico e regressámos ao segmento turístico. Temos bons contratos para este Verão. Inaugurámos a linha Mindelo/Lisboa a 30 de Abril último. Lançaremos nos próximos dias a terceira frequência Praia/Bóston, depois de termos avançado com a segunda frequência em Março do ano passado. Retomaremos a ligação com Madrid também brevemente. Os voos Nice/Praia terão o seu início a partir de 2 de Julho próximo. O objectivo é torná-los regulares contando com o mercado senegalês. No primeiro trimestre deste ano, crescemos 14 por cento (%) em número de passageiros transportados, em relação ao período homólogo anterior. A taxa de ocupação dos aparelhos progrediu de 53% para 61%. Isso significa que crescemos com eficiência como, aliás, convém a uma companhia que está a sair de um período muito complicado. Acresce que crescemos em todos os mercados ou segmentos (doméstico, regional e internacional). Há mais confiança do mercado e dos seus protagonistas na TACV. Neste mandato também foi estruturado (em tempo recorde como muitos se lembram) o nosso serviço de handling na Boa Vista e no Mindelo e reequipadas as outras escalas num investimento global que ultrapassou os 200 (duzentos) mil contos. Poucos acreditavam que o pudéssemos fazer. Foram informatizados os serviços de check-in em S. Filipe, respondendo a uma reclamação antiga de melhoria dos serviços prestados aos nossos clientes do Fogo. Reforçámos e expandimos os serviços de segurança (security) da Companhia como mandam os regulamentos.
E como estão do ponto de vista técnico-operacional?
A TACV renovou e conquistou novos certificados. Somos membros de pleno direito da IATA, desde Novembro de 2009. Estamos no registo IOSA até Dezembro de 2011. Ajudamos o País a passar com sucesso a auditoria ICAO, no ano passado. Vendo o aspecto financeiro, conseguimos aguentar as muitas irregularidades do ano passado (despesas com protecção de passageiros devido a cancelamentos e atrasos) e as avarias num dos nossos Boeings. Pagámos mais de 600 mil contos de dívidas acumuladas nos exercícios anteriores. Acertámos as nossas dívidas com o fisco e com a segurança social. Limpámos todos os descobertos bancários contraídos em 2008. Hoje pagamos regularmente aos fornecedores de combustível, aos fornecedores de serviços de “handling” e a outros fornecedores. Aparte o mês de Outubro de 2009, nunca mais tivemos problemas em pagar pontualmente os salários. Não queremos dizer com isso que não temos problemas. Longe disso: temo-los e são complicados, sem dúvida. Mas não se pode ignorar o que já foi cumprido. Nem passar uma esponja sobre a obra feita só porque isso não convém aos desígnios de determinados sectores ou porque não ajuda aos fins que perseguem.
FRAGILIDADE COMPETITIVA
Há uns anos, o Governo ambicionou fazer da TACV uma companhia aérea moderna, competitiva e poderosa. O que terá falhado?
Esta deve ser a ambição de um governo em relação à Companhia aérea de Bandeira do País. É também a ambição da actual Administração. Hoje, com maior conhecimento do negócio e da TACV, estou convicto de que esse objectivo é alcançável. Temos é de continuar a trabalhar com convicção, com determinação e com ideias. E de encontrar as respostas mais apropriadas e adequadas aos problemas e dificuldades. Também não podemos desperdiçar oportunidades, mas temo muito que os nossos problemas financeiros nos forcem a isso.
Numa entrevista polémica concedida a este Jornal, considerou que o Governo devia assumir que tinha falhado na TACV. As coisas mudaram?
Já estava à espera desta. O facto de o Governo ter mudado de estratégia veio em boa hora. Isto está claro para toda a gente honesta, séria, imparcial e que não está interessada em utilizar a TACV para fins escusos ou inconfessos.
Os problemas da TACV são estruturais ou conjunturais?
Estamos confrontados com problemas estruturais e de contexto, graves e difíceis de ultrapassar. A nossa estrutura técnico-organizativa padece de ineficiências específicas que nos colocam numa posição competitiva muito fragilizada. Veja-se, para começar, o que nos impõe a nossa configuração arquipelágica, com distâncias curtas e várias aterragens e descolagens para servirmos as ilhas e as populações. Repare-se nos custos que temos de incorrer para o posicionamento das tripulações para os voos internacionais. Tenha-se em conta a rigidez e inflexibilidade da legislação laboral em matéria de imposição de disciplina e profissionalismo num sector extremamente regulado e que deve funcionar segundo regras e padrões estritos de segurança e em que, por isso mesmo, o absentismo, a falta de assiduidade, o não-cumprimento de horários, e a negligência causam prejuízos enormes…
Há outros problemas estruturais?
Existem! Por exemplo: a obrigação imposta por Lei de a TACV proteger os passageiros, mesmo quando os atrasos e cancelamentos são originados por factores fora do controlo e acção da TACV ou as pesadas taxas que a TACV é obrigada a pagar pela utilização de serviços fornecidos pela ASA (única fornecedora). Mas há mais: os problemas de natureza conjuntural. A escalada dos preços de combustível ocorrida em meados de 2008, deixou sequelas em todas as companhias aéreas, e a TACV não foi excepção. A crise financeira e económica internacional do ano passado reduziu a procura de viagens e diminuiu o tráfego de passageiros. As companhias europeias e norte-americanas atravessam a sua maior crise de sempre. Só as companhias asiáticas e latino-americanas conseguem ainda trabalhar no azul. As recentes medidas de ajustamento orçamental e de redução do défice público tomadas na zona euro vão impactar muito negativamente a procura e as viagens. Veremos as consequências financeiras para as companhias. Diria que hoje pairam muitas incertezas sobre o futuro imediato do sector de transporte aéreo: depois de um optimismo moderado no início do ano sustentado nos primeiros dados de tráfego conhecidos, o pessimismo parece voltar devido ás medidas restritivas que estão a ser adoptadas pelos governos europeus. A TACV faz parte deste mundo e sofre com ele como as outras companhias aéreas.
