segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

CV(Inforpress):Distinção de Adriano Moreira é marco conciliatório para memória dos factos, diz Corsino Tolentino

MINDELO- O doutoramento Honoris Causa que a Universidade do Mindelo atribuiu no sábado ao académico português Adriano Moreira constitui um "marco importante" para a memória dos factos e prova que está "totalmente absolvido", disse hoje um investigador cabo-verdiano.





"Esta decisão e a natureza bastante atípica da cerimónia, com grande envolvimento em Cabo Verde, é um marco importante na luta, com verdade, e a ausência ou o apagamento de quaisquer ressentimentos ou rancores que pudessem existir a propósito do tempo colonial", defendeu Corsino Tolentino à agência Lusa.


Para o também historiador cabo-verdiano, a escolha de Adriano Moreira "simboliza" esse momento, pois o que se homenageou foi a "personalidade integral" de quem foi, por circunstâncias da história, ministro do Ultramar de Salazar (1961/62), pelo que "não vale a pena tentar separar as facetas".


"E enquanto percurso de homem integral, Adriano Moreira é uma referência para quem queira compreender a História. Os discursos diferenciados, as leituras diversas, procuram conciliar as duas coisas: uma homenagem de reconhecimento a um amigo, e, ao mesmo tempo, a salvaguarda da memória e da verdade", sustentou.


Corsino Tolentino, ainda académico e diretor geral do Instituto da África Ocidental (IAO), realçou que nenhum académico pretende que, à partida, que qualquer postura que tenha defendido recolha de imediato a unanimidade, uma vez que estará sempre sujeito à polémica e ao julgamento pelo tempo.


"O tempo vai dizer o que foi mais importante na atuação de Adriano Moreira, enquanto pessoa, político e académico, se foi acrescentar valor à sociedade, ou às diversas sociedades, ou se foi um mal que o sistema fez e que ele próprio serviu e não rejeita", sublinhou.


Para Corsino Tolentino, o antigo ministro do Ultramar português está "completamente absolvido" uma vez que "sempre assumiu as responsabilidades que tinha de assumir".


"Quem de nós não mudou, às vezes radicalmente, de posição em determinada matéria", lembrou o historiador cabo-verdiano, recordando que, apesar de Adriano Moreira ter decretado a reabertura do Campo de Concentração do Tarrafal, em junho de 1961, baniu, por outro lado, as leis do Indiginato e do trabalho Forçado, entre outras.


Adriano Moreira recebeu no sábado o doutoramento Honoris Causa pela Universidade do Mindelo, a primeira que uma universidade cabo-verdiana outorga em 10 anos de vida do ensino superior no arquipélago.
Inforpress/Lusa 

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