domingo, 21 de fevereiro de 2010

HOLANDA:ELEIÇÕES ANTECIPADAS NA HOLANDA

O GOVERNO HOLANDÊS CAIU
HAIA-O governo do primeiro ministro holandês Jan Peter Balkenende caiu. A renúncia do PvdA foi apresentada sábado à rainha Beatriz. A queda do governo deveu-se ao envio de tropas para o Uruzgão, no Afeganistão. O fim da coligação governamental aconteceu na madrugada sexta para sábado, por volta das quatro da manhã, horário holandês, após 16 horas de debate cerrado. Os ministros e secretários do partido social-democrata do PvdA deixam a coalizão governamental.
Recordamos que Balkenende continuará a governar o país até às eleições.
Este foi o quarto gabinete de Jan Peter Balkenende. É também a quarta vez que seu governo não consegue concluir um mandato de quatro anos. Em tempo de recuperação económica, a Holanda entra em fase de instabilidade política.
Coligação Difícil
Desde o começo, esta coligação governamental esteve baseada em compromisso difícil. O partido democrata cristão CDA, de centro-direita, já havia governado em outras ocasiões com o PvdA, de centro-esquerda. Mas ambos os partidos não conseguiram formar uma coligação estável.
O gabinete Balkenende IV não foi uma excepção. No final de 2007, as negociações para formar o governo foram difíceis. Os três partidos da coligação, o PvdA, o CDA e o União Cristã, tiveram de ceder em temas importantes.
Durante os três anos de governo, foram tomadas muitas decisões após longas e difíceis deliberações. Entre outras, a de aumentar a idade para se aposentar, o financiamento com o dinheiro público à fraca economia e o investimento no desenvolvimento do avião de caça JSF.
Uruzgão
O tema sobre o qual não se conseguiu um compromisso foi a prorrogação da missão militar holandesa na província afegã de Uruzgão. Em 2007, o gabinete decidiu prolongar a missão no Uruzgão por dois anos. No entanto, o PvdA não permitiu aceitar outra prorrogação da missão. A crítica da comissão Davids sobre a participação da Holanda no Iraque, em Janeiro, reafirmou o PvdA na sua postura.
Paradoxalmente, a queda do governo pode contribuir para salvar a imagem da Holanda no exterior. Tanto no mandato da OTAN como na Casa Branca não se entende a decisão do PvdA em vetar a prorrogação da missão militar no Afeganistão. A retirada da Holanda do Uruzgão é motivo de irritação em Bruxelas e Washington. A Holanda corre inclusive o risco de perder a sua presença nas reuniões do G20. Mas uma crise governamental é uma desculpa válida, ainda que o resultado final – a retirada de Uruzgão – seja o mesmo.
Instável
A queda do gabinete pode ter consequências mais graves para a política holandesa. Há quase dez anos, o país  surpreendeu-se com a ascendência do político populista Pim Fortuyn. Também estremeceu após o assassinato do político. Recentemente, o político de extrema-direita, Geert Wilders, confirmou essa tendência na política holandesa: a instabilidade.
O eleitorado holandês está muito dividido. Não há um só partido que conseguiu a maioria dos 159 votos que formam o Parlamento, dividido entre onze partidos políticos. Além disso, os eleitores holandeses não se identificam mais com os partidos políticos tradicionais, o que propicia a rápida ascensão de políticos como Pim Fortuym ou Geert Wilders.
O factor Wilders
Geert Wilders se beneficiou do actual clima político e desempenhará um papel importante nas próximas eleições, ainda que o Partido da Liberdade não se converta no partido mais votado. Wilders é um figura que polariza. É provável que um bloco de direita seja formado para um governo de coligação com Wilders e um bloco de esquerda que recuse um governo com o líder direitista.
Não é muito provável que os grandes partidos recuperem as suas perdas e é possível que para um próximo gabinete seja requisitada a colaboração de quatro partidos ou mais (no lugar dos habituais dois ou três) para se atingir uma maioria.
NORBERTO COM A RADIO NEDERLAND

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