PROMESSAS
RA:O senhor prometeu para 2009 dotar o país de mais infra-estrutura na área cultural. Entre os projetos, destacam-se a criação do Museu Nacional, com sede provavelmente na Cidade Velha (Ilha de Santiago), do Museu de Arte Contemporânea, na Praia (Santiago), e do Grande Auditório e Galeria de Arte, em São Vicente.
O Ministério que dirige tem conseguido cumprir todos os projectos por si anunciados?
MV:Aí é que, às vezes, a Comunicação Social cobra, mas talvez porque a mensagem não passou da melhor maneira.
Em Cabo Verde, na política cultural, uma das coisas que precisamos, já falei da formação, já falei da organização. A outra coisa que nós precisamos é da infraestruturação cultural. Não se percebe que na Capital não tenhamos um espaço onde podemos acolher espetáculos para 3 mil ou 5 mil pessoas.Nós temos apenas salas de 600 pessoas, 2 salas para 600 pessoas.Precisamos de infraestruturas culturais em todas as ilhas. Naturalmente, o que eu disse é que o Ministério da Cultura iria fazer tudo por tudo para ver se conseguia encontrar financiamento para o Museu Nacional, para um auditório-galeria em S.Vicente, porque S.Vicente é m polo importante de cultura; mas também as outras ilhas precisam; há sítios onde a necessidade é maior. Há necessidade também de um Museu da Arte Contemporânea, porque nós precisamos preservar, conservar o nosso património artístico ... eu disse que ia fazer tudo por tudo para procura o financiamento. Naturalmente, que não podemos fazer tudo isso com o Orçamento do Ministério da Cultura.Temos que encontrar parcerias.Se digo que vou buscar parcerias, quero dizer que ainda não tenho; e posso encontrar hoje, posso encontrar amanhã, posso encontrar daqui a 6 meses; quer dizer: é uma preocupação, não é um compromisso, não é uma proposta de que eu vou fazer. Eu li algures que o Ministro prometeu e que isso ainda não aconteceu...
O mesmo aconteceu acho que é no Expresso das Ilhas , quando entrevistaram o Corsino Tolentino e disseram : “o Ministro da Cultura tomou posse em 2004, prometeu que em 2005 havia de oficializar o crioulo e já passou todo esse tempo e ainda nada. Que comentários faz?”
Ora, o Ministro da Cultura, só se fosse doido é que prometia que iria oficializar a língua caboverdiana, quando se sabe que nem o PAICV, nem o MPD podem, sozinhos, fazê-lo com a actual composição parlamentar. E se assim é, como é que um simples ministro pode?
RA:Então sente-se perseguido por uma certa imprensa em Cabo Verde que o ataca sem motivos?
MV:Não diria perseguido, diria incompreendido... Eu não sei se fazem isso por mal ou por estarem mal informados. Há responsabilidades que atribuem ao Ministro da Cultura e que o mesmo não tem nada a ver.E esse ministro se está como ministro, é porque foi convidado a estar lá, mas pode sair amanhã. E se isso vier a acontecer, saio com cara levantada e vou continuar em outras frentes, sem problemas, sem rancor , quer dizer, eu não estou a fazer do Governo uma profissão.Eu sei que estou lá de passagem, de tal maneira que posso sair amanhã, meu caro; sairia tranquilo, mas não satisfeito, porque eu gostaria de fazer muito mais. E se não fiz tudo o que queria é porque todas as condições não estavam reunidas.
“A l’impossible rien ne se tient”, dizem os franceses; o impossível não posso fazer.Ninguém me pode pedir para voar até a Lua porque eu não posso fazer isso.
RA:O discurso do actual governo é de que a cultura é uma das nossas maiores riquezas.
No próximo Orçamento de Estado qual a fatia que o Governo concede para um ministério tão importante como é o da Cultura?
MV:O orçamento da cultura ronda os 240 mil contos.
RA:Dois por cento do Orçamento do Estado talvez...
MV:Não não chega a isso.Não chega nem a um por cento.
RA:E acha muito pouco...
MV:Eu acho muito pouco, para a importância que a cultura tem. Ela precisa de mais meios efectivamente; agora, é preciso perguntar se o país pode dar mais ou não pode? Se o País pode dar mais numa situação em que temos gente sem casa para habitar... Há o programa casas para todos. Vivemos num país onde o desemprego ronda os 18%; na classe juvenil é mais do que isso; num país one acontecem calamidades naturais, veja o caso de São Nicolau. Num país com todos esses problemas, devemos perguntar se o Estado pode dar mais à Cultura.
Eu acho que o Estado já está a fazer um esforço considerável. É preciso pedir a cidadania também.Aqueles que consomem e que podem financiar a cultura têm que participar mais...
O Turismo, por exemplo, quer uma cultura de qualidade, porque os turistas quando vêm a Cabo Verde, não vêm procurar apenas o nosso sol e a nossas praias, vêm procurar a nossa especificidade, a nossa cultura; portanto, o turismo precisa da cultura. Então que haja uma percentagem do turismo para a execução dos projectos ligados à cultura e que podem beneficiar o turismo.
Também a administração publica e privada deve contribuir para o aumento do mercado da arte. Eu, no meu gabinete, tenho quadros de Cabo Verde, Cerâmica de Cabo Verde, tecelagem de Cabo Verde... Se todos fizerem o mesmo, o artista terá mercado maior, terá o retorno financeiro, o que vai permitir que ele invista mais, fazendo coisas com mais qualidade; e, dese modo, a cultura vai-se desenvolvendo.
Eu costumo dizer que em Cabo Verde precisamos de um novo pensamento cultural que não se compadece em ficarmos sempre à espera do Governo e do Estado.
Quando, por exemplo, um artista pede um apoio ao Ministério da Cultura e o ministério não tem, ele diz que não existe uma política cultural, como se a política cultural fosse apenas ter dinheiro para distribuir.Nós temos que ter um pensamento segundo o qul o Governo tem responsabilidades e tem que assumí-las, mas a cidadania, sobretudo a cidadania que tem dinheiro, tem responsabilidades também. Os artistas e criadores, por seu lado, têm a responsabilidade traduzida no talento, na procura de formação e de organização. Neste sentido, a política cultural é da Nação e não apenas do Ministério da Cultura.
Ora, se a política cultural se resume em ter visão, estratégia, planos e programas de acção, isso nós temos no ministério; agora, vamos fazer de acordo com os condicionalismos, com o financiamento, com as condições que temos.
É preciso que a outra parte também assuma. Se as pessoas continuarem a pensar que o financiamento da cultura é da responsabilidade apenas do Ministério da Cultura ou do Governo, nós não vamos a lado nenhum; não alcançaremos o patamar desejado.
TURISMO E MINISTÉRIO DA CULTURA
RA: O senhor disse há tempos atrás e que citamos: ”o turista que vem a Cabo Verde não vem só a procura das praias e dos mares do arquipélago, tanto mais que esses atractivos naturais, segundo disse, poderão ser encontrados em outras regiões.
“O turista vem buscar a nossa singularidade e a nossa singularidade passa, fundamentalmente, pela cultura”.
Quais as iniciativas do seu Ministério no sentido de ter pacotes culturais interessantes para o turismo?
MV:O Ministério da Cultura não deve fazer pacotes culturais.Quem faz os pacotes culturais são os criadores, são os artistas, através dos seus representantes. O Ministério da Cultura incentiva e cria as condições.Cria por exemplo a legislação, dá o reconhecimento, mas o resto não é o Ministério da Cultura é que faz. De outro modo seria entrar, digamos, no domínio daquilo que estritamente da geografia dos criadores...é como se o Ministério da Economia tivesse entrado dentro de uma empresa para fazer pacotes sobre o que a empresa faz ou deixa de fazer... ; não, ele cria incentivos, cria legislação e procura, portanto, reunir algumas condições para que a coisa se faça. O resto tem de ser da própria cidadania. Entretanto, eu acredito que com a criação da Agência de Promoção Cultural..., mas essa Agência não vai fazer pacotes, ela vai estimular, incentivar o privado a fazer pacotes para o turismo, por exemplo.
RA:Já está legislada a criação dessa agência?
MV:Não, mas já está na proposta de Lei Orgânica do Ministério da Cultura...
RA:Senhor Ministro, pelas suas palavras ditas anteriormente, as empresas em Cabo Verde não praticam o mecenato cultural e não apoiam suficientemente os artistas.Está correcta a minha leitura?
MV:Não, já há algumas empresas que fazem ... mas podia haver muito mais.Repare, os artistas, às vezes, não têm essa consciência e temos que fazer um trabalho sobre isso.Quando uma empresa por exemplo apoia um artista, é o Governo também que está a apoiar.Porque uma empresa quando apoia, vai descontar no Fisco, e esse desconto é dinheiro que não entra no Tesouro.Indirectamente, o Governo está a dar também. Mas é verdade que o mecenato dá e, muitas vezes, recupera muito mais tarde, por exemplo.
Mas temos que reconhecer que há empresas que dão muito apoio dentro das suas possibilidades, até porque não podem ultrapassar determinados parâmetros. A Direcção Geral das Contribuições e Impostos é que fixa os parâmetros.Uma empresa por exemplo que tem pouco rendimento não pode dar muito à cultura, tem que haver uma percentagem mínima para esse fim.
ACORDO ORTOGRÁFICO
RA:Governo anunciou, no início do ano, a entrada em vigor do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no segundo semestre de 2009.Pode avançar-nos uma data precisa para a entrada em vigor do acordo ortográfico? E a implementação do Acordo Ortográfico será tão rápida quanto já foi revelado?
MV:O plano que nós tínhamos para a entrada em execução do acordo ortográfico era o mês de Maio de 2009. Depois, nós entendemos que devíamos socializar mais o debate ... Além disso, o acordo ortográfico teria muito mais impacto se entrasse em vigor em todo o espaço da CPLP.Portanto, verificámos que, em Maio, apenas o Brasil tinha aprovado(desde Janeiro e 2009) a entrada em execução do acordo que já tinha sido aprovado. Então entendemos deixar passar algum tempo para ver se os outros países, nomeadamente Portugal, reuniriam as condições para a entrada em execução.Voltámos a fixar uma outra data e dissemos que o nosso último prazo seria o mês de Outubro de 2009. Tudo isto para dizer que neste momento a proposta já está na Presidência do Conselho de Ministros e eu acredito que, possivelmente, será aprovado no Conselho de Ministros (NB: o mesmo viria a ser aprovado, após a entrevista dada, em 29 de Outubro de 2009).
RA:” O Acordo Ortográfico é um acto colonial do Brasil sobre Portugal com regras que não são recíprocas,” afirmou à Lusa o escritor e jornalista português Miguel Sousa Tavares.
Quer comentar?
MV:Esse escritor precisa de se informar melhor e de saber que havendo uma língua comum para todo o espaço da CPLP, tem que haver um acordo de harmonização, tem que haver cedências de parte a parte.Portanto, não há colonização de ninguém.O acordo ortográfico é quase que uma exigência do futuro da língua portuguesa.Se nós queremos valorizar a língua portuguesa, nós temos que fazer essa cedência.Portugal tem que fazer algumas cedências, o Brasil tem que fazer algumas cedências.Parece que a cedência de Portugal é maior por causa da queda das consoantes mudas...digamos que a língua brasileira andou mais depressa que a língua portuguesa...
RA:E tem mais falantes..
MV:Sim, tem mais falantes. Mas veja que indepentemente disso, o Brasil não utiliza as consoantes mudas e hoje nós sabemos que as consoantes mudas são mudas de facto.Para quê estamos a utilizá-las se são mudas? ... No Brasil, cairam há muito tempo.E como isso está consagrado no acordo ortográfico, e como Portugal não chegou a fazer a supressão no momento em que o Brasil fez, então parece que há muita mudança ... Porquê que tenho que escrever Egipto com P? Porquê que tenho que escrever director com C, se essa consoante é muda?Pporquê que há letras fantasmas numa escrita? Eu respeito, mas não posso concordar com o que diz esse escritor.
Eu, quando estive em França a estudar, fui visitar o Departamento de português para saber se podia escolher alguma unidade de conta para completar o meu curso.Quando cheguei lá, era o brasileiro que se estudava e os estrangeiros têm mais facilidade com o brasileiro precisamente porque o brasileiro pronuncia melhor as palavras (sobretudo as vogais) e não tem consoantes mudas. Ora, quando um estrangeiro tem que pensar que Egipto tem P?.. Ele diz Egito e o P não está lá, e tem que meter o P que ele não pronuncia... ou então C na palavra Director... Ora se nós queremos a internacionalização da língua portuguesa, se nós queremos que nas instâncias internacionais o português seja língua de trabalho , se nós queremos que cada vez mais se aprenda o português, a escrita da língua comum tem que ser uma escrita racionalizada, económica e unificada. Também não deve ser uma mudança que tira a especificidade da língua.O linguista brasileiro Celso Cunha e o português Linley Cintra diziam que todo esse acordo tinha que ir até a um nível da superior unidade da língua, quer dizer não pode ser uma mudança que leva o português a perder a sua identidade. Tem que ser dentro da razoabilidade ... Eu estive no processo do Acordo desde 1986. Estive no Rio de Janeiro a representar Cabo Verde no primeiro encontro.Já estive várias vezes em Portugal. Mas já no Rio de Janeiro eu disse que o acordo era um acordo acanhado. Se tivesse que fazer uma proposta, seria muito mais abrangente.Mas, simplesmente, nessas coisas, temos que levar em linha de conta a cultura ortográfica dos utentes. A mudança não pode ser radical de mais. Haverá outros acordos ortográficos ... Eu só lhe digo que em 1911, quando houve o primeiro acordo (unilateral) da língua portuguesa, houve um ilustre opositor.que dizia: mas como é que nós vamos escrever «Abysmo» com I?.Na altura escrevia-se Abismo com Y. Ele dizia que escrever «Abysmo» com I é tirar todo o mistério à palavra. Isso era o argumento na altura (sem fundamento aplausível).
Curisamente, hoje, escrever «Abismo» com Y parece tirar toda a identidade da palavra.
Isso para dizer que a escrita é uma convenção. Eu acredito que o nosso acordo já reuniu um vasto consenso. A entrada em execução não significa pôr em prática imediata e obrigatoriamente.No Brasil há uma fase experimental, acho que de 4 anos.Nós, no nosso diploma, que já está na Presidência do Conselho de Ministros, é de 6 anos.Dá-se essa tolerância para as pessoas se adaptarem.. sobretudo o sistema do ensino, os jornalistas, a imprensas ...
RA:Em Cabo Verde, pelo menos que eu saiba, não tem havido grande celeuma no tocante ao acordo ortográfico...
MV: (risos)Em Cabo Verde não tem havido grandes problemas.. Em Cabo Verde discute-se agora a oficialização da língua cabo-verdiana (risos) que é uma matéria quente que mexe com muita gente.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
ENTREVISTA COM O MINISTRO DA CULTURA DE CABO VERDE MANUEL VEIGA
Rádio Atlântico- O Dia Nacional da Cultura (18 de Outubro) foi este ano comemorado sob o signo da tradição e as actividades centrais decorreram no Concelho de Santa Catarina. Ficou satisfeito com os resultados alcançados?
Manuel Veiga:Eu fiquei extremamente satisfeito, naturalmente que nós sempre gostamos de fazer mais e melhor, mas confesso que as minhas expectativas foram superadas.
O dia Nacional da Cultura teve vários momentos. Houve um momento de visitas para descobrir o pulsar da tradição lá onde se faz a cultura. Visitei vários laboratórios culturais. Fui a S.Domingos, fui à Nossa Senhora da Luz que é um patrimônio importante. Em Santa Cruz, visitei a escola de música e de dança. No Tarrafal, visitei o centro cultural “Pó di Terra” e a escola de cerâmica de “Trás-dos-Montes”.Em Santa Catarina, visitei Fontelima, onde existe uma longa experiência em cerâmica; visitei também o João Dias onde há uma experiência interessante de tecelagem feita pelo senhor Henrique, o qual tem trabalhos de qualidade e possui uma escola de formação. Estive também em Chã de Tanque para ver a recuperação de um património extremamente importante e que consiste na transformação de uma “Casa de Morgado” no Museu da Tabanka.
Portanto, fui a essas localidades para sentir o pulsar e depois quando eu receber projectos culturais para, imediatamente, localizar e saber com quem estou a tratar.
O segundo momento foi a exposição de alguns produtos culturais. Trouxemos exposições da Brava,da Boavista, de Santo Antão, de S.Vicente e, naturalmente, de Santa Catarina também.
Um terceiro momento foi o de reflexão. Porque nós achamos que no dia Nacional da Cultura deveríamos fazer uma reflexão sobre temas importantes. A primeira reflexão foi sobre a língua, na Escola Técnica, com um público de estudantes; houve uma segunda reflexão sobre as tradições culturais, no Liceu Napoleão Fernandes e que teve também um público composto por professores e alunos.
Houve ainda um quarto momento, o de Festival. Um Festival de Batuco, de konbérsu sábi e de Teatro. Foi com essas actividades que enchemos a Praça Gustavo Monteiro. Nunca esperava que pudéssemos ter tanto público, mas muito publico mesmo.
Um quinto momento foi o de reconhecimento daqueles que fazem a cultura tradicional. Homens e Mulheres como Nha Balila, Nha Nácia Gomi, Nha Manazinha que é de Santa Catarina, sendo a única mulher que toca gaita; outros como Codé di Dona, Antóni Denti d’Ouro, Txóta Soares, Séma Lópi, Antão Barreto e outros mais jovens como Manuel António Barbosa, Tomé Varela que é um grande estudioso das tradições culturais e outros que nós distinguimos nesse dia porque achamos que era preciso haver esse reconhecimento.
