domingo, 14 de março de 2010

F1:FERRARI COMEMORA PRIMEIRA DOBRADINHA NO GP- BAHREIN

Na sua estreia oficial pela Ferrari, Fernando Alonso venceu ao início desta tarde o GP do Bahrein, a primeira prova do Mundial de Fórmula 1 deste ano. O pódio ficou completo com Felipe Massa e Lewis Hamilton. No seu regresso à F1, Schumacher conquistou o sexto lugar.


O espanhol Fernando Alonso venceu o GP do Bahrein e somou assim os primeiros 25 pontos da época, deixando atrás de si o colega de equipa Felipe Massa e o britânico Lewis Hamilton.
Mas embora a classificação final possa sugerir que a corrida do Bahrein foi um passeio para os homens da Ferrari, a realidade esteve longe disso e até bem perto das últimas voltas poucos apostariam num vencedor que não Sebastian Vettel.
O jovem piloto alemão de 22 anos conseguiu a pole position na qualificação de ontem e garantiu a primeira posição da grelha de partida. Posição essa que manteve, e de modo confortável, durante a maior parte da corrida.
O vice-campeão mundial arrancou bem e desde logo impôs o seu ritmo, deixando para trás os dois Ferrari. Chegou a dispor de mais de cinco segundos de vantagem e na única paragem que fez, o piloto da Red Bull Renault conseguiu mesmo ser o mais rápido nas boxes, gastando apenas 4 segundos na troca de pneus.
Contudo, o alemão não conseguiu superar a súbita perda de potência do RB6. Começou a perder vantagem para os Ferrari de Alonso e de Massa e, no final da volta 34, o espanhol assumiu mesmo a liderança da corrida, sendo imitado pouco depois pelo companheiro de equipa.
A Ferrari colocava a sua dupla na frente e Alonso pôs prego a fundo para conquistar primeira vitória desta temporada, terminando commais de 11 segundos de vantagem sobre o brasileiro.
Vitória histórica para o campeão mundial em 2005 e 2006, que se tornou assim o primeiro piloto a arrecadar os 25 pontos da vitória depois das alterações promovidas pela FIA.
Vettel continuou a perder terreno e foi com facilidade que Lewis Hamilton garantiu um lugar no pódio, ao ultrapassar o alemão e colocar o Mc Laren na terceira posição.
Um dos focos de interesse desta corrida era também o regresso de Michael Schumacher à fórmula 1 e embora não tivesse desiludido, o heptacampeão mundial também não surpreendeu.
Discreto, rodou sempre a um ritmo mais baixo dos homens da frente e terminou em sexto lugar, atrás do colega de equipa Nico Rosberg, somando os primeiros 8 pontos da temporada.
Nota ainda pra um pormenor que poderá ter influência no resto da temporada:
Os dois Ferrari correram hoje com dois motores novos depois de problemas detectados nos motores que ontem fizeram a sessão de qualificação. Assim sendo, restam à equipa do cavalinho rampante seis motores, uma vez que a FIA impõe que cada marca use apenas oito motores por época.
10 primeiros classificados:
1. Fernando Alonso – 25 pts
2. Felipe Massa - 18 pts
3. Lewis Hamilton - 15 pts
4. Sebastian Vettel - 12 pts
5. Nico Rosberg – 10 pts
6. Michael Schumacher – 8 pts
7. Jenson Button – 6 pts
8. Mark Webber – 4 pts
9. Liuzzi – 2 pts
10. Barrichelo – 1 pt
SAPO.PT

sábado, 13 de março de 2010

CV(EXPRESSO):O ano das comemorações e de todos os perigos para a economia cabo-verdiana

