segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

CV:Carlos Veiga diz que “país está bloqueado” e precisa de reformas

O MpD não pára de contestar as medidas do Orçamento Geral do Estado para 2013. Naquele que deverá ser o último encontro do partido com a imprensa este ano, o líder Carlos Veiga baseia-se nos recentes pronunciamentos do FMI para dizer que “o país está bloqueado e obrigado a reformar fundamentais e urgentes”.

Carlos Veiga diz que “país está bloqueado” e precisa de reformas
Reformas, essas, diz o líder do maior partido da oposição, que deverão passar pela privatização de políticas activas do turismo, reformas no mercado laboral, sistema fiscal que liberte a poupança e o trabalho, regionalização, justiça mais eficiente, segurança das pessoas e bens, novo modelo de financiamento da economia nacional, reforma na Administração Pública, redução do investimento público, promoção de economias locais e investimento privado.
“Sem essas reformas, a economia cabo-verdiana entrará em recessão, o nível de pobreza e das desigualdades aumentará e o desemprego também para níveis incomportáveis. São reformas muito profundas, de ruptura, e algumas fracturantes. Pressupõem a busca de consensos alargados, liderança e determinação”, mostra o caminho Carlos Veiga, de um país que, segundo ele, tem “problemas profundos e complexos”. Por isso, exigem “decisões acertadas e corajosas, não condicionadas por meros critérios e ditames ideológicos ou partidários”.
Manuel de Pina será bom presidente da ANMCV
Numa conferência de imprensa esta manhã, o líder ventoinha abordou ainda vários assuntos da actualidade política nacional. Sobre a eleição no passado sábado de Manuel de Pina para dirigir a Associação Nacional dos Municípios Cabo-verdianos nos próximos quatro anos, o presidente do MpD diz que o autarca da Ribeira Grande de Santiago será um bom presidente. “É alguém que já deu provas de uma grande determinação, uma capacidade de luta por valores. Mostrou que não quer partidarizar a ANMCV, prova disso é que foi eleito com uma lista única, de consenso e equilibrada, em que se pretende que todos os municípios contribuem para o prestígio e para a sua força”, congratula-se Veiga.
Ainda assim, o presidente do MpD reforça a ideia defendida por Francisco Tavares no seu discurso de despedida, dizendo que os municípios ainda enfrentam vários problemas para a sua afirmação e sobrevivência diária. Nesta óptica, diz que há situações que não podem continuar, como a falta de actualização da Lei de Finanças Locais, de 2005, taxas sobre inertes, de direito de passagem aérea e subterrânea das empresas, renda dos aeroportos que não chegam aos municípios. Só com a actualização destes e outros pontos, entende Veiga, os municípios poderão cumprir cabalmente o seu papel e a ANMCV ter uma voz forte e actuante ao nível nacional.
Outro ensejo dos municípios é a regionalização. E não obstante a ministra Adjunta e da Saúde, Cristina Fontes Lima, ter afirmado no passado sábado que o Governo está disposto a avançar com esta medida, desde que as soluções sejam boas para os cabo-verdianos, Carlos Veiga entende que é preciso passar das palavras aos actos, e ser mesmo o Governo a liderar este processo. Por isso, espera a concretização da Cimeira sobre a Regionalização, anunciada pelo Primeiro-ministro, José Maria Neves. O MpD diz que tem propostas sobre esta matéria e poderá apresentá-las no momento certo. Mas “é o Governo que tem que tomar a iniciativa”, espera.
Índice da Corrupção: “Nem todos somos santos e todos nós podemos errar”
Cabo Verde é o segundo país menos corrupto no universo lusófono, atrás apenas de Portugal, e o segundo melhor africano, apenas atrás de Botswana, revelou na semana passada o Índice de Percepção da Corrupção 2012 da Transparência Internacional. Sobre esta classificação, Carlos Veiga entende que não temos em Cabo Verde uma percepção de que há uma grande corrupção. Ainda assim, contrapõe dizendo que há casos de “gestão danosa”.
“Não podemos dizer que somos um país corrupto. Nunca fomos. A imagem que nós temos é de um país de gente séria. Mas nem todos somos santos e todos nós podemos errar”, finaliza o líder ventoinha, não sem antes informar que o processo de renovação no partido está a decorrer tranquilamente e que o Congresso foi adiado para o mês de Maio de 2013 por “opção e estratégia”. Sobre a nova liderança para o MpD, Veiga diz que nos próximos tempos vai visitar todas as ilhas para falar aos militantes.
Ricardino Pedro
http://asemana.sapo.cv/spip.php?article82927&ak=1





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