Cidade da Praia, 10 dez (Lusa) - O presidente do partido caboverdiano Movimento para a Democracia (MpD, oposição) alertou hoje para a possibilidade de Cabo Verde entrar em recessão económica se não houver "reformas profundas" na busca de consensos alargados, liderança e determinação.
Carlos Veiga falava numa conferência de imprensa sobre a situação económica e financeira do país, que considerou "difícil", e sobre o Orçamento do Estado (OE) para 2013, que no seu entender "traduz um previsível impacto negativo" no futuro próximo, tanto na economia como na vida da generalidade dos cabo-verdianos, sobretudo os mais pobres.
Carlos Veiga afirmou que a última avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI) veio "confirmar" que as principais denúncias feitas pelo MpD, que avisou sobre o abrandamento do crescimento económico em 2012 e 2013.
O líder do MpD lembrou que o partido já falara também da "queda acentuada" do Investimento Direto Estrangeiro (IDE), do endividamento "elevado", da "redução" do crédito à economia e ao setor privado e do "aumento significativo" do crédito mal parado, além do nível de reservas, atualmente "modestas e num ponto crítico".
"Há uma necessidade urgente de aumentar a qualidade e eficiência do investimento público, focalizando-o menos na infraestrutura em si e mais no capital humano, na melhoria do ambiente de negócios, na necessidade de encontrar maior equilíbrio entre o investimento público, no crescimento e no endividamento, além da necessidade da reforma fiscal", disse.
O presidente do MpD afirmou que o OE de Cabo Verde para 2013 marca o "regresso aos anos 80", por entender que "traduz bem a ideologia estatizante e comunista" do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV - partido que sustenta o Governo), privilegiando o Estado em detrimento das famílias, dos indivíduos e das empresas.
"É um orçamento que traduz a estratégia que, em conformidade com esta ideologia, é a do PAICV: fazer o país retroceder aos anos 80, quando o turismo e o investimento externo não eram desejados", sublinhou.
"As medidas previstas para 2013, através do OE e do Código de Benefícios Fiscais (que foi hoje aprovado no Parlamento), vão nesse sentido: são contra o turismo e o IDE e constituem um claro retrocesso no caminho percorrido", considerou.
A propósito do turismo e do IDE, o líder do MpD disse acreditar que as medidas previstas para o próximo ano foram "mal estudadas, preparadas e concebidas" e que traduzem a "realidade de um vazio enorme" de política económica e financeira.
Carlos Veiga acusou o Governo da "falta de uma verdadeira política económica", de não se preocupar com o desenvolvimento sustentado do país e de ter um primeiro-ministro que "opta por um discurso oco, sem conteúdo e que não cola com a realidade".
O líder do principal partido da oposição cabo-verdiana defendeu que o país está "bloqueado e obrigado a reformas fundamentais e urgentes" em matéria de privatizações e políticas ativas de turismo, de transportes, a reformas do mercado laboral, de energia e de um novo sistema fiscal que liberte a poupança e o trabalho.
A regionalização, a justiça mais eficiente, a segurança de pessoas e bens ao novo modelo de financiamento da economia, a "redução drástica" do investimento público e a promoção das economias locais do investimento privado e do investimento direto externo foram apontados como reformas necessárias para evitar a recessão.
CLI //JMR.-Lusa
http://noticias.sapo.cv/lusa/artigo/15444643.html
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