PRAIA-2010 vai ser ocupado pelas comemorações dos quinhentos e cinquenta anos do achamento de Cabo Verde, dos trinta e cinco anos da independência do país e pela campanha eleitoral para as eleições legislativas de Janeiro de 2011. Vamos ler e ouvir algumas palavras: crise internacional, competitividade, futuro, credibilidade.
Em primeiro lugar, direi que é positivo reavivar a memória colectiva colocando, ao mesmo tempo algumas questões concretas, isto é, diagnosticando os problemas efectivos que a economia e a sociedade enfrentam. Importa, igualmente colocar a estrutura cabo-verdiana de exportações de mercadorias e de serviços em perspectiva, comparando-a com o observado a nível, por exemplo, de Singapura, que comemora no mês de Agosto quarenta e cinco anos de independência, através de indicadores de vantagem comparativa revelada (índice de Balassa).
Por outro lado, a sobreposição temporal destas efemérides com o décimo ano do governo José Maria Neves, recomendam uma atitude analítica e prospectiva, ajudando a ler o presente e a consciencializar da necessidade de uma política económica lúcida, a fim de reduzir os gigantescos défices orçamental e externo e o endividamento excessivo do País. Estamos perante grandes dificuldades à nossa frente.
Os últimos números do Banco de Cabo Verde (BCV) sobre a balança de pagamentos conduzem-nos a uma reflexão interessante à volta de uma identidade fundamental da teoria económica: (S - I) - (X - M) - (G - T) ≡ 0 .
Nesta relação, (X - M), corresponde ao saldo da balança de pagamentos, isto é, à diferença entre os recebimentos correntes do exterior e os pagamentos correntes ao exterior; (G - T) corresponde ao défice orçamental; (S - I) é a diferença entre as poupanças interna mais externa e o investimento.
Note-se que esta relação é uma identidade ou relação contabilística. Com efeito, a igualdade entre a soma da poupança externa (défice da balança de pagamentos) e da poupança interna e a soma do investimento e do défice orçamental verifica-se sempre e não apenas em circunstâncias particulares.
Em 2009, as necessidades líquidas de financiamento externo da economia cabo-verdiana em percentagem do produto interno bruto (PIB) diminuíram. As necessidades de financiamento externo da economia cabo-verdiana, que correspondem grosso modo ao défice conjunto das contas corrente e de capital da balança de pagamentos, situaram-se em 13669.5 milhões de CVE em 2008 e em 9030.5 em 2009, o que representa 7 por cento do PIB. Por seu lado, o défice da conta corrente diminuiu de 9.7 por cento do PIB em 2008 para 8.3 por cento do PIB em 2009, não obstante a evolução desfavorável de todas as rubricas da conta corrente, exceptuando as importações de mercadorias.
A queda em 4639 milhões de CVE no défice conjunto das contas corrente e de capital entre 2008 e 2009 tornou-se possível (a) por uma diminuição de 9% das importações de mercadorias (b) por um aumento de 7% das transferências de capital (MCA, ...). É uma melhoria frágil e não é devido, como recomendam os manuais, ao crescimento das exportações. Pelo contrário estas diminuíram em 2009.
Adicionalmente, estes dados provisórios da balança de pagamentos revelam um aumento de atrasados respeitante aos juros da dívida externa pública e um valor muito elevado (com sinal +) da rubrica erros e omissões para o ano de 2009.
Uma parte do défice conjunto da conta corrente e de capital foi coberto pelo investimento directo estrangeiro mas outra parte por empréstimos. Com a dramática redução do investimento directo estrangeiro (40 por cento entre 2008 e 2009!), grande parte do défice foi coberto por empréstimos, daí a forte subida da dívida pública externa líquida.
A dívida pública externa líquida (a assumida mais a disfarçada) ultrapassou em 2009 os 50% do PIB. Os perigos de um forte aumento no corrente ano são muito fortes e, adicionada com a dívida interna, a dívida pública total do País poderá aproximar dos 90% do PIB. É um valor muito preocupante.
Tendo presente a identidade macroeconómica fundamental atrás descrita e, assumindo que o investimento privado é exactamente igual à poupança privada, o défice orçamental acaba por se reflectir, em larga medida, no défice conjunto das contas corrente e de capital. São os chamados "gémeos quase idênticos". Assim, grande parte do aumento significativo da dívida pública externa é devido ao forte crescimento do défice orçamental. O défice orçamental passou de -1.6% do PIB em 2008 para -9.2% em 2009 e, o Orçamento do Estado para 2010 prevê um défice público de 12,2% do PIB. Quatro vezes superior ao valor de referência, previsto no Acordo de Cooperação Cambial (ACC) com a União Europeia.
O défice conjunto das contas corrente e de capital da balança de pagamentos reflecte também a muito fraca competitividade da economia cabo-verdiana e a incapacidade do Governo de criar, em nove anos de governação, as condições para o dinamismo das exportações de serviços como previsto no seu Programa de governo.EXPRESSO DAS ILHAS-POR  PAULO MONTEIRO JR