GESTÃO PROFISSIONAL
O que é preciso mudar-se na Gestão da TACV?
Temos de ter cada vez mais uma gestão profissional. Ter uma linha de rumo e orientação, prosseguir com determinação a realização dos objectivos almejados, ser reactiva às alterações na envolvência e nas circunstâncias do contexto e ter força suficiente para não se deixar abater pelo stress devido à maledicência e injúrias gratuitas, pelas resistências às mudanças que devem ocorrer e perante as dificuldades de percurso, sejam elas de que natureza forem. A gestão deve também ser cada vez mais sensível aos seus constituintes, dialogando mais e esclarecendo melhor para uma cada vez maior identificação destes com as tarefas e objectivos da empresa. A liderança deve ser forte, determinada, esclarecida, mobilizadora e participada e estar à altura dos desafios a enfrentar.
A Companhia, no estado em que se encontra, está em condições de ser privatizada?
Continuo a achar que este não é o melhor momento para a privatização de uma companhia aérea, não só da TACV. Os dois últimos anos foram terríveis para o negócio de transporte aéreo e isso fez recuar os investimentos no sector. A Air France anunciou recentemente prejuízos recordes. A generalidade das companhias aéreas europeias e americanas estão no vermelho. Isto conta. Na recente reunião da IATA em Berlin foram apontados problemas que devem ser ultrapassados a nível internacional e nacional para tornar esta actividade mais atractiva. Os governos europeus estão preocupados com este sector cada vez mais essencial na circulação de pessoas e bens no mundo moderno. Então, prefiro não ter muitas ilusões. O que não quer dizer que não apoio a privatização da TACV ou que não reconheça que poderia contribuir para minorar a forte restrição financeira a que está sujeita a nossa actividade. Não desistimos mas devemos ser realistas e não cair em stresses e angústias se não a conseguirmos concretizar.
Falou-se em tempos, numa parceria estratégica com outras companhias aéreas e operadoras turísicas internacionais. O que há de concreto nesta matéria?
As parcerias entre as companhias aéreas são um instrumento usado para tornar mais eficiente o sistema de distribuição e a rede de linhas das operadoras aéreas. As alianças são hoje essenciais. Ninguém sobreviverá fora de acordos e alianças. A TACV também está condenada a isso. Temos é que saber com quem casar para realizarmos o objectivo de ter uma empresa moderna, sólida e sustentável. O futuro está na consolidação e não na proliferação e atomização, mormente em mercados pequenos e com reduzido tráfego natural. Deve-se, do meu ponto de vista, compreender esta dinâmica e retirar as devidas consequências. De concreto, há entendimentos comerciais com algumas companhias aéreas. Com os operadores turísticos temos desenvolvido e aprofundado as relações comerciais. A nossa operação neste Verão está muito suportada nos acordos com operadores turísticos. Hoje já é possível alargar e diversificar os negócios com esses operadores depois das medidas que tomámos de consolidação no sector de produção, de maior regularidade e estabilidade da nossa programação comercial e de uma confiança acrescida de que gozamos no mercado. Já estamos a trabalhar o nosso programa de Inverno IATA 2010 e as respostas têm sido muito positivas.
EMPRESA HANDLING
A anterior gestão reduziu significativamente os efectivos da TACV, mas a companhia continua pesada, com mais de cem pessoas por avião. Não pensa ser necessário o emagrecimento da TACV?
A sua apreciação falha num ponto: a TACV não é apenas uma operadora aérea. Ela é também uma empresa de handling. Deve-se ainda ter em conta a ineficiência que a regulamentação laboral impõe neste aspecto. De todo o modo, teremos algum pessoal excedentário em alguns sectores. Os ajustamentos não são feitos devido aos elevados custos decorrentes de processos do género. Não só financeiros, bem entendido. Podíamos era equilibrar a nossa estrutura regional de pessoal, mas também isso é difícil em razão da prática de contratos locais que existiu no passado, que nos impede, por exemplo, de transferir alguém de um ponto para o outro sem o seu consentimento.
A Companhia parece estar a gastar mais do que ganha; ter mais despesas que receitas. Estamos aqui numa lógica empresarial pura?
É uma situação insustentável. Ninguém nem nenhuma empresa se aguentam por muito tempo com um tal défice. Por isso mesmo, estamos a tomar medidas para equilibrar as nossas contas: cortámos e emagrecemos lá onde era possível. Continuamos o processo de racionalização da estrutura e dos custos para sermos mais eficientes. Tem de ser assim, é o único caminho portador de futuro. Agora, é verdade que o que estamos a fazer não chega, não é suficiente tendo em conta a forte descapitalização a que chegámos. Esta é uma situação muito difícil e crítica para a qual há que se encontrar uma saída. Estaremos a hipotecar o futuro se não se fizer, de uma forma ou de outra, a recapitalização da companhia.
AJUSTAR-SE AOS NOVOS TEMPOS
Qual o sector mais produtivo e o mais dinâmico da Companhia?
