sábado, 15 de dezembro de 2012

CV:UNTC-CS denuncia “trabalho escravo” na Boa Vista


O Secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde – Central Sindical (UNTC-CS) denunciou esta sexta-feira, 14, a existência de “trabalho escravo” nos hotéis na ilha da Boa Vista. Perante este cenário "chocante", Júlio Ascensão Silva exige que o Governo mande um inspector-geral do trabalho “o mais rápido possível” à ilha das Dunas, sob pena de este ser acusado de “conivência e cumplicidade” na resolução dos problemas laborais.

UNTC-CS denuncia “trabalho escravo” na Boa Vista
Após contactos e reuniões com trabalhadores e instituições na ilha da Boa Vista entre os dias 12 e 14 deste mês, nomeadamente o INPS, a delegacia de Saúde e o sector hoteleiro, o retrato de Júlio Ascensão Silva é desolador. 
O sindicalista diz que há “enormes problemas” por parte da previdência social, desde consultas de especialidade, evacuações e problemas no acesso aos medicamentos. Silva constatou ainda que não há qualquer representação da direcção geral do trabalho e nem da inspecção geral do trabalho, facto que o leva a dizer que os trabalhadores da Boa Vista estão “completamente abandonados, sem cobertura e assistência de nenhuma instituição”.
Por causa dessa “lacuna” e após os relatos obtidos, o secretário-geral da UNTC-CS diz que as relações e o regime de trabalho na Boa Vista assemelham-se a “trabalho escravo”. A título de exemplo, constatou que, em alguns hotéis, os funcionários são impedidos de usar a casa de banho e são punidos se o fizerem. Mais: diz que esses hotéis aconselham os trabalhadores a não beberem água, para não terem necessidade de utilizarem a casa de banho, recusam a oferecer alimentação e água e obrigam os trabalhadores a trazer os produtos de casa.
O sindicalista vai mais longe, e constatou que os donos das empresas impõem contratos a prazo a trabalhadores com mais de 10 anos de serviço, punem os trabalhadores sem qualquer processo disciplinar, despedem sem justa causa e não indemnizam os trabalhadores. Sem apresentar números e citar nomes, Júlio Ascensão Silva vai dizendo, entretanto que “a situação é geral e chocante”. Pois, os empregadores pressionam e perseguem levando que os funcionários se auto-demitem, sem direito a indemnização. “E ainda há rescisão de contratos a prazo antes de completarem cinco anos, como forma de iludir as disposições legais, porque sabem que depois de cinco anos o contrato a prazo converte-se automaticamente em contrato por tempo indeterminado”, adverte.
“Face a essas situações, exigimos ao Governo, e particularmente à ministra que tutela a pasta do Trabalho, que coloque o mais urgente possível um inspector do trabalho na ilha da Boa Vista. Os trabalhadores pedem e exigem e se não fizerem isso, serão acusados de conivência e cumplicidade sobre o que se passa na ilha em matéria das relações do trabalho”, diz o Secretário-geral da UNTC-CS, apelando também ao INPS que melhore a sua assistência aos trabalhadores nas ilhas sem hospitais regionais.
http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article83084

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