domingo, 9 de dezembro de 2012

CV:Francisco Tavares diz que municípios são discriminados pelo Governo

Francisco Tavares considerou este sábado, 8 de Dezembro, que os municípios continuam a ter tratamento discriminatório por parte do Estado. Entretanto, o presidente cessante da Associação Nacional dos Municípios Cabo-verdianos (ANMCV) espera uma nova era para o municipalismo no nosso país, que vai desde a resolução dos principais problemas que afectam as pessoas, à adopção de novos mecanismos legais capazes de dar mais poder às autarquias locais.

Francisco Tavares diz que municípios são discriminados pelo Governo

Na abertura do 7º Congresso da Associação Nacional dos Municípios Cabo-verdianos (ANMCV), Francisco Tavares começou por relembrar que os tempos são de crise internacional, que tem impacto a nível nacional. Ao mesmo tempo, enumerou algumas dificuldades e os momentos difíceis que os autarcas enfrentam na sua convivência diária com as pessoas.
Mas “é nestes momentos que os eleitos municipais têm de provar o que são capazes”, considera Francisco Tavares no seu discurso de despedida, para quem o momento não é de protagonismos, mas, sim, de convergência com o Estado, para, juntos, darem mais emprego, mais água, melhor saneamento, mais habitação, mais segurança. Enfim, minimizar de vez muitos dos problemas municipais.
O presidente cessante da ANMCV não tem dúvidas em afirmar que os municípios cabo-verdianos continuam a sofrer “tratamento discriminatório” por parte do Estado. Porém, “acreditamos que as coisas podem mudar porque doravante existe um posicionamento mais consentido nos mecanismos de convergência e de diálogo. Queremos mais e melhor descentralização, menos Estado, mais municípios e mais regiões”, pede Tavares. E o edil de Santa Catarina de Santiago termina o seu discurso com um Mais: enaltece a "grande revolução" feita pelo Governo no ordenamento do território.
Governo aberto para o dialogo da convergência
Mas a Ministra-adjunta e da Saúde considera que tudo isso ainda não é suficiente para alcançar outros níveis de desenvolvimento. Em representação do Governo, Cristina Fontes Lima reconhece que é preciso uma “nova fórmula de relacionamento”, um “diálogo robusto e continuado” e uma “convergência” entre o Governo e as Câmaras Municipais. Considerando que o desafio das autarquias locais é enfrentar os problemas e apresentar soluções para a melhoria das condições de vida dos cabo-verdianos, a governante entende que não deve haver uma relação de situação e oposição – algo que se verifica muito, sobretudo com as câmaras de cor política diferente da do Governo -, mas as autarquias locais devem funcionar como "outro poder", capaz de materializar as promessas feitas durante a campanha eleitoral.
“Apesar da crise, Cabo Verde pode procurar soluções e aproveitar as oportunidades para continuar a crescer”, espera Cristina Fontes Lima, dizendo que para isso os municípios precisam de um "choque de gestão". E Garante que o Governo que representa está disponível e aberto a prosseguir com a descentralização e a regionalização, “desde que as soluções sejam boas, sirvam as populações, acelerem as decisões e o ritmo de crescimento local”.
O 7º Congresso da ANMCV decorre durante todo o dia deste sábado na Assembleia Nacional. O encontro conta com a presença dos eleitos municipais saídos das eleições autárquicas de Julho e Agosto últimos, corpo diplomático, confissões religiosas, representantes do Governo. O ponto alto acontece ao final da tarde com a eleição dos novos órgãos que irão comandar os municípios de Cabo Verde durante os próximos quatro anos.

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