PRAIA - Cabo Verde pode servir de referência para a criação de uma plataforma de reflexão destinada a promover o funcionamento institucional em regimes democráticos na África Ocidental, defendeu hoje na Cidade da Praia um investigadora cabo-verdiana.
Roselma Évora falava aos jornalistas após apresentar o tema "Democracia em Cabo Verde" na conferência "Iniciativa de Paz na África Ocidental", que reúne durante três dias na capital cabo-verdiana académicos, jornalistas, políticos e representantes da sociedade civil de países da África Ocidental e dos Estados Unidos.
Para a conferencista, citada pela Inforpress, a democracia em Cabo Verde está a caminhar para uma consolidação efetiva e com maior qualidade, sobretudo nos princípios e normas de um Estado de Direito, em que o país está "bastante avançado".
"Precisamos de trabalhar aquelas dimensões da democracia substancial ligada à cultura cívica, ao nível de responsabilização e à aplicação da lei para todas as entidades sociais. Mas acho que temos tido progressos", considerou.
Quanto aos contributos que o arquipélago pode dar a nível regional, Roselma Évora lembrou que a realidade social do país é "um pouco peculiar e diferente" das outras da sub-região oeste-africana.
"Mas Cabo Verde pode servir como uma plataforma de reflexão na questão de funcionamento das instituições", assumiu, lembrando que os debates da conferência têm-se focalizado no papel e na importância das instituições na construção de regimes democráticos "que tenham um certo vigor".
Nesse sentido, sublinhou que as diferentes instituições "têm um papel importante" na promoção de ambientes pacíficos e uma sociedade mais humanizada.
"Cabo Verde pode servir como uma plataforma, mas não necessariamente como um modelo, porque acho que não deveremos ter essa pretensão. Mas a nossa construção social e política pode servir de referência para a construção de uma plataforma em termos de funcionamento institucional e dos órgãos no regime democrático", precisou.
"Democracia e Paz: A Experiência de Cabo Verde" foi o primeiro painel do segundo dia do evento, em que foi recordado que o arquipélago foi o primeiro país da sub-região a fazer a transição do regime monopartidário para a democracia multipartidária, em janeiro de 1991, seguido pelo Benim, em março do mesmo ano.
À tarde, os participantes visitam a Cidade Velha, devendo os trabalhos serem retomados na manhã de quarta-feira, último dia da conferência, dedicado ao papel da imprensa nos conflitos.
JSD./Lusa/Fim
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