Para terminar, houve um sexto momento que foi o de anúncio de prémios culturais.
Nós criamos vários prémios sobre a cultura e escolhemos o Dia Nacional da Cultura também para distinguir aqueles que fazem a cultura. Havia a Bolsa de Criação Cultural, com um montante de mil contos, um estímulo para elaboração e concretização de um projecto consistente no domínio da Cultura, qualquer que seja a área. Um outro prémio para a valorização língua cabo-verdiana, mas também o alfabeto cabo-verdiano, o tal ALUPEC que hoje é tão badalado (risos). Nós criamos o prémio precisamente para incentivar aqueles que escrevem, aqueles que estudam a língua cabo-verdiana. O montante é de 1200 contos, em que 800 contos constituem o prémio e 400 contos para editar o trabalho realizado.
Finalmente, um montante também de 1200 contos para várias modalidades, que denominamos de Prémio Pantera-Descoberta de Talento Jovem, com o objectivo de incentivar os que estão a iniciar, com um montante de 200 contos para cada modalidade.
RA: No campo da música, por exemplo?
MV: E não só. No campo da cultura em geral. Este ano não houve para a música mas sim para a literatura e para as áreas da tradição.Aliás foi um trabalho no domínio da poesia e um outro no domínio da ficção que venceram. O Prémio Pedro Cardos foi atribuído ao José Luís Tavares, com uma colectânea de poemas em crioulo utilizando o ALUPEC, o alfabeto cabo-verdiano.
Um último momento do Dia Nacional da Cultura foi um grande desfile pelas artérias de Assomada com tabanka, com gente ligada a ferro e gaita, não me refiro ao conjunto Ferro e Gaita, mas sim com gente que toca ferro e gaita.
Portanto, isso é que foi o dia Nacional da Cultura.
RA: Como Santacatarinense deve ter sentido um especial orgulho.
MV: Nas palavras de encerramento, eu disse que, como ministro da cultura, fiquei preenchido ao ver tanta participação, tanto entusiasmo no dia nacional da cultura, a cultura que é o que de melhor temos depois dos recursos humanos. Fiquei, digamos, preenchido de satisfação ao ver o que se passou em Santa Catarina.
RA: E porque sob o signo da tradição?
MV: O Dia Nacional da Cultura foi criado em 2005.
O primeiro ano de celebração foi em 2006, as festividades decorreram na Ilha Brava, sob o signo de Eugénio Tavares que é o patrono da efeméride. Como sabe, o Dia Nacional da Cultura coincide com a data de nascimento de Eugênio Tavares. Em 2007 fizemos em S.Vicente, sob o signo da CLARIDADE porque nós estávamos a celebrar o centenário da geração claridosa. Baltazar Lopes e Manuel Lopes completariam 100 anos de vida assim como o Jorge Barbosa que se estivesse vivo teria completado 100 anos de vida em 2005, idem para António Aurélio Gonçalves em 2001. Então foi por isso comemorado o Dia da Cultura sob o signo da Geração Claridosa. Como tínhamos feito um simpósio na Praia, resolvemos que o dia Nacional da Cultura fosse sob o signo da Claridade, mas em S.Vicente e S.Antão, concretamente no Concelho do Porto Novo. Nesse ano, um intelectual da praça criticou o evento dizendo que o Ministério da Cultura estava a dar mais atenção à cultura elitista.
RA: Não entendo o porquê de criticar a Claridade como cultura elitista...
MV: Porque acham que Claridade é cultura da elite cabo-verdiana e acrescentava: que já tínhamos esquecido da Nha Nacia Gomi, Antoni Denti d’Ouro ou Codé di Dona. Eu não concordei com a crítica, porque o centenário aconteceu naquele ano e nós tínhamos que celebrá-lo. Porém, eu tirei uma lição positiva da crítica e disse: por que não celebrar o Dia Nacional da Cultura sob o signo da tradição?! Com efeito, a nossa cultura é tradicional mas é também é moderna, é feita de inovação, de diálogo e de parcerias com outras culturas. Então, disse: por que não celebrar o Dia virado para dentro e dar uma atenção especial à cultura tradicional? Foi assim que nasceu a ideia da celebração do Dia Nacional da Cultura, sob o signo da tradição.
Este ano foi em Santa Catarina porque é um Concelho rico em tradições culturais, mas é claro que também existem outros Concelhos igualmente ricos, mas repare: Santa Catarina é o terceiro Concelho quanto ao número de população. Um Concelho rico em termos de Tradição Oral e Tradição Cultural; e tínhamos ainda um outro condicionalismo favorável em Santa Catarina ... porque temos dificuldades em celebrar o dia nacional da cultura com todo o brilho, como fizemos em Santa Catarina, lá onde o Ministério não tem estruturas. Em Santa Catarina há o Centro Cultural Norberto Tavares e foi fácil celebrar o Dia da Cultura com essa estrutura de suporte...
RA: Está a pensar numa Ilha como, por exemplo, a do Maio...
MV: Por exemplo, na ilha do Maio dificilmente podia fazer um Dia Nacional da Cultura com o brilho que eu fiz em Santa Catarina. Quer dizer, eu não posso pegar nos equipamentos do Ministério da Cultura e transportá-los para a ilha do Maio. Em Santa Catarina eu tinha o Centro Norberto Tavares. Aliás, eu encarreguei o Centro Norberto Tavares para fazer o programa do dia. Mesmo as distinções que nós fizemos foram sob proposta desse Centro. O Ministro da Cultura testemunhou o acto, mas o Centro é que organizou praticamente tudo, naturalmente com o apoio do gabinete do Ministro da Cultura.
Porém, eu já lancei o repto a todos os Presidentes de Câmara dizendo que, nos anos subsequentes, o Ministério da Cultura gostaria de receber propostas de municípios que estão interessados em acolher o Dia Nacional da Cultura. E quando recebermos as propostas, vamos discutir o programa com essa Câmara, mas ela tem que nos dar a garantia de ter as condições mínimas. Primeiro, tem que participar financeiramente, porque até esta nós é que arcamos com todos os custos do dia nacional da cultura. A efeméride de 2009 custou-nos quase 6 mil contos. Veja só os montantes dos prémios. Para as actividades havia cerca de 2 mil contos. Isso foi tudo retirado do orçamento do Ministério da Cultura que, como todos sabem tem poucos recursos. Por isso, com os municípios tem que ser em “joint aventure”. Os Municípios que apresentarem melhores condições financeiras para patrocinar as actividades em parceria com o Ministério da Cultura podem candidatar-se a receber o dia nacional da cultura.
No caso de não receber candidaturas, vamos continuar a celebrar sempre esse dia, mas quando a escolha recair aqui ou acolá, que não venham depois com críticas.
RA: Mas essa posição poderá levantar outra questão senhor ministro. Nessa linha de ideia, o Dia da Cultura poderá ser celebrado apenas nos concelhos com mais poder económico e os outros?
MV: Não. Naturalmente que haverá critérios de selecção. Por exemplo, mesmo que a Câmara de Santa Catarina me der todas as condições do mundo para celebrar o Dia no próximo ano, a candidatura não será aceite ... Das propostas que recebermos, na sua análise não vamos ter em conta apenas o aspecto financeiro, mas também terem conta o facto de nunca terem acolhido uma celebração do dia nacional da cultura; levaremos em conta a riqueza cultura do concelho, assim como o programa de celebração proposto pelos Municípios.
CIDADE VELHA PATRIMÓNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE
RA: No dia 25 de Junho de 2009 a Cidade Velha foi elevada a Património Mundial da Humanidade pela UNESCO.
O que significa para si e para Cabo Verde esse reconhecimento?
MV: Eu acho que foi o acontecimento do Ano. Diria mesmo que foi o acontecimento do século.Esse reconhecimento não significa apenas reconhecer a Cidade Velha.A distinção é o reconhecimento da antropologia cabo-verdiana, é o reconhecimento da nossa crioulidade, essa crioulidade que, como sabe muito bem, houve momentos em que se dizia que o povo crioulo não tinha cultura, porque não éramos nem leite nem café, nem branco, nem preto, etc, etc... Quando muito, seria um povo à procura de si próprio. Ora, quando a Comunidade Internacional reconhece a Cidade Velha...reconhece o berço da nossa crioulidade, reconhece essa mema crioulidade como metáfora da antropologia das ilhas ... Eu nunca duvidei da importância da Cidade Velha como património mundial, porque quando analiso o papel que desempenhou nos séculos XV, XVI, XVII ... e não sou eu a dizê-lo, os técnicos que estiveram lá em 2007, num encontro que fizemos sobre CIDADE VELHA: O FUTURO, O PASSADO, é que disseram que ela foi o centro do Atlântico Norte nos séculos XV,XVI e XVII.Todos os barcos que saíam da Europa e que demandavam para as Américas, ou ainda a Ásia ou mesmo o continente Africano, tinham que passar por Cabo Verde.Pedro Álvaro Cabral passou por lá, bem como Diogo Gomes,Vasco da Gama, Cristovão Colombo ... Cidade Velha foi, efectivamente, um laboratório importante de experimentação: de humanismo, de culturas, de espécies, de meio ambiente... Veja a cana de açúcar que existe no Brasil e em Cuba partiu de Cabo Verde; o milho, o feijão que chegou a Cabo Verde. Quer dizer, o fluxo e refluxo do mundo aconteciam nesse palco da globalização que era a Cidade Velha... Não sei como seria o Brasil sem a Cidade Velha. De certeza, seria de uma outra maneira, ou mais ou menos, mas não seria como é neste momento.Portanto, a Cidade Velha formatou o Brasil, a América Latina; formatou a América do Norte, formatou Cabo Verde e influenciou países como Espanha, como Portugal, etc.,etc. Além disso, nela nasceu uma cultura nova.A nossa crioulidade: a língua, os costumes, os hábitos, a música, o nosso pensamento, a nossa vivência. Quer dizer, tudo isso nasceu nesse grande laboratório.Então, se isso não é património da humanidade, não sei o que é património da humanidade. Eu não tinha dúvidas.Era o reconhecimento que faltava.E nós conseguimos esse reconhecimento. De maneira que eu considero que foi um acontecimento não só do ano, como do século também.
RA: Mas se não fizermos um trabalho continuado de melhoramento, de protecção podemos correr o risco de o Estatuto ser-nos retirado. Qual a política do seu Ministério para engrandecer e preservar o património mundial “Cidade Velha”?
MV: Naturalmente que ganha-se o estatuto e perde-se o estatuto. Bem, já fizemos tudo para ganhar, já conquistámos.Agora a preservação desse estatuto depende de muita gente.Depende do Governo, através do Ministério da Cultura; depende do Município da Ribeira Grande de Santiago; depende até da população, em linha geral; depende de Cabo Verde.É um esforço conjugado, primeiro para manter aquilo que nós já temos e para não cometermos erros, porque se ela é património mundial da humanidade há coisas que nós não podemos lá fazer.Por exemplo, tivemos que definir os mapas para proteger as zonas onde não se pode construir ou então onde se pode construir seguindo determinadas regras; zonas onde há coisas que podem ser feitas e outras onde certas coisas não devem ser feitas. Ora, em tudo isto, a população tem que ser muito bem informada, ela tem que ser a guardiã da Cidade Velha.Ela deve saber que a Cidade Velha é como se fosse uma relíquia.Se houver esse trabalho conjugado, nós não vamos perder; porém, se não tomarmos as precauções necessárias, é claro que poderemos perder o estatuto.
Eu acho que o Ministério da Cultura já fez o que devia fazer e há muito para continuar a fazer, mas sozinho não consegue. Nós ganhamos juntos; é uma vitória colectiva; foi quase um desígnio nacional; continuar a preservar o estatuto, também depende de todos nós; e é preciso que isso também seja um desígnio nacional.Senão, alguém há de pagar uma factura à história.
ECONOMIA DA CULTURA
RA: Há um ano realizou-se em Cabo Verde um Fórum Internacional sobre a Economia do Desenvolvimento Cultural Sustentado.
Os desafios lançados e os compromissos assumidos estão a ser implementados na prática?
MV:Alguns.Nem todos, porque há compromissos que levam muito tempo para serem implementados e, depois, também é preciso reunir condições.Uma recomendação é uma proposta para se concretizar, tendo em conta os condicionalismos, de maneira que nem tudo pode...
Mas posso dizer, para já, que houve uma medida que facilita a importação de CDs, porque os produtores criticavam tanto as taxas que recaíam sobre os CDs que eram gravados em Cabo Verde, mas que a masterização era feita, por exemplo, aqui na Holanda ou em França. As taxas então eram pagas como se fosse um produto importado, como outro qualquer.Conseguimos resolver, mesmo durante o Fórum, que as Alfândegas emitissem uma ordem de serviço, reduzindo a taxa desses produtos.Houve também a proposta de criação de uma Agência de promoção cultural. Ora, isso vai levar o seu tempo, mas a proposta já está, digamos assim, no texto da Lei Orgânica do Ministério da Cultura, em elaboração, e acredito que vai passar.Se a criação não ficar consagrada, então vamos atribuir essa tarefa a uma outra instituição do próprio Ministério da Cultura ...
RA:Foi anunciado pelo Primeiro Ministro...
MV:Sim, foi anunciado pelo Primeiro Ministro no encerramento do fórum.Outra proposta apresentada vai no sentido de haver um estudo estratégico do desenvolvimento cultural.Nós conseguimos um apoio do PNUD, com uma comparticipação do Orçamento do Estado.Neste momento há uma equipa que dispõe de 6 meses para elaborar o trabalho e acredito que antes do fim do primeiro semestre de 2010, nós teremos esse plano estratégico.Estão também várias coisas em curso que constituem a nossa preocupação, que vamos realizar quando as condições estiverem reunidas. Para realizar todas as recomendações, o país tem que poder, tem que ter capacidade financeira para realizar...
RA:Considera que valeu a pena a realização desse Fórum?
MV:Foi extraordinário. Mesmo os que estiveram lá disseram que pela primeira vez conseguimos reunir artistas, criadores de todos os horizontes para reflectirem sobre o problema da Cultura em Cabo Verde.Se há uma coisa que a cultura precisa neste momento em Cabo Verde é a formação e organização; e mesmo quando falamos em termos de Agência de Promoção Cultural, é para facilitar também isso, sobretudo a organização. Está a ver o sucesso que Cesária tem? Sem a organização do Djó da Silva seria difícil. Quer dizer: o campo de lavoura do artista é criação.Tudo que tenha relação com o mercado tem que ser outra competência e outra disponibilidade.Atrás do artista tem que haver uma organização que possa responsabilizar-se pela relação com o mercado.Como é possível a um artista pintar e ainda ter que levar o seu quadro a um operador turístico para comprar!?Não seria melhor haver intermediários para fazer pacotes, não só de um produto, mas pacotes de produtos que incluem: artes plásticas, música, dança, artesanato, teatro, saisfazendo as exigências do próprio mercado.
O fórum também serviu para criar nos artistas esta preocupação de organização.É preciso criar, não basta só ter talento; é preciso formação e organização, para que a cultura esteja à altura das exigências do mercado.
RÁDIO ATLÂNTICO-HOLANDA
Manuel Veiga:Eu fiquei extremamente satisfeito, naturalmente que nós sempre gostamos de fazer mais e melhor, mas confesso que as minhas expectativas foram superadas.
O dia Nacional da Cultura teve vários momentos. Houve um momento de visitas para descobrir o pulsar da tradição lá onde se faz a cultura. Visitei vários laboratórios culturais. Fui a S.Domingos, fui à Nossa Senhora da Luz que é um patrimônio importante. Em Santa Cruz, visitei a escola de música e de dança. No Tarrafal, visitei o centro cultural “Pó di Terra” e a escola de cerâmica de “Trás-dos-Montes”.Em Santa Catarina, visitei Fontelima, onde existe uma longa experiência em cerâmica; visitei também o João Dias onde há uma experiência interessante de tecelagem feita pelo senhor Henrique, o qual tem trabalhos de qualidade e possui uma escola de formação. Estive também em Chã de Tanque para ver a recuperação de um património extremamente importante e que consiste na transformação de uma “Casa de Morgado” no Museu da Tabanka.
Portanto, fui a essas localidades para sentir o pulsar e depois quando eu receber projectos culturais para, imediatamente, localizar e saber com quem estou a tratar.
O segundo momento foi a exposição de alguns produtos culturais. Trouxemos exposições da Brava,da Boavista, de Santo Antão, de S.Vicente e, naturalmente, de Santa Catarina também.
Um terceiro momento foi o de reflexão. Porque nós achamos que no dia Nacional da Cultura deveríamos fazer uma reflexão sobre temas importantes. A primeira reflexão foi sobre a língua, na Escola Técnica, com um público de estudantes; houve uma segunda reflexão sobre as tradições culturais, no Liceu Napoleão Fernandes e que teve também um público composto por professores e alunos.
Houve ainda um quarto momento, o de Festival. Um Festival de Batuco, de konbérsu sábi e de Teatro. Foi com essas actividades que enchemos a Praça Gustavo Monteiro. Nunca esperava que pudéssemos ter tanto público, mas muito publico mesmo.
Um quinto momento foi o de reconhecimento daqueles que fazem a cultura tradicional. Homens e Mulheres como Nha Balila, Nha Nácia Gomi, Nha Manazinha que é de Santa Catarina, sendo a única mulher que toca gaita; outros como Codé di Dona, Antóni Denti d’Ouro, Txóta Soares, Séma Lópi, Antão Barreto e outros mais jovens como Manuel António Barbosa, Tomé Varela que é um grande estudioso das tradições culturais e outros que nós distinguimos nesse dia porque achamos que era preciso haver esse reconhecimento.
Para terminar, houve um sexto momento que foi o de anúncio de prémios culturais.
