domingo, 16 de dezembro de 2012

CV:“EMBUSTE ELEITORAL NA FEDERAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES CABOVERDEANAS EM PORTUGAL”


Ninguém se entende 
As coisas não vão bem para os lados do movimento associativo cabo-verdiano em Portugal, com várias associações e dirigentes a demarcarem-se do processo eleitoral orientado pela direção cessante da federação, que é acusada de violar os estatutos e de se querer perpetuar no poder socorrendo-se de expedientes
Imagem de uma assembleia Geral realizada em 2003 (foto da própria federação), quando tudo corria pelo melhor
Imagem de uma assembleia Geral realizada em 2003 (foto da própria federação), quando tudo corria pelo melhor
Lisboa, 16 dezembro 2012 – As eleições para os órgãos sociais da Federação das Organizações Caboverdeanas em Portugal, a terem lugar a 22 de dezembro próximo, estão a provocar a mais viva polémica entre as associações e a comunidade residente em Portugal, que acusam a direção de organizar um processo eleitoral que não é transparente nem democrático.
Segundo uma carta posta a circular por correio eletrónico, “a atual direcção da federação termina o mandato e não pode concorrer mais, mas para se manterem no poder da federação fizeram uma lista para concorrerem mas com outra pessoa na cabeça e passam a federação para os amigos”, pode ler-se na missiva chegada ao Liberal.
Ainda segundo a mesma carta, a direção cessante deixou de ter legitimidade por esvaziamento da sua composição, apenas circunscrita “praticamente ao seu presidente”, Rui Machado e à presidente da Assembleia Geral, Maria João Marques, que foi eleita em representação da Associação Unidos de Cabo Verde (AUCV), mas que – segundo defendem os críticos – já não a representa por razão de lhe ter sido retirada a confiança.
“ATROPELO AOS ESTATUTOS”
Os responsáveis pelo documento alegam que se está a verificar um “atropelo aos Estatutos” da federação, na medida em que esta já não representa as 50 associações originais integrantes, algumas já não existentes, mas que “continuam a figurar nas listas da federação”. E, por outro lado, sublinham que incorre “num grave atropelo aos estatutos e às leis que regram as associações em Portugal e que dizem que a obrigação ou dever da direção cessante é marcar a data das eleições e promover a comunicação da data junto de todas as associações”, o que não estará a acontecer, porquanto – alegam – “a maior parte das associações não teve conhecimento da data”.
“Neste contexto, esta atual direção, formada por apenas 3 pessoas, Manuel Correia, Rui Machado e Antónia Pimentel - que nunca aparece nas reuniões -, de forma não democrática e nada transparente criou uma lista e não respeitou a liberdade de qualquer associação ou individuo poder apresentar qualquer candidatura em iguais condições”, pode ler-se ainda na carta.
“DIREÇÃO NÃO FEZ NADA”
A direção cessante é ainda acusada de não ter feito “nada nestes anos e só “mantém um programa de rádio com a ajuda do Estado português através do ACIDI e que é um programa de rádio que ninguém houve (o animador/jornalista é membro da Associação Caboverdiana de Lisboa) mas onde se gasta dinheiro sem uma linha de programa ou interesse para a comunidade de Cabo Verde em Portugal”, acusam, ao mesmo tempo que alegam ter o “dono da rádio” (Horizonte) aconselhado a direção da federação “a procurar outras pessoas para poderem dinamizar o programa, porque este não tinha qualidade para estar em antena”, referem.
ASSOCIAÇÕES QUEIXAM-SE DE ILEGALIDADES
Para deitar “água na fervura” são agora as associações integrantes da federação a vir à ribalta para denunciar ilegalidades e ou/irregularidades no processo eleitoral. Maria de Lourdes Monteiro, presidente da Associação de Mulheres Cabo-verdianas na Diáspora em Portugal (AMCDP), verificou com surpresa que a sua associação faz parte da lista única candidata aos órgãos sociais da federação. E assevera ter havido incumprimento do Artigo 15 do estabelecido no Estatuto da Federação das Organizações Caboverdeanas em Portugal, onde se dispõe que “O Presidente da Mesa mandará afixar na sede da Federação, com pelo menos, dez dias de antecedência relativamente à data das eleições, todas as listas concorrentes e promovera a sua divulgação pelos associados com direito de voto”, o que não terá acontecido.
Ademais, Lourdes Monteiro alega que “os candidatos deverão declarar por escrito sob compromisso de honra que não se encontram abrangidos por qualquer causa de inelegibilidade ou incompatibilidade”, o que mais uma vez não terá acontecido, levando a presidente da AMCDP a declarar expressamente: “não tive nenhum contato quer presencial quer escrito por nenhum responsável da Federação, e porque eu e o meu grupo de trabalho e as associadas, não concordamos com a nossa participação em nenhuma lista candidata, solicito que o nome desta Associação, seja retirada da lista”, refere a dirigente.
Posição análoga tem a Associação Caboverdeana do Algarve que, em correspondência eletrónica remetida à federação, a que Liberal teve acesso, pede expressamente que para “retirar o seu nome da lista A”, solicitando também “que lhe seja dado o tempo suficiente para analisar todas as informações, para que se possa pronunciar de forma devidamente fundamentada”…
http://liberal.sapo.cv/noticia.asp?idEdicao=64&id=38014&idSeccao=542&Action=noticia

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