Não são os gregos, nem irlandeses, portugueses ou espanhóis, mas sim os holandeses os campeões em endividamento da zona euro. Os holandeses ganharam o título graças às caras hipotecas imobiliárias.
O governo holandês premia com uma compensação fiscal àquele que contrai uma dívida hipotecária, medida criticada internacionalmente. No entanto, segundo o primeiro ministro holandês Mark Rutte, não há motivos para se preocupar porque os holandeses também gostam de poupar.
As dívidas dos holandeses, em proporção aos seus rendimentos, são quase duas vezes mais altas que as em Portugal e quase três vezes mais altas do que as dívidas na Alemanha, conforme as cifras do Eurostat, o escritório europeu de estatísticas.
No ano passado, as dívidas de todas as famílias holandesas representavam, em conjunto, quase 2,5 vezes o produto interno bruto (PIB) – a totalidade da renda dessas famílias em conjunto em um ano. No caso das famílias italianas, a dívida representa ‘apenas’ dois terços do PIB.
Condições mais severas
O alto endividamento dos holandeses se deve principalmente às caras hipotecas que pesam sobre uma família holandesa média. Devido à crise financeira, os bancos estabeleceram condições mais severas para conceder créditos hipotecários. Mas durante o auge do mercado imobiliário, os bancos concediam empréstimos de até 120 por cento do valor de compra de uma moradia. Com o dinheiro extra, os novos proprietários podiam realizar reformas na casa ou financiar bens de consumo, como automóveis.
A Holanda é o único país da zona do euro onde os juros que os proprietários de uma moradia devem pagar sobre a hipoteca podem ser descontados dos impostos. Se você paga quarenta por cento de impostos sobre sua renda, também pode receber quarenta por cento de desconto do imposto pelos juros hipotecários pagos. Esse desconto tem a função de estimular a compra de moradias. No entanto, os críticos afirmam que o sistema só faz com que os preços das casas subam em um país que tem alta densidade demográfica e escassez de moradias.
Críticas
Organizações internacionais como o Fundo Monetário Internacional e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, OCDE, também criticam severamente o sistema holandês de desconto como compensação pelos juros hipotecários pagos por incitar aos compradores de moradias a incorrer em dívidas desproporcionadas aos seus meios.
Além disso, o desconto fiscal exerce pressão sobre o orçamento nacional. A eliminação desse sistema de compensação fiscal pelos interesses das hipotecas imobiliárias reportaria mais de 10 bilhões de euros aos cofres do Estado holandês.
Apesar das altas dívidas hipotecárias, ainda não se registram ‘situações estadunidenses’ na Holanda, com despejos e venda obrigatória das moradias porque seus donos não podem mais pagar a hipoteca. No entanto, para o ano que vem se antecipam problemas para dezenas de milhares de proprietários. Devido à crise, cada vez mais pessoas ficam desempregadas e se veem obrigadas a vender a casa. Apesar disso, continuam devendo parte da hipoteca, já que os preços das moradias caíram.
Eliminação
Outros países europeus que tinham esse sistema de compensação fiscal o eliminaram, parcial ou totalmente. Mas o governo holandês insiste que tal intervenção provocaria mais mal estar no mercado imobiliário.
O primeiro ministro descarta as objeções sobre as cargas hipotecárias. É preciso considerar "todo o contexto", assegura. E há algo de verdade nisso porque, além de serem campeões em endividamento, os holandeses também gostam de poupar. Investimentos, saldos de pensões e seguros de poupança (para, entre outras coisas, finalmente amortizar a hipoteca) constituem uma importante reserva para muitas famílias. Com um capital 2,8 vezes maior que o PIB, os holandeses eram, em 2007, os que possuíam o maior poder de compra na Europa.
Em síntese, as dívidas dos holandeses são altíssimas, mas o patrimônio também é, em comparação com outros países europeus.
Por Johan van der Tol (Gráfico: Tamar Visscher)
http://www.rnw.nl/portugues/article/holandeses-altas-d%C3%ADvidas-ricos-patrim%C3%B4nios
As dívidas dos holandeses, em proporção aos seus rendimentos, são quase duas vezes mais altas que as em Portugal e quase três vezes mais altas do que as dívidas na Alemanha, conforme as cifras do Eurostat, o escritório europeu de estatísticas.
No ano passado, as dívidas de todas as famílias holandesas representavam, em conjunto, quase 2,5 vezes o produto interno bruto (PIB) – a totalidade da renda dessas famílias em conjunto em um ano. No caso das famílias italianas, a dívida representa ‘apenas’ dois terços do PIB.
Condições mais severas
O alto endividamento dos holandeses se deve principalmente às caras hipotecas que pesam sobre uma família holandesa média. Devido à crise financeira, os bancos estabeleceram condições mais severas para conceder créditos hipotecários. Mas durante o auge do mercado imobiliário, os bancos concediam empréstimos de até 120 por cento do valor de compra de uma moradia. Com o dinheiro extra, os novos proprietários podiam realizar reformas na casa ou financiar bens de consumo, como automóveis.
A Holanda é o único país da zona do euro onde os juros que os proprietários de uma moradia devem pagar sobre a hipoteca podem ser descontados dos impostos. Se você paga quarenta por cento de impostos sobre sua renda, também pode receber quarenta por cento de desconto do imposto pelos juros hipotecários pagos. Esse desconto tem a função de estimular a compra de moradias. No entanto, os críticos afirmam que o sistema só faz com que os preços das casas subam em um país que tem alta densidade demográfica e escassez de moradias.
Críticas
Organizações internacionais como o Fundo Monetário Internacional e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, OCDE, também criticam severamente o sistema holandês de desconto como compensação pelos juros hipotecários pagos por incitar aos compradores de moradias a incorrer em dívidas desproporcionadas aos seus meios.
Além disso, o desconto fiscal exerce pressão sobre o orçamento nacional. A eliminação desse sistema de compensação fiscal pelos interesses das hipotecas imobiliárias reportaria mais de 10 bilhões de euros aos cofres do Estado holandês.
Apesar das altas dívidas hipotecárias, ainda não se registram ‘situações estadunidenses’ na Holanda, com despejos e venda obrigatória das moradias porque seus donos não podem mais pagar a hipoteca. No entanto, para o ano que vem se antecipam problemas para dezenas de milhares de proprietários. Devido à crise, cada vez mais pessoas ficam desempregadas e se veem obrigadas a vender a casa. Apesar disso, continuam devendo parte da hipoteca, já que os preços das moradias caíram.
Eliminação
Outros países europeus que tinham esse sistema de compensação fiscal o eliminaram, parcial ou totalmente. Mas o governo holandês insiste que tal intervenção provocaria mais mal estar no mercado imobiliário.
O primeiro ministro descarta as objeções sobre as cargas hipotecárias. É preciso considerar "todo o contexto", assegura. E há algo de verdade nisso porque, além de serem campeões em endividamento, os holandeses também gostam de poupar. Investimentos, saldos de pensões e seguros de poupança (para, entre outras coisas, finalmente amortizar a hipoteca) constituem uma importante reserva para muitas famílias. Com um capital 2,8 vezes maior que o PIB, os holandeses eram, em 2007, os que possuíam o maior poder de compra na Europa.
Em síntese, as dívidas dos holandeses são altíssimas, mas o patrimônio também é, em comparação com outros países europeus.
Por Johan van der Tol (Gráfico: Tamar Visscher)
http://www.rnw.nl/portugues/article/holandeses-altas-d%C3%ADvidas-ricos-patrim%C3%B4nios
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