Nós criamos vários prémios sobre a cultura e escolhemos o Dia Nacional da Cultura também para distinguir aqueles que fazem a cultura. Havia a Bolsa de Criação Cultural, com um montante de mil contos, um estímulo para elaboração e concretização de um projecto consistente no domínio da Cultura, qualquer que seja a área. Um outro prémio para a valorização língua cabo-verdiana, mas também o alfabeto cabo-verdiano, o tal ALUPEC que hoje é tão badalado (risos). Nós criamos o prémio precisamente para incentivar aqueles que escrevem, aqueles que estudam a língua cabo-verdiana. O montante é de 1200 contos, em que 800 contos constituem o prémio e 400 contos para editar o trabalho realizado.
Finalmente, um montante também de 1200 contos para várias modalidades, que denominamos de Prémio Pantera-Descoberta de Talento Jovem, com o objectivo de incentivar os que estão a iniciar, com um montante de 200 contos para cada modalidade.
RA: No campo da música, por exemplo?
MV: E não só. No campo da cultura em geral. Este ano não houve para a música mas sim para a literatura e para as áreas da tradição.Aliás foi um trabalho no domínio da poesia e um outro no domínio da ficção que venceram. O Prémio Pedro Cardos foi atribuído ao José Luís Tavares, com uma colectânea de poemas em crioulo utilizando o ALUPEC, o alfabeto cabo-verdiano.
Um último momento do Dia Nacional da Cultura foi um grande desfile pelas artérias de Assomada com tabanka, com gente ligada a ferro e gaita, não me refiro ao conjunto Ferro e Gaita, mas sim com gente que toca ferro e gaita.
Portanto, isso é que foi o dia Nacional da Cultura.
RA: Como Santacatarinense deve ter sentido um especial orgulho.
MV: Nas palavras de encerramento, eu disse que, como ministro da cultura, fiquei preenchido ao ver tanta participação, tanto entusiasmo no dia nacional da cultura, a cultura que é o que de melhor temos depois dos recursos humanos. Fiquei, digamos, preenchido de satisfação ao ver o que se passou em Santa Catarina.
RA: E porque sob o signo da tradição?
MV: O Dia Nacional da Cultura foi criado em 2005.
O primeiro ano de celebração foi em 2006, as festividades decorreram na Ilha Brava, sob o signo de Eugénio Tavares que é o patrono da efeméride. Como sabe, o Dia Nacional da Cultura coincide com a data de nascimento de Eugênio Tavares. Em 2007 fizemos em S.Vicente, sob o signo da CLARIDADE porque nós estávamos a celebrar o centenário da geração claridosa. Baltazar Lopes e Manuel Lopes completariam 100 anos de vida assim como o Jorge Barbosa que se estivesse vivo teria completado 100 anos de vida em 2005, idem para António Aurélio Gonçalves em 2001. Então foi por isso comemorado o Dia da Cultura sob o signo da Geração Claridosa. Como tínhamos feito um simpósio na Praia, resolvemos que o dia Nacional da Cultura fosse sob o signo da Claridade, mas em S.Vicente e S.Antão, concretamente no Concelho do Porto Novo. Nesse ano, um intelectual da praça criticou o evento dizendo que o Ministério da Cultura estava a dar mais atenção à cultura elitista.
RA: Não entendo o porquê de criticar a Claridade como cultura elitista...
MV: Porque acham que Claridade é cultura da elite cabo-verdiana e acrescentava: que já tínhamos esquecido da Nha Nacia Gomi, Antoni Denti d’Ouro ou Codé di Dona. Eu não concordei com a crítica, porque o centenário aconteceu naquele ano e nós tínhamos que celebrá-lo. Porém, eu tirei uma lição positiva da crítica e disse: por que não celebrar o Dia Nacional da Cultura sob o signo da tradição?! Com efeito, a nossa cultura é tradicional mas é também é moderna, é feita de inovação, de diálogo e de parcerias com outras culturas. Então, disse: por que não celebrar o Dia virado para dentro e dar uma atenção especial à cultura tradicional? Foi assim que nasceu a ideia da celebração do Dia Nacional da Cultura, sob o signo da tradição.
Este ano foi em Santa Catarina porque é um Concelho rico em tradições culturais, mas é claro que também existem outros Concelhos igualmente ricos, mas repare: Santa Catarina é o terceiro Concelho quanto ao número de população. Um Concelho rico em termos de Tradição Oral e Tradição Cultural; e tínhamos ainda um outro condicionalismo favorável em Santa Catarina ... porque temos dificuldades em celebrar o dia nacional da cultura com todo o brilho, como fizemos em Santa Catarina, lá onde o Ministério não tem estruturas. Em Santa Catarina há o Centro Cultural Norberto Tavares e foi fácil celebrar o Dia da Cultura com essa estrutura de suporte...
RA: Está a pensar numa Ilha como, por exemplo, a do Maio...
MV: Por exemplo, na ilha do Maio dificilmente podia fazer um Dia Nacional da Cultura com o brilho que eu fiz em Santa Catarina. Quer dizer, eu não posso pegar nos equipamentos do Ministério da Cultura e transportá-los para a ilha do Maio. Em Santa Catarina eu tinha o Centro Norberto Tavares. Aliás, eu encarreguei o Centro Norberto Tavares para fazer o programa do dia. Mesmo as distinções que nós fizemos foram sob proposta desse Centro. O Ministro da Cultura testemunhou o acto, mas o Centro é que organizou praticamente tudo, naturalmente com o apoio do gabinete do Ministro da Cultura.
Porém, eu já lancei o repto a todos os Presidentes de Câmara dizendo que, nos anos subsequentes, o Ministério da Cultura gostaria de receber propostas de municípios que estão interessados em acolher o Dia Nacional da Cultura. E quando recebermos as propostas, vamos discutir o programa com essa Câmara, mas ela tem que nos dar a garantia de ter as condições mínimas. Primeiro, tem que participar financeiramente, porque até esta nós é que arcamos com todos os custos do dia nacional da cultura. A efeméride de 2009 custou-nos quase 6 mil contos. Veja só os montantes dos prémios. Para as actividades havia cerca de 2 mil contos. Isso foi tudo retirado do orçamento do Ministério da Cultura que, como todos sabem tem poucos recursos. Por isso, com os municípios tem que ser em “joint aventure”. Os Municípios que apresentarem melhores condições financeiras para patrocinar as actividades em parceria com o Ministério da Cultura podem candidatar-se a receber o dia nacional da cultura.
No caso de não receber candidaturas, vamos continuar a celebrar sempre esse dia, mas quando a escolha recair aqui ou acolá, que não venham depois com críticas.
RA: Mas essa posição poderá levantar outra questão senhor ministro. Nessa linha de ideia, o Dia da Cultura poderá ser celebrado apenas nos concelhos com mais poder económico e os outros?
MV: Não. Naturalmente que haverá critérios de selecção. Por exemplo, mesmo que a Câmara de Santa Catarina me der todas as condições do mundo para celebrar o Dia no próximo ano, a candidatura não será aceite ... Das propostas que recebermos, na sua análise não vamos ter em conta apenas o aspecto financeiro, mas também terem conta o facto de nunca terem acolhido uma celebração do dia nacional da cultura; levaremos em conta a riqueza cultura do concelho, assim como o programa de celebração proposto pelos Municípios.
CIDADE VELHA PATRIMÓNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE
RA: No dia 25 de Junho de 2009 a Cidade Velha foi elevada a Património Mundial da Humanidade pela UNESCO.
O que significa para si e para Cabo Verde esse reconhecimento?
MV: Eu acho que foi o acontecimento do Ano. Diria mesmo que foi o acontecimento do século.Esse reconhecimento não significa apenas reconhecer a Cidade Velha.A distinção é o reconhecimento da antropologia cabo-verdiana, é o reconhecimento da nossa crioulidade, essa crioulidade que, como sabe muito bem, houve momentos em que se dizia que o povo crioulo não tinha cultura, porque não éramos nem leite nem café, nem branco, nem preto, etc, etc... Quando muito, seria um povo à procura de si próprio. Ora, quando a Comunidade Internacional reconhece a Cidade Velha...reconhece o berço da nossa crioulidade, reconhece essa mema crioulidade como metáfora da antropologia das ilhas ... Eu nunca duvidei da importância da Cidade Velha como património mundial, porque quando analiso o papel que desempenhou nos séculos XV, XVI, XVII ... e não sou eu a dizê-lo, os técnicos que estiveram lá em 2007, num encontro que fizemos sobre CIDADE VELHA: O FUTURO, O PASSADO, é que disseram que ela foi o centro do Atlântico Norte nos séculos XV,XVI e XVII.Todos os barcos que saíam da Europa e que demandavam para as Américas, ou ainda a Ásia ou mesmo o continente Africano, tinham que passar por Cabo Verde.Pedro Álvaro Cabral passou por lá, bem como Diogo Gomes,Vasco da Gama, Cristovão Colombo ... Cidade Velha foi, efectivamente, um laboratório importante de experimentação: de humanismo, de culturas, de espécies, de meio ambiente... Veja a cana de açúcar que existe no Brasil e em Cuba partiu de Cabo Verde; o milho, o feijão que chegou a Cabo Verde. Quer dizer, o fluxo e refluxo do mundo aconteciam nesse palco da globalização que era a Cidade Velha... Não sei como seria o Brasil sem a Cidade Velha. De certeza, seria de uma outra maneira, ou mais ou menos, mas não seria como é neste momento.Portanto, a Cidade Velha formatou o Brasil, a América Latina; formatou a América do Norte, formatou Cabo Verde e influenciou países como Espanha, como Portugal, etc.,etc. Além disso, nela nasceu uma cultura nova.A nossa crioulidade: a língua, os costumes, os hábitos, a música, o nosso pensamento, a nossa vivência. Quer dizer, tudo isso nasceu nesse grande laboratório.Então, se isso não é património da humanidade, não sei o que é património da humanidade. Eu não tinha dúvidas.Era o reconhecimento que faltava.E nós conseguimos esse reconhecimento. De maneira que eu considero que foi um acontecimento não só do ano, como do século também.
RA: Mas se não fizermos um trabalho continuado de melhoramento, de protecção podemos correr o risco de o Estatuto ser-nos retirado. Qual a política do seu Ministério para engrandecer e preservar o património mundial “Cidade Velha”?
MV: Naturalmente que ganha-se o estatuto e perde-se o estatuto. Bem, já fizemos tudo para ganhar, já conquistámos.Agora a preservação desse estatuto depende de muita gente.Depende do Governo, através do Ministério da Cultura; depende do Município da Ribeira Grande de Santiago; depende até da população, em linha geral; depende de Cabo Verde.É um esforço conjugado, primeiro para manter aquilo que nós já temos e para não cometermos erros, porque se ela é património mundial da humanidade há coisas que nós não podemos lá fazer.Por exemplo, tivemos que definir os mapas para proteger as zonas onde não se pode construir ou então onde se pode construir seguindo determinadas regras; zonas onde há coisas que podem ser feitas e outras onde certas coisas não devem ser feitas. Ora, em tudo isto, a população tem que ser muito bem informada, ela tem que ser a guardiã da Cidade Velha.Ela deve saber que a Cidade Velha é como se fosse uma relíquia.Se houver esse trabalho conjugado, nós não vamos perder; porém, se não tomarmos as precauções necessárias, é claro que poderemos perder o estatuto.
Eu acho que o Ministério da Cultura já fez o que devia fazer e há muito para continuar a fazer, mas sozinho não consegue. Nós ganhamos juntos; é uma vitória colectiva; foi quase um desígnio nacional; continuar a preservar o estatuto, também depende de todos nós; e é preciso que isso também seja um desígnio nacional.Senão, alguém há de pagar uma factura à história.
ECONOMIA DA CULTURA
RA: Há um ano realizou-se em Cabo Verde um Fórum Internacional sobre a Economia do Desenvolvimento Cultural Sustentado.
Os desafios lançados e os compromissos assumidos estão a ser implementados na prática?
MV:Alguns.Nem todos, porque há compromissos que levam muito tempo para serem implementados e, depois, também é preciso reunir condições.Uma recomendação é uma proposta para se concretizar, tendo em conta os condicionalismos, de maneira que nem tudo pode...
Mas posso dizer, para já, que houve uma medida que facilita a importação de CDs, porque os produtores criticavam tanto as taxas que recaíam sobre os CDs que eram gravados em Cabo Verde, mas que a masterização era feita, por exemplo, aqui na Holanda ou em França. As taxas então eram pagas como se fosse um produto importado, como outro qualquer.Conseguimos resolver, mesmo durante o Fórum, que as Alfândegas emitissem uma ordem de serviço, reduzindo a taxa desses produtos.Houve também a proposta de criação de uma Agência de promoção cultural. Ora, isso vai levar o seu tempo, mas a proposta já está, digamos assim, no texto da Lei Orgânica do Ministério da Cultura, em elaboração, e acredito que vai passar.Se a criação não ficar consagrada, então vamos atribuir essa tarefa a uma outra instituição do próprio Ministério da Cultura ...
RA:Foi anunciado pelo Primeiro Ministro...
MV:Sim, foi anunciado pelo Primeiro Ministro no encerramento do fórum.Outra proposta apresentada vai no sentido de haver um estudo estratégico do desenvolvimento cultural.Nós conseguimos um apoio do PNUD, com uma comparticipação do Orçamento do Estado.Neste momento há uma equipa que dispõe de 6 meses para elaborar o trabalho e acredito que antes do fim do primeiro semestre de 2010, nós teremos esse plano estratégico.Estão também várias coisas em curso que constituem a nossa preocupação, que vamos realizar quando as condições estiverem reunidas. Para realizar todas as recomendações, o país tem que poder, tem que ter capacidade financeira para realizar...
RA:Considera que valeu a pena a realização desse Fórum?
MV:Foi extraordinário. Mesmo os que estiveram lá disseram que pela primeira vez conseguimos reunir artistas, criadores de todos os horizontes para reflectirem sobre o problema da Cultura em Cabo Verde.Se há uma coisa que a cultura precisa neste momento em Cabo Verde é a formação e organização; e mesmo quando falamos em termos de Agência de Promoção Cultural, é para facilitar também isso, sobretudo a organização. Está a ver o sucesso que Cesária tem? Sem a organização do Djó da Silva seria difícil. Quer dizer: o campo de lavoura do artista é criação.Tudo que tenha relação com o mercado tem que ser outra competência e outra disponibilidade.Atrás do artista tem que haver uma organização que possa responsabilizar-se pela relação com o mercado.Como é possível a um artista pintar e ainda ter que levar o seu quadro a um operador turístico para comprar!?Não seria melhor haver intermediários para fazer pacotes, não só de um produto, mas pacotes de produtos que incluem: artes plásticas, música, dança, artesanato, teatro, saisfazendo as exigências do próprio mercado.
O fórum também serviu para criar nos artistas esta preocupação de organização.É preciso criar, não basta só ter talento; é preciso formação e organização, para que a cultura esteja à altura das exigências do mercado.
RÁDIO ATLÂNTICO-HOLANDA
domingo, 6 de dezembro de 2009
BRASIL(GLOBO):NA CABEÇA DE ANGELIM,FLAMENGO ENCONTRA O ALÍVIO E CONQUISTA O HEXA
RIO DE JANEIRO-Em jogo tenso, time rubro-negro vence Grêmio por 2 a 1 e acaba com jejum de 17 anos sem conquistar o Brasileiro.
Ronaldo Angelim costuma dizer que sua maior vaidade é assistir ao Flamengo vencer. Neste domingo, certamente está se sentindo vaidoso como nunca. E graças a uma cabeçada certeira dele. Com sofrimento e dificuldade até o fim, o Rubro-Negro venceu o Grêmio por 2 a 1, no Maracanã, e conquistou o Campeonato Brasileiro pela sexta vez.
Mas para acabar com o jejum de 17 anos sem conquista, o time e a torcida sofreram. Foram 90 minutos de agonia, sem jogar bem, mas que entraram para a história. Pressionado pela própria torcida para entregar e não ajudar o rival Inter, o Tricolor Gaúcho entrou em campo com apenas três titulares. E não aliviou. Abriu o placar e tentou o empate até o fim.
Em tarde de Maracanã lotado, com quase 85 mil presentes, Adriano e Petkovic não brilharam. Nem a torcida. A aflição e a carência do título foram preponderantes para o estádio ficar calado, com os nervos à flor da pele, durante a maior parte do tempo. Euforia só nos gols de David e Ronaldo Angelim, que garantiram a festa. O Fla fechou o torneio com 67 pontos, dois a mais do que o vice Inter. O Tricolor gaúcho fecha o ano em oitavo, com 55.
Sem essa de entregar
A festa começou, curiosamente, com uma música “copiada” do principal concorrente ao título. No ritmo de “Brasília Amarela”, a torcida do Flamengo saudou a entrada do time em campo. A proximidade do título e o Maracanã superlotado levaram muitos torcedores às lágrimas. Mas, ao contrário do que diz a letra do cântico, a festa não começou.
Quando a bola rolou, o time e a torcida demoraram a acordar. Apesar de dizimado por desfalques e dos gritos de “entrega” vindos das arquibancadas do Fla, o Grêmio começou a partida ligado na tomada.
Aos dois minutos, Túlio, que textualmente afirmou “odiar” o Flamengo quando jogava no Botafogo, arriscou de fora da área e levou perigo ao gol de Bruno.
Estranhamente apático nos dez minutos iniciais, o time mandante só saiu do cerco gremista aos 12. Aírton fez lindo lançamento de trivela. Adriano ajeitou para a perna esquerda, mas foi bloqueado. A bola sobrou novamente no pé bom do atacante após cobrança de escanteio. Desta vez, a finalização saiu por cima do travessão.
