sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

CV:Pesca, Agricultura e Turismo – apostas para o desenvolvimento do Tarrafal


Presidente da República assinala 
São estes os setores centrais para o desenvolvimento deste município de Santiago Norte. Logo no primeiro dia da sua visita oficial, Jorge Carlos Fonseca foi desconsiderado pelos deputados do PAICV - que não o acompanharam -, numa inqualificável manifestação de sectarismo e desrespeito pela primeira figura do Estado de Cabo Verde
Para além da natural empatia com as pessoas, JCF aposta num discurso mobilizador das energias coletivas
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Praia, 21 dezembro 2012 – Prossegue hoje o segundo e último dia da visita oficial do Presidente da República ao município do Tarrafal de Santiago, encerrando, de igual modo, o ciclo de deslocações aos concelhos de todo o País, iniciado por Jorge Carlos Fonseca no passado ano e só interrompido por ocasião das eleições autárquicas.
ATITUDE INJUSTIFICÁVEL
Como primeiro registo, assinale-se a injustificável atitude dos deputados do PAICV, eleitos pelo Santiago Norte, que, convidados pela Presidência da República, decidiram não comparecer. Uma atitude que, diga-se de passagem, vem sendo habitual em praticamente todas as visitas oficiais de JCF aos municípios. Nesta deslocação ao Tarrafal apenas disseram presente os parlamentares do MpD Filipe Furtado e Fernando Elísio Freire, este último também líder ventoinha na Assembleia Nacional.
TRÊS ÁREAS PARA O DESENVOLVIMENTO
Para além da envolvência popular e da afetividade registada nas várias localidades visitadas por Jorge Carlos Fonseca, de realçar, ainda, a sua intervenção na sessão solene de boas-vindas, realizada ontem de manhã nos Paços do Concelho, onde o Presidente da República destacou as três grandes áreas económicas centrais para o desenvolvimento do município: a Pesca, a Agropecuária e o Turismo.
“Acredito, sinceramente, que o desenvolvimento harmonioso e integrado desses três sectores de atividade poderá ser uma via para o desenvolvimento sustentado do concelho”, defendeu o Chefe de Estado, salvaguardando que “a capacitação dos pescadores é fundamental, mas ela não deve cingir-se ao aspeto técnico. Este é muito importante, mas deve ser complementado por formação nas áreas empresarial e associativa. Estes investimentos permitirão racionalizar a atividade e obter maior proveito das potencialidades existentes” e sustentando que “aliado a estes aspetos, a disponibilização de crédito é essencial para que os investimentos possam ser feitos nos prazos adequados”
PESCADORES ESTÃO DESAMPARADOS
Mas as incapacidades de armazenamento do pescado foram, de igual modo, assinaladas como “constrangimentos que condicionam a pesca, um pouco por todo o lado”, sendo uma circunstância “altamente desmotivadora, pois não permite ao pescador aproveitar os endentes, obrigando-o a se desfazer deles ou a vendê-los a preços inadequados”, referiu o Presidente da República, que considerou ser esta uma profissão que comporta “importantes riscos de saúde”, para mais sem qualquer sistema de proteção social. “Quando o homem do mar não pode trabalhar por doença, acidente, limite de idade, ele fica completamente desamparado, pois não possui qualquer sistema de protecção social. Fica, pois, entregue à sua sorte. Esta é uma situação que afeta esta e outras camadas, como os agricultores, e que deve ser encarada com o devido cuidado na procura de soluções pertinentes”, sentenciou Jorge Carlos Fonseca.
AGRICULTURA FUNDAMENTAL PARA A CRIAÇÃO DE EMPREGO
Segundo o Presidente da República, “não obstante as reconhecidas potencialidades agrícolas e pecuárias do concelho e a grande disponibilidade em água subterrânea, a agricultura não tem conhecido o desenvolvimento esperado”, pelo que “pela importância de que se reveste a actividade agropecuária, no tocante à produção e ao emprego, ela deve ser olhada de forma mais atenta”, nomeadamente, modernizando este setor de atividade “particularmente nas esferas da irrigação e da produção”, colocando a questão da água “no centro das preocupações”.
“Seria importante que uma decisão sobre a construção da barragem do Tarrafal fosse adotada, pois essa infraestrutura terá um grande impacto em toda a agricultura e no preço da água, que é um dos constrangimentos mais apontados pelos camponeses, como acontece no Colonato de Chão Bom”, acentuou o Presidente da República, que defendeu ser importante “para além das medidas acima referidas, e acima como para o setor pesqueiro, a adequada estruturação do crédito agrícola terá de ser um elemento central em todo o processo”.
TURISMO INCIPIENTE
Aludindo às reconhecidas potencialidades turísticas do Tarrafal de Santiago, Jorge Carlos Fonseca considerou que “o seu aproveitamento é ainda relativamente incipiente”, e defendendo que o município “possui excelentes condições para articular o turismo de sol e mar, incluindo o desportos náuticos, com o turismo de montanha e o cultural”, medidas fundamentais para “dar o salto” e colocar Tarrafal “nos pacotes turísticos de modo a atrair investidores”.
“Há que fazer da maravilhosa baía de Mangue, autêntico ex-libris desta terra, mais do que um lugar de deleite para os tarrafalenses e visitantes, uma fonte de rendimento para o concelho”, sublinhou ainda o Presidente da República.
CULTURA E HISTÓRIA COMO MAIS-VALIA ECONÓMICA
Mas no domínio da oferta turística, Jorge Carlos Fonseca exaltou a fundamental contribuição da cultura e da história cabo-verdianas, defendendo: “Há que articular essa baía de grande beleza natural com a cultura e a história. A grande tradição oral do Tarrafal, o finaçon de Nha Bibinha Cabral, um dos expoentes máximos da cultura tarrafalense, ou de Tchota Soares, outro ícone da cultura local, que encontram eco em Princesito, Mário Lúcio ou Beto Dias, devem ser potenciados, nesse cruzamento entre tradição, modernidade e turismo”. Um cruzamento que, defende também, deve “contemplar a História, a História da resistência, da luta anticolonial e antifascista que o Campo de Concentração do Tarrafal pereniza, pois, acabou, na dor e na luta, unindo povos que se batiam contra a opressão”.
O Chefe de Estado comprometeu-se, publicamente, a dar o melhor de si para que a pretensão de elevar o Campo de Concentração a Património da Humanidade se concretize, porquanto é “em primeiro lugar, um ato de justiça e de reconhecimento do sofrimento que gentes das ex-colónias portuguesas e de Portugal verteram em nome da liberdade e da dignidade e, por outro, em consequência, um espaço de atração turística.
http://liberal.sapo.cv/noticia.asp?idEdicao=64&id=38084&idSeccao=523&Action=noticia

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