Em Cabo Verde, como se pode ver na balança de pagamentos, dois sectores sobressaem nas exportações de serviços: os transportes aéreos e o turismo. No entanto, registou-se uma evolução muito decepcionante, observada nas exportações destes dois sectores neste período 2001-2009. Entrámos no ano dez do Governo José Maria Neves sem resolver os grandes problemas por que passam estes dois sectores. Pelo contrário, o sector do turismo, que está ainda no começo, é objecto de conflitos permanentes entre o Governo e as Câmaras Municipais sobre as Zonas de Desenvolvimento Turístico Integral (ZDTI). Há o perigo do alastramento dos conflitos para outros domínios, durante este ano eleitoral. Quanto aos transportes, a empresa pública TACV, continua numa situação de crise de tesouraria e de "quase" falência técnica. Durante nove anos o Governo foi incapaz de encontrar uma solução. Relativamente às restantes categorias, nomeadamente, os serviços financeiros, o seu peso nas exportações de serviços é quase inexistente. As exportações dos sectores da logística, do hub (gateway to Africa) e das TIC não passaram do papel. Todos estes sectores de serviços apresentam ainda índices de especialização muito inferior a 1 (quase nulo!).
As palavras não bastam e não fazem milagres. Daí ser simbólico na recente remodelação governamental a alteração do nome do Ministério da Economia Crescimento e Competitividade (MECC): é o reconhecimento público da perda das batalhas importantes da competitividade e do crescimento económico a dois dígitos.
Do mesmo modo a palavra futuro: o défice orçamental abissal de 12% do PIB e o aumento dramático da dívida pública (muito acima do valor de referência de 60% do PIB) significam hipotecar o futuro de todos nós em particular das gerações vindouras. É a consolidação orçamental que é a preparação do futuro. Outra grande batalha perdida pelo Governo José Maria Neves.

CV:Líder da oposição acredita que será PM e garante não querer ser candidato presidência

PRAIA-O presidente do MpD defendeu hoje acreditar na alternância democrática que tem reinado em Cabo Verde, frisou que quer vencer as legislativas de 2011 e garantiu que não será candidato às presidenciais.

Numa entrevista à Agência Lusa, por ocasião do 20.º aniversário da fundação do Movimento para a Democracia (MpD, oposição cabo-verdiana), a celebrar sábado e domingo, Carlos Veiga defendeu que o eleitorado de Cabo Verde “está ciente da necessidade de mudança” nas legislativas do início do próximo ano.
“O eleitorado está cansado da arrogância do PAICV (Partido Africano da Independência de Cabo Verde), tal como esteve cansado da nossa arrogância e erros quando perdemos as eleições de 2001, após 10 anos de Governo (1991/2001)”, afirmou.
Para Carlos Veiga, ainda existem “algumas diferenças ideológicas” entre PAICV e MpD, defendendo que o partido que lidera “está mais preocupado com a pessoa e com o desenvolvimento do país”, ao contrário da força política no poder, liderada por José Maria Neves, “cujo Governo se tem desdobrado em empréstimos, endividando o país”.
“Somos um partido que tem grandes preocupações sociais e que tem uma visão de desenvolvimento centrada na pessoa e na atração do investimento para gerar riqueza dentro do país. Não perseguimos uma política de endividamento”, sublinhou.
Carlos Veiga foi presidente do MpD entre 1990 e 2000 e primeiro-ministro entre 1991 e 2000, abandonando ambos os cargos para se candidatar às presidenciais de 2001, que viria a perder para Pedro Pires, que o venceria também nas de 2006.
Afastado da vida política ativa desde então, dedicando-se à advocacia, Carlos Veiga regressou à liderança do MpD em meados de 2009, garantindo então, tal como hoje na entrevista à Lusa, que não será candidato às presidenciais de 2011.
“Regressei à liderança do MpD com o propósito de governar o país. Se perder (as eleições), farei oposição no Parlamento, como deputado, e serei, dentro do partido, aquilo que os militantes quiserem. Está fora de causa uma candidatura”, afirmou.
Ainda sobre o “dossier” presidenciais, cujas eleições deverão ocorrer em outubro de 2011, Carlos Veiga adiantou que o MpD só decidirá quem apoiará “depois das legislativas”, pelo que é ainda cedo para se pronunciar sobre as intenções publicamente manifestadas por três personalidades partidárias.
Jorge Carlos Fonseca, candidato presidencial em 2001 e constitucionalista, Isaura Gomes, presidente da Câmara de São Vicente, e Amílcar Spencer Lopes, antigo presidente da Assembleia Nacional (AN), já admitiram essa mesma intenção.
Só em fevereiro deste ano, na sequência da Revisão Constitucional aprovada pelo PAICV e MpD, é que se ficou a conhecer a separação, em pelo menos seis meses, das legislativas e presidenciais, uma vez que, no passado, as segundas realizavam-se cerca de um mês depois das primeiras.
O MpD celebra sábado, na Cidade da Praia, e domingo, em São Vicente, o 20.º aniversário da fundação do partido - 14 de março de 1990.
LUSA.PT

