segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

CV(ASemana):João do Carmo acusado de estender tapete a Augusto Neves

João do Carmo deu um “bónus ao edil Augusto César Neves para este poder realizar a sua campanha à Câmara” Municipal de São Vicente. O vereador tambarina Antero Coelho expressa assim a sua “revolta”, porque a ausência do colega e líder do PAICV em S.Vicente, João do Carmo, facilitou a aprovação do orçamento rectificativo (OR) de 60 mil contos na última sessão camarária. Coelho mostra-se de tal modo desgostoso que ameaça suspender o seu mandato na CMSV, em sinal de protesto contra a atitude do colega de partido. Instado a falar da sua ausência num momento crucial para o município em que foi eleito vereador, João do Carmo justifica-se: a convocatória da reunião desrespeitou o acordo de que as sessões camarárias devem acontecer sempre às quintas-feiras – e não numa segunda-feira que foi o caso desta última sessão.

.João do Carmo acusado de estender tapete a Augusto Neves

Antero Coelho e outros dirigentes tambarinas em São Vicente estão revoltados porque, fundamentam, o PAICV perdeu a oportunidade de “bloquear” o orçamento rectificativo, “simplesmente porque o vereador e líder local do partido não compareceu à sessão camarária em que o documento foi aprovado”. E bastava o voto contra de João do Carmo para chumbar aquele instrumento que autoriza a Câmara a pedir mais um empréstimo de 60 mil contos à banca, “endividando ainda mais a autarquia mindelense”.

A aritmética sobre a qual assenta esta ideia é simples: a Câmara tem nove vereadores eleitos – 4 do MpD, 3 do PAICV e 2 da UCID –, portanto nenhum partido possui maioria absoluta. Desde o início do mandato os projectos da Câmara têm sido aprovados graças a uma “joint-venture” entre o MpD e a UCID. Só que desta vez a UCID torceu o nariz à proposta do orçamento rectificativo e o PAICV começou a acalentar a ideia de, pela primeira vez neste mandato, travar um projecto da Câmara – só os quatro votos do MpD não seriam suficientes para aprovar o documento.
Contudo na hora H, a proposta de Augusto Neves passou com 4 votos a favor dos vereadores do MpD e três contra – um da UCID (Manuel Januário) e dois outros do PAICV – Antero Coelho e Alcir Lima, este último em substituição de Albertino Graça que suspendeu o seu mandado. Aqui fizeram falta os votos de João do Carmo e do outro vereador da UCID, que também primou pela ausência na sessão.
Como se não bastasse isso, informa Antero Coelho, “João do Carmo não compareceu nem à sessão da Assembleia Municipal nem a um encontro de concertação prévia de posições que o líder da bancada municipal, Baltasar Ramos, convocou”. Sem concertação prévia, a bancada do PAICV na Assembleia Municipal absteve-se na votação, permitindo que o orçamento rectificativo fosse aprovado em definitivo.
Antero Coelho culpa Do Carmo por tudo isso e diz que, com essa atitude, o seu colega estendeu um tapete vermelho a Augusto Neves para este deitar e rolar. “A ausência de João do Carmo das recentes sessões da Câmara e Assembleia municipais foi um bónus atribuído ao Augusto Neves que agora pode realizar à vontade a sua campanha eleitoral rumo ao cadeirão de presidente da Câmara de São Vicente. Do Carmo podia arranjar uma desculpa menos esfarrapada para justificar a sua ausência das reuniões em apreço”, expressa Coelho. Desgostoso com o comportamento do colega, Coelho pondera tomar “dentro em breve uma posição pública sobre esta situação, eventualmente até venha pedir a suspensão do meu mandato”.
Leitura bem diferente tem João do Carmo. Justifica que a Câmara violou uma deliberação sua, ao convocar, para uma segunda-feira, a sessão daquele órgão. “A reunião da Câmara que aprovou o orçamento rectificativo foi propositadamente convocada para uma segunda-feira, dia de muito trabalho profissional, para que eu não pudesse participar nela. É que há uma deliberação do mesmo órgão a estipular que as sessões da CMSV, tanto ordinárias como extraordinárias, devem acontecer sempre às quintas-feiras. Isto para permitir aos vereadores que não são profissionais organizarem a sua vida profissional e participar nas sessões da Câmara”.
O político esclarece também que não participa nas sessões da Assembleia desde que a Mesa lhe cortou a palavra. Isto com o argumento de que o vereador só intervém na plenária se o presidente da Câmara autorizar.
“Quanto às críticas sobre a minha liderança e o trabalho dos eleitos municipais, devo esclarecer que tive um encontro com a direcção da bancada para a preparação dos debates e concertação prévia de posições”, conclui João do Carmo, que diz encarar “com tranquilidade” as críticas feitas.
Só que muitos militantes do PAICV questionam até que ponto o líder local do partido, que aspira a ser o candidato tambarina à CMSV, estará preparado para disputar a cadeira de presidente de uma autarquia tão importante como a de São Vicente. “Infantilidade de esquerda, ou haverá algum gato escondido na costela”? questionam outros. É que, agindo de forma tão “ingénua”, o líder caiu no jogo do adversário e mostrou aos seus pares que “os interesses” do PAICV podem vacilar muito, e até entornar de vez nas suas mãos.
http://asemana.sapo.cv/spip.php?article70953&ak=1

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