segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

CV:Ulisses Correia e Silva sucederá a Carlos Veiga na liderança do MpD


Ulisses Correia e Silva sucederá a Carlos Veiga na liderança do MpD

Ulisses Carreia e Silva, actual presidente da Câmara Municipio da Praia, vai suceder a Carlos Veiga na liderança do MpD, assevera a este jornal um alto dirigente desse partido na Praia. Conforme a nossa fonte, Correia e Silva só não anunciou ainda tal decisão porque está a ponderar sobre como conciliar o seu compromisso para com a Capital e a função de líder do maior partido da oposição em Cabo Verde.

O MpD procura desesperadamente um líder mas precisa do “homem certo para as horas incertas” da política. Candidatos são muitos, mas é muito difícil substituir o carisma do Veiga dentro do sistema ventoínha. E nos movimentos de ocasião um se apresenta como o mais credível, aquele que pressiona Ulisses Correia e Silva para concorrer à presidência do partido na próxima convenção nacional, que já foi adiada para Junho deste ano. Os contactos nesse sentido são já visíveis, e foi o próprio Carlos Veiga – ao anunciar a 30 de Novembro último a sua retirada – quem convidou USC a candidatar-se ao cargo.
Este jornal tentou ouvir Ulisses Correia e Silva, mas tal não foi possível porque, no momento do fecho desta edição, o autarca participava no encontro das cidades africanas que aconte no Senegal. Mas uma fonte deste jornal assegura que, diante das intensas movimentações para suceder ao líder demissionário, UCS está a ultimar os contactos com a sua base de apoio. Só depois de clarificar no seio dos seus, quais as chances de apoio, irá comunicar aos militantes e ao país a sua decisão de se disponilizar para liderar o Movimento para a Democracia.
“Ulisses Correia e Silva, que saiu recentemente de umas eleições, só não tomou ainda tal decisão porque está neste momento a ponderar sobre aquilo que considera ser a sua maior dificuldade: a forma de conciliar a função de líder do MpD e o compromisso que assumiu com a Capital enquanto presidente da Câmara da Praia”, assevera um alto dirigente que lhe é próximo, lembrando que as duas coisas não são, no entanto, incompatíveis do ponto de vista político.
A fazer fé nas informações recolhidas por este semanário, Ulisses Correia e Silva é apontado entre os ventoinhas como a figura mais consensual para substituir Carlos Veiga no comando dos destinos da oposição democrática. A vaga de fundo que o MpD há muito reclama. “Economista de profissão, Ulisses Correia e Silva é uma pessoa tecnicamente capaz, séria, limpa e com provas dadas. Tem uma carreira política bem-sucedida, e depois de exercer o cargo de ministro das Finanças no governo do MpD, chefiou a bancada parlamentar do mesmo partido, já na oposição. Concorreu em dois mandatos consecutivos à Camara da Praia e saiu vencedor com maioria absoluta. Ulisses Correia e Silva é, portanto, um político conhecido pelos cabo-verdianos e com forte sentido de Estado”, fundamenta a fonte que vimos citando.
Leitura bem diferente têm, no entanto, os apoiantes de outras sensibilidades políticas no seio do MpD. Estes qualificam Correia e Silva como uma pessoa de difícil relacionamento.
“Ulisses poderá ser um bom candidato a primeiro-ministro. Mas não será, seguramente, um bom líder para o MpD. Isto porque é uma pessoa de difícil relacionamento, até com o pessoal do seu gabinete que lhe é próximo”, analisa um responsável de uma outra tendência política.
Seja como for, o certo é que uma confortável maioria do sistema MpD está a torcer para que Ulisses Correia e Silva seja o novo timoneiro desse partido. “Ulisses Correia e Silva será o melhor candidato para liderar o MpD. Ele será um bom primeiro-ministro, caso o partido venha a ganhar as legislativas de 2016. Mas se o MpD sair derrotado dessas eleições, Ulisses poderá protagonizar uma oposição mais activa e responsável para o bem do país. Deus queira que ele venha a concorrer ao lugar deixado vago por Calos Veiga”, contra-argumenta um membro da Direcção Nacional que pediu anonimato.
Bastidores e retirada de Veiga
A pressão para UCS participar na corrida à presidência do MpD intensificou-se com o anúncio da partida de Carlos Veiga. A declaração do actual e sempre líder aconteceu durante uma assembleia de mais de 300 militantes de Santiago Sul, que teve lugar no passado dia 30, no Cinema da Praia. Uma decisão que só Carlos Veiga podia tomar de livre e expontânea vontade porque, como já haviam vaticinado os conhecedores das entranhas do MpD, só Veiga podia abrir o caminho à sucessão. E assim fez. Muitos dizem que os últimos pronunciamentos públicos de Agostinho Lopes e Jorge Santos, que foram ex-presidentes do mesmo partido, vieram precipitar a retirada de Veiga.
Jorge Santos até se posicionou como potencial candidato ao cargo em disputa. Já Agostinho Lopes preferiu, antes, insurgir-se, com fortes críticas, contra a continuidade de Carlos Veiga à frente do MpD. Mas não se apresentou como solução. Nos bastidores, apurámos também que José Luís Livramento, ex-dissidente e antigo Ministro da Educação, está a ser incentivado por alguns dirigentes para concorrer à chefia da oposição.
“Agostinho Lopes não será certamente candidato porque foi ele que, quando concorreu em 2005 ao cargo do primeiro-ministro, deu o pior resultado de sempre ao MpD, elegendo apenas 29 deputados. Jorge Santos já esteve à frente do partido e mostrou que não é um líder firme. José Luís Livramento dificilmente chegará à liderança porque enfrenta ainda o problema da credibilidade política interna: saiu do MpD e camparou o Carlos Veiga a Salazar. Os militantes não têm memória curta. O mesmo se poderá dizer em relação ao Eurico Monteiro e outros dissidentes que foram fundar o PCD e o PRD, ambos já extintos. Por tudo isto, Ulisses Correia e Silva, que sempre esteve com o sistema ventoinha, reúne neste momento as melhores condições para suceder a Carlos Veiga à frente do MpD”, analisa um dirigente da Capital, para quem, de fora ficará ainda o líder parlamentar Fernando Elísio Freire, que certamente prescindirá, por ora, de disputar o lugar de presidente do partido.
Referindo-se ao processo da transição, Carlos Veiga lembrou, na reunião de 30 de Dezembro último, que a sua saída “nada tem a ver com desentendimentos ou pressões de qualquer dirigente ou sensibilidade dentro do MpD”. CV garante que esta é uma “decisão de há muito tomada” e aproveitou a ocasião para pedir a todos os militantes que trabalhem para que o processo da sua sucessão decorra de forma tranquila.
“Estou convicto de que o futuro do MpD está garantido, com o naipe de jovens dirigentes pertencentes aos diversos órgãos locais, regionais e nacionais do partido e da sociedade civil que se identificam com o nosso projecto de sociedade. Independentemente das alternativas de liderança que surgirão naturalmente durante o processo que conduzirá às eleições directas e à Convenção de 2013, o fundamental é que nos mantenhamos unidos e coloquemos sempre em primeiro lugar os interesses do MpD e de Cabo Verde”, adverte Carlos Veiga, insurgindo-se assim contra eventuais conflitos que, como mostrou um passado recente, poderão resultar na cisão do Movimento para a Democracia.
ADP
http://asemana.sapo.cv/spip.php?article82845&ak=1

Sem comentários:

Enviar um comentário

Comentar com elegância e com respeito para o próximo.