quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

CV(JA):NEVES TEM "QUEDA" PARA PARCEIROS LUSOS...MUITO ESPECIAIS

PRAIA-Parque Expo é uma empresa com muitos sarilhos na arca: quatro dos seus administradores foram envolvidos em Portugal em estórias de corrupção, tráfico de droga, financiamentos ao PS e burla. Foram absolvidos mas até o tribunal ficou com dúvidas. Pelos vistos, a estrela tambarina tem “má sorte” na escolha dos seus parceiros lusos. Coisas do destino.
Depois da Mota Engil, alvo de investigações em Portugal por suspeitas de fraude e branqueamento de capitais, José Maria Neves prepara-se para acoplar à sua esfera de interesses e negociatas a Parque Expo, outra EP lusa com passado nebuloso, e, a exemplo do que aconteceu com o empório de Jorge Coelho, com antigos responsáveis a terem de prestar contas à justiça, acusados de vários crimes, desde corrupção a tráfico de droga.
Neste final de mandato, tem algo de patológico a “queda” do primeiro-ministro para escolher parceiros polémicos afim de “desenvolver” a economia cabo-verdiana em setores mais carentes. Neste caso, o da habitação social, através da assinatura firmada na segunda-feira, 29, de um protocolo entre a Imobiliária e Fundiária IFH e a Parque Expo 98, abrindo caminho para mais um contrato esconso, no âmbito da gestão integrada do Palmarejo Grande, com a promessa de que, no futuro, essa aliança possa estender-se a outros projetos urbanísticos do IFH na Praia, ou em qualquer outro ponto do País. Haja Neves para poder continuar a estender a mão aos amigos portugueses socialistas…
O cidadão como “avalista”
O propósito é claro: uma parceria que tem em conta o facto das duas empresas terem capitais públicos (cá está, o erário público a servir de suporte ao negócio; se der para o torto é o povo quem paga…) e se proporem a objetivos, metas e estratégias de desenvolvimento de políticas públicas, especialmente nos domínios da promoção urbana, comercialização, urbanização e infra-estruturação de terrenos.
A assinatura do documento desta parceria entre o IFH/Parque Expo foi estabelecido na presença da ministra da Descentralização, Habitação e Ordenamento do Território, Sara Lopes, e do presidente da Câmara Municipal da Praia, Ulisses Correia – e surge como forma para ultrapassar os “constrangimentos” sentidos pela IFH no terreno, muitos deles, diz o Instituto em nota informativa divulgada pelo jornal on-line “A Semana”, “provocados pela exiguidade do mercado imobiliário nacional e pela dificuldade de acesso, em condições favoráveis, ao crédito no mercado financeiro interno”.
Nem lembrava ao diabo
O que não lembra ao Diabo (ao outro, salvo seja) é que, havendo no mercado outras empresas portuguesas com créditos firmados no setor da Habitação e Obras Públicas, JMN e os seus parceiros do IFH, tenham escolhido esta EP afeta ao Estado português, “impregnada” de “boys” socialistas, e logo com passado (e presente) atreito a problemas do foro judicial. Avultando entre estes, o facto de quatro dos seus administradores - Januário Rodrigues, ex-diretor da Unidade de Alojamento da Parque Expo, António Manuel Pinto, Jorge Dias e o empresário Godinho Lopes, que chegou a ser vice-presidente do Sporting para o Património - terem sido julgados este ano, acusados de corrupção e vários atos ilícitos referentes ao negócio de três paquetes fretados para alojar visitantes da exposição mundial em 1998, contrato adjudicado a uma única empresa, sem concurso público ou consulta formal (a “queda” para este tipo de negociatas parece ter vingado igualmente em Cabo Verde…), mediante pagamento de contrapartidas. O Estado português teria sido lesado em 25 milhões de euros.
É verdade que o tribunal os absolveu, por falta de “provas consistentes”, no fim de um dos mais longos processos da Justiça portuguesa – onze anos. Mas é verdade também que a própria juíza considerou ter ficado com “muitas dúvidas e pontas soltas” quanto à inocência dos acusados.
Outra situação escandalosa envolveu o ex-gestor da Parque Expo e militante do PS, João Caldeira, que, igualmente no decorrer deste ano, se sentou no banco dos réus, acusado de tráfico de cocaína vinda da Venezuela e que chegou ao Porto de Lisboa, em Dezembro de 2007, dentro de um contentor, dissimulada no meio de uma carga de 600 caixas de polvo congelado.
Em Janeiro de 2009, João Caldeira e dois outros arguidos (um antigo diretor de serviços de informática e um diretor dos serviços de controlo financeiro e de tesouraria da Parque Expo) foram condenados na 4ª Vara Cível de Lisboa a indemnizar solidariamente à cooperativa Mar da Palha em 2,298 milhões de euros. O processo remonta ao tempo em que a referida cooperativa adquiriu, na altura da exposição mundial de Lisboa, dois terrenos à Parque Expo destinados à construção de habitações nos empreendimentos designados Vasco da Gama e de Gil Eanes. Foi após a detenção de João Caldeira, a 8 de Agosto de 1998, que os cooperantes foram surpreendidos com o desvio de cheques que lhe entregavam como pagamento dos terrenos onde iam ser construídos os dois edifícios. Caldeira, que em 1998 apostara no negócio da pesca e congelação de marisco - investindo na empresa DICA, entretanto falida - precisava de dinheiro e foi aos cheques, que os cooperantes lhe faziam chegar para pagamento dos terrenos, que se foi “financiar”, através de artifícios contabilísticos, segundo se pode ler no processo judicial.
Uma estória de financiamentos ao PS
João Caldeira saiu da cadeia em 2001, em liberdade condicional, mas encontra-se atualmente em prisão preventiva devido ao seu alegado envolvimento no caso da cocaína. E foi durante esta sua detenção nos calabouços da PJ que Caldeira confessou, a uma fonte contatada pelo Já, um jornalista, que parte do dinheiro que desviou da Parque Expo se destinava a financiar propaganda do PS. Um facto que, segundo revelou, tencionava publicar em livro ainda por editar.
São estes os amigos portugueses, de passado e presente mais do que duvidosos que JMN privilegia em adjudicações “fantasma”, em contratos “por baixo da mesa” para levar o desenvolvimento a Cabo Verde. Do acordo agora estabelecido com o IFH releva-se o facto de a Parque Expo ser detentora de um “estatuto empresarial e institucional” acima de quaisquer dúvidas. Pois, pois, como diria o outro…
http://liberal.sapo.cv/noticia.asp?idEdicao=64&id=31123&idSeccao=523&Action=noticia

Sem comentários:

Enviar um comentário

Comentar com elegância e com respeito para o próximo.