A Empresa no seu conjunto tem que ajustar-se aos novos tempos. O sector mudou e o mundo também. O 11 de Setembro de 2001 alterou radicalmente o negócio. As preocupações com a segurança vieram aumentar significativamente os custos das companhias aéreas. A desregulamentação e liberalização dos mercados aumentaram a concorrência e reduziram as tarifas. As companhias aéreas regulares são as que mais sofreram. Por isso, assiste-se hoje a um movimento de consolidação na indústria para ganhos de eficiência e de escala. A TACV tem de mudar para não ficar de fora deste movimento e do negócio. Mas também há que mudar a forma como encaramos o negócio de transporte aéreo em Cabo Verde e isso não é responsabilidade só da TACV.
A impressão é que se tem uma frota desajustada das ambições da Companhia. Confirma?
A ambição é uma coisa e a realidade é outra. Gostaria de ter uma frota internacional mais moderna de aviões mais eficientes e menos caros em termos de manutenção. Não foi possível fazer a renovação dessa frota, hoje temos de acomodar os custos e, por isso, somos menos competitivos. Gostaria de ter um avião de médio porte mais ajustado ao nosso tráfego em determinados períodos do ano, e não o tenho por razões financeiras e outras. Um avião que pudesse fazer o regional onde existe oportunidades que não podemos aproveitar em razão dos nossos problemas financeiros. Digo-lhe, entretanto, que estamos a concluir um estudo sobre a frota para ser discutido. Temos vindo a ter contactos com as duas principais construtoras de avião do mundo mas ainda não temos uma decisão.
INJUSTIÇA E MANIPULAÇÃO
Quais as suas linhas mais rentáveis?
As nossas linhas internacionais são hoje, globalmente, equilibradas, assim como as regionais. As operações domésticas são mais problemáticas mas trabalhamos para, pelo menos, as equilibrar.
A TACV tem uma dívida enorme para com a ASA. Como tem vindo a geri-la?
A TACV sempre teve dívidas enormes para com a ASA. É uma grande injustiça e pura manipulação dizer-se que a actual administração é incompetente e incapaz com base no montante da referida dívida. Isso foi passado para a opinião pública para se fazer o coro contra a TACV e os desmandos que determinados sectores insistem em fazer crer que acontecem na empresa. A diferença que existe, hoje, em relação ao passado, é que o Governo deixou de assumir tais dívidas por conta da Empresa. A outra diferença é que hoje a TACV poderá estar em condições de cumprir com as suas responsabilidades sem recorrer ao Governo como sempre, repito, sempre, aconteceu no passado recente. As taxas foram revistas para cima, em 2007, à revelia da TACV, que se manifestou contra. Em decorrência desse ajustamento, os custos para a TACV aumentaram significativamente, estando na origem da derrapagem e aceleração ocorrida ulteriormente. Em 2009, dissemos à ASA que não podíamos pagar a dívida acumulada, por causa dos problemas financeiros herdados e da prioridade que foi dada a outros compromissos.
 Que respostas obtiveram?
O Senhor Presidente do Conselho da Administração da ASA não compreendeu, não aceitou e fez aquilo que fez, em Dezembro de 2009, depois de alardear por aí que ia deixar os aviões da TACV no chão. Foi desonesto e desleal nas explicações que veio a dar ao público e ao Governo para justificar o injustificável. Há documentos e correspondências que comprovam o que estou a dizer. Este ano, fruto da melhoria da nossa situação financeira, a dívida acumulada até 31 de Dezembro de 2009 vem sendo paga, regularmente, e as receitas recebidas de terceiros têm sido transferidas normalmente. Entendemos, contudo, que as taxas são elevadas e que não correspondem à qualidade dos serviços prestados. Por isso, estamos a preparar o debate desta questão com a ASA, com a Autoridade Aeronáutica e com o próprio Governo, pois, não faz sentido capitalizar a ASA, descapitalizando a TACV. Também temos contas a apresentar à ASA pelos prejuízos que tivemos e que, pensamos, lhe devem ser imputados.
Será que a questão com a ASA teve solução política, já que têm as duas empresas públicas a mesma tutela?
Já respondi a esta pergunta.
QUIPROQUÓ COM A HALCYONAIR
E o quiproquó com a Halcyonair?
Não se trata de nenhum quiproquó. O assunto foi entregue aos tribunais e aguardamos uma decisão. Recorde-se que a TACV recorreu ao Tribunal depois de a Halcyonair ter falhado com todas as promessas e com todos os compromissos de liquidação da dívida. E este é um processo que vem desde 2009. A TACV não pode, como se compreende, financiar uma concorrente privada e, depois, pedir dinheiro ao accionista Estado para a sua recapitalização. Isso não faz nenhum sentido.
Causou alguma impressão na opinião pública que tenha querido a tolerância da ASA, ao mesmo tempo que estava intransigente com a Halcyonair, aparentemente pelas mesmas razões. Explique-nos isso.
As duas situações não são comparáveis. Por que é que a TACV deve ser tolerante com uma concorrente que lhe deve dinheiro? Que falha todos os acordos de pagamento que assinou! Que cada hora diz uma coisa para justificar o não-cumprimento de compromissos que assumiu! Isto é inconcebível e inaceitável num mercado aberto e concorrencial, e lamento muito que me considere intransigente quando procuro defender os interesses da TACV nesta matéria. O mais fácil seria assobiar para o lado e não criar caso! Mas não se conte comigo para uma tal farsa.
INÉDITO
Assumiu publicamente que o congelamento das contas da TACV pelo Ministério Público foi desproporcional. Que medidas pretende interpor para se ressarcir dos danos causados?
