PRAIA-O processo de privatização da Electra, empresa de produção e distribuição de energia e água de Cabo Verde, deverá estar concluído em 2011, mas só depois das eleições legislativas, afirma o primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, citado hoje na imprensa local.
A reestruturação da empresa está em curso há mais de um ano, com José Maria Neves a adiantar que estão a decorrer negociações com uma "grande empresa cabo-verdiana", com Governos de alguns países europeus e africanos e instituições financeiras internacionais interessadas na privatização da Electra.
José Maria Neves sublinha que, por razões "éticas", o Governo não privatizará nenhuma empresa antes das eleições legislativas de 6 de Fevereiro próximo.
Para o chefe do Executivo da Cidade da Praia, uma das prioridades antes da privatização será a modernização das redes de distribuição de energia, cuja resolução exige recursos muito avultados.
Nesse sentido, José Maria Neves adianta que está a ser negociado um financiamento da modernização da rede de distribuição de energia eléctrica com o Japão e com várias instituições financeiras internacionais, que não nomeia.
A gestão da Electra, que já estava a cargo das portuguesas EDP e ADP, tem sido alvo de constante polémica, sobretudo no último ano, quando o Governo decidiu envolver o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) no capital social da empresa.
A 18 de Março o Parlamento cabo-verdiano criou uma comissão de inquérito para fiscalizar a política de investimentos do INPS, nomeadamente na Electra, empresa então considerada tecnicamente falida, mas sem resultados.
A participação do INPS representou cerca de 2% da carteira de investimento do instituto, avaliada em quase de 20.000 milhões de escudos (181,3 milhões de euros).
O primeiro-ministro cabo-verdiano admitiu, depois, que o Governo autorizou os investimentos do INPS na Electra, assegurando que "são bons" e que "garantem a sustentabilidade", desdramatizando ainda a questão do custo das acções.
O valor nominal de cada acção foi fixado a um "preço indicativo" de 2.500 escudos (22,67 euros), tal como ficou estabelecido no acordo entre o INPS e a Electra, a ser sujeito posteriormente a negociações, montante que acabaria contestado pela oposição cabo-verdiana, que defendeu que o custo era de 1.000 escudos (9,06 euros).
Segundo a oposição, o INPS utilizou de forma indevida fundos afectos à satisfação de prestações sociais dos trabalhadores, alegadamente estimados em 525 milhões de escudos (4,76 milhões de euros), para resolver problemas de tesouraria da Electra.
OJE/LUSA
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