PRAIA-O primeiro-ministro de Cabo Verde desdramatizou hoje a polémica em torno de Adriano Moreira, elogiando o percurso do académico português que receberá, sábado, o doutoramento "Honoris Causa" pela Universidade do Mindelo (UM).
Em declarações à imprensa, José Maria Neves defendeu que a polémica "é o sal da democracia", em que "o pior é haver unanimismo", razão pela qual preferiu destacar Adriano Moreira como um "amigo" de Cabo Verde, realçando o papel desempenhado nas negociações para a Parceria Especial com a União Europeia (UE).
"É uma escolha da UM. Acho que estão a destacar um grande académico, a todos os títulos. Como académico e como personalidade importante da vida política portuguesa, foi presidente do CDS e também deputado até recentemente, contribuiu fortemente para a parceria especial", salientou.
José Maria Neves lembrou que Adriano Moreira, antigo ministro do Ultramar no início da década de 1960, em pleno regime colonial, foi um dos subscritores do manifesto de apoio e uma das personalidades que "agiu firmemente" junto da UE e de governos europeus para que Cabo Verde conseguisse a parceria.
Terça-feira, em declarações à Agência Lusa, o presidente da Associação Cabo-Verdiana de Ex-Presos Políticos (ACEP), Pedro Martins, considerou a distinção a Adriano Moreira "um insulto aos nacionalistas" que lutaram pelas independências das antigas colónias portuguesas em África.
Na ocasião, Pedro Martins lembrou que foi Adriano Moreira quem mandou reabrir, em junho de 1961, o campo de concentração do Tarrafal (onde foram presos nacionalistas cabo-verdianos, guineenses e angolanos), encerrado sete anos antes, e criticou ainda a "falta de memória" da Universidade do Mindelo.
"Mais do que isso, como académico, tem feito uma reflexão extremamente importante sobre os desafios que o Atlântico tem neste momento", disse hoje José Maria Neves, exemplificando com a ideia de que, com a nova crise, há a tentação de que todo o eixo estratégico de desenvolvimento passar do Atlântico para o Pacífico.
"Temos todos de trabalhar para a revalorização do Atlântico, o seu papel estratégico que teve no mundo moderno e que deve continuar a ter. O mundo que emergirá desta crise não deverá corroer todo o papel fundamental do Atlântico no futuro. Adriano Moreira tem reflexões e tem um contributo académico importante que, para um país insular, como Cabo Verde, deve ser acarinhado", acrescentou.
O primeiro-ministro cabo-verdiano frisou que o que a UM vai destacar é o "académico", insistiu na ideia de que a "polémica é o sal da democracia" e sublinhou que a homenagem a Adriano Moreira "valoriza um homem em todo o seu percurso".
Questionado pela Lusa sobre se, 36 anos após a independência, ainda há traumas em relação aos 550 anos de colonialismo português, José Maria Neves defendeu que a História tem, agora, de ser avaliada sem complexos.
"Temos de, agora, avaliar a História sem complexos, com todos os seus aspetos positivos e negativos, sem quaisquer traumas. Valoriza-se o académico. Enquanto político, uns podem estar de acordo outros não. Em democracia o pior que pode haver é unanimismo. Havendo críticas, temos o sal para continuar a debater", concluiu.
JSD./Lusa/Fim.
http://noticias.sapo.cv/lusa/artigo/13457245.html
"É uma escolha da UM. Acho que estão a destacar um grande académico, a todos os títulos. Como académico e como personalidade importante da vida política portuguesa, foi presidente do CDS e também deputado até recentemente, contribuiu fortemente para a parceria especial", salientou.
José Maria Neves lembrou que Adriano Moreira, antigo ministro do Ultramar no início da década de 1960, em pleno regime colonial, foi um dos subscritores do manifesto de apoio e uma das personalidades que "agiu firmemente" junto da UE e de governos europeus para que Cabo Verde conseguisse a parceria.
Terça-feira, em declarações à Agência Lusa, o presidente da Associação Cabo-Verdiana de Ex-Presos Políticos (ACEP), Pedro Martins, considerou a distinção a Adriano Moreira "um insulto aos nacionalistas" que lutaram pelas independências das antigas colónias portuguesas em África.
Na ocasião, Pedro Martins lembrou que foi Adriano Moreira quem mandou reabrir, em junho de 1961, o campo de concentração do Tarrafal (onde foram presos nacionalistas cabo-verdianos, guineenses e angolanos), encerrado sete anos antes, e criticou ainda a "falta de memória" da Universidade do Mindelo.
"Mais do que isso, como académico, tem feito uma reflexão extremamente importante sobre os desafios que o Atlântico tem neste momento", disse hoje José Maria Neves, exemplificando com a ideia de que, com a nova crise, há a tentação de que todo o eixo estratégico de desenvolvimento passar do Atlântico para o Pacífico.
"Temos todos de trabalhar para a revalorização do Atlântico, o seu papel estratégico que teve no mundo moderno e que deve continuar a ter. O mundo que emergirá desta crise não deverá corroer todo o papel fundamental do Atlântico no futuro. Adriano Moreira tem reflexões e tem um contributo académico importante que, para um país insular, como Cabo Verde, deve ser acarinhado", acrescentou.
O primeiro-ministro cabo-verdiano frisou que o que a UM vai destacar é o "académico", insistiu na ideia de que a "polémica é o sal da democracia" e sublinhou que a homenagem a Adriano Moreira "valoriza um homem em todo o seu percurso".
Questionado pela Lusa sobre se, 36 anos após a independência, ainda há traumas em relação aos 550 anos de colonialismo português, José Maria Neves defendeu que a História tem, agora, de ser avaliada sem complexos.
"Temos de, agora, avaliar a História sem complexos, com todos os seus aspetos positivos e negativos, sem quaisquer traumas. Valoriza-se o académico. Enquanto político, uns podem estar de acordo outros não. Em democracia o pior que pode haver é unanimismo. Havendo críticas, temos o sal para continuar a debater", concluiu.
JSD./Lusa/Fim.
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