A correcção da primeira decisão da Procuradoria veio dar razão ao entendimento que, desde a primeira hora, a TACV teve sobre o assunto. Lamentamos que a Procuradora da Comarca da Praia tenha levado mais de oito dias para emendar uma decisão desajustada e extrema. Sabemos que alguns bancos, fruto da sua experiência em situações do género, também estranharam a medida inicial e pediram esclarecimentos à Procuradoria. Os danos causados à TACV são do conhecimento público e foram amplificados por um aproveitamento inqualificável da situação. Vamos ver se podemos fazer alguma coisa para a TACV ser ressarcida pelos prejuízos que lhe foram injustamente causados.
Já agora: porque a TACV recusou acatar a decisão dos tribunais em relação ao piloto em desavença com a Companhia?
É preciso esclarecer que, com base no relatório da ocorrência elaborado na sequência da recusa do Comandante Fontes de fazer o voo, deixando os passageiros em terra, foi-lhe instaurado um processo disciplinar. A Administração aceitou a recomendação de despedimento por justa causa feita pelo instrutor do processo. O arguido, porém, interpôs uma providência cautelar, pedindo a suspensão do despedimento até ao julgamento do processo principal, que está marcado para o próximo dia 14 de Julho. O Tribunal acolheu a pretensão do arguido e mandou reintegrar o Comandante Fontes até ao julgamento definitivo da causa.
O que não foi feito. Quais os fundamentos?
A TACV não acatou a decisão de reintegração, por duas razões fundamentais: a profunda e legítima perda de confiança no seu colaborador, em razão da gravidade do acto praticado (convém referir que o mesmo não conseguiu apresentar um atestado médico que seja para justificar que se encontrava doente) e, depois, porque, como diz a lei e é comum nestes casos, o congelamento das contas só poder ir até ao limite do valor a ser protegido e nunca o que fez a Procuradoria da Comarca da Praia. Ninguém na TACV acreditou que o Comandante Fontes era capaz de cumprir com a ameaça de deixar o avião no chão se a sua família não embarcasse. A sua atitude é um facto inédito na história da TACV, tendo recebido desaprovação generalizada e veemente. E deve-se registar que o homem já tinha antecedente disciplinar grave e foi perdoado.
Podia explicar para os leitores os meandros desse processo. Parece ter havido uma certa negligência no enquadramento jurídico do caso.
Pouco mais há a acrescentar. Somente que o caso foi aproveitado como meio de pressão e chantagem e como mais uma oportunidade para o julgamento e crucificação pública da Administração, em particular do PCA. Compreende-se que assim tivesse acontecido se se tiver em conta o Gabinete de Advogados assistente do Comandante Fontes e o Jornal que noticiou o caso em primeira-mão.
NOVO REGIME DE TRABALHO
Qual é a relação entre a Administração e os pilotos?
Temos grandes e bons profissionais no seio do pessoal navegante, que é, como se compreende, fundamental na produção da companhia. Muitos dos ganhos e resultados que tivemos nos dois últimos anos são creditados a uma produção mais regular e eficiente. Teremos de continuar o caminho percorrido até agora e corrigir os aspectos menos conseguidos. O PNT da Boeing compreendeu desde logo as tarefas que devíamos realizar e tem estado à altura dos desafios que temos que vencer. Relativamente ao PNT da ATR, temos mais problemas mas estou confiante que os podemos ultrapassar. O PNC tem globalmente colaborado e participado no esforço de recuperação que é de todos e a todos beneficiará. Agora vamos negociar a implementação do novo regime de trabalho do pessoal móvel de aviação civil. Espero que possam emergir consensos aceitáveis para todas as partes e que resultem em benefícios para a companhia. Esta precisa de estabilizar e consolidar a sua produção e precisa de ter uma produção mais competitiva face à concorrência.
As linhas da Diáspora e do Turismo estão no máximo da sua exploração?
Não podemos estar satisfeitos com o tráfego que temos neste momento. Não só porque ainda há espaço para uma maior produtividade da actual frota mas também porque, como já referi, a dimensão é essencial no negócio de transporte aéreo devido aos custos fixos a que uma companhia aérea está obrigada. O transporte aéreo, por ser uma actividade simultaneamente capital intensiva e mão-de-obra intensiva, requer volumes apreciáveis de recursos financeiros para o aumento de capacidade de transporte de mais passageiros e cargas. O mercado étnico nos é fiel mas temos problemas de conectividade de linhas que nos empobrecem em termos competitivos. Quanto ao segmento turístico, trata-se de um mercado muito exigente em termos de tarifas e em termos de regularidade. Não se trata só de querer mas de poder: ter capacidade e oferecer um bom produto a um preço competitivo.
SONHO
Muitos brasileiros do Nordeste vão aproveitar os voos da TACV para chegar à Copa do Mundo. Porque é que a Companhia não fez voos charters para a África do Sul nesta alta futebolística?
Simplesmente, porque não temos capacidade para o fazer. Não podemos estar a sonhar com o impossível quando temos problemas muito concretos e reais para resolver.
Nas vésperas da época alta na aviação, a TACV decide retirar o Boeing 757-200 “B. Lèza” da circulação. Porquê e o que vai representar esta decisão em termos de perdas?
Quem disse que o “B. Lèza” foi encostado? Há muito tempo que estavam programados trabalhos de interiores do avião e a sua pintura. Só agora foi possível reunir meios financeiros para a realização desses trabalhos e se conseguiu slot para a sua pintura. Sabia que, para substituir as cadeiras de um avião, é preciso autorização da Autoridade Aeronáutica? E que, para pintar um avião, é preciso marcar e encontrar vez numa empresa qualificada e autorizada para o efeito? As coisas não são fáceis nem evidentes na aviação comercial. O B. Leza já está a regressar à linha. Vai oferecer maior conforto e comunidade aos nossos passageiros e vai ser mais eficiente em voo devido à pintura de que foi alvo. Estes trabalhos deviam ter sido feitos há cerca de três anos.