sexta-feira, 12 de março de 2010

HOLANDA:TROCA DA GUARDA NA POLÍTICA HOLANDESA

Choque. Surpresa. Desapontamento. Estas foram algumas das reacções ao anúncio de que o líder do partido trabalhista holandês PvdA está abandonando a política.

Wouter Bos fez seu anúncio poucas horas depois que Camiel Eurlings, visto por muitos como o sucessor natural na liderança da Aliança Democrata Cristã9CDA), também se retirou da vida política.
Homens de família
Bos disse que quer ter mais tempo para sua esposa e três filhos. “Se fosse continuar e me tornar primeiro-ministro, iria perder completamente a oportunidade de ver meus filhos crescerem. E não vale a pena.”
Eurlings anunciou ontem que quer começar uma família. Hoje com 36 anos, disse que não quer ser pai só quando chegar aos 50.
A renúncia dos dois políticos, ao lado da renúncia da líder do Partido Socialista (SP), Agnes Kant, na semana passada, sinaliza uma ‘troca da guarda’ na política holandesa.
Sem mais concessões
Wouter Bos liderava o Partido do Trabalho desde 2002, e nos últimos três anos foi ministro das Finanças e vice-primeiro-ministro na coligação do governo formada com a Aliança Democrata Cristã e União Cristã.
A coligação nunca foi ‘confortável’ para o PvdA, ou para Wouter Bos, que teve que fazer concessões sobre uma série de temas que eram pontos fundamentais de seu partido – tendo inclusive desistido da investigação sobre o apoio holandês à invasão dos Estados Unidos no Iraque.
No final, Bos causou a queda o gabinete quando recusou-se a fazer concessão sobre a retirada das tropas holandesas do Afeganistão.
Danos
Segundo as pesquisas, o PvdA beneficiou-se com a queda do gabinete, conseguindo limitar suas perdas nas eleições municipais. No entanto, depois de três anos no governo, a imagem de Wouter Bos desgastou-se.
O mesmo pode-se dizer do líder democrata-cristão Jan Peter Balkenende. Com a diferença que para Balkenende este já foi o quarto gabinete em oito anos. Seu partido o reelegeu rapidamente para a liderança nas eleições nacionais em junho, mas muitos dizem que o país está cansado de Balkenende como primeiro-ministro e questionam sua habilidade de liderar um gabinete forte.
Golpe
O jovem Camiel Eurlings teria um papel crucial na mitigação dos danos sofridos por seu partido. Eurlings é dinâmico e carismático. Em contraste com Balkenende. Não se esperava que Eurlings deslanchasse imediatamente, mas sua ausência é um golpe inesperado tanto para Balkenende como para a Aliança Democrata Cristã.
O que não é nada confortável num momento em que a política holandesa passa por um período particularmente turbulento. A ascensão de Geert Wilders com seu partido de extrema-direita, PVV, e a perda de apoio de três dos partidos dominantes – o trabalhista PvdA, o democrata-cristão CDA, e o conservador VVD – virou de ponta cabeça os cálculos para futuras coligações.
Enquanto os cristãos-democratas terão que lidar com Balkenende já ‘gasto’, e o Partido Socialista introduz um líder quase desconhecido, o PvdA volta-se para o prefeito de Amsterdão, Job Cohen uma figura que já tem renome nacional. Sua tarefa será liderar o PvdA na sua primeira vitória numa eleição parlamentar desde 1998.
Job Cohen
Actual prefeito de Amsterdão, Job Cohen será o novo líder do Partido do Trabalho (PvdA). Cohen, de 62 anos, é um politico activo desde 1993, mas ficou realmente conhecido em 1998, quando no cargo de secretário de Justiça teve de aplicar políticas duras para conter o número de pessoas que procuravam asilo na Holanda.
Em 2000, trocou Haia por Amsterdão, onde destacou como prefeito, com altos índices de aprovação. Ele via como sua tarefa ‘manter a união do conjunto’, para garantir a tranquilidade e o respeito ao outro numa cidade tão multi-étnica.
Opositores o culpam de ‘ser brando’ na sua política para com estrangeiros. Cohen também foi destaque na imprensa internacional no dia 10 de abril de 2001, quando realizou o primeiro casamento homossexual na prefeitura de Amsterdão. Em 2003, ele recusou o pedido de seu partido para que se candidatasse a primeiro-ministro nas eleições. Sete anos mais tarde, Cohen parece estar pronto para assumir a liderança do PvdA
RADIO NEDERLAND-Por John Tyler