Parecia o início da pressão rubro-negra. Mas não passou disso. A torcida continuou muda. E o Grêmio sentiu-se senhor da situação. Após cobrança de escanteio, aos 21, Roberson se antecipou à zaga na primeira trave e abriu o placar. Curiosamente, os poucos tricolores gaúchos presentes no Maracanã não comemoraram.
Aflição e ansiedade se confundiam entre os flamenguistas. Principalmente porque o Inter abriu o placar contra o Santo André. Pet cobrou escanteio da direita e, em uma bola quase perdida na área, Adriano dividiu com a zaga e, na sobra, David bateu de primeira no canto direito, aos 29 minutos. Mais do que o empate, saía o alívio momentâneo. A torcida, enfim, mostrou força.
Mas o time prosseguiu rateando. Zé Roberto, muito mal no jogo, perdeu chance clara aos 35. Já nos acréscimos, Adriano bateu falta lateral com força e Marcelo Grohe espalmou.
Ronaldo Angelim, o Magro de Aço, entra para a história
No intervalo, Andrade criticou a atuação do Flamengo e pediu mais iniciativa e dedicação.
- Parece que o Grêmio é que veio aqui disputar o título. Tem que ter atitude.
Os jogadores armaram uma corrente no meio-campo e a torcida despertou. Só que a primeira chance foi do Grêmio. Douglas Costa, aos dois minutos, quase acertou o ângulo esquerdo em cobrança de falta.
Aos três, Petkovic cobrou escanteio da direita, Adriano subiu sozinho na entrada da pequena área, cabeceou para o chão, mas mandou para fora. Em outra bola cabeceada, desta vez por Aírton, Marcelo Grohe voou e salvou o Grêmio, aos sete.
Léo Moura e Willians, ambos aos 11, estiveram perto de virar o placar. Àquela altura, o Grêmio só se defendia. E o Flamengo errava. Erros bobos, que evidenciaram a tensão permanente.
Andrade pôs Everton. Mas Pet continuou errando. Juan lançou Adriano aos 23. Era a chance de o Imperador fazer o gol do título. Olhou, tentou a cavadinha, mas Marcelo Grohe fez uma defesa espetacular.
Se os astros do time não colaboraram, coube novamente a um zagueiro salvar, aos 24 minutos. Petkovic bateu escanteio da esquerda, Ronaldo Angelim subiu no meio da área e testou no canto esquerdo: 2 a 1.
O gol não pôs fim ao jogo. Aos 32, Lucio cobrou falta de longe, a bola quicou e Bruno espalmou. Livre na pequena área, Maylson chutou para fora. Adriano recebeu ótima bola aos 40, mas se enrolou e Marcelo Grohe salvou.
FLAMENGO 2 x 1 GRÊMIO
FLAMENGO:Bruno, Léo Moura, David, Ronaldo Angelim e Juan; Aírton, Toró (Everton), Willians e Petkovic (Fierro); Zé Roberto (Kléberson) e Adriano.
Técnico: Andrade.
GRÊMIO:Marcelo Grohe, Mário Fernandes, Léo, Willian Thiego e Fábio Santos; Adílson (Mithyuê), Túlio, Lúcio e Maylson; Douglas Costa e Roberson (Bérgson).
Técnico: Marcelo Rospide.
Gols: Roberson, aos 21 e David, aos 29 minutos do primeiro tempo. Ronaldo Angelim, aos 24 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: David, Willians (Flamengo); Douglas Costa, Marcelo Grohe, Lúcio, Adílson (Grêmio).
Estádio: Maracanã. Data: 06/12/2009.
Árbitro: Heber Roberto Lopes. Auxiliares: Alessandro Alvaro Rocha de Matos (BA) e Carlos Berkenbrock (SC).
Renda e público: R$ 2.030.430,00 / 78.639 pagantes (84.848 presentes).
GLOBOESPORTE.COM
Classificação (todos com 38 jogos)
1. Flamengo 67 pontos
2. Internacional 65
3. São Paulo 65
4. Cruzeiro 62
5. Palmeiras 62
6. Avaí 57
7. Atl. Mineiro 56
8. Grémio 55
9. Goiás 55
10. Corinthians 52
11. Barueri 49
12. Santos 49
13. Vitória 48
14. Atlético Paranaense 48
15. Botafogo 47
16. Fluminense 46
17. Coritiba 45 (despromovido)
18. Santo André 41 (despromovido)
19. Náutico 38 (despromovido)
20. Sport 31 (despromovido)
Ronaldo Angelim costuma dizer que sua maior vaidade é assistir ao Flamengo vencer. Neste domingo, certamente está se sentindo vaidoso como nunca. E graças a uma cabeçada certeira dele. Com sofrimento e dificuldade até o fim, o Rubro-Negro venceu o Grêmio por 2 a 1, no Maracanã, e conquistou o Campeonato Brasileiro pela sexta vez.
Mas para acabar com o jejum de 17 anos sem conquista, o time e a torcida sofreram. Foram 90 minutos de agonia, sem jogar bem, mas que entraram para a história. Pressionado pela própria torcida para entregar e não ajudar o rival Inter, o Tricolor Gaúcho entrou em campo com apenas três titulares. E não aliviou. Abriu o placar e tentou o empate até o fim.
Em tarde de Maracanã lotado, com quase 85 mil presentes, Adriano e Petkovic não brilharam. Nem a torcida. A aflição e a carência do título foram preponderantes para o estádio ficar calado, com os nervos à flor da pele, durante a maior parte do tempo. Euforia só nos gols de David e Ronaldo Angelim, que garantiram a festa. O Fla fechou o torneio com 67 pontos, dois a mais do que o vice Inter. O Tricolor gaúcho fecha o ano em oitavo, com 55.
Sem essa de entregar
A festa começou, curiosamente, com uma música “copiada” do principal concorrente ao título. No ritmo de “Brasília Amarela”, a torcida do Flamengo saudou a entrada do time em campo. A proximidade do título e o Maracanã superlotado levaram muitos torcedores às lágrimas. Mas, ao contrário do que diz a letra do cântico, a festa não começou.
Quando a bola rolou, o time e a torcida demoraram a acordar. Apesar de dizimado por desfalques e dos gritos de “entrega” vindos das arquibancadas do Fla, o Grêmio começou a partida ligado na tomada.
Aos dois minutos, Túlio, que textualmente afirmou “odiar” o Flamengo quando jogava no Botafogo, arriscou de fora da área e levou perigo ao gol de Bruno.
Estranhamente apático nos dez minutos iniciais, o time mandante só saiu do cerco gremista aos 12. Aírton fez lindo lançamento de trivela. Adriano ajeitou para a perna esquerda, mas foi bloqueado. A bola sobrou novamente no pé bom do atacante após cobrança de escanteio. Desta vez, a finalização saiu por cima do travessão.
Parecia o início da pressão rubro-negra. Mas não passou disso. A torcida continuou muda. E o Grêmio sentiu-se senhor da situação. Após cobrança de escanteio, aos 21, Roberson se antecipou à zaga na primeira trave e abriu o placar. Curiosamente, os poucos tricolores gaúchos presentes no Maracanã não comemoraram.
Aflição e ansiedade se confundiam entre os flamenguistas. Principalmente porque o Inter abriu o placar contra o Santo André. Pet cobrou escanteio da direita e, em uma bola quase perdida na área, Adriano dividiu com a zaga e, na sobra, David bateu de primeira no canto direito, aos 29 minutos. Mais do que o empate, saía o alívio momentâneo. A torcida, enfim, mostrou força.
Mas o time prosseguiu rateando. Zé Roberto, muito mal no jogo, perdeu chance clara aos 35. Já nos acréscimos, Adriano bateu falta lateral com força e Marcelo Grohe espalmou.
Ronaldo Angelim, o Magro de Aço, entra para a história
No intervalo, Andrade criticou a atuação do Flamengo e pediu mais iniciativa e dedicação.
- Parece que o Grêmio é que veio aqui disputar o título. Tem que ter atitude.
Os jogadores armaram uma corrente no meio-campo e a torcida despertou. Só que a primeira chance foi do Grêmio. Douglas Costa, aos dois minutos, quase acertou o ângulo esquerdo em cobrança de falta.
Aos três, Petkovic cobrou escanteio da direita, Adriano subiu sozinho na entrada da pequena área, cabeceou para o chão, mas mandou para fora. Em outra bola cabeceada, desta vez por Aírton, Marcelo Grohe voou e salvou o Grêmio, aos sete.
Léo Moura e Willians, ambos aos 11, estiveram perto de virar o placar. Àquela altura, o Grêmio só se defendia. E o Flamengo errava. Erros bobos, que evidenciaram a tensão permanente.
Andrade pôs Everton. Mas Pet continuou errando. Juan lançou Adriano aos 23. Era a chance de o Imperador fazer o gol do título. Olhou, tentou a cavadinha, mas Marcelo Grohe fez uma defesa espetacular.
Se os astros do time não colaboraram, coube novamente a um zagueiro salvar, aos 24 minutos. Petkovic bateu escanteio da esquerda, Ronaldo Angelim subiu no meio da área e testou no canto esquerdo: 2 a 1.
O gol não pôs fim ao jogo. Aos 32, Lucio cobrou falta de longe, a bola quicou e Bruno espalmou. Livre na pequena área, Maylson chutou para fora. Adriano recebeu ótima bola aos 40, mas se enrolou e Marcelo Grohe salvou.
FLAMENGO 2 x 1 GRÊMIO
FLAMENGO:Bruno, Léo Moura, David, Ronaldo Angelim e Juan; Aírton, Toró (Everton), Willians e Petkovic (Fierro); Zé Roberto (Kléberson) e Adriano.
Técnico: Andrade.
GRÊMIO:Marcelo Grohe, Mário Fernandes, Léo, Willian Thiego e Fábio Santos; Adílson (Mithyuê), Túlio, Lúcio e Maylson; Douglas Costa e Roberson (Bérgson).
Técnico: Marcelo Rospide.
Gols: Roberson, aos 21 e David, aos 29 minutos do primeiro tempo. Ronaldo Angelim, aos 24 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: David, Willians (Flamengo); Douglas Costa, Marcelo Grohe, Lúcio, Adílson (Grêmio).
Estádio: Maracanã. Data: 06/12/2009.
Árbitro: Heber Roberto Lopes. Auxiliares: Alessandro Alvaro Rocha de Matos (BA) e Carlos Berkenbrock (SC).
Renda e público: R$ 2.030.430,00 / 78.639 pagantes (84.848 presentes).
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Classificação (todos com 38 jogos)
1. Flamengo 67 pontos
2. Internacional 65
3. São Paulo 65
4. Cruzeiro 62
5. Palmeiras 62
6. Avaí 57
7. Atl. Mineiro 56
8. Grémio 55
9. Goiás 55
10. Corinthians 52
11. Barueri 49
12. Santos 49
13. Vitória 48
14. Atlético Paranaense 48
15. Botafogo 47
16. Fluminense 46
17. Coritiba 45 (despromovido)
18. Santo André 41 (despromovido)
19. Náutico 38 (despromovido)
20. Sport 31 (despromovido)
CV:Mário Fonseca poderá vir a ser nome de uma rua da cidade da Praia
PRAIA-Este é um assunto a ser discutido pela Câmara Municipal da Praia conforme o presidente da edilidade, Ulisses Correia e Silva.
Ulisses Correia e Silva falava durante um acto de homenagem feita pela associação Pró-Praia em nome do falecido poeta.
O presidente da associação Pró-Praia, Alcides Oliveira considera que Mário Fonseca mereceu a homenagem que se resumiu ao baptismo de uma sala da associação ao nome do poeta e ensaísta.
Nascido a 12 de Novembro de 1939, na capital cabo-verdiana, Mário Alberto de Almeida Fonseca deixa uma vasta obra literária publicada em revistas, jornais, como o Boletim de Cabo Verde, a folha literária e "Seló" que fundou nos anos 60 com os poetas cabo-verdianos Arménio Vieira (Prémio Camões 2009) e Osvaldo Osório.
Entre as suas obras figura o livro de poesias "O Mar e as Rosas", que foi confiscado em Lisboa, em 1964, pela polícia política portuguesa, aquando do encerramento forçado da então Associação Portuguesa de Escritores.
Mário Fonseca publicou também várias obras em língua francesa, nomeadamente os livros de poesia "Près de la mer" e "Mon Pays est une Musique et Poissons".
RTC.CV
Ulisses Correia e Silva falava durante um acto de homenagem feita pela associação Pró-Praia em nome do falecido poeta.
O presidente da associação Pró-Praia, Alcides Oliveira considera que Mário Fonseca mereceu a homenagem que se resumiu ao baptismo de uma sala da associação ao nome do poeta e ensaísta.
Nascido a 12 de Novembro de 1939, na capital cabo-verdiana, Mário Alberto de Almeida Fonseca deixa uma vasta obra literária publicada em revistas, jornais, como o Boletim de Cabo Verde, a folha literária e "Seló" que fundou nos anos 60 com os poetas cabo-verdianos Arménio Vieira (Prémio Camões 2009) e Osvaldo Osório.
Entre as suas obras figura o livro de poesias "O Mar e as Rosas", que foi confiscado em Lisboa, em 1964, pela polícia política portuguesa, aquando do encerramento forçado da então Associação Portuguesa de Escritores.
Mário Fonseca publicou também várias obras em língua francesa, nomeadamente os livros de poesia "Près de la mer" e "Mon Pays est une Musique et Poissons".
RTC.CV
CV(EXPRESSO):Ciclo eleitoral e explosão dos défices gémeos
PRAIA-Os factores que contribuem para a explicação dos indicadores de uma política orçamental discricionária (fiscal policy stance) têm sido objecto de debate na ciência económica. Mais recentemente, vários contributos na literatura económica procuram avaliar os elementos que influenciam os indicadores orçamentais em cada país. Em particular, a ênfase passou a centrar-se no papel desempenhado pelo ciclo eleitoral. A análise existente acerca do impacto das eleições nos indicadores orçamentais aponta claramente no sentido de um forte impacto: as eleições geram despesas públicas elevadas que se traduzem no aumento do défice orçamental. Neste contexto, importa sublinhar que, para além da relação causal enfatizada entre as eleições e os principais indicadores orçamentais, não nos devemos esquecer da existência do efeito do défice orçamental sobre a balança de pagamentos, em particular numa pequena economia insular muito aberta, como a cabo-verdiana. Ademais, o regime cambial de taxa de câmbio fixa do escudo cabo-verdiano ao Euro (peg fixo unilateral) pode ou não ser incentivo para uma política orçamental prudente em vésperas de eleições.
Ora, se as causas da explosão recente do défice orçamental em Cabo Verde são conhecidas - quebra das receitas fiscais e forte aumento das despesas públicas - as suas consequências potenciais são menos evidentes. As projecções mais recentes apontam para 2009 um défice público de 10.6 % do PIB, claramente acima do valor de referência de 3.0 por cento. É um aumento substancial em relação ao ano anterior. A proposta de orçamento do Estado para 2010, já aprovada na generalidade pela Assembleia Nacional, prevê, para 2010, um défice global público em torno de 12,2 % do PIB. Quatro vezes mais o valor de referência previsto no Acordo de Cooperação Cambial (ACC). É a explosão do défice orçamental!
Como nos ensinam os manuais de macroeconomia, um défice da conta corrente da balança de pagamentos é, por definição, igual ao défice orçamental mais o saldo entre a poupança privada e o investimento privado. Ou seja, a condição básica do equilíbrio macroeconómico em economia aberta sugere que o défice orçamental elevado da economia cabo-verdiana determina em grande medida a explosão do défice da balança de pagamentos!: são os chamados gémeos não idênticos. Com efeito, o Fundo Monetário Internacional (FMI, World Economic Outlook, Outubro 2009) prevê, para o corrente ano, um défice da balança de pagamentos equivalente a 18.5 % do PIB - uma situação obviamente insustentável seja qual for o padrão, ainda mais para um país com um rácio elevado entre a dívida e o produto interno bruto (PIB) e com um regime cambial de peg fixo unilateral.
De acordo com as estimativas do Banco de Cabo Verde (BCV) actualmente disponíveis, o défice da conta corrente da balança de pagamentos, para os primeiros nove meses de 2009, situou-se em 10.790,18 milhões de escudos (161.3 milhões de euros). É um agravamento de 15.2 % em relação ao período homólogo de 2008.
O fluxo do investimento directo estrangeiro (IDE), nestes primeiros nove meses de 2009 foi de apenas 7.196,4 milhões de escudos, uma redução substancial de cerca de 44% quando comparado com o período homólogo de 2008. Assim, uma grande parte do défice da conta corrente da balança de pagamentos será financiado com reservas oficiais e empréstimos externos resultando daí um aumento significativo da dívida externa do País.
A existência de desequilíbrio profundo e persistente da balança de pagamentos conduz a uma perda de reservas cambiais oficiais pondo em risco o regime cambial de peg fixo unilateral do escudo cabo-verdiano ao euro, no contexto do Acordo de Cooperação Cambial celebrado com o Governo português.
Do ponto de vista do modelo de crise da balança de pagamentos, o problema central, ou seja, a perda de reservas não acontece de repente e de forma facilmente identificável. A perda de reservas vai-se manifestando gradualmente mas os especuladores, antecipando um abandono do peg, procuram adquirir as reservas cambiais oficiais e, o ataque especulativo tem consequências absolutamente sinistras: abandono do peg.
A informação incompleta dos agentes económicos, designadamente quanto ao volume das suas reservas que o Governo quererá utilizar na defesa da taxa de câmbio fixa, aumenta a sua incerteza. Isso produz a possibilidade de alternar crises da balança de pagamentos e confiança dos agentes económicos. No quadro do ACC, por exemplo, o Governo pode querer utilizar as suas reservas oficiais na defesa do peg e a Facilidade de crédito prevista no acordo pode ou não querer mobilizá-la na defesa do peg .