NO CLUB SELECTO
A TACV vai lançar o serviço “Classe Comfort” nas linhas Boston, Fortaleza, Amsterdam e Paris, bem como a Classe Executiva para Las Palmas. Comercialmente, o que isto representa?
Fazêmo-lo para diferenciar as categorias de passageiros e de tarifas numa perspectiva de oferecermos mais alternativas de comodidade e satisfação aos nossos clientes e de melhorar a tarifa média. É uma exigência antiga dos nossos passageiros a que estamos a responder agora.
A TACV acabou de participar, de 6 a 9 de Junho, pela primeira vez, na Assembleia Geral da IATA. O que isso representa para a Companhia e para Cabo Verde?
Representa estarmos no clube mais selecto e no fórum mais qualificado em transporte aéreo do mundo. Significa a concretização de uma aspiração antiga da companhia de estar entre os melhores e de poder beneficiar, por direito próprio, de todos os produtos e facilidades desta Associação. Vamos poder contar com assistência técnica e aconselhamento qualificados da IATA. Vamos poder formar e treinar os nossos colaboradores nos melhores centros de formação em aviação comercial do mundo.
A Administradora Comercial visitou, recentemente, a Guiné Equatorial, um país sem comunidade cabo-verdiana expressiva e sem grandes interesses comerciais para o nosso país. Porquê dessa visita?
Porque está a abrir-se uma janela de cooperação com a companhia nacional da Guiné Equatorial que será benéfica para ambas as partes e que poderá abrir caminho para entendimentos e acordos muito vantajosos para o futuro. Será uma oportunidade para a TACV pôr à disposição da sua congénere a sua experiência e competências acumuladas aos longos dos anos. Será mais uma prova de prestígio da TACV, muito reconhecido e elogiado por todos aqueles que nos conhecem e reconhecem o trabalho que vem sendo feito ao longo dos anos por profissionais sérios e dedicados em diversos sectores da Companhia.
Começou a implementar uma nova política de desenvolvimento dos Recursos Humanos. Quais são os seus eixos principais e o que ela representa para os trabalhadores e para os utentes da vossa Companhia Aérea? 
Na verdade, o Conselho de Administração decidiu seguir o Conselho de Concertação Social, atribuindo o aumento salarial de 1.75% para este ano (há três anos que não era concedido aumento salarial na empresa). Também foi actualizado o tecto do subsídio de turno em 10% e estamos a avaliar como podemos corrigir os subsídios de turno inferiores ao tecto actual. Num outro registo, o Conselho de Administração decidiu abrir as carreiras (há pessoas com carreiras estagnadas há 10, 15 e mais anos) e corrigir as injustiças de que muitos foram alvo nas suas promoções num período de 3 anos. Os objectivos, para além da justiça relativa nas carreiras, são de gerar maior motivação, maior transparência e equidade e de utilizar a avaliação do desempenho como instrumento de promoção e premiação do mérito. Estamos também a dizer que os colaboradores devem participar dos resultados que ajudaram a criar. Esperamos que os custos venham a ser mais do que compensados por uma produtividade e motivação acrescidas dos recursos humanos da empresa.
RESISTÊNCIA AOS INSULTOS
Chega ao fim de dois anos de gestão e, com isso, o fim do seu actual mandato. Quais são os ganhos da sua gestão?
Já foram referidos ao longo desta entrevista. Acrescentaria que estou moderadamente optimista e expectante sobre a possibilidade de realizarmos um excedente de exploração este ano. Isso é absolutamente possível. Se tivermos um bom Verão IATA e não tivermos tantas irregularidades como em 2009, alcançaremos esse objectivo, apesar das expectativas pessimistas geradas pelas recentes medidas económicas e financeiras tomadas nos principais centro emissores de tráfego para Cabo verde e da escalada de preços dos combustíveis. Estou confiante que os trabalhadores da TACV compreendem e assumem essa necessidade e que tudo farão para a realizarmos. E espero que a revisão das taxas e a revisão da lei de protecção de passageiros alavanquem um tal objectivo.
Como se sente neste momento?
Só posso estar satisfeito e confiante no futuro da TACV. E os trabalhadores da TACV devem sentir-se orgulhosos pela obra feita e pelos resultados conseguidos. Os nossos clientes e parceiros sabem que estamos melhores e é por isso que a sua preferência pela TACV vem aumentando.
Ser irmão do actual Primeiro-Ministro facilita ou dificulta o seu trabalho?
Resisto-me bem aos insultos, calúnias e difamações que me são feitos por causa desta condição. Se isto faz aos que se dedicam a isso felizes, que continuem! Tenho força moral e inteligência emocional suficientes para não me deixar abater por causa disso.
O aproximar das Eleições Legislativas é perturbador da gestão da TACV?
Quando se vê o que se passa no Parlamento Nacional e se lê aquilo que os anónimos de serviço escrevem na net, só se pode esperar o pior em períodos pré e eleitorais. Não é só perturbador para a TACV, mas para toda a gente e para o País.
ANAÇÃO-por Domingos Cardoso, Gisela Coelho, Abraão Vicente
http://www.alfa.cv/anacao/index.php?option=com_content&task=view&id=1383&Itemid=2FOTO-EXPRESSO DAS ILHAS

FORMULA 1:SEBASTIAN VETTEL CONQUISTA POLE-POSITION EM VALÊNCIA


O piloto alemão Sebastian Vettel (Red Bull) conquistou hoje a “pole-position” para o Grande Prémio da Europa em Fórmula 1, a disputar no domingo no circuito urbano de Valência, Espanha.
