A situação é desastrosa
A situação é desastrosa. Os cabo-verdianos têm que ter consciência do que está a acontecer. Em apenas 10 meses, o país perdeu um terço das suas reservas externas. É grave, muito grave.
Em apenas 10 meses perdemos cerca de 10 milhões de contos. É demasiado. É muito preocupante. Uma média de um milhão de contos por mês. Onde vamos parar?
As reservas externas do país, grosso modo representadas pelos Activos Externos Líquidos do sistema bancário, diminuíram de forma acentuada em 2011, fixando-se em 20 milhões de contos em Outubro do corrente ano, contra 30 milhões em Dezembro de 2010.
| Fonte ;: BCV, síntese monetária, Nov 2011 |
Em apenas 10 meses, o país perdeu um terço das suas reservas externas, cerca de 10 milhões de contos, uma média de um milhão de contos por mês. Esta evolução reflecte o agravamento de 16% do défice corrente externo nos primeiros nove meses do ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, bem como a redução do investimento externo, e a diminuição da ajuda externa ao Governo. No terceiro trimestre de 2011 observa-se, inclusive, uma acentuada quebra nos desembolsos dos empréstimos externos, uma diminuição de 82% em relação ao segundo trimestre do corrente ano e de 70% em relação ao terceiro trimestre de 2010, segundo dados do BCV sobre desembolsos da dívida externa. Esta quebra deve-se principalmente à forte diminuição dos desembolsos de Portugal e dos bancos portugueses, como se pode ver no quadro abaixo.
| Fonte BCV : desembolsos dívida externa, Nov 2011 |
Esta quebra do financiamento do Estado português e dos bancos portugueses é preocupante porque Portugal representou 51% dos desembolsos de dívida externa em 2010 e 80% no corrente ano, segundo a mesma fonte.
A quebra das reservas em divisas do país afectou tanto as reservas oficiais do BCV, que diminuíram de 8,2 milhões de contos (-26%) como as dos bancos comerciais, cujos activos externos líquidos já eram negativos em Dezembro de 2010 (-726 mil contos) e que passaram para -2,64 milhões de contos em Outubro de 2011, um agravamento de 232%. Nos últimos três anos a posição externa dos bancos comerciais tem-se mantido normalmente negativa, registando-se um agravamento em 2010 e 2011, com as piores performances desde que o BCV publica dados mensais sobre esta matéria (1993).
ACTIVOS EXTERNOS LÍQUIDOS DOS BANCOS COMERCIAIS
| BCV, Síntese monetária, Nov 2011 Fonte:http://liberal.sapo.cv/noticia.asp?idEdicao=64&id=34559&idSeccao=520&Action=noticia |

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