Sem traumas e após exaustiva auscultação das bases, Veiga e a direcção ventoinha querem dar o tiro de arranque para as autárquicas do próximo ano, unindo o partido e reforçando a sua posição na liderança dos municípios cabo-verdianos
| Veiga tomou em mãos o sensível dossier autárquico |
Porém, em relação a 9 municípios as dúvidas persistem, havendo que considerar vantagens e desvantagens dos nomes, entretanto, lançados para a opinião pública. De qualquer modo, tudo o indica, a última palavra será sempre do líder, Carlos Veiga, que tem vindo pessoalmente a gerir o sensível dossier autárquico.
A grande novidade, no que respeita à ascensão de novos quadros poderá ocorrer em São Domingos, ilha de Santiago. Perante a recusa de Fernando Jorge Borges a recandidatar-se a novo mandato, o nome que parece suscitar maior simpatia de Veiga e da CP é Milton Paiva, o jovem dirigente que falhou por pouco a sua eleição como deputado nas legislativas de Fevereiro. Porém, há sectores do partido que preferiam apostar na experiência do ex-vereador Franklin Tavares.
Na Boa Vista persiste a incógnita, mas tudo leva a crer que perante a recusa de José Pinto Almeida em apostar num novo mandato, irá avançar o actual presidente da Assembleia Municipal e deputado nacional José Luís Santos, que recolhe o apoio dos militantes locais e o prestígio crescente junto da população da ilha das dunas.
Já no Mindelo uma coisa parece certa: o actual edil, Augusto César Neves, que substituiu a carismática Zau – e se envolveu, nas presidenciais, em desagradável incidente com o então candidato Jorge Carlos Fonseca -, não parece recolher simpatias quer entre a direcção ventoinha, quer mesmo junto das bases do partido, que não se revêem na “pose autoritária” que, segundo fonte local, o caracteriza. Assim, parece que o nome que suscita mais simpatias é o do deputado António Jorge Delgado, um histórico do partido na ilha do Monte Cara, que poderá abrir, assim, espaço para a renovação do grupo parlamentar na Assembleia Nacional, isto, claro, se for de facto o candidato escolhido e vier a ser eleito.
Dúvidas não há quanto à aposta para a Praia, Santa Catarina de Santiago, Ribeira Grande de Santiago, São Miguel, Tarrafal de Santiago, Maio, Ribeira Grande de Santo Antão, Porto Novo e Sal. É que as apostas da CP, segundo se sabe, irão incidir na manutenção dos actuais edis. Ulisses Correia e Silva irá continuar à frente da capital, com um crescendo de prestígio que o coloca já na calha para suceder a Veiga na liderança do partido, caso este se decida afastar na convenção do próximo ano. Francisco Tavares, que nos últimos tempos foi alvo de várias tentativas de assassinato político, apesar do ruído, verá consolidada a sua posição de edil na Assomada, depois de confirmados os elevados índices de aceitação junto da população, como revelou recente estudo de opinião a que Liberal teve acesso. E Manuel Ribeiro, apesar de inicialmente ter manifestado vontade em deixar a presidência no Maio, terá sido sensibilizado pelo próprio líder do partido para continuar à frente dos destinos do concelho, pese embora a bizarra entrevista de João Dono a um semanário, onde revelou grande inabilidade política e cavou irreversível fosso com o líder e a Comissão Política. O “jovem turco” terá de esperar por melhores ventos… O independente Jorge Figueiredo está, também, de pedra e cal, beneficiando, mais uma vez, do apoio ventoinha no único concelho onde não apresenta lista própria.
São Filipe (Fogo) e Brava são as grandes apostas do MpD, para “roubar” ao adversário duas autarquias emblemáticas. A saída do dinossáurio Eugénio Veiga, na primeira, e a previsível retirada de Camilo Gonçalves, na segunda, poderão abrir espaço ao sonho ventoinha de governar estes municípios. O que, diga-se de passagem, nem será muito difícil, dependendo apenas dos nomes encontrados. Tanto Eugénio como Camilo têm vindo a ser contestados pelas populações e no interior do próprio partido, sendo que o PAICV percebeu que, mantendo-os à cabeça, dificilmente conseguiria preservar as lideranças municipais.
O MpD, à partida, vai para as próximas autárquicas com uma dinâmica ganhadora, embalado pela vitória de Jorge Carlos Fonseca, que mobilizou todo o partido, e animado pela unidade interna que se tem revelado no processo preparatório das autárquicas. É que, salvo, os casos pontuais, de Santa Catarina de Santiago – onde se registou inusitada concertação de esforços da oposição interna e do PAICV para tentar abater Francisco Tavares – e o beliscão provocado por João Dono no Maio – numa disparatada fuga para a frente que o isolou no interior do partido -, as hostes parecem viver tempos de tocar a reunir, mobilizando esforços para vencer as autárquicas e começar a preparar o salto para as legislativas. E a convenção autárquica de Março próximo será, seguramente, o ponto alto da estratégia que o partido e, em particular, o seu líder, estabeleceram para 2012. Veiga, a afastar-se – como tudo o indica – quer deixar o partido arrumado e unido para o próximo líder.
http://liberal.sapo.cv/noticia.asp?idEdicao=64&id=34582&idSeccao=523&Action=noticia
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