Ao seu lado, Vettel, que rodou em 1.37,587 minutos, terá o seu companheiro de equipa, o australiano Mark Webber, que foi mais lento em apenas 75 centésimos de segundo.
O campeão do Mundo de 2008 e atual líder do campeonato, o inglês Lewis Hamilton (McLaren) fez o terceiro tempo e largará da segunda linha, logo à frente do espanhol Fernando Alonso (Ferrari).
Da terceira linha sairão o brasileiro Felipe Massa (Ferrari) e o polaco Robert Kubica (Renault), enquanto o campeão em título, o inglês Jenson Button (McLaren) obteve apenas o sétimo tempo.
Grelha de partida para o Grande Prémio da Europa, a disputar no domingo em Valência:
1. Sebastian Vettel, Ale (Red Bull-Renault)
2. Mark Webber, Aus (Red Bull-Renault)
3. Lewis Hamilton, GB (McLaren-Mercedes)
4. Fernando Alonso, Esp (Ferrari)
5. Felipe Massa, Bra (Ferrari)
6. Robert Kubica, Pol (Renault)
7. Jenson Button, GB (McLaren-Mercedes)
8. Nico Hülkenberg, Ale (Williams-Cosworth)
9. Rubens Barrichello, Bra (Williams-Cosworth)
10. Vitaly Petrov, Rus (Renault)
11. Sébastien Buemi, Sui (Toro Rosso-Ferrari)
12. Nico Rosberg, Ale (Mercedes)
13. Adrian Sutil, Ale (Force India-Mercedes)
14. Vitantonio Liuzzi, Ita (Force India-Mercedes)
15. Michael Schumacher, Ale (Mercedes)
16. Pedro de la Rosa, Esp (Sauber-Ferrari)
17. Jaime Alguersuari, Esp (Toro Rosso-Ferrari)
18. Kamui Kobayashi, Jap (Sauber-Ferrari)
19. Jarno Trulli, Ita (Lotus-Cosworth)
20. Heikki Kovalainen, Fin (Lotus-Cosworth)
21. Lucas Di Grassi, Bra (Virgin-Cosworth)
22. Timo Glock, Ale (Virgin-Cosworth)
23. Karun Chandhok, Ind (Hispania-Cosworth)
24. Bruno Senna, Bra (Hispania-Cosworth)
SAPO.PT

BRASIL:100 dias para a sucessão de Lula

RIO DE JANEIRO-Diz o povo brasileiro que o Presidente Lula é um "macaco velho" da política, o que até é um elogio quando se ouve a definição para o seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, caracterizado como "pelintrão". Quando a 3 de Outubro terminar a era Lula, o desafio de governar uma das mais importantes economias emergentes vai ser entregue a um dos dois candidatos que se perfilam como principais: Dilma Rousseff e José Serra. A preferida dos jovens, das elites e dos mais esclarecidos politicamente é, no entanto, Marina Silva, que está com valores muito baixos nas sondagens apesar de, pela primeira vez, se ir medir no Brasil o que valem as redes sociais numa campanha. Há quem espere uma inversão como aconteceu com Obama. Uma situação que só se porá após o Mundial de futebol!...
Adda Di Guimarães inventou uma máquina de viajar no tempo que permite a quem passa pela Praça N. Sr.ª da Paz, no Rio de Janeiro, ver como era o Brasil no tempo em que o Presidente Lula ainda era um sindicalista furioso contra as grandes montadoras de carros do estado de São Paulo e como é o país que vai deixar de governar daqui a cem dias, quando for eleito o seu sucessor.
Maioritariamente feminino, o Brasil poderá ser pela primeira vez liderado por uma mulher, Dilma Rousseff, que já recebeu de Lula o ceptro para a corrida eleitoral, ou por Marina Silva, que se desligou há uns meses do partido do Governo, o PT, por convicções ecológicas. Homem mesmo, há o tradicional representante da classe política brasileira: José Serra. Destes três candidatos, Serra é o mais parecido com os protagonistas das fotografias que Adda tem expostas nas prateleiras da sua máquina do tempo, onde também existem imagens de mulheres, só que em trajes menos cerimoniosos, como é o caso da apresentadora Xuxa, quase nua nas centrais duma revista masculina.
A máquina que nos faz viajar no tempo é uma banca de revistas, jornais e memorabilia dos anos 80. Adda só vende no seu estabelecimento esses produtos que se salvaram de reciclagem ou do caixote do lixo mas que mostram como a história do país mudou nas últimas três décadas, sempre com Lula no horizonte político. Diz que tem clientes suficientes para ter a loja aberta numa das praças do bairro de Ipanema, porque as pessoas "são curiosas e identificam-se com o passado". Os que ali entram trazem esperanças de várias gerações, desde os jovens seduzidos por primeiras páginas que fazem lembrar a actualidade, aos mais velhos que ainda se recordam de ter ido comprar aquele número do pasquim, até aos decoradores das novelas de época que necessitam de jornais e revistas antigos para os cenários de filmagens.
Adda garante que o negócio não a faz ficar rica, mas era o seu sonho e por isso paga o preço. Desta vez, a campanha eleitoral não vai contar com ela, como aconteceu no passado: "Sou da geração de 68 e participei muito na vida política de então, porque era um momento importante." Não tem saudades dessa vida atribulada, nem da que se seguiu sob um regime militar ditatorial, mas mantém a sua "visão crítica" e diz-se "coerente com as próprias ideias". Sobre a governação de Lula, a sua opinião é taxativa: "Manteve uma política de alianças muito pragmáticas com quem lhe interessava." Acrescenta que, como favoreceu o desenvolvimento e melhorou em muito a qualidade de vida, "tem um apoio enorme das classes mais pobres" porque fez alguma obra na educação, saúde e segurança.
