Há já um ano que Václav Havel nos deixou. O seu desaparecimento repentino levantou uma série de questões sobre a evolução da sociedade checa sem a sua presença. É ainda muito cedo para poder responder a tudo isso. Mas hoje, a sua autoridade moral é objeto de uma avalancha de críticas. E isso também demonstra o quanto precisamos de Havel.
Nas últimas duas semanas, Václav Klaus fez duas declarações atacando Václav Havel e o seu legado. Durante um encontro com o seu homólogo eslovaco, Ivan Gašparovič, afirmou que a divisão da Checoslováquiabeneficiou sobretudo os eslovacos: “Na Eslováquia, a política nunca foi demolida […]. Foram os ataques não políticos à política que mais prejudicaram a República Checa”. E acrescentou que, por causa disso, assistimos “a uma devastação do respeito que é devido à autoridade”.
É bom saber que os responsáveis políticos que querem governar com autoritarismo não têm a vida facilitada na República Checa. E é justamente a Václav Havel que devemos agradecê-lo, a ele, a quem Klaus sempre apontou com o homem que fazia a “política não política”.