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domingo, 4 de dezembro de 2011

CV(Lusa):Desaparecimento do Euro seria "bomba atómica" para economia mundial, diz PM

PRAIA- Um eventual desaparecimento do Euro seria uma "bomba atómica", uma vez que desestruturaria toda a economia mundial, afirmou hoje(03) o primeiro-ministro de Cabo Verde.

"O desaparecimento da Zona Euro seria uma bomba atómica para a economia mundial.
 Desestruturaria tudo em termos económicos. Estamos num momento de construção de uma nova era, que pressupõe que a Europa se mantenha como uma força económica muito grande, sustentada no Euro", disse José Maria Neves.
O chefe do executivo cabo-verdiano falava aos jornalistas após uma conferência, de quase três horas, realizada pelo antigo chefe da diplomacia de Portugal Luís Amado, subordinada ao tema "O Futuro da Zona Euro: Implicações Estratégicas para a África Ocidental e para Cabo Verde".
"Estamos a analisar todos os cenários e a construir soluções alternativas. Queremos que o euro continue forte, como um instrumento importante de crescimento e competitividade da Europa e que Cabo Verde continue ancorado ao euro", sublinhou.
No seu entender, no caso de situações mais complexas, como um eventual desaparecimento da Zona Euro ou de uma sua profunda recomposição, Cabo Verde "terá de tomar medidas adicionais" na política cambial.
Cabo Verde assinou, em 1997, um acordo cambial com Portugal que, em virtude da criação do Euro, em 2002, ficou depois indexado à moeda europeia, sendo o Tesouro português a garantir a paridade e a convertibilidade do escudo cabo-verdiano.
José Maria Neves afirmou-se "preocupado, mas não assustado" com o futuro da Zona Euro e, além do estudo para encontrar soluções alternativas caso se dê o colapso da moeda europeia, insistiu na ideia de criação de um pacto político e social.
"Preocupado sim, enquanto chefe do Governo de um pequeno país, tendo em atenção a grande turbulência por que passa o mundo, com os grandes riscos, incertezas e imprevisibilidade quanto ao futuro. As coisas mudam a uma velocidade extraordinária, a todos os minutos", afirmou.
"Temos de estar conscientes de que, teremos de ter um pensamento estratégico inteligente e construir consensos para fazer face à situação com responsabilidade", acrescentou, defendendo a concretização de um pacto político e social em Cabo Verde, como sociedade civil, ONG, sindicatos, empresas, partidos políticos e igrejas.
Sobre quais serão as alternativas, José Maria Neves lembrou a localização estratégica do arquipélago, em pleno meio do Atlântico, próximo de três continentes - Europa, África e América -, que tem permitido diversificar as relações.
"Queremos transformar Cabo Verde num centro internacional de serviços, num «país ponte» entre os continentes, transformando-o numa fonte de competitividade para a nossa economia", explicou, dando como exemplos as novas relações com Brasil, Angola, China, Índia , África do Sul, Marrocos, Mauritânia, Japão e Golfo Pérsico
"Cabo Verde não tem outra alternativa senão transformar as suas vantagens comparativas em fontes de vantagens competitivas, inserir-se de forma competitiva no espaço da CEDEAO, ter uma política de grande vizinhança e manter relações privilegiadas com a UE, no seu todo", concluiu.

JSD./Lusa/Fim
http://noticias.sapo.cv/lusa/artigo/13436983.html

sexta-feira, 2 de julho de 2010

CEDEAO: Cabo Verde só terá importância estratégica se estiver bem integrado na organização, diz PM

SANTA MARIA-Cabo Verde só terá importância estratégica se estiver "bem integrado" na CEDEAO, defendeu quinta feira o primeiro-ministro cabo-verdiano, lembrando a localização geográfica do arquipélago, em pleno Atlântico Médio, que pode servir de "ponte" entre três continentes.
Numa conferência conjunta com James Victor Gbeho, presidente da Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), José Maria Neves sublinhou que, só plenamente inserido na organização, o país pode, dada a localização geoestratégica, ligar África, Europa e Américas.
"Cabo Verde é parte integrante da CEDEAO há 33 anos. Quer ser útil para a integração regional, que é, aliás, um dos pilares da Parceria Especial que tem com a União Europeia (desde 2007) para reforçar a coesão e o desenvolvimento regional", afirmou num encontro com jornalistas, maioritariamente da África Ocidental.
LUSA/EXPRESSO

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

CV:EUA têm abertura para parcerias com Cabo Verde, diz PM


PRAIA-Os EUA têm um "forte compromisso" com o desenvolvimento de África, mas também uma "grande abertura e disponibilidade" para estabelecer parcerias com Cabo Verde, garante o primeiro-ministro cabo-verdiano.
José Maria Neves falava aos jornalistas numa conferência de imprensa, a dar conta da deslocação feita terça-feira aos EUA, a convite do Presidente Barack Obama, para, em conjunto com outros líderes de África, analisar e perspectivar o futuro das relações entre a administração norte-americana e os Estados africanos a sul do Saara.
"Há um forte comprometimento dos EUA para com África, sobretudo na agricultura e segurança alimentar e no desenvolvimento do capital de recursos humanos e nas áreas sociais e nas questões energéticas e ambientais", referiu o chefe do Executivo da Cidade da Praia, sublinhando a "coincidência de pontos de vista" com Cabo Verde.

É nesse sentido que, acrescentou, Cabo Verde se insere na política de parcerias que a nova administração de Obama quer desenvolver em África, tendo sido essa a mensagem que José Maria Neves passou, numa intervenção feita durante um almoço de cerca de duas horas, em que participaram outros 25 chefes de Estado e de Governo africanos. "Queremos apostar forte nas parcerias para o desenvolvimento, nomeadamente nas áreas do ambiente e das mudanças climáticas e, sobretudo, nas energias renováveis", afirmou José Maria Neves.
"Actualmente há um bom momento e boas relações entre os EUA, de um lado, e África e Cabo Verde por outro, e isso vai traduzir-se em parcerias futuras, o que vem ao encontro das necessidades dos africanos, que devem ser os primeiros e únicos responsáveis pelas vitórias e pelos fracassos da governação", defendeu.
No almoço, onde as conversas foram "afectivas, informais e abertas", José Maria Neves diz ter defendido que Cabo Verde está a promover a criação de emprego e de empreendedorismo, razão pela qual a aposta na educação, em todos os níveis de ensino, começa a dar os seus frutos, com a especialização de quadros.
Mas, segundo o primeiro-ministro cabo-verdiano, Obama referiu que para que as parcerias sejam concretas e uma realidade é necessário o cumprimento de várias condições, designadamente a boa governação, respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e diálogo na gestão de conflitos.
"Alguns países (africanos) não cumprem esses requisitos e daí a ausência de representantes do Zimbabué, Sudão, Guiné-Conacri e Quénia, entre outros", sublinhou o governante cabo-verdiano, que adiantou que o Presidente de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes, e o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, também estiveram presentes no almoço mas não fizeram intervenções.
José Maria Neves diz ainda ter falado com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, igualmente presente no almoço, que lhe garantiu que em breve regressará a Cabo Verde (onde esteve em visita de trabalho em meados de Agosto último) "para passar uns dias de férias com o marido".
OJE/LUSA