Quanto aos três candidatos, o seu voto iria para Marina Silva, porque "é honesta e possui uma visão ambiental importante". Quanto a José Serra, refere que "é bom mas não trabalha bem o sector da educação como se viu na prática em São Paulo", e sobre Dilma Rousseff conclui que é a "projecção dos mandatos de Lula". Mas, alerta, dificilmente irá votar em alguém porque o seu tempo político já passou: "Sou um cliché da minha geração." Ao contar a sua história, confirma que os seus tempos de rebeldia - os da "geração do desbunde" - não se enquadram num tempo em que o Brasil já não é um país-esperança, mas sim um protagonista da economia global e decidido a ter um papel importante na diplomacia mundial.
Nas capas das revistas e jornais que expõe, a "guerra"' é entre políticos nacionais, e hoje o Brasil intromete-se nos interesses dos políticos internacionais, como se verificou recentemente ao tentar viabilizar, com a Turquia, um avanço nas negociações com o Irão para este se tornar também uma potência nuclear. Nas próximas eleições presidenciais, a política internacional pouco interessará aos eleitores, mesmo se os comentaristas políticos façam extrapolações sobre a guerra com a Administração Bush porque o povo acha que o encontro de Lula e Ahmadinejad é um fait-divers. Importante para os brasileiros que sofreram os tempos pré-Lula é que a situação interna seja de desenvolvimento e que a vida melhore. Lula deu-lhes isso e a candidata sucessora segura essa mesma bandeira, pouco acrescentando de novidade à sua campanha.
Entre as principais razões que solidificam a intenção de voto no Brasil está a situação económica. Prova disso foi nas eleições de 1994 quando Lula estava a liderar mas o sucesso do Plano Real de Fernando Henrique Cardoso lhe permitiu a reeleição. Outra é a entrada em campo da Rede Globo, que consegue eleger ou destronar candidatos e governantes, mas como tem estado pró-Lula a realidade não deverá mudar face a Dilma Rousseff.
Por entre as ramagens das árvores que dão sombra à banca revivalista de Adda, se se procurar uma nesga entre o recorte dos prédios de um dos melhores bairros do Rio de Janeiro, descobre- -se um dos lugares mais tenebrosos para se viver: a Rocinha. Esta favela, que tem mais de 150 mil moradores, cumpre as duas normas "obrigatórias" para ter este estatuto, o de terem a melhor vista sobre a tal Cidade Maravilhosa e ser a prova da tese marxista de que é necessário haver mão-de-obra abundante, barata e perto de onde se realiza a mais-valia capitalista.
A paisagem que se observa das varandas e janelas mais altas da encosta onde se foi edificando a Rocinha dá para o luxuoso bairro de São Conrado, podendo dela ver-se distintamente um arranha-céus arquitectado por Óscar Niemeyer e as praias da Barra da Tijuca. Olhando para dentro do seu labirinto de ruas, o urbanismo perfeito do mítico arquitecto brasileiro é algo que não existe, nem as largas avenidas ou as superquadras de Brasília, mas muitas ruas e travessas onde o visitante se perde facilmente ou pode ser atropelado pelas mototáxis que levam à garupa os moradores até às suas casas. Não se sabe se os motociclistas aceleram mais devido às sensações eróticas provocadas pelo peito das mulatas contra as suas costas ou se é para fazerem mais corridas em menos horas - do que se tem a certeza é que os gangues da droga controlam a zona a 100%.
Conta a história que estes gangues surgiram da convivência com os revolucionários que tentavam deitar abaixo a ditadura militar. Juntos nas mesmas celas, os comunistas ensinavam-lhes tácticas de revolta e de guerrilha que, à falta de interesse político, eles aproveitaram para ganhar a vida. Até agora, esse espírito mantém-se bem vivo na Rocinha, enquanto o interesse pela política é diminuto mesmo que nas ruas principais se colem cartazes com o número a digitar na máquina de voto dos políticos que apelam ao voto dos pobres. O "mercado" de votos é grande nas favelas que existem no Rio de Janeiro, pois vivem ali 20% da população carioca, um local onde as promessas do Presidente Lula fizeram furor por oferecerem uma quase miragem. Era a "Fome Zero", era mais educação e mais segurança, propostas que a maioria muito deseja ver tornadas reais para poderem sorrir para o futuro.
A maioria da população que aí vive não faz do crime o modo de vencer na vida, estão ali porque é a única hipótese de estar perto do emprego e de o terem. Vêm de todo o Brasil e acabam nas "rocinhas" do Rio de Janeiro por não terem outra oportunidade. Por isso, enquanto se anda pela rua comercial que divide a meio a favela, pode ouvir-se uma dupla sertaneja a cantar os sucessos musicais do seu estado porque há muito morador com desejo de matar saudades do Ceará. Também se pode comprar de tudo, já que não há por ali uma ASAE: rapadura [doce de cana-de-açúcar]; caranguejos ainda vivos e tainha de Cabo Frio já amanhada, tudo posto sobre tampos de madeira; carnes para churrasco e de todo o género expostas sobre sacos de plástico; quiabos e outros produtos hortícolas dentro de baldes; doces cozinhados na hora em óleo requeimado; água retirada de cocos armazenados em pilhas sobre o chão, onde escorre não se sabe bem o quê. Curiosamente, a agência bancária que existe nesta ampla rua comercial nunca foi assaltada.
