quinta-feira, 8 de março de 2012

NL:Holandeses querem cortes na ajuda ao desenvolvimento



De onde se pode tirar de repente nove bilhões de euros? O primeiro-ministro holandês, o liberal Mark Rutte, acredita que precisará de pelo menos três semanas para encontrar uma resposta a esta pergunta. Ele se reúne com colegas de coalizão do CDA e do partido apoiador PVV em Haia para fazer um novo plano de cortes no orçamento. Uma coisa com certeza estará na mesa de cortes: a ajuda ao desenvolvimento.

A Holanda foi durante décadas uma das alunas mais comportadas da União Europeia. O déficit orçamentário sempre se manteve abaixo do limite crítico. Mas isso foi no passado: para o próximo ano, estima-se que o déficit será de 4,5%, ou seja, 1,5% acima das normas da UE
 Menos ajuda
Portanto, o governo tem que fazer cortes drásticos. E quando se pergunta aos holandeses onde se deve fazer os primeiros cortes, a resposta é clara: na ajuda ao desenvolvimento. Uma pesquisa recente indicou que 80% da população holandesa é a favor da redução da ajuda ao desenvolvimento para 0,6% do PIB.
Atualmente, o valor é 0,7%, conforme a norma europeia para a ajuda ao desenvolvimento. A Holanda sempre esteve acima disso, mas o governo Rutte já cortou quase um bilhão da ajuda ao desenvolvimento. A questão agora não é mais saber se se deve fazer mais cortes, mas quanto será cortado.
O PVV de Geert Wilders, que apóia a coalizão minoritária de governo, defende que se pare inteiramente com a ajuda ao desenvolvimento e dê-se apenas ajuda de emergência, pois segundo eles: “Ajuda ao desenvolvimento, na prática, não faz nada além de repassar o dinheiro de pessoas pobres de países ricos para pessoas ricas de países pobres.”
“Ajuda não ajuda a África”
O atual orçamento holandês para ajuda ao desenvolvimento fica um pouco acima dos 4 bilhões de euros, dos quais metade vai direto a governos de países pobres. O restante é para ONGs e instituições da ONU e da União Europeia.
O homem forte do PVV, Geert Wilders, diz que só quer falar sobre cortes no orçamento do país se pelo menos de 1 a 2 bilhões de euros forem retirados da ajuda ao desenvolvimento. Para o maior partido do governo, o VVD, isso também já não parece ser um problema. Segundo o proeminente político do VVD e ex-eurocomissário, Frits Bolkestein, um olhar crítico sobre a ajuda humanitária é muito necessário:
“A questão é saber o quanto a ajuda realmente ajuda. Olhemos para a África, para onde vai a maior parte da ajuda ao desenvolvimento. O continente está hoje um pouco melhor que há um tempo atrás. Graças a investimentos estrangeiros, aos altos preços das matérias primas e a empreendimentos locais. A ajuda ao desenvolvimento, portanto, não teve nada a ver com isso. É preciso ter um olhar um pouco crítico. Não podemos pensar que o destino do terceiro mundo está sobre nossos ombros.”
Para o partido democrata-cristão CDA, a ajuda ao desenvolvimento é tradicionalmente um tema importante e os cortes são vistos como uma questão delicada. Mas o partido está numa posição fraca: nas pesquisas o CDA está numa baixa histórica e sua base, devido à necessidade de bilhões em cortes orçamentários, também parece estar em movimento.
Bumerangue
Organizações humanitárias na Holanda têm toda razão de se preocupar. Tom van der Lee, da associação Partos:
“Já há uma grande reforma em andamento, porque já haviam cortado um bilhão da ajuda ao desenvolvimento. A Holanda reduziu pela metade o número de países parceiros, portanto há muitos países que já não estão mais recebendo ajuda. Se formos ainda mais longe, também colocamos em jogo as reformas que estão sendo feitas agora.”
As organizações humanitárias começaram uma campanha conjunta: “Você recebe o que você dá”. Van der Lee: “Com isso queremos enfatizar que para os mais pobres é importante que a Holanda contribua. São três bilhões de crianças e jovens no mundo, 90% deles vivem em países em desenvolvimento. Se nós não lhes dermos a chance deles se ajudarem, receberemos isso de volta no futuro de maneira muito dura.”
Cerca
Os sociais-democratas da oposição acreditam que já houve muitos cortes na ajuda ao desenvolvimento. Mesmo assim, eles também veem que o apoio popular à ajuda ao desenvolvimento na Holanda diminuiu enormemente. Por quê? Jetta Klijnsma, parlamentar do partido trabalhista PvDA:
“Porque nós na Holanda, por mais triste que isso seja, estamos nos tornando um pouco egocêntricos. Se as coisas vão bem conosco, simplesmente pomos uma cerca em volta e não nos importamos com o resto.”
Tradução:Português brasileiro

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