CV(INFORPRESS):TACV propõe retoma da rota Munique/Cabo Verde na ITB Berlim 2010

PRAIA-A retoma da rota Munique/Cabo Verde é "a grande novidade" da TACV - Cabo Verde Airlines na Feira Internacional de Berlim, na Alemanha (ITB Berlim 2010), que decorre até 14 de Março, revela a companhia aérea.
A proposta, segundo a administradora da TACV, Georgina Melo, visa a retoma da rota no calendário de Inverno da Associação Internacional dos Transporte Aéreos (IATA/2010), que inicia em finais de Outubro.
Cabo Verde participa na ITB Berlim 2010, uma das maiores montras da indústria turística do mundo, através de uma parceria público-privada, coordenada pela Cabo Verde Investimentos (CI).
Além da TACV representam Cabo Verde nesta feira outros expositores, nomeadamente as agências de viagem e grupos hoteleiros.
A administradora da CI, Eileen Barbosa, considera que a participação cabo-verdiana no evento "é de extrema importância, visto que constitui uma oportunidade de divulgar internacionalmente a marca Cabo Verde naquela que é considerada uma das maiores feiras do mundo no sector turístico".
Este evento, além de mostrar as potencialidades do país, servirá também para os representantes da CI sentirem o pulsar do turismo mundial.
A edição 2010 de ITB Berlim, que conta com um espaço de exposição de 160.000 metros quadrados, apresenta os últimos destinos de viagens e serviços do sector de turismo.
O ITB Berlim 2010 oferece um espaço para provedores, vendedores, profissionais e instituições de todo o mundo se apresentem para actualizar informação sobre tendências do mercado turístico e as características da oferta e da demanda. E é a feira líder em plataformas B2B (Business to Business) entre todas as ofertas da indústria do turismo, sendo considerada uma clara oportunidade de aprendizagem sobre novas tendências, conceitos, possibilidades sobre o turismo e para melhorar os negócios e as relações de trabalho.
OJE/Inforpress

UK/CV:Reino Unido investe 28,5 milhões num parque eólico em Cabo Verde

LONDRES-O governo do Reino Unido vai investir em Cabo Verde 26 milhões de libras (28,5 milhões de euros) na construção de um parque eólico capaz de garantir energia a todo o arquipélago, noticia o jornal britânico Daily Telegraph.
O tablóide inglês, na sua edição de quarta-feira, cita o ministro do Desenvolvimento britânico, Gareth Thomas, indicando que o Reino Unido vai financiar a construção no arquipélago de 40 turbinas eólicas capazes de gerar 40 megawatts de electricidade.
O jornal, citado hoje pela generalidade da imprensa cabo-verdiana, adianta que Gareth Thomas revelou a informação numa altura em que o Governo de Londres se prepara para anunciar um pacote de 400 milhões de libras (429 milhões de euros) destinadas a agências europeias para o financiamento de projectos de expansão eléctrica na África sub-saariana.
A Agência Lusa contactou hoje várias fontes governamentais, mas todas afirmaram desconhecer a atribuição do financiamento, admitindo, porém, que houve negociações nesse sentido com Londres.
A África sub-saariana, que engloba 48 países, tem menos electricidade do que a Espanha, pelo que há a vontade de Londres em criar esse fundo, que vai também financiar a construção de um cabo submarino para ligar 13 países do Quénia à Tanzânia, ligando também a Zanzibar.
De acordo com o jornal, Cabo Verde, país com cerca de 500 mil habitantes, residentes numa área de 4.033 quilómetro quadrados, enfrenta uma "dramática necessidade de expandir a sua rede eléctrica de modo a suportar o rápido crescimento da indústria turística".
O Governo de Cabo Verde está a desenvolver um projecto visando a instalação de quatro parques eólicos, que deverão entrar em funcionamento em 2011, em que está envolvida a empresa portuguesa Martifer, que aproveitou uma linha de crédito de 100 milhões de euros do Governo português para construir dois parques fotovoltaicos.
Os quatros parques eólicos, orçados em 84 milhões de dólares (62,2 milhões de euros), serão instalados nas ilhas de São Vicente, Sal e Boavista e terão uma potência de 28 megawatts.
A construção dos parques eólicos e de mais duas centrais fotovoltaicas enquadram-se na estratégia do Governo cabo-verdiano de aumentar a taxa de penetração das energias renováveis no arquipélago dos actuais 2,3% para 25% até 2020.
OJE/LUSA