Leopoldino tem um espaço montado logo à entrada da rocinha e faz a filtragem aos de casa e aos visitantes. Não é difícil realizar essa triagem, nem tentar impingir um dos seus artigos a quem parece ser turista. O produto que mais lhe compram são T-shirts a dizer Rocinha e, por essa razão, tem uma gama variada e em todos os tamanhos, não vá aparecer algum americano gordo que lhe pague o dobro do que qualquer outro turista por este souvenir. Leopoldino vive na e da favela e sabe que é necessário conhecer algumas técnicas de marketing para despachar a mercadoria mais depressa. Quando o cliente aparece, fala logo um inglês razoável: "Vendo estas T-shirts para ganhar dinheiro para estudar à noite." Quando descobre que o interlocutor é português, o discurso vai directo ao coração: "O meu avô era português." E faz esta afirmação sem qualquer receio de que a cor da sua pele o desminta por muito dado à sacanagem que o seu antepassado fosse.
Patrícia também tenta apanhar os visitantes para vender ímanes para o frigorífico ou peças de vestuário de seda americana. Ao seu lado está a filha e uma amiga, ambas com oito anos, que brincam com um cão pequeno. Não as deixa afastar porque a insegurança é muita: "Antigamente, os bandidos não andavam tão armados, nem vendiam droga à vista das crianças." Aos 28 anos, o seu desejo é deixar a Rocinha para ir morar para um lugar mais pacífico, mas sabe que ainda falta vender muita peça para ter dinheiro para tal, mesmo não sendo muito exigente: "O que eu gostava mesmo era de mudar para a Favelinha. Lá não tem tráfico, não se paga taxa e é tudo mais barato."
Quando se pergunta a um dos moradores da Rocinha sobre as próximas eleições, as respostas desviam-se para o Mundial na África do Sul. Ainda é muito cedo para decidir se votam em Dilma, Marina ou Serra. Ou até se votam em algum destes nomes, apesar de já não poderem contestar o Governo como fizeram no tempo do voto em papel, ao "eleger" por maioria um macaco. O entusiasmo pelo futebol é tanto que a maior parte das ruas da Rocinha estão cobertas com folhas de papel verde e amarelo, num gosto popular que marca a diferença entre a cidade dos pobres e as vias largas que vão dar Fashion Mall de São Conrado ou ao campo de golfe que dá origem ao único espaço verde das redondezas.
Estes moradores ainda não estão preocupados com a liderança de Dilma Rousseff nas sondagens, com 40%, enquanto José Serra recolhe 35% das intenções de voto e Marina Silva apenas 9%. Esta é a preferida da vanguarda cultural brasileira, mas é a outra dupla que conta para a disputa eleitoral. Após o Mundial de futebol, a política vai aquecer e Lula voltará a estar no centro das atenções. É que José Serra necessita de encontrar razões para destronar a "governista" Dilma, e só trazendo os podres da administração Lula é que há roupa suja para mudar a orientação do voto na sucessora do Presidente.
Ailton tem 51 anos e conhece bem a história do Brasil nestas últimas décadas, principalmente a parte que diz respeito ao povo. Vende de tudo numa pequena caixa colocada sobre um banco numa esquina, e o artigo que tem na mão é bom para os turistas: um chapéu-de-chuva, ou de sol, com os principais destinos turísticos da cidade desenhados sobre o tecido. Para ele, a situação está melhor e só tem a agradecer ao Presidente Lula: "Com os outros, não dava para comprar nada, e agora até consegui adquirir um pedacinho de terra." O lugar onde construiu casa fica, mesmo assim, longe das ruas onde costuma assentar arraiais. Ainda não decidiu em quem vai votar mas, se houvesse mais Lula, decerto que votaria nele. O mesmo acontece com Marilza, que mora em Itaguaí. Enquanto amanha peixe, diz que Lula também é o preferido, e a razão é a mesma da maioria, que não tinha como sobreviver nos tempos do presidente intelectual, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso.
Enquanto Marilza trata do peixe, três moradores das 70 famílias que vivem na ilha conversam na esplanada do restaurante. O mais velho contesta o fim da escola que existia na ilha: "Desviam o dinheiro para onde vive muita gente para comprar votos. Nós somos poucos para que se invista aqui." O único que fala mal de Lula é Mendes Brandão, um militante do velho Partido Trabalhista Brasileiro. Instalou um altifalante no centro do Rio de Janeiro e cada vez que desembarcam passageiros do ferry que liga o Rio a Niterói aumenta o tom de voz contra o Governo: "A nossa riqueza está a ser explorada pelos estrangeiros." Ninguém pára um segundo sequer para o ouvir criticar Lula.
Tal como o discurso do militante do PTB, também a influência da colónia portuguesa na política brasileira já pouco conta. No Rio de Janeiro, os portugueses já foram muitos e ricos, e a sua quantidade e qualidade tinha expressão política mas, actualmente, é quase zero, pois os lusodescendentes não valorizam a componente lusodescendente de tão aculturados que estão. Por outro lado, o domínio de grande parte da economia de serviços, outrora na mão dos portugueses que emigraram para o Brasil, cessou quase por inteiro. As padarias, as lanchonetes que serviam as refeições e os supermercados mudaram de mãos e só resta aos velhos portugas o regalo de verem na Casa de Trás-os- -Montes, e outras do género, ranchos da santa terrinha em digressão. Segundo o director do Real Gabinete Português de Leitura, António Gomes Costa, "a maioria dos portugueses nem são eleitores, o que só lhes permite uma influência indirecta na política". Ou seja, não será com o voto lusitano que o sucessor do Presidente Lula será escolhido.
DN.PT-por JOÃO CÉU E SILVA, no Rio de Janeiro