Em 2009, os défices gémeos orçamental e da balança de pagamentos atingem valores abissais e resultam de uma conjuntura internacional de crise e sobretudo de uma política económica profundamente errada. Importa sublinhar que a prodigalidade orçamental do Governo de José Maria Neves continua no OE-2010 e agravará ainda mais o défice orçamental e a dívida pública. Nestas circunstâncias o problema da balança de pagamentos - definido como uma situação em que o País está gradualmente a perder reservas cambiais líquidas oficiais - agravará e terá consequências negativas na credibilidade do Estado.
EXPRESSODASILHAS.SAPO.CV-POR PAULO MONTEIRO JR
Ora, se as causas da explosão recente do défice orçamental em Cabo Verde são conhecidas - quebra das receitas fiscais e forte aumento das despesas públicas - as suas consequências potenciais são menos evidentes. As projecções mais recentes apontam para 2009 um défice público de 10.6 % do PIB, claramente acima do valor de referência de 3.0 por cento. É um aumento substancial em relação ao ano anterior. A proposta de orçamento do Estado para 2010, já aprovada na generalidade pela Assembleia Nacional, prevê, para 2010, um défice global público em torno de 12,2 % do PIB. Quatro vezes mais o valor de referência previsto no Acordo de Cooperação Cambial (ACC). É a explosão do défice orçamental!
Como nos ensinam os manuais de macroeconomia, um défice da conta corrente da balança de pagamentos é, por definição, igual ao défice orçamental mais o saldo entre a poupança privada e o investimento privado. Ou seja, a condição básica do equilíbrio macroeconómico em economia aberta sugere que o défice orçamental elevado da economia cabo-verdiana determina em grande medida a explosão do défice da balança de pagamentos!: são os chamados gémeos não idênticos. Com efeito, o Fundo Monetário Internacional (FMI, World Economic Outlook, Outubro 2009) prevê, para o corrente ano, um défice da balança de pagamentos equivalente a 18.5 % do PIB - uma situação obviamente insustentável seja qual for o padrão, ainda mais para um país com um rácio elevado entre a dívida e o produto interno bruto (PIB) e com um regime cambial de peg fixo unilateral.
De acordo com as estimativas do Banco de Cabo Verde (BCV) actualmente disponíveis, o défice da conta corrente da balança de pagamentos, para os primeiros nove meses de 2009, situou-se em 10.790,18 milhões de escudos (161.3 milhões de euros). É um agravamento de 15.2 % em relação ao período homólogo de 2008.
O fluxo do investimento directo estrangeiro (IDE), nestes primeiros nove meses de 2009 foi de apenas 7.196,4 milhões de escudos, uma redução substancial de cerca de 44% quando comparado com o período homólogo de 2008. Assim, uma grande parte do défice da conta corrente da balança de pagamentos será financiado com reservas oficiais e empréstimos externos resultando daí um aumento significativo da dívida externa do País.
A existência de desequilíbrio profundo e persistente da balança de pagamentos conduz a uma perda de reservas cambiais oficiais pondo em risco o regime cambial de peg fixo unilateral do escudo cabo-verdiano ao euro, no contexto do Acordo de Cooperação Cambial celebrado com o Governo português.
Do ponto de vista do modelo de crise da balança de pagamentos, o problema central, ou seja, a perda de reservas não acontece de repente e de forma facilmente identificável. A perda de reservas vai-se manifestando gradualmente mas os especuladores, antecipando um abandono do peg, procuram adquirir as reservas cambiais oficiais e, o ataque especulativo tem consequências absolutamente sinistras: abandono do peg.
A informação incompleta dos agentes económicos, designadamente quanto ao volume das suas reservas que o Governo quererá utilizar na defesa da taxa de câmbio fixa, aumenta a sua incerteza. Isso produz a possibilidade de alternar crises da balança de pagamentos e confiança dos agentes económicos. No quadro do ACC, por exemplo, o Governo pode querer utilizar as suas reservas oficiais na defesa do peg e a Facilidade de crédito prevista no acordo pode ou não querer mobilizá-la na defesa do peg .
Em 2009, os défices gémeos orçamental e da balança de pagamentos atingem valores abissais e resultam de uma conjuntura internacional de crise e sobretudo de uma política económica profundamente errada. Importa sublinhar que a prodigalidade orçamental do Governo de José Maria Neves continua no OE-2010 e agravará ainda mais o défice orçamental e a dívida pública. Nestas circunstâncias o problema da balança de pagamentos - definido como uma situação em que o País está gradualmente a perder reservas cambiais líquidas oficiais - agravará e terá consequências negativas na credibilidade do Estado.
EXPRESSODASILHAS.SAPO.CV-POR PAULO MONTEIRO JR
Boeing da TACV aterra pela primeira vez em São Vicente
Boeing da TACV aterra pela primeira vez em São Vicente
O Boeing 757-200 da TACV aterrou sexta feira, 04 de Dezembro pela primeira vez no remodelado Aeroporto de São Pedro. Este era um dos últimos voos testes da auditoria levada a cabo pela Agência da Aeronáutica Civil (AAC) antes da atribuição da licença de funcionamento.
O Boeing 757-200 da TACV aterrou sexta feira, 04 de Dezembro pela primeira vez no remodelado Aeroporto de São Pedro. Este era um dos últimos voos testes da auditoria levada a cabo pela Agência da Aeronáutica Civil (AAC) antes da atribuição da licença de funcionamento.
BRASIL:ÚLTIMA JORNADA DO BRASILEIRÃO TEM 4 EQUIPAS LUTANDO PELO TÍTULO
Flamengo é favorito a levantar o troféu.O Campeonato Brasileiro mais disputado da era dos pontos corridos termina neste domingo com quatro equipas brigando pelo título e outras quatro lutando contra o rebaixamento. Na parte de cima da tabela, a missão teoricamente mais simples é a do líder Flamengo (65 pontos), que recebe o mistão do Grêmio no Maracanã. Se vencer, conquistará o hexacampeonato e acabará com cinco anos de domínio paulista.
Três equipas estarão na torcida por um tropeço rubro-negro. O primeiro da fila é o Internacional, que tem 62 pontos e terá de contar com o empenho do seu rival gaúcho para levantar o caneco no ano do centenário. No Beira-Rio, o time enfrenta o Santo André.
Palmeiras e São Paulo também somam 62 pontos, mas com uma vitória a menos. Por isso, dependem de dois tropeços - de Flamengo e Inter. Se isso acontecer e os dois paulistas fizerem a sua parte, a parada será decidida no saldo de gols. O Alviverde pega o Botafogo no Engenhão, e o Tricolor recebe o Sport no Morumbi. Apenas outro time tem chance de beliscar uma vaga na Libertadores de 2010: o Cruzeiro, que tem 59 pontos e encara o Santos na Vila Belmiro.
Como está a briga pelo título
Flamengo: basta vencer o Grêmio. Se empatar ou perder, precisará contar com tropeços de Inter, Palmeiras e São Paulo.
Internacional: depende de tropeço do Flamengo. Neste caso, bastaria uma vitória simples sobre o Santo André.
Palmeiras: torce para que Flamengo e Inter não ganhem seus jogos. Só perderia o título caso o São Paulo tire a diferença no saldo de gols (que é de três atualmente).
São Paulo: tem a missão mais complicada, pois precisa de tropeços de Flamengo e Inter, além de tirar a vantagem de saldo de gols do Palmeiras.
LUTAM PARA NÃO DESCER
Na parte de baixo da tabela, a briga também está equilibrada: são quatro times tentando fugir das duas vagas restantes e da companhia de Sport e Náutico, já rebaixados para a Segundona. O Fluminense é o mais bem colocado, com 45 pontos, seguido por Coritiba (44), Botafogo (44) e Santo André (41).
FONTE:GLOBO.COM
Três equipas estarão na torcida por um tropeço rubro-negro. O primeiro da fila é o Internacional, que tem 62 pontos e terá de contar com o empenho do seu rival gaúcho para levantar o caneco no ano do centenário. No Beira-Rio, o time enfrenta o Santo André.
Palmeiras e São Paulo também somam 62 pontos, mas com uma vitória a menos. Por isso, dependem de dois tropeços - de Flamengo e Inter. Se isso acontecer e os dois paulistas fizerem a sua parte, a parada será decidida no saldo de gols. O Alviverde pega o Botafogo no Engenhão, e o Tricolor recebe o Sport no Morumbi. Apenas outro time tem chance de beliscar uma vaga na Libertadores de 2010: o Cruzeiro, que tem 59 pontos e encara o Santos na Vila Belmiro.
Como está a briga pelo título
Flamengo: basta vencer o Grêmio. Se empatar ou perder, precisará contar com tropeços de Inter, Palmeiras e São Paulo.
Internacional: depende de tropeço do Flamengo. Neste caso, bastaria uma vitória simples sobre o Santo André.
Palmeiras: torce para que Flamengo e Inter não ganhem seus jogos. Só perderia o título caso o São Paulo tire a diferença no saldo de gols (que é de três atualmente).
São Paulo: tem a missão mais complicada, pois precisa de tropeços de Flamengo e Inter, além de tirar a vantagem de saldo de gols do Palmeiras.
LUTAM PARA NÃO DESCER
Na parte de baixo da tabela, a briga também está equilibrada: são quatro times tentando fugir das duas vagas restantes e da companhia de Sport e Náutico, já rebaixados para a Segundona. O Fluminense é o mais bem colocado, com 45 pontos, seguido por Coritiba (44), Botafogo (44) e Santo André (41).
FONTE:GLOBO.COM
NEDERLAND: Ronald Koeman weg bij AZ
Ronald Koeman moet weg als trainer bij AZ. Het bestuur en de directie van de Noord-Hollandse voetbalclub zien op sportieve gronden geen basis meer voor verdere samenwerking.
Met Koeman vertrekt ook zijn assistent Tonny Bruins Slot bij de landskampioen. AZ gaat op korte termijn op zoek naar een andere hoofdtrainer.
Ronald Koeman kwam een half jaar geleden naar AZ als opvolger van Louis van Gaal. Onder zijn leiding won de landskampioen nog wel de Johan Cruyffschaal, maar daarna vielen de resultaten tegen: AZ werd uitgeschakeld in de Champions League en in de competitie staat de ploeg op een zesde plaats. Vrijdag verloor AZ thuis van Vitesse en dat lijkt de druppel die de emmer heeft doen overlopen.
RNW
Met Koeman vertrekt ook zijn assistent Tonny Bruins Slot bij de landskampioen. AZ gaat op korte termijn op zoek naar een andere hoofdtrainer.
Ronald Koeman kwam een half jaar geleden naar AZ als opvolger van Louis van Gaal. Onder zijn leiding won de landskampioen nog wel de Johan Cruyffschaal, maar daarna vielen de resultaten tegen: AZ werd uitgeschakeld in de Champions League en in de competitie staat de ploeg op een zesde plaats. Vrijdag verloor AZ thuis van Vitesse en dat lijkt de druppel die de emmer heeft doen overlopen.
RNW
HOLANDA:SOCIEDADE HOLANDESA NEGLIGENCIA OS JOVENS
A sociedade holandesa negligencia os seus jovens e com isso o futuro. Esta é a conclusão dos pesquisadores Frits Spangenberg e Martijn Lampert, do instituto de pesquisas Motivaction. Eles baseiam-se numa pesquisa de vários anos feita com 22 mil holandeses.
A geração mais jovem vive intensamente e é fascinada por status e aparência. Eles entram no futuro com confiança e são optimistas em relação à vida. Mas, paralelamente, os efeitos nocivos da irresponsabilidade coletiva com relação aos jovens são visíveis: obesidade, alcoolismo, abandono dos estudos, dívidas e agressividade. Mesmo um exército de assistentes sociais não consegue controlar estes problemas.
Educação
Jovens entre 15 e 22 anos foram o foco central da pesquisa. A maior diferença em relação a gerações anteriores é que cada vez mais pais abraçaram o ideal ‘forever young’ (jovem para sempre). Com isso parece ter se tornado tabu educar com autoridade e a importância de ter autocontrole e de assumir responsabilidades não é passada aos jovens. Os pais acham complexo educar. “Eles não querem abordar os jovens como adultos com experiência de vida, mas ter uma relação ‘saudável’ com os filhos. E isso é bem diferente do que acontecia antes”, destaca Lampert.
Mais individualista
Os pesquisadores concluíram que os pais e o Serviço de Proteção à Criança, que legalmente tem a tarefa de prestar assistência a menores, não conseguem fazer muito a respeito do abandono escolar, dívidas, uso indiscriminado de álcool, distúrbios alimentares e agressividade. Os jovens de hoje são individualistas e voltados principalmente para seus próprios prazeres.
A pesquisa também mostra que os jovens holandeses consideram-se superficiais. São pouco envolvidos com a sociedade como um todo, impacientes, perdulários e sem consciência ambiental. Quase a metade não tem nenhum respeito por autoridades, como policias e professores, e não sabe lidar com oposição e críticas.
Vulneráveis
Os pesquisadores constataram uma divisão entre os jovens. Pouco mais de 41% não são suficientemente autoconfiantes e independentes, contra um grupo aproximadamente do mesmo tamanho que é. Principalmente jovens com pouca educação são mais vulneráveis.
Para os pesquisadores, os pais têm que tomar de novo as rédeas e as escolas devem deixar claro o que esperam de alunos e pais.
Âncora
A sociedade espera do governo uma visão de longo prazo na qual esteja claro o que se quer oferecer à próxima geração, segundo os pesquisadores, que entregaram o primeiro exemplar do livro ‘De Grenzeloze Generatie’ (A geração sem limites) ao primeiro-ministro holandês Jan Peter Balkenende.
Balkenende disse em seu discurso estar satisfeito com a análise que foi feita, pois oferece perspectivas. “De todas as maneiras, precisamos manter um comportamento respeitoso uns com os outros. Caso contrário não chegaremos a lugar nenhum. Construir valores exige dedicação e isso pede tempo. A juventude talvez esteja à deriva, mas podemos jogar uma âncora.”
RNW-Por Marijke Koeman
A geração mais jovem vive intensamente e é fascinada por status e aparência. Eles entram no futuro com confiança e são optimistas em relação à vida. Mas, paralelamente, os efeitos nocivos da irresponsabilidade coletiva com relação aos jovens são visíveis: obesidade, alcoolismo, abandono dos estudos, dívidas e agressividade. Mesmo um exército de assistentes sociais não consegue controlar estes problemas.
Educação
Jovens entre 15 e 22 anos foram o foco central da pesquisa. A maior diferença em relação a gerações anteriores é que cada vez mais pais abraçaram o ideal ‘forever young’ (jovem para sempre). Com isso parece ter se tornado tabu educar com autoridade e a importância de ter autocontrole e de assumir responsabilidades não é passada aos jovens. Os pais acham complexo educar. “Eles não querem abordar os jovens como adultos com experiência de vida, mas ter uma relação ‘saudável’ com os filhos. E isso é bem diferente do que acontecia antes”, destaca Lampert.
Mais individualista
Os pesquisadores concluíram que os pais e o Serviço de Proteção à Criança, que legalmente tem a tarefa de prestar assistência a menores, não conseguem fazer muito a respeito do abandono escolar, dívidas, uso indiscriminado de álcool, distúrbios alimentares e agressividade. Os jovens de hoje são individualistas e voltados principalmente para seus próprios prazeres.
A pesquisa também mostra que os jovens holandeses consideram-se superficiais. São pouco envolvidos com a sociedade como um todo, impacientes, perdulários e sem consciência ambiental. Quase a metade não tem nenhum respeito por autoridades, como policias e professores, e não sabe lidar com oposição e críticas.
Vulneráveis
Os pesquisadores constataram uma divisão entre os jovens. Pouco mais de 41% não são suficientemente autoconfiantes e independentes, contra um grupo aproximadamente do mesmo tamanho que é. Principalmente jovens com pouca educação são mais vulneráveis.
Para os pesquisadores, os pais têm que tomar de novo as rédeas e as escolas devem deixar claro o que esperam de alunos e pais.
Âncora
A sociedade espera do governo uma visão de longo prazo na qual esteja claro o que se quer oferecer à próxima geração, segundo os pesquisadores, que entregaram o primeiro exemplar do livro ‘De Grenzeloze Generatie’ (A geração sem limites) ao primeiro-ministro holandês Jan Peter Balkenende.
Balkenende disse em seu discurso estar satisfeito com a análise que foi feita, pois oferece perspectivas. “De todas as maneiras, precisamos manter um comportamento respeitoso uns com os outros. Caso contrário não chegaremos a lugar nenhum. Construir valores exige dedicação e isso pede tempo. A juventude talvez esteja à deriva, mas podemos jogar uma âncora.”
RNW-Por Marijke Koeman
CV(EXPRESSO):Carlos Veiga: “Cabo Verde tem condições para crescer 8% ao ano”
MINDELO-O presidente do Movimento para a Democracia (MpD) esteve ontem, 5 de Dezembro, no Mindelo, onde deu posse à nova Comissão Regional de São Vicente, liderada por Augusto Neves.
Perante uma Academia de Música Jotamonte a abarrotar, Carlos Veiga defendeu que Cabo Verde "tem condições para crescer uma média de oito por cento ao ano".
Durante o Governo do PAICV, sublinhou o dirigente, "isso só aconteceu uma vez, em 2006, que foi um ano excepcional, devido à operação da NATO, aqui em São Vicente".
"Mas, com políticas adequadas, é possível chegar mesmo ao crescimento de 10 por cento", uma meta que o executivo de José Maria Neves prometeu mas não cumpriu, afirmou Veiga.
O presidente do MpD criticou também a "situação lamentável" do saneamento básico no país que "foi parcialmente responsável" pela epidemia.
Apesar de elogiar a resposta do Governo e da população à dengue, Veiga considerou que o sistema de saúde pública "falhou completamente" na prevenção.
"Ficou provado que o nosso sistema de saúde é frágil. E alguém tem de ser responsabilizado", exigiu.
Algo que Veiga pediu também para a TACV, que "está em estado de falência".
A culpa, acusou o dirigente, é do Governo, que "escolheu gestores com base na sua cor partidária e não na sua competência".
Se o MpD vencer as eleições de 2011, prometeu Veiga, vai aplicar uma política de céu aberto
"É preciso atrair companhias aéreas para Cabo Verde, para aumentar a concorrência, pois só assim é possível baixar os preços das passagens", explicou.
EXPRESSODASILHAS.CV
Perante uma Academia de Música Jotamonte a abarrotar, Carlos Veiga defendeu que Cabo Verde "tem condições para crescer uma média de oito por cento ao ano".
Durante o Governo do PAICV, sublinhou o dirigente, "isso só aconteceu uma vez, em 2006, que foi um ano excepcional, devido à operação da NATO, aqui em São Vicente".
"Mas, com políticas adequadas, é possível chegar mesmo ao crescimento de 10 por cento", uma meta que o executivo de José Maria Neves prometeu mas não cumpriu, afirmou Veiga.
O presidente do MpD criticou também a "situação lamentável" do saneamento básico no país que "foi parcialmente responsável" pela epidemia.
Apesar de elogiar a resposta do Governo e da população à dengue, Veiga considerou que o sistema de saúde pública "falhou completamente" na prevenção.
"Ficou provado que o nosso sistema de saúde é frágil. E alguém tem de ser responsabilizado", exigiu.
Algo que Veiga pediu também para a TACV, que "está em estado de falência".
A culpa, acusou o dirigente, é do Governo, que "escolheu gestores com base na sua cor partidária e não na sua competência".
Se o MpD vencer as eleições de 2011, prometeu Veiga, vai aplicar uma política de céu aberto
"É preciso atrair companhias aéreas para Cabo Verde, para aumentar a concorrência, pois só assim é possível baixar os preços das passagens", explicou.
EXPRESSODASILHAS.CV
sábado, 5 de dezembro de 2009
TENIS:ESPANHA CONQUISTA TAÇA DAVIS
BARCELONA-A Espanha assegurou, sábado, em Barcelona, a conquista da sua quarta Taça Davis, ao elevar para 3-0 a vantagem na final diante da República Checa.
Depois de na véspera Nadal e Ferrer terem ganho os primeiros singulares, o par formado por Feliciano Lopez e Fernando Verdasco acabou com as dúvidas ao precisar apenas de três "sets" - com parciais de 7-6(7), 7-5 e 6-2 - para "despachar" Radek Stepanek e Tomas Berdych, precisamente os dois checos que, na sexta-feira, já haviam sido chamados a defender as cores da respectiva selecção.
Contando com o entusiástico apoio dos seus adeptos, o par espanhol esteve sempre muito concentrado e nos momentos decisivos nunca deu hipóteses aos opositores que, curiosamente, somavam por vitórias os 6 duelos já realizados na Davis.
Lopez e Verdasco já haviam sido as figuras de proa no triunfo espanhol na edição de 2008, quando para além do embate de pares conseguiram pontuar em singulares, numa altura em que a equipa não contou com Rafael Nadal.
Esta foi a primeira vez, desde 1998 (Suécia), que um país conseguiu vencer duas edições consecutivas da prova. Os espanhóis tardaram a somar o seu primeiro triunfo na Davis, mas depois da estreia em 2000 parecem ter tomado o gosto, repetindo o feito em 2004, 2008 e agora em 2009. Ainda assim, continuam bem longe do recorde dos Estados Unidos que já arrebatou o evento em 32 ocasiões, mais 4 que a Austrália.
RECORD.PT
Depois de na véspera Nadal e Ferrer terem ganho os primeiros singulares, o par formado por Feliciano Lopez e Fernando Verdasco acabou com as dúvidas ao precisar apenas de três "sets" - com parciais de 7-6(7), 7-5 e 6-2 - para "despachar" Radek Stepanek e Tomas Berdych, precisamente os dois checos que, na sexta-feira, já haviam sido chamados a defender as cores da respectiva selecção.
Contando com o entusiástico apoio dos seus adeptos, o par espanhol esteve sempre muito concentrado e nos momentos decisivos nunca deu hipóteses aos opositores que, curiosamente, somavam por vitórias os 6 duelos já realizados na Davis.
Lopez e Verdasco já haviam sido as figuras de proa no triunfo espanhol na edição de 2008, quando para além do embate de pares conseguiram pontuar em singulares, numa altura em que a equipa não contou com Rafael Nadal.
Esta foi a primeira vez, desde 1998 (Suécia), que um país conseguiu vencer duas edições consecutivas da prova. Os espanhóis tardaram a somar o seu primeiro triunfo na Davis, mas depois da estreia em 2000 parecem ter tomado o gosto, repetindo o feito em 2004, 2008 e agora em 2009. Ainda assim, continuam bem longe do recorde dos Estados Unidos que já arrebatou o evento em 32 ocasiões, mais 4 que a Austrália.
RECORD.PT
RUSSIA:Balanço actualizado da explosão na Rússia aponta para 109 mortos e 134 feridos
MOSCOVO-O porta-voz do Comité de Investigação da Procuradoria-Geral da Rússia anunciou hoje a detenção da directora e de um dos donos do restaurante da cidade de Perm, na sequência da morte de 109 pessoas num incêndio provocado por fogo de artifício. Segundo Vladimir Markin as autoridades continuam à procura de mais quatro suspeitos.
O incêndio no restaurante "Cavalo Manco" provocou a morte de pelo menos 113 pessoas e 130 feridos. Segundo as autoridades, o número de mortos poderá vir a aumentar porque 79 pessoas estão internadas em "estado grave", tendo algumas sido transferidas já para hospitais de Moscovo.
Segundo Markin, as autoridades suspeitam que a tragédia se ficou a dever à "violação das normas de segurança, que provocou a morte de pessoas por negligência".
Os especialistas do Serviço Federal de Segurança da Rússia já fizeram saber que, após investigações no local, não encontraram "indícios de atentado terrorista".
Cerca de 230 convivas, entre os quais numerosos funcionários do estabelecimento e seus familiares, festejavam o oitavo aniversário do restaurante, que faz também serviço de clube nocturno ao fim-de-semana, quando o drama aconteceu, pouco antes de meia-noite (19:00 em Lisboa), explicou a polícia local.
Os "fogos de artifício foram disparados e um deles tocou num tecto de plástico, provocando o incêndio. As pessoas entraram em pânico e morreram queimadas, esmagadas ou intoxicadas", declarou o ministro local das Situações de emergência, Igor Orlov, citado pela Itar-Tass.
O fogo alastrou rapidamente devido ao facto de tecto e paredes estarem forradas de materiais altamente inflamáveis.
Segundo a agência Ria-Novosti, a festa estava a ser animada por um grupo musical espanhol, mas todos eles saíram ilesos do restaurante em chamas.
SIC/LUSA.PT
O incêndio no restaurante "Cavalo Manco" provocou a morte de pelo menos 113 pessoas e 130 feridos. Segundo as autoridades, o número de mortos poderá vir a aumentar porque 79 pessoas estão internadas em "estado grave", tendo algumas sido transferidas já para hospitais de Moscovo.
Segundo Markin, as autoridades suspeitam que a tragédia se ficou a dever à "violação das normas de segurança, que provocou a morte de pessoas por negligência".
Os especialistas do Serviço Federal de Segurança da Rússia já fizeram saber que, após investigações no local, não encontraram "indícios de atentado terrorista".
Cerca de 230 convivas, entre os quais numerosos funcionários do estabelecimento e seus familiares, festejavam o oitavo aniversário do restaurante, que faz também serviço de clube nocturno ao fim-de-semana, quando o drama aconteceu, pouco antes de meia-noite (19:00 em Lisboa), explicou a polícia local.
Os "fogos de artifício foram disparados e um deles tocou num tecto de plástico, provocando o incêndio. As pessoas entraram em pânico e morreram queimadas, esmagadas ou intoxicadas", declarou o ministro local das Situações de emergência, Igor Orlov, citado pela Itar-Tass.
O fogo alastrou rapidamente devido ao facto de tecto e paredes estarem forradas de materiais altamente inflamáveis.
Segundo a agência Ria-Novosti, a festa estava a ser animada por um grupo musical espanhol, mas todos eles saíram ilesos do restaurante em chamas.
SIC/LUSA.PT
PORTUGAL:Sócrates anuncia 2 mil estágios nas Câmaras para jovens desempregados
LISBOA-O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou este sábado a intenção do Governo de desenvolver em colaboração com os municípios um programa de dois mil estágios nas câmaras municipais para jovens licenciados desempregados. Ao intervir na sessão de encerramento do XVIII congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), José Sócrates afirmou que há "muito a fazer no domínio das ofertas de emprego".
O Governo entrou em funções, "aprovando um programa para a criação de cinco mil estágios na administração pública e é a primeira vez que, para além dos programas que se dirigem às empresas", a administração pública tem o objectivo de "oferecer essas oportunidades aos nossos jovens", explicou.
Nesse âmbito, e dirigindo-se a Fernando Ruas, que foi hoje reeleito presidente do conselho directivo da ANMP, disse ser intenção do Governo dar "mais oportunidades aos jovens portugueses".
"E queremos fazê-lo convosco, por isso o secretário de Estado da Administração Pública e o secretário de Estado das Autarquias Locais vão na próxima semana reunir convosco, por forma a que possamos conceber esse programa que dê mais oportunidades aos jovens portugueses e um empenhamento maior das câmaras municipais no combate ao desemprego", acrescentou.
Para o primeiro-ministro, "o Governo as autarquias são parceiros incontornáveis do processo de desenvolvimento e de modernização do país".
"O processo de desenvolvimento e modernização do nosso país impõe, na maior parte das políticas públicas, uma cooperação estratégica entre Governo e autarquias", frisou, acrescentando que existem "muitos exemplos de políticas bem sucedidas porque foram capazes de envolver os autarcas".
Num discurso em que não deu resposta à maioria das reivindicações dos congressistas, José Sócrates deixou uma mensagem de esperança e de confiança do Governo nas autarquias, citando o historiador Alexandre Herculano.
"Cada município é uma pátria popular e em cada município forma-se o sentimento geral de nacionalidade. São palavras lindíssimas de um grande historiador português que classificam as autarquias como símbolos de um país que se orgulha em si próprio", realçou.
LUSA.PT/SIC.PT
O Governo entrou em funções, "aprovando um programa para a criação de cinco mil estágios na administração pública e é a primeira vez que, para além dos programas que se dirigem às empresas", a administração pública tem o objectivo de "oferecer essas oportunidades aos nossos jovens", explicou.
Nesse âmbito, e dirigindo-se a Fernando Ruas, que foi hoje reeleito presidente do conselho directivo da ANMP, disse ser intenção do Governo dar "mais oportunidades aos jovens portugueses".
"E queremos fazê-lo convosco, por isso o secretário de Estado da Administração Pública e o secretário de Estado das Autarquias Locais vão na próxima semana reunir convosco, por forma a que possamos conceber esse programa que dê mais oportunidades aos jovens portugueses e um empenhamento maior das câmaras municipais no combate ao desemprego", acrescentou.
Para o primeiro-ministro, "o Governo as autarquias são parceiros incontornáveis do processo de desenvolvimento e de modernização do país".
"O processo de desenvolvimento e modernização do nosso país impõe, na maior parte das políticas públicas, uma cooperação estratégica entre Governo e autarquias", frisou, acrescentando que existem "muitos exemplos de políticas bem sucedidas porque foram capazes de envolver os autarcas".
Num discurso em que não deu resposta à maioria das reivindicações dos congressistas, José Sócrates deixou uma mensagem de esperança e de confiança do Governo nas autarquias, citando o historiador Alexandre Herculano.
"Cada município é uma pátria popular e em cada município forma-se o sentimento geral de nacionalidade. São palavras lindíssimas de um grande historiador português que classificam as autarquias como símbolos de um país que se orgulha em si próprio", realçou.
LUSA.PT/SIC.PT
CV:Encontro de Portos da CPLP encerra com o "compromisso" de reforçar relações comerciais
FORTALEZA-Autoridades e empresários do sector portuário da CPLP reunidos em Fortaleza, Brasil, firmaram o "compromisso de desenhar um trabalho efectivo de reforço das relações comerciais na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa".
"O sector portuário pretende elaborar um trabalho conjunto de análise de toda a carteira comercial dos países que compõem a CPLP, para potenciar as trocas de forma concreta", afirmou à Lusa Jorge Luiz de Mello, presidente da Companhia Docas do Rio de Janeiro.
Conforme explicou Luiz de Mello, "a ideia é verificar quais são os fluxos comerciais actuais, bem como os potenciais. Ou seja, aqueles que fazem parte da carteira, mas não da lista de trocas entre os países lusófonos".
"A Associação dos Portos de Portugal já se prontificou a financiar esse trabalho e vamos começar imediatamente", anunciou Mello, ao estimar o prazo de um ano para a conclusão.
Na tarde de quinta-feira, último dia do II Encontro de Portos da CPLP, representantes e autoridades portuárias estiveram reunidos para definir a "linha mestra desse trabalho".
"Podemos dizer que essa reunião é o lançamento da pedra fundamental", referiu Luiz Mello, que representou no encontro o ministro da Secretaria Especial de Portos da Presidência da República, Pedro Brito.
O levantamento da carteira comercial dos portos deverá indicar ainda como resolver o problema da falta de linhas marítimas directas entre alguns países da CPLP, como Brasil e Cabo Verde, por exemplo.
"Quando fomentarmos o fluxo de comércio, isso virá automaticamente. A ligação directa depende de economia de escala", observou o presidente da Companhia Docas do Rio de Janeiro.
Luiz Mello disse que ficou acertado ainda a continuidade dos debates sob o ponto de vista institucional. "Temos aspectos importantes como a troca de experiências na área ambiental e de dragagem", adiantou.
O II Encontro de Portos da CPLP reuniu entre terça e quinta-feira, em Fortaleza, 150 participantes para debates em torno do tema "Estreitando Relações Comerciais e de Cooperação no espaço da Lusofonia".
Depois de Portugal (2008) e Brasil, a próxima edição do evento deverá ser realizada em Angola.
"Vamos levar essa manifestação dos membros da CPLP Portos ao nosso Governo", informou à Lusa António José Bernardo, administrador para a Superintendência e Ambiente do Porto de Luanda.
OJE/INFORPRESS
"O sector portuário pretende elaborar um trabalho conjunto de análise de toda a carteira comercial dos países que compõem a CPLP, para potenciar as trocas de forma concreta", afirmou à Lusa Jorge Luiz de Mello, presidente da Companhia Docas do Rio de Janeiro.
Conforme explicou Luiz de Mello, "a ideia é verificar quais são os fluxos comerciais actuais, bem como os potenciais. Ou seja, aqueles que fazem parte da carteira, mas não da lista de trocas entre os países lusófonos".
"A Associação dos Portos de Portugal já se prontificou a financiar esse trabalho e vamos começar imediatamente", anunciou Mello, ao estimar o prazo de um ano para a conclusão.
Na tarde de quinta-feira, último dia do II Encontro de Portos da CPLP, representantes e autoridades portuárias estiveram reunidos para definir a "linha mestra desse trabalho".
"Podemos dizer que essa reunião é o lançamento da pedra fundamental", referiu Luiz Mello, que representou no encontro o ministro da Secretaria Especial de Portos da Presidência da República, Pedro Brito.
O levantamento da carteira comercial dos portos deverá indicar ainda como resolver o problema da falta de linhas marítimas directas entre alguns países da CPLP, como Brasil e Cabo Verde, por exemplo.
"Quando fomentarmos o fluxo de comércio, isso virá automaticamente. A ligação directa depende de economia de escala", observou o presidente da Companhia Docas do Rio de Janeiro.
Luiz Mello disse que ficou acertado ainda a continuidade dos debates sob o ponto de vista institucional. "Temos aspectos importantes como a troca de experiências na área ambiental e de dragagem", adiantou.
O II Encontro de Portos da CPLP reuniu entre terça e quinta-feira, em Fortaleza, 150 participantes para debates em torno do tema "Estreitando Relações Comerciais e de Cooperação no espaço da Lusofonia".
Depois de Portugal (2008) e Brasil, a próxima edição do evento deverá ser realizada em Angola.
"Vamos levar essa manifestação dos membros da CPLP Portos ao nosso Governo", informou à Lusa António José Bernardo, administrador para a Superintendência e Ambiente do Porto de Luanda.
OJE/INFORPRESS
INGLATERRA:Cimeira de Copenhaga: 20 mil manifestam-se em Londres
LONDRES-A dois dias da cimeira de Copenhaga, cerca de 20 mil pessoas manifestaram-se no centro de Londres para pedir aos lideres mundiais que tomem medidas concretas para acabar com o caos no clima.
Estes activistas prometem continuar com as acções de protesto durante a cimeira das Nações Unidas sobre o clima que vai começar na segunda-feira em Copenhaga, na Dinamarca.
Em Londres, de manhã, houve um serviço religiosos no Center Hall de West Minister com a participação do chefe da igreja anglicana e do chefe da igreja católica de Inglaterra e País de Gales. Os participantes juntaram-se depois às organizações não governamentais, ambientais e outras para um comício perto da embaixada dos EUA.
Os manifestantes, muitos vestidos de azul, desfilaram depois pelas ruas do centro de Londres até ao Parlamento.
Pretende-se que o Primeiro-ministro Gordon Brown faça com que a Cimeira de Copenhaga tenha impacto, pressionando os países ricos a comprometerem-se com uma redução de, pelo menos, 40% das suas emissões de gases causadores de efeito de estufa, nos próximos dez anos.
RR.PT
Estes activistas prometem continuar com as acções de protesto durante a cimeira das Nações Unidas sobre o clima que vai começar na segunda-feira em Copenhaga, na Dinamarca.
Em Londres, de manhã, houve um serviço religiosos no Center Hall de West Minister com a participação do chefe da igreja anglicana e do chefe da igreja católica de Inglaterra e País de Gales. Os participantes juntaram-se depois às organizações não governamentais, ambientais e outras para um comício perto da embaixada dos EUA.
Os manifestantes, muitos vestidos de azul, desfilaram depois pelas ruas do centro de Londres até ao Parlamento.
Pretende-se que o Primeiro-ministro Gordon Brown faça com que a Cimeira de Copenhaga tenha impacto, pressionando os países ricos a comprometerem-se com uma redução de, pelo menos, 40% das suas emissões de gases causadores de efeito de estufa, nos próximos dez anos.
RR.PT
DINAMARCA:Prostitutas ameaçam "sexo grátis" para os delegados da Cimeira de Copenhaga
As profissionais do sexo de Copenhaga estão revoltadas com os dirigentes dinamarqueses e prometem oferecer os seus serviços aos delegados da Cimeira do Clima que começa esta segunda-feira.
O presidente da Câmara, Ritt Bjerregaard, enviou postais para 160 hóteis da cidade a apelar ao bom senso dos proprietários e a incitar os delegados convidados a não contratarem prostitutas.
"Seja Sustentável. Não compre sexo"
A mensagem dos postais não foi bem vista pelas prostitutas da cidade. As profissionais alegam que o Conselho da Cidade não tem qualquer poder para intervir no negócio da prostituição já que é uma actividade legalizada e regulamentada no país.
A indignação não se ficou pelas palavras, as prostitutas "ameaçam"
"oferecer sexo" a todos os delegados que se identifiquem e apresentem a respectiva credencial, avança o Spiegel Online.
SIC.PT
O presidente da Câmara, Ritt Bjerregaard, enviou postais para 160 hóteis da cidade a apelar ao bom senso dos proprietários e a incitar os delegados convidados a não contratarem prostitutas.
"Seja Sustentável. Não compre sexo"
A mensagem dos postais não foi bem vista pelas prostitutas da cidade. As profissionais alegam que o Conselho da Cidade não tem qualquer poder para intervir no negócio da prostituição já que é uma actividade legalizada e regulamentada no país.
A indignação não se ficou pelas palavras, as prostitutas "ameaçam"
"oferecer sexo" a todos os delegados que se identifiquem e apresentem a respectiva credencial, avança o Spiegel Online.
SIC.PT
CV(EXPRESSO):Empreendedores de origem cabo-verdiana estão a olhar para Cabo Verde – Marc Pacheco
PRAIA-O senador estadual de Massachusetts participou recentemente na Praia no Fórum "Associação Mais Portugal-Cabo Verde". Durante a sua curta estada, encontrou-se com o presidente da CMP, Ulisses Correias e Silva com o qual abordou possíveis aéreas de cooperação no sector do turismo, das energias renováveis e de parcerias do sector de educação que já existem com a Universidade de Bridgewater. O senador do Estado,onde reside uma das maiores comunidades cabo-verdianas nos EUA, falou dos problemas com que se deparam e dos contributos que deram à história dos Estados Unidos
Sr. Senador, como está integrada a comunidade cabo-verdiana em Massachusetts?
Senador Marc Pacheco - Há uma comunidade muito grande de cabo-verdianos e toda a Nova Inglaterra, especialmente em Massachusetts, onde o reitor da Brigdewater State College de origem cabo-verdiana. Os cabo-verdianos assimilaram muito bem a cultura americana, mas não deixaram de manter a sua riqueza histórica e a sua própria cultura neste grande pote cultural que é a América, mas mantendo a sua identidade própria.
Enquanto indivíduos, os cabo-verdianos contribuíram muito para a história dos Estados Unidos, mas enquanto movimento, especialmente nos anos 50, 60 e 70 colaboraram muito, especialmente zonas da Nova Inglaterra e de Massachhuttes no desenvolvimento dos Estados Unidos.
Durante a sua curta estada encontrou-se com o presidente da CMP. Que temas, para o interesse do município abordaram?
Foi a primeira vez que visitei a Praia, embora não seja a primeira vez que tenha visitado Cabo Verde. Já tinha encontrado com Ulisses Correia e Silva em outras circunstâncias antes de ele ser presidente da CMP, tanto em Lisboa como nos Estados Unidos. Aqui, na Cidade da Praia falamos bastante sobre energias renováveis, sobre as oportunidades que existem, aqui em Cabo Verde e sobre as oportunidades relativamente ao turismo.
Sobre as energias renováveis que decisões saíram do encontro?
Falamos das possibilidades de criarmos parcerias para explorar as energias renováveis tanto aqui em Cabo Verde como nos Estados Unidos e podemos colaborar mais neste sentido. Falamos também nas parcerias nas áreas da educação e já existe, neste momento, uma parceria entre a Universidade de Bridgewater e a Universidade de Cabo Verde. Depois de me encontrar com o presidente da Câmara encontrei-me como presidente da Universidade. Resumindo, falamos das energias renováveis, das hipóteses de turismo e das parcerias da educação. Obviamente, o presidente da Câmara interessou-se em saber mais sobre a integração cabo-verdiana no Estado de Massachussetes onde sou senador. Como se sabe, nos Estados Unidos, a identidade e o indivíduo são a pedra basilar do sistema democrático americano, em que qualquer cidadão pode participar na vida política ou exercer a sua influência através do voto, portanto neste sentido reflectindo a importância de cada indivíduo independententemente da sua origem, mas onde os cabo-verdianos têm uma expressão grande no Estado de Massachussetes.
Uma coisa que eu gostava de salientar, é que há um peso relativamente grande no Estado que eu represento, mas uma coisa importante é que muitos originais lusófonos, desde cabo-verdianos a portugueses e brasileiros, não estão registados nos sensos americanos. Eu penso que, enquanto americanos, é muito importante registarem-se, assumindo as suas origens, por uma questão de representatividade. É muito importante que estas pessoas que não estão registadas que se registem, para que possam votar. Porque qualquer que não vote, está a deixar a decisão na mão de outras pessoas, ao invés de tomar uma decisão activa, na parte que o afecta. Nas últimas eleições, houve uma representatividade bastante maior na votação de cabo-verdianos, de americanos de origem africana e de comunidades lusófonas que conduziu à eleição do Governador Duval Patrick e que já foi bastante maior, mas é importante que esse número continue a aumentar para que a representação de números minoritários como estes vejam os seus interesses defendidos e como tal aumentar o número de cabo-verdianos que votam nestes círculos. Patrick Duval é o primeiro governador afro-americano que foi eleito em Massuchussetes. Esta eleição foi muito importante do ponto de vista histórico, porque o governador representa um grupo minoritário na zona e foi de facto eleito. Tal como a eleição do presidente Barack Obama foi muito representativo para os Estados Unidos.
Inclusivamente a eleição de Barack Obama teve a colaboração de muitos cabo-verdianos que lhe deram muita força, em Massachussetes, na campanha que o levou a ser eleito. A mensagem que eu deixei ao presidente da Câmara e que trouxe à Conferência da Praia " Mais Portugal, Mais Cabo Verde" é a importância e os grandes laços históricos que existem entre Cabo Verde e os Estados Unidos e há cada vez maior participação dos cabo-verdianos nos Estados que fortalecem essas relações e ligações que podem existir entre os dois países e também o crescimento dos próprios Estados Unidos com a colaboração mais representativa dos cabo-verdianos e isto leva a que as possibilidades sejam, de facto, ilimitadas.
Isto, porque, neste momento existe uma grande comunidade de empreendedores de origem cabo-verdiana nos Estados Unidos que está a olhar para Cabo Verde tanto na área das energias recicláveis como no turismo e esta mensagem está a passar. Existe uma relação histórica muito forte entre os Estados Unidos e Portugal e com muitas nações africanas, e que é uma grande oportunidade de colaboração, onde também Cabo Verde pode também ter um papel como a relação que existe com Angola e Moçambique nos desenvolvimentos futuros. Uma das coisas que muito me chamou a atenção em Cabo Verde nos últimos tempos foi a passagem da Secretária Norte Americana a Cabo Verde, em que ela salientou o grande exemplo que Cabo Verde é para a África em termos de democracia, uma democracia que funciona e que está implantada e que permite um investimento externo com segurança no vosso país.
Há o problema de ilegais cabo-verdianos nos Estados Unidos. Que solução antevê?
Existe, de facto, alguma imigração ilegal de Cabo Verde e de países lusófonos, mas no fundo de todas as comunidades e de todos os países do mundo. Sou muito aberto à emigração, mas defendo que se devem seguir processos e formas de o fazer. Como tal a emigração deve passar por um processo legal e justo para todas as pessoas que queiram ir para os Estados Unidos. Este tipo de decisões não pertence à minha esfera política, mas sim a nível nacional do Congresso. Depois do Congresso resolver os problemas ligados à saúde pública e às alterações climáticas globais, penso que o Congresso fará a revisão política da imigração e desenvolvirá uma nova política neste sentido. Mas isto é uma questão federal, onde não tenho voto e por isso não poderei exercer muita influência.
Os cabo-verdianos, nos Estados Unidos, votam nas eleições legislativas e presidenciais o que tem alterado o resultado dessas mesmas eleições. Uma vez que devido às diferenças horárias podem-se encomendar votos, qual é na sua opinião a forma de contornar este problema?
Nos Estados Unidos temos também uma situação similar, ou seja, enquanto estão a votar na costa Este e já fechadas estas votações ,na costa Oeste, no Alaska e no Havai, ainda está aberta a votação. Mas a forma como é feita a votação em Cabo Verde cabe ao governo de Cabo Verde decidir. Não me compete nem devo pronunciar-me sobre esse assunto. Eu trabalho no sistema político norte-americano e aí fazem as coisas da forma que entendem.
Poderá um dia um cabo-verdiano chegar a presidente dos Estados Unidos?
Eu próprio sou 100 por cento português de origem, mas nasci nos Estados Unidos e sou 100 por cento americano. O mesmo pode passar com um cabo-verdiano que tenha nascido nos Estados Unidos, mas que no fundo é 100 por cento cabo-verdiano e também 100 por cento americano. A Constituição norte-americana não permite que alguém que não tenha nascido nos Estados Unidos possa ser presidente. Cito o exemplo do governador Schwarzennegger que, apesar de já estar naturalizado americano, pode ser governador, mas não pode ser presidente dos Estados Unidos. Depende de Estados para Estados, até onde um não natural pode assumir cargos políticos, mas na Califórnia ele é de facto governador. Sendo naturalizado pode fazê-lo, mas não pode por lei nacional, candidatar-se a presidente dos Estados Unidos. Só um cidadão nascido nos Estados Unidos pode candidatar-se a presidente dos Estados Unidos. A Constituição está feita desta forma para garantir a própria soberania dos Estados Unidos, por forma que a pessoa se candidate ao cargo mãos alto da nação e que nomeie os representantes do Supremo Tribunal que sejam cidadãos que nasceram e viveram nos Estados Unidos.
A reforma de saúde do presidente Obama poderá ajudar de alguma forma os cabo-verdianos mais carenciados?
Muitos cabo-verdianos que vivem e em Rhode Island que nesta momento não têm acesso à irão ter acesso aos cuidados da saúde dentro da reforma de Obama. Isto iria ajudar a muitas famílias cabo-verdianas que têm mais dificuldades, dando-lhes mais acesso à saúde e retirando um esforço em conseguir todos os meios de subsistência que até agora só são cobertos pelos seguros: desta forma todos teriam todos acesso às saúde pública. Esta lei iria permitir que todos os cabo-verdianos que estão legalmente nos Estados Unidos, mesmo não sendo legalmente americanos, tenham acesso à saúde pública.
EXPRESSODASILHAS.SAPO.CV
Sr. Senador, como está integrada a comunidade cabo-verdiana em Massachusetts?
Senador Marc Pacheco - Há uma comunidade muito grande de cabo-verdianos e toda a Nova Inglaterra, especialmente em Massachusetts, onde o reitor da Brigdewater State College de origem cabo-verdiana. Os cabo-verdianos assimilaram muito bem a cultura americana, mas não deixaram de manter a sua riqueza histórica e a sua própria cultura neste grande pote cultural que é a América, mas mantendo a sua identidade própria.
Enquanto indivíduos, os cabo-verdianos contribuíram muito para a história dos Estados Unidos, mas enquanto movimento, especialmente nos anos 50, 60 e 70 colaboraram muito, especialmente zonas da Nova Inglaterra e de Massachhuttes no desenvolvimento dos Estados Unidos.
Durante a sua curta estada encontrou-se com o presidente da CMP. Que temas, para o interesse do município abordaram?
Foi a primeira vez que visitei a Praia, embora não seja a primeira vez que tenha visitado Cabo Verde. Já tinha encontrado com Ulisses Correia e Silva em outras circunstâncias antes de ele ser presidente da CMP, tanto em Lisboa como nos Estados Unidos. Aqui, na Cidade da Praia falamos bastante sobre energias renováveis, sobre as oportunidades que existem, aqui em Cabo Verde e sobre as oportunidades relativamente ao turismo.
Sobre as energias renováveis que decisões saíram do encontro?
Falamos das possibilidades de criarmos parcerias para explorar as energias renováveis tanto aqui em Cabo Verde como nos Estados Unidos e podemos colaborar mais neste sentido. Falamos também nas parcerias nas áreas da educação e já existe, neste momento, uma parceria entre a Universidade de Bridgewater e a Universidade de Cabo Verde. Depois de me encontrar com o presidente da Câmara encontrei-me como presidente da Universidade. Resumindo, falamos das energias renováveis, das hipóteses de turismo e das parcerias da educação. Obviamente, o presidente da Câmara interessou-se em saber mais sobre a integração cabo-verdiana no Estado de Massachussetes onde sou senador. Como se sabe, nos Estados Unidos, a identidade e o indivíduo são a pedra basilar do sistema democrático americano, em que qualquer cidadão pode participar na vida política ou exercer a sua influência através do voto, portanto neste sentido reflectindo a importância de cada indivíduo independententemente da sua origem, mas onde os cabo-verdianos têm uma expressão grande no Estado de Massachussetes.
Uma coisa que eu gostava de salientar, é que há um peso relativamente grande no Estado que eu represento, mas uma coisa importante é que muitos originais lusófonos, desde cabo-verdianos a portugueses e brasileiros, não estão registados nos sensos americanos. Eu penso que, enquanto americanos, é muito importante registarem-se, assumindo as suas origens, por uma questão de representatividade. É muito importante que estas pessoas que não estão registadas que se registem, para que possam votar. Porque qualquer que não vote, está a deixar a decisão na mão de outras pessoas, ao invés de tomar uma decisão activa, na parte que o afecta. Nas últimas eleições, houve uma representatividade bastante maior na votação de cabo-verdianos, de americanos de origem africana e de comunidades lusófonas que conduziu à eleição do Governador Duval Patrick e que já foi bastante maior, mas é importante que esse número continue a aumentar para que a representação de números minoritários como estes vejam os seus interesses defendidos e como tal aumentar o número de cabo-verdianos que votam nestes círculos. Patrick Duval é o primeiro governador afro-americano que foi eleito em Massuchussetes. Esta eleição foi muito importante do ponto de vista histórico, porque o governador representa um grupo minoritário na zona e foi de facto eleito. Tal como a eleição do presidente Barack Obama foi muito representativo para os Estados Unidos.
Inclusivamente a eleição de Barack Obama teve a colaboração de muitos cabo-verdianos que lhe deram muita força, em Massachussetes, na campanha que o levou a ser eleito. A mensagem que eu deixei ao presidente da Câmara e que trouxe à Conferência da Praia " Mais Portugal, Mais Cabo Verde" é a importância e os grandes laços históricos que existem entre Cabo Verde e os Estados Unidos e há cada vez maior participação dos cabo-verdianos nos Estados que fortalecem essas relações e ligações que podem existir entre os dois países e também o crescimento dos próprios Estados Unidos com a colaboração mais representativa dos cabo-verdianos e isto leva a que as possibilidades sejam, de facto, ilimitadas.
Isto, porque, neste momento existe uma grande comunidade de empreendedores de origem cabo-verdiana nos Estados Unidos que está a olhar para Cabo Verde tanto na área das energias recicláveis como no turismo e esta mensagem está a passar. Existe uma relação histórica muito forte entre os Estados Unidos e Portugal e com muitas nações africanas, e que é uma grande oportunidade de colaboração, onde também Cabo Verde pode também ter um papel como a relação que existe com Angola e Moçambique nos desenvolvimentos futuros. Uma das coisas que muito me chamou a atenção em Cabo Verde nos últimos tempos foi a passagem da Secretária Norte Americana a Cabo Verde, em que ela salientou o grande exemplo que Cabo Verde é para a África em termos de democracia, uma democracia que funciona e que está implantada e que permite um investimento externo com segurança no vosso país.
Há o problema de ilegais cabo-verdianos nos Estados Unidos. Que solução antevê?
Existe, de facto, alguma imigração ilegal de Cabo Verde e de países lusófonos, mas no fundo de todas as comunidades e de todos os países do mundo. Sou muito aberto à emigração, mas defendo que se devem seguir processos e formas de o fazer. Como tal a emigração deve passar por um processo legal e justo para todas as pessoas que queiram ir para os Estados Unidos. Este tipo de decisões não pertence à minha esfera política, mas sim a nível nacional do Congresso. Depois do Congresso resolver os problemas ligados à saúde pública e às alterações climáticas globais, penso que o Congresso fará a revisão política da imigração e desenvolvirá uma nova política neste sentido. Mas isto é uma questão federal, onde não tenho voto e por isso não poderei exercer muita influência.
