São Miguel
Quando a “vergonha” as tolhe, é o próprio Presidente da República que espicaça as pessoas a falar, quebrando barreiras e formalidades. Percebe-se que JCF é peixe na água entre a gente humilde desta terra e que a empatia flui naturalmente
| Dar a voz ao povo é o mote das visitas do Presidente |
Praia, 13 dezembro 2012 – O Presidente da República termina hoje a sua visita de dois dias ao Município de São Miguel. Iniciada na última quarta-feira, a deslocação oficial, para além das formalidades, tem-se saldado por uma impressionante manifestação de afetos, de proximidade com os cidadãos e de múltiplas conversas olhos-nos-olhos entre o Chefe de Estado e cidadãos anónimos que, de forma franca, têm colocado os seus mais sentidos problemas.
Ontem, pela manhã, na sessão solene em sua honra realizada nos Paços do Concelho, Jorge Carlos Fonseca deu logo o mote sobre o que seria a deslocação a este concelho de Santiago Norte: “a ideia e o compromisso de ser um Presidente junto das pessoas é, justamente, para permitir escutar os cidadãos e as comunidades e, na medida das minhas possibilidades e conhecimentos, deixar pistas para a vossa reflexão e ajudar a encontrar soluções para os problemas”.
UM PRESIDENTE JUNTO DAS PESSOAS
Um mote, aliás, que, não tendo sido ouvido pelos populares, ali mesmo se fez ao largo de Ponta Verde, onde o Presidente foi abordado por jovens e menos jovens que lhe quiseram expressar as suas preocupações. E de onde emergiu a queixa maior: a falta de emprego que cria grandes dificuldades às famílias e lhes faz sentir o espetro da incerteza. A todos Jorge Carlos Fonseca respondeu com palavras de compreensão, explicando que as suas atribuições não lhe permitem resolver diretamente os problemas, mas garantindo tudo fazer para alertar os responsáveis políticos para as situações expostas, explicando com uma rara pedagogia as funções do Presidente da República enquanto fiscal do sistema político e depositário de uma magistratura de influência. Antes, porém, o Presidente visitou o complexo de obras do projeto Casa para todos desta localidade.
UM DIA DE AFETOS
Foi um dia de afetos, marcado por uma visita ao pároco local e ao impressionante complexo que é o centro paroquial, logo seguida de uma passagem pela Escola Padre Moniz, com os alunos a cantaram, bem afinados, o hino nacional acompanhados a acordes de viola. Espaço, também, para nova conversa interativa e para a primeira distribuição do dia de exemplares da Constituição da República, um hábito que instituiu nas suas deslocações.
Da parte da tarde, em Flamengos, o PR deslocou-se ao jardim-de-infância, onde os meninos o aguardavam à entrada, cantando também o hino nacional, o que muito comoveu Jorge Carlos Fonseca. E, aos poucos, vários habitantes foram enchendo a sala para uma conversa de uma hora com o Chefe de Estado.
O MOMENTO ALTO
Ao final do dia – e de regresso aos Paços do Concelho -, o Presidente da República juntou dezenas de jovens no Salão Nobre, entabulando animada conversa com a plateia que, com grande atenção, ouviu as palavras do Presidente e, transposta a primeira barreira de “vergonha”, fez ouvir as queixas de uma juventude sedenta de respostas para os seus problemas e anseios.
Jorge Carlos Fonseca, que falou sempre em pé e junto à plateia, apelou à natural rebeldia dos jovens para que aprimorem o seu sentido crítico e para que não tenham medo de levantar a voz. Segundo o Presidente, há que combater o preconceito que procura fazer passar a ideia que esta geração só quer divertir-se e não se preocupa com nada, considerando que hoje, comparativamente com o seu tempo, os jovens têm outras necessidades e preocupações que devem ser respeitadas e escutadas pelos que exercem o poder e pela sociedade no seu conjunto. Uma sociedade, aliás, a que os jovens correspondem a dois terços.
De novo, o PR utilizou a pedagogia para explicar as suas atribuições, para exaltar a liberdade e a democracia e enfatizar a arma poderosa de cidadania que é a Constituição da República e, também de novo, terminou o encontro oferecendo exemplares da Lei magna pelos presentes.
A visita oficial a São Miguel termina hoje, ao início da noite, depois de deslocações à Ribeira de Principal, à associação de Hortelã, a Achada Bolanha Espinho Branco (para um encontro com os Rabelados), à oficina de costura em Mato Correia, a Pilão Cão e, finalmente, regressando aos Paços do Concelho para um encontro com operadores económicos do município.
O sempre presente apelo ao sentido crítico dos jovens
http://liberal.sapo.cv/noticia.asp?idEdicao=64&id=37978&idSeccao=525&Action=noticia
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