A comunidade cabo-verdiana residente em Portugal é das que mais ajudam a encher os cofres da Segurança Social portuguesa.
A presença de estrangeiros em Portugal é vista, por alguns, como sendo negativa. No entanto, no estudo “Imigrantes e Segurança Social” prova-se que não é assim, já que as contribuições dos estrangeiros residentes são superiores aos benefícios que recebem, ou seja, a sua contribuição para a economia portuguesa é positiva.
A Segurança Social portuguesa encaixou 316 milhões de euros com os descontos dos estrangeiros em 2010, avança o jornal Público. Esta contribuição representa 4,3% do total das receitas, mas para o professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), Carlos Pereira da Silva, é um contributo que tem "bastante significado". Na opinião do professor do ISEG e coordenador do estudo, João Peixoto, em tempos de crise “os imigrantes são protegidos e são bons para o sistema”.
Um terço dos cabo-verdianos não desconta para a Segurança Social
Se os cabo-verdianos são a terceira comunidade imigrada que mais contribui para os cofres do Estado português, um terço desta comunidade não faz quaisquer descontos, levando a situações dramáticas, sobretudo, nos reformados idosos. A notícia vem hoje com destaque no diário português "Público", que refere os números "preocupantes"dos cabo-verdianos que estão fora do sistema da Segurança Social. De acordo com este jornal, apenas 62% dos emigrantes cabo-verdianos fizeram descontos em 2009, apesar de haver uma melhoria, se comparado com os 54% de 2002.
O jornal recupera a história de António, emigrante cabo-verdiano, exemplo paradigmático, retirada de um estudo designado por Imigrantes Idosos: "Nasceu em Cabo Verde em 1928. Com 21 anos foi para Angola, com 49 para a Grécia, tendo chegado a Portugal com 56, em 1984. Em Portugal trabalhou muitos anos, quase sempre na construção civil, mas só nos últimos cinco anos fes descontos para a segurança Social. Aos 80, tem uma reforma de 200 euros."
A história de António é o exemplo da situação de muitos cabo-verdianos a viver em Portugal. De acordo com o jornal, a fraca expressão desta comunidade nos registos de contribuições para a Segurança Social explica-se pelas profissões exercidas: construção civil e limpezas domésticas, muito sujeitas a situações contratuais precárias.
Na lista das fracas contribuições para a Segurança Social da população activa imigrada em Portugal, logo depois dos cabo-verdianos aparecem os santomenses (67%), seguidos dos guineeses (69%) e dos angolanos (85%).
Para João Peixoto, do Instituto Superior de Economia e Gestão, esta é uma das conclusões "particularmente negativas" para a política de integração dos imigrantes em Portugal, por revelarem um forte contraste com a ideia de uma "comunidade tão enraizada como é a cabo-verdiana."
Os números avançados também foram uma surpresa para Alberto Rui Machado, presidente da Associação Cabo-verdiana de Lisboa, que ignorava esta realidade. A ideia avançada por este dirigente, após a revelação destes dados, é inverter esta tendência com campanhas levadas a cabo com a Federação das Associações cabo-verdianas nos bairros com população cabo-verdiana, sensibilizando-os para as vantagens de descontarem para a Segurança Social.
A situação económica difícil dos idosos cabo-verdianos faz com sejam estes, entre os cabo-verdianos, os que mais solicitam a ajuda da Organização Mundial das Migrações (OIM) para regressarem ao seu país de origem.
Dados podem servir para mudar mentalidades
Para algumas associações de imigrantes, os dados revelados no relatório podem servir para mudar mentalidades. O presidente da Casa do Brasil em Portugal, Carlos Viana, defende que estes números são “um argumento muito forte contra aqueles xenófobos e ignorantes que acham que os imigrantes vão roubar trabalho e tirar isto e aquilo aos portugueses”. Os brasileiros são mesmo a nacionalidade com mais pessoas a contribuírem para o sistema de Segurança Social: em 2010 eram 97.093.
Número de estrangeiros inscritos na Segurança Social:
| África | 61.971 | América | 97.093 | Ásia | 21.753 | Europa | 95.464 | ||||
| Angola | 14.180 | Brasil | 92.344 | China | 9.466 | Alemanha | 3.271 | ||||
| Cabo Verde | 22.021 | Venezuela | 1.548 | Índia | 3.994 | Bulgária | 4.889 | ||||
| Guiné-Bissau | 11.632 | Outros | 3.201 | Paquistão | 1.575 | Espanha | 5.778 | ||||
| Moçambique | 2.631 | Outros | 6.718 | França | 3.542 | ||||||
| S. Tomé e Príncipe | 5.446 | Reino Unido | 4.138 | ||||||||
| | Moldávia | 8.841 | |||||||||
| | | Roménia | 19.800 | ||||||||
| | | Rússia | 3.038 | ||||||||
| | | Ucrânia | 33.200 | ||||||||
| | | Outros | 8.967 |
16 de Dezembro de 2011
http://noticias.sapo.cv/info/artigo/1207862.html
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