Os cabo-verdianos, nos Estados Unidos, votam nas eleições legislativas e presidenciais o que tem alterado o resultado dessas mesmas eleições. Uma vez que devido às diferenças horárias podem-se encomendar votos, qual é na sua opinião a forma de contornar este problema?
Nos Estados Unidos temos também uma situação similar, ou seja, enquanto estão a votar na costa Este e já fechadas estas votações ,na costa Oeste, no Alaska e no Havai, ainda está aberta a votação. Mas a forma como é feita a votação em Cabo Verde cabe ao governo de Cabo Verde decidir. Não me compete nem devo pronunciar-me sobre esse assunto. Eu trabalho no sistema político norte-americano e aí fazem as coisas da forma que entendem.
Poderá um dia um cabo-verdiano chegar a presidente dos Estados Unidos?
Eu próprio sou 100 por cento português de origem, mas nasci nos Estados Unidos e sou 100 por cento americano. O mesmo pode passar com um cabo-verdiano que tenha nascido nos Estados Unidos, mas que no fundo é 100 por cento cabo-verdiano e também 100 por cento americano. A Constituição norte-americana não permite que alguém que não tenha nascido nos Estados Unidos possa ser presidente. Cito o exemplo do governador Schwarzennegger que, apesar de já estar naturalizado americano, pode ser governador, mas não pode ser presidente dos Estados Unidos. Depende de Estados para Estados, até onde um não natural pode assumir cargos políticos, mas na Califórnia ele é de facto governador. Sendo naturalizado pode fazê-lo, mas não pode por lei nacional, candidatar-se a presidente dos Estados Unidos. Só um cidadão nascido nos Estados Unidos pode candidatar-se a presidente dos Estados Unidos. A Constituição está feita desta forma para garantir a própria soberania dos Estados Unidos, por forma que a pessoa se candidate ao cargo mãos alto da nação e que nomeie os representantes do Supremo Tribunal que sejam cidadãos que nasceram e viveram nos Estados Unidos.
A reforma de saúde do presidente Obama poderá ajudar de alguma forma os cabo-verdianos mais carenciados?
Muitos cabo-verdianos que vivem e em Rhode Island que nesta momento não têm acesso à irão ter acesso aos cuidados da saúde dentro da reforma de Obama. Isto iria ajudar a muitas famílias cabo-verdianas que têm mais dificuldades, dando-lhes mais acesso à saúde e retirando um esforço em conseguir todos os meios de subsistência que até agora só são cobertos pelos seguros: desta forma todos teriam todos acesso às saúde pública. Esta lei iria permitir que todos os cabo-verdianos que estão legalmente nos Estados Unidos, mesmo não sendo legalmente americanos, tenham acesso à saúde pública.
EXPRESSODASILHAS.SAPO.CV
CV:Copenhaga: Portugal apoia projectos de energias renováveis em Cabo Verde
PRAIA-Portugal financia a execução de vários projectos de energias renováveis em Cabo Verde através de uma linha de crédito de 80 milhões de euros, disse à Agência Lusa o Ministro do Ambiente cabo-verdiano.
"A linha de crédito com Portugal no valor de 80 milhões de euros para questões de energias renováveis já está no início de materialização", afirmou, sublinhando os esforços nacionais para cumprir as metas a debater na cimeira do clima, em Copenhaga.
O acordo relativo às energias renováveis envolve o Banco Português de Investimentos (BPI) e visa a criação de uma linha de crédito concessional de 100 milhões de euros para projectos de energia renovável (solar e eólica), conservação do ambiente e mobilização de água em território cabo-verdiano.
SAPO.PT/LUSA
"A linha de crédito com Portugal no valor de 80 milhões de euros para questões de energias renováveis já está no início de materialização", afirmou, sublinhando os esforços nacionais para cumprir as metas a debater na cimeira do clima, em Copenhaga.
O acordo relativo às energias renováveis envolve o Banco Português de Investimentos (BPI) e visa a criação de uma linha de crédito concessional de 100 milhões de euros para projectos de energia renovável (solar e eólica), conservação do ambiente e mobilização de água em território cabo-verdiano.
SAPO.PT/LUSA
BRASIL(DN):RIO CONTRATA EX-MAYOR DE NOVA IORQUE PARA ATACAR O CRIME
RIO DE JANEIRO-Cidade Maravilhosa será palco do Mundial de Futebol em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016 e quer diminuir índices de criminalidade.
Quando Rudy Giuliani chegou à presidência da Câmara de Nova Iorque, em 1994, a cidade tinha elevados índices de criminalidade. Depois de pôr em prática uma política de "tolerância zero", o número de crimes caiu 57% e o de assassínios diminuiu 65% quando deixou o cargo em 2001. Razão mais que suficiente para que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o contrate como consultor de segurança a antecipar os grandes desafios que a "cidade maravilhosa" tem pela frente.
"O antigo presidente da câmara de Nova Iorque aceitou o desafio e vai colocar uma equipa, junto com a nossa, a estudar e conhecer melhor a realidade do Rio para preparar uma proposta que, em menos de um mês, chegará às nossas mãos", disse o governador do Rio de Janeiro. "Ele tem uma equipa a trabalhar no mundo inteiro e vou contratá-lo como consultor", acrescentou Sérgio Cabral, sem contudo revelar quanto custará este serviço de consultoria.
O Rio de Janeiro vai ser palco de três grandes acontecimentos desportivos nos próximos anos. Começa já em 2011, com a organização dos Jogos Mundiais Militares. Segue-se depois o Mundial de Futebol, em 2014, e dois anos depois os Jogos Olímpicos. Um grande desafio para a cidade, que é muitas vezes notícia não pelas praias mas pela criminalidade ligada ao tráfico de droga. A taxa de homicídios é de 35 por cem mil habitantes. A média mundial é de 8,8.
"Eu acredito na teoria da tolerância zero. Tem que se ter atenção nas grandes e nas pequenas coisas. E também tornar a comunidade mais segura, mais limpa, mais saudável, além de se educar as crianças", declarou Giuliani, após visitar uma escola municipal no Complexo de Favelas do Alemão, uma das localidades mais violentas. "Quanto se quebra uma janela, ela deve ser consertada antes que quebrem a segunda. Essa é a lógica do delito", explicou.
Cabral lembrou que o trabalho do ex-mayor de Nova Iorque - que foi também o responsável pela recuperação da cidade depois dos atentados do 11 de Setembro de 2001 - serve já como base para as Regiões Integradas de Segurança Pública. "Muito do nosso trabalho foi baseado no modelo que Giuliani criou para Nova Iorque e que se mantém até hoje. Ele é um grande especialista na matéria, que pegou em Nova Iorque com índices altíssimos de criminalidade e entregou-a com índices extraordinários para a população, o que o consagrou como grande prefeito da história da cidade", concluiu Cabral.
Desde que deixou a presidência da câmara de Nova Iorque, Giuliani fundou uma consultoria - a Giuliani Partners - dedicada a "ajudar os líderes a resolver problemas estratégicos críticos". Depois de falhar a nomeação republicana para as presidenciais de 2008, abdicando a favor de John McCain, Giuliani disse recentemente que ainda não pensou no futuro. Nos seus planos poderá estar o cargo de governador (eleições em 2010) ou de senador.
DN.PT-POR SUSANA SALVADOR
Quando Rudy Giuliani chegou à presidência da Câmara de Nova Iorque, em 1994, a cidade tinha elevados índices de criminalidade. Depois de pôr em prática uma política de "tolerância zero", o número de crimes caiu 57% e o de assassínios diminuiu 65% quando deixou o cargo em 2001. Razão mais que suficiente para que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o contrate como consultor de segurança a antecipar os grandes desafios que a "cidade maravilhosa" tem pela frente.
"O antigo presidente da câmara de Nova Iorque aceitou o desafio e vai colocar uma equipa, junto com a nossa, a estudar e conhecer melhor a realidade do Rio para preparar uma proposta que, em menos de um mês, chegará às nossas mãos", disse o governador do Rio de Janeiro. "Ele tem uma equipa a trabalhar no mundo inteiro e vou contratá-lo como consultor", acrescentou Sérgio Cabral, sem contudo revelar quanto custará este serviço de consultoria.
O Rio de Janeiro vai ser palco de três grandes acontecimentos desportivos nos próximos anos. Começa já em 2011, com a organização dos Jogos Mundiais Militares. Segue-se depois o Mundial de Futebol, em 2014, e dois anos depois os Jogos Olímpicos. Um grande desafio para a cidade, que é muitas vezes notícia não pelas praias mas pela criminalidade ligada ao tráfico de droga. A taxa de homicídios é de 35 por cem mil habitantes. A média mundial é de 8,8.
"Eu acredito na teoria da tolerância zero. Tem que se ter atenção nas grandes e nas pequenas coisas. E também tornar a comunidade mais segura, mais limpa, mais saudável, além de se educar as crianças", declarou Giuliani, após visitar uma escola municipal no Complexo de Favelas do Alemão, uma das localidades mais violentas. "Quanto se quebra uma janela, ela deve ser consertada antes que quebrem a segunda. Essa é a lógica do delito", explicou.
Cabral lembrou que o trabalho do ex-mayor de Nova Iorque - que foi também o responsável pela recuperação da cidade depois dos atentados do 11 de Setembro de 2001 - serve já como base para as Regiões Integradas de Segurança Pública. "Muito do nosso trabalho foi baseado no modelo que Giuliani criou para Nova Iorque e que se mantém até hoje. Ele é um grande especialista na matéria, que pegou em Nova Iorque com índices altíssimos de criminalidade e entregou-a com índices extraordinários para a população, o que o consagrou como grande prefeito da história da cidade", concluiu Cabral.
Desde que deixou a presidência da câmara de Nova Iorque, Giuliani fundou uma consultoria - a Giuliani Partners - dedicada a "ajudar os líderes a resolver problemas estratégicos críticos". Depois de falhar a nomeação republicana para as presidenciais de 2008, abdicando a favor de John McCain, Giuliani disse recentemente que ainda não pensou no futuro. Nos seus planos poderá estar o cargo de governador (eleições em 2010) ou de senador.
DN.PT-POR SUSANA SALVADOR
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
WK:ORANJE: Denemarken, Japan, Kameroen
Nederland zal het in de groepswedstrijden op het WK moeten opnemen tegen Denemarken, Japan en Kameroen.
Oranje is ingedeeld in groep E en begint op 14 juni aan het WK. In Johannesburg is Denemarken dan de tegenstander, waarna op 19 juni in Durban wordt gespeeld tegen Japan. De laatste groepswedstrijd is op 24 juni in Kaapstad tegen Kameroen.
De nummers één en twee van de groep plaatsen zich voor de achtste finales, waarin een land uit groep F (Italië, Slowakije, Nieuw-Zeeland en Paraguay) de opponent is.
Gastheer Zuid-Afrika opent het WK op 11 juni in Johannesburg tegen Mexico. Op papier lijken de groepen B (Argentinië) en G (Brazilië) het zwaarst.
Sterkst
Kameroen is volgens de FIFA-ranglijst de sterkste tegenstander van Nederland op het komende WK. De Afrikanen staan nog voor Griekenland, Rusland en de VS op de elfde plaats.
In 2006 was Kameroen niet van de partij maar de vier toernooien ervoor wel. Aan de hand van de legendarische aanvaller Roger Milla wist het in 1990 zelfs de kwartfinales te halen, waarin Engeland uiteindelijk te sterk bleek.
Nederland moest het twee keer eerder opnemen tegen Kameroen. Zowel in 1998 (0-0) als in 2006 (1-0) betrof het een oefenduel. De gangmakers van het huidige team zijn Samuel Eto'o van Internazionale en de Arsenal-verdediger Alexandre Song.
Japan deed één keer eerder mee aan het WK. In 2002 was het land automatisch geplaatst als mede-organisator van het toernooi. Japan bereikte toen de tweede ronde, waarin het verloor van Turkije.
Oranje trof de Japanners pas één keer. In september oefenden beide landen in Enschede tegen elkaar. De ploeg van Bert van Marwijk had het lastig, maar nam in de slotfase toch nog afstand. Door goals van Robin van Persie, Wesley Sneijder en Klaas-Jan Huntelaar werd het 3-0.
De ster bij Japan is Shunsuke Nakamura. De 91-voudig international maakte naam bij Celtic en speelt nu bij Espanyol. In ons land laat Keisuke Honda wekelijks bij VVV zijn grote kwaliteiten zien.
Denemarken had het niet getroffen bij de loting voor de WK-kwalificatie. Toch eindigde het in een groep met Zweden, Portugal en Hongarije op knappe wijze op de eerste plaats.
In de Deense selectie zitten meerdere spelers die in Nederland hun salaris verdienen: Kenneth Perez, Jon Dahl Tomasson, Michael Silberbauer, Dennis Rommedahl en Thomas Enevoldsen. Voorin moeten de acties van Niklas Bendtner komen.
Oranje speelde 29 keer tegen de Denen, waarvan twee keer op een eindtoernooi. In 1992 werd ons land op het EK in de halve finales uitgeschakeld. Acht jaar later won Nederland het groepsduel met 3-0. In 1998 reikte Denemarken tot de kwartfinales.
Gevaarlijk
Bondscoach Bert van Marwijk waakt na de loting voor al te veel optimisme. "Het is een gevaarlijke groep en we moeten niemand onderschatten."
Volgens Van Marwijk is de groep, als je er "wat dieper naar kijkt", best pittig. "Denemarken won de kwalificatiegroep en hield landen als Portugal, Hongarije en Zweden achter zich. Van onderschatting kan daar dus geen sprake zijn."
Ook Japan en Kameroen zijn volgens Van Marwijk gevaarlijk. "Tegen Japan wonnen we onlangs, maar geflatteerd. Kameroen hoort, vind ik, bij de drie beste landen van Afrika. Wel ben ik blij dat we eerst in Johannesburg spelen."
Bron:NOS.NL
Oranje is ingedeeld in groep E en begint op 14 juni aan het WK. In Johannesburg is Denemarken dan de tegenstander, waarna op 19 juni in Durban wordt gespeeld tegen Japan. De laatste groepswedstrijd is op 24 juni in Kaapstad tegen Kameroen.
De nummers één en twee van de groep plaatsen zich voor de achtste finales, waarin een land uit groep F (Italië, Slowakije, Nieuw-Zeeland en Paraguay) de opponent is.
Gastheer Zuid-Afrika opent het WK op 11 juni in Johannesburg tegen Mexico. Op papier lijken de groepen B (Argentinië) en G (Brazilië) het zwaarst.
Sterkst
Kameroen is volgens de FIFA-ranglijst de sterkste tegenstander van Nederland op het komende WK. De Afrikanen staan nog voor Griekenland, Rusland en de VS op de elfde plaats.
In 2006 was Kameroen niet van de partij maar de vier toernooien ervoor wel. Aan de hand van de legendarische aanvaller Roger Milla wist het in 1990 zelfs de kwartfinales te halen, waarin Engeland uiteindelijk te sterk bleek.
Nederland moest het twee keer eerder opnemen tegen Kameroen. Zowel in 1998 (0-0) als in 2006 (1-0) betrof het een oefenduel. De gangmakers van het huidige team zijn Samuel Eto'o van Internazionale en de Arsenal-verdediger Alexandre Song.
Japan deed één keer eerder mee aan het WK. In 2002 was het land automatisch geplaatst als mede-organisator van het toernooi. Japan bereikte toen de tweede ronde, waarin het verloor van Turkije.
Oranje trof de Japanners pas één keer. In september oefenden beide landen in Enschede tegen elkaar. De ploeg van Bert van Marwijk had het lastig, maar nam in de slotfase toch nog afstand. Door goals van Robin van Persie, Wesley Sneijder en Klaas-Jan Huntelaar werd het 3-0.
De ster bij Japan is Shunsuke Nakamura. De 91-voudig international maakte naam bij Celtic en speelt nu bij Espanyol. In ons land laat Keisuke Honda wekelijks bij VVV zijn grote kwaliteiten zien.
Denemarken had het niet getroffen bij de loting voor de WK-kwalificatie. Toch eindigde het in een groep met Zweden, Portugal en Hongarije op knappe wijze op de eerste plaats.
In de Deense selectie zitten meerdere spelers die in Nederland hun salaris verdienen: Kenneth Perez, Jon Dahl Tomasson, Michael Silberbauer, Dennis Rommedahl en Thomas Enevoldsen. Voorin moeten de acties van Niklas Bendtner komen.
Oranje speelde 29 keer tegen de Denen, waarvan twee keer op een eindtoernooi. In 1992 werd ons land op het EK in de halve finales uitgeschakeld. Acht jaar later won Nederland het groepsduel met 3-0. In 1998 reikte Denemarken tot de kwartfinales.
Gevaarlijk
Bondscoach Bert van Marwijk waakt na de loting voor al te veel optimisme. "Het is een gevaarlijke groep en we moeten niemand onderschatten."
Volgens Van Marwijk is de groep, als je er "wat dieper naar kijkt", best pittig. "Denemarken won de kwalificatiegroep en hield landen als Portugal, Hongarije en Zweden achter zich. Van onderschatting kan daar dus geen sprake zijn."
Ook Japan en Kameroen zijn volgens Van Marwijk gevaarlijk. "Tegen Japan wonnen we onlangs, maar geflatteerd. Kameroen hoort, vind ik, bij de drie beste landen van Afrika. Wel ben ik blij dat we eerst in Johannesburg spelen."
Bron:NOS.NL
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