HOLANDA:LIDER TRABALHISTA HOLANDÊS, WOUTER BOS DEIXA POLITICA ACTIVA

HAIA-Wouter Bos  acaba de anunciar numa conferência de imprensa, que não será o candidato do Partido Trabalhista(PvdA) nas próximas eleições legislativas holandesas, marcada para o dia 9 de Junho.
O dirigente argumentou que"tem outras responsabilidades, sobretudo como pai de familia".Bos, que liderava o partido social democrata desde 2002, abandona totalmente a arena politica porque tão pouco será candidato a deputado.
Tudo parece indicar que será sucedido tanto na direcção do partido como cabeça de lista nas próximas eleições pelo actual presidente de Câmara de Amsterdão e proeminente figura  do Partido PvdA, Job Cohen.
A demissão de Wouter Bos foi inesperada, até porque o resultado das eleições autárquicas celebrados na semana passado não foram tão dramaticas para o PvdA como se esperava.O Partido continua a ser o primeiro nas principais cidades como Amsterdão,Haia ou Roterdão.
Recorda-se que as eleições legislativas foram convocadas antecipadamente depois da queda do governo de coligação liderado por Jan Peter Balkenende em fevereiro devido a crise provocada pela prolongamento ou nào das tropas holandesas no afeganistão.
Actualmente estão 1940 soldados holandeses no Afeganistão, cuja missão terminará em Agosto.
A NATO pediu o prolongamento da presença destes militares, que se encontram sobretudo na região de Uruzgan, no Sul do país, mas após longas negociações o partido democrata-cristão (CDA) de Balkenende e o Partido Trabalhista (PvDA) do ministro das Finanças Wounter Bos não chegaram a acordo, com os primeiros a defender que a presença no Afeganistão é uma questão de “responsabilidade internacional” e os trabalhistas a pedir o regresso das tropas.
N.SILVA

HOLANDA:Ministra holandesa provoca fúria no parlamento

HAIA-Parlamentares holandeses tiveram um debate de emergência dia 11 sobre uma revista publicada pela ministra da Agricultura, Gerda Verburg.
A revista é intitulada ‘Gerda’ e traz a ministra na capa, e em matérias internas, em fotos que mais parecem um editorial de moda. A publicação está sendo reproduzida em várias revistas femininas holandesas.
Verburg defende a revista dizendo que a intenção é atingir o maior público possível para divulgar o trabalho do Ministério da Agricultura, que este ano celebra 75 anos de existência. Ela também argumenta que a publicação é uma celebração ao trabalho de agricultores  e do setor pesqueiro.
O problema é que as 830 mil cópias custaram 400 mil euros aos cofres públicos. Uma quantia que Verburg considera “razoável”, apontando que são apenas 50 centavos de euro por domicílio holandês.
Mas, com uma eleição próxima, fica a impressão de que a ministra, que é da Aliança Democrata Cristã (CDA), estaria fazendo campanha. De acordo com Verburg, o momento de lançamento da publicação foi “pura coincidência”, uma vez que a revista já estava planejada meses antes da queda do governo e do anúncio das próximas eleições.
Parlamentares de outros partidos acusam a ministra de glorificar sua política e sua pessoa às custas do contribuinte às vésperas de uma eleição. Eles estão exigindo que as revistas sejam retiradas das bancas e que a Aliança Democrata Cristã assuma a responsabilidade com os gastos.
Nas palavras de um parlamentar do Partido Socialista (SP): “Publicações da Aliança Democrata Cristã devem ser pagas com orçamento de campanha do partido”.
RADIO NEDERLAND

quarta-feira, 10 de março de 2010

CV:Presidência da República: Manuel Inocência Sousa recebe apoios em Lisboa

LISBOA-Apesar de estarmos a um ano de distância, as iniciativas de apoio às candidaturas para as próximas eleições presidