quarta-feira, 7 de março de 2012

CV(Liberal):O ESTADISTA E O ANÃO

Editorial 
Com um Chefe de Estado atento, que ausculta as populações e que vem sendo inflexível na promessa eleitoral de ser “um Presidente junto das pessoas”, o campo de manobra do partido do poder esboroa-se a cada dia que passa, evidenciando sinais de desnorte e acentuando o ridículo de ver um Primeiro-ministro em marcação cerrada à agenda presidencial

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Está em curso - o que acontece desde antes da sua tomada de posse - uma campanha orquestrada contra o Presidente da República. Já se percebeu o incómodo do “PAICV/facção Neves” pela eleição de Jorge Carlos Fonseca, compreende-se o constrangimento do Primeiro-ministro que tomou consciência não ser já a primeira figura do teatro político cabo-verdiano. E o País, de igual modo, começou a entender que, para além do Cabo Verde das maravilhas, do ilusionismo e da propaganda, há  uma Nação ferida de desigualdades, de assimetrias e de injustiça de que o Chefe de Estado tem sido legítimo porta-voz.

José Maria Neves e a sua corte de bajuladores e arrivistas, de mentirosos e esbanjadores de erário público estavam habituados aos silêncios, às cumplicidades e ao fechar de olhos “camarada” na Presidência da República, por isso objectam à magistratura de influência, ao comentário assertivo do Presidente e a um mandato junto das pessoas comuns, dos cidadãos que trabalham, vivem e constroem o nosso Cabo Verde.


A linha de ataques ao Presidente da República, que não tem por base qualquer dado objectivo nem consegue apontar qualquer incumprimento ou extrapolação constitucional, assenta numa linha de insinuações e manipulações em que o partido do governo é especialista e, normalmente, costuma provocar o efeito pretendido.


Mas, desta vez, como o efeito tarda em se afirmar - pelo contrário -, com o prestígio crescente e simpatia que a figura de Jorge Carlos Fonseca suscita na maioria dos cabo-verdianos, o desespero instala-se nas hostes do governo, no – muito dividido – partido que o sustenta, provocando o desespero de José Maria Neves que vê a sua ilusória e incompetente governação cada vez mais posta em causa. Logo, haveria que tentar colar o Presidente da República a uma qualquer estratégia “diabólica” da oposição para fazer cair o governo…


Não deixa de ser curioso este raciocínio. Numa primeira fase, o “PAICV/facção Neves” procurou passar a mensagem de suposta incompatibilidade entre JCF e Carlos Veiga; numa segunda, o PR já seria um homem de mão de Veiga e do MpD, deitando às urtigas o “ódio de morte” que os consumiria… É a chamada navegação à vista, para ver se cola e, não colando, apostar na antítese de que ontem se havia afirmado. 


É uma linha que acentua grandes fragilidades e facilmente desmontável por factos. A questão é esta: digam de uma vez que preceito constitucional JCF violou, que concreta extrapolação da lei fundamental tem praticado. Mas digam-no de uma vez, não continuem a bolçar aos bocados, aqui e ali, agindo como se os cabo-verdianos fossem idiotas.


Com um Chefe de Estado atento, que ausculta as populações e que vem sendo inflexível na promessa eleitoral de ser “Um Presidente junto das pessoas”, o campo de manobra do partido do poder esboroa-se a cada dia que passa, evidenciando sinais de desnorte e acentuando o ridículo de ver um Primeiro-ministro em marcação cerrada à agenda presidencial. 


As visitas do Presidente pelos concelhos do país, suscitam agora o veneno dos seus detractores, ao insinuarem estar JCF a fazer campanha nos municípios do MpD. Mas, então, Em São Filipe, em Santa Catarina do Fogo, nos Mosteiros, na Brava e no Paul as presidências municipais também são da oposição?!


Como se vê a argumentação nevista - que deu o primeiro sinal de insanidade com as declarações de Armindo Maurício, aquando da visita de JCF à África do Sul, e cobardemente aproveitando-se da ausência do Presidente da República – não tem substância, não se baliza em eventuais violações da Constituição, nem aponta um único deslize que seja à actuação de Jorge Carlos Fonseca.


Como sempre, ao invés de discutir política e contribuir para o debate democrático, o “PAICV/facção Neves” prefere o caminho da manipulação, usando a comunicação social “camarada” e apostando na leviana mistificação. E nem mesmo o Primeiro-ministro, nos encontros com o Chefe de Estado – ao que se sabe -, alguma vez insinuou cara a cara que JCF estaria a extrapolar as suas atribuições e competências superiormente balizadas pela Carta Magna. Cobardemente, José Maria Neves distribui a tarefa pelos caninos bajuladores de serviço nos jornais amigos e nas rádios amigas…


É a diferença cada vez mais evidente entre um estadista e um anão, uma figura menor da política cabo-verdiana!. O primeiro fala do país real; o segundo continua a acreditar no país das maravilhas, construído sob sua batuta e eterna e incontestada glória.
Liberal



SECÇÃO: Editorial- 05 de Março de 2012

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