terça-feira, 20 de dezembro de 2011

CV:O DIA DE DIZER ADEUS

Um país inteiro parou hoje, dia 20 de Dezembro, para se despedir da sua rainha das mornas. Cesária Évora, que perdeu a vida no passado dia 17, foi hoje a enterrar na cidade de Mindelo. Amigos, familiares, entidades oficiais e o povo saíram à rua para se despedir da sua Cize. O PR lembrou que afinal “ (a) Cesária não é apenas um símbolo (…) a Cesária somos nós todos”.

A urna branca com o corpo de Cesária Évora saiu sob aplausos da residência familiar e foi transportada por militares até ao edifício do Palácio do Povo, antes do meio-dia. O cortejo fúnebre contou com a presença de vários amigos, familiares, artistas e imensos populares.

Os ex-elementos da banda de Cize interpretaram uma morna em homenagem à diva. Várias vozes conhecidas estavam no meio do público: Lura, Nilza, Solange Cesarovna, Kako, Kim e Tó Alves, Betu, Voginha, Noel Fortes, entre muitos outros.

São Vicente vestiu-se de luto, imensos populares saíram à rua. Várias ruas estão fechadas no centro da cidade de Mindelo. A sala do Palácio do Povo estava recheada de flores enviadas por diversas entidades. A entrada no edifício foi feita pela porta principal, mas foi pedido às pessoas para que não permanecessem muito tempo no interior.

As cerimónias fúnebres oficiais arrancaram por volta das 14h30 no Palácio do Povo. Do lado de lá da vedação do edifício ficaram centenas de populares que reclamaram o facto de não poderem entrar no Palácio para a cerimónia oficial.

Discursos emocionados e muita música, como não podia deixar de ser, marcaram a cerimónia oficial que decorreu num ambiente de profunda tristeza. Um coro infantil fez as honras da casa e abriu a sessão com o Hino Nacional, seguindo-se depois uma interpretação melódica do tema “Sodade”.

Seguiu-se a biografia da diva, que foi lida pela Jaqueline Sena, da Harmonia Lusáfrica, a editora da falecida cantora. Visivelmente emocionada, a neta de Cize também proferiu algumas palavras em nome da família, lembrando que a avó ficará para sempre nos corações de toda a gente.

Mário Lúcio Sousa proferiu também algumas palavras não apenas como ministro da Cultura, mas também como artista e músico. “Em 1460, os europeus descobriram que Cabo Verde existia. Em 1975 nós nos descobrimos. Com Cesária o mundo descobriu a nossa alma,” foram as palavras inaugurais do ministro. Mário Lúcio lembrou o papel de Cize para a divulgação de Cabo Verde lá fora e afirmou que é “Cabo Verde que consola o mundo” já que o consolo do país é “saber que Cabo Verde ficou mais rico com o legado de Cesária Évora.”

Fez-se ouvir de seguida o tema “Moda Bô” na voz de Lura. Depois de mais dois momentos musicais, foi a vez do Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, pronunciar algumas palavras. JCF lembrou igualmente que Cize “nos deixou mais ricos” e o papel que diva dos pés descalços ao levar Cabo Verde mais longe, “provando que na arte as fronteiras não existem”. O Presidente da República lembrou no final que “Cize morreu mas não pode ser uma heroína, ser heroína é um símbolo e Cesária não é apenas um símbolo (…) Cesária somos nós todos”.

Depois do Palácio do Povo, a urna seguiu para a Igreja matriz por volta das 15h50. No local, marcaram presença entidades oficiais, familiares, amigos e vários populares. A cerimónia religiosa durou cerca de uma hora.

A urna saiu da Igreja já perto das 17h00 e seguiu em cortejo para o cemitério da cidade. No último adeus a esta filha de “Soncent”, sentiu-se o lamento daqueles que não puderam faltar à despedida.
@SAPO e Partner
http://cesariaevora.sapo.cv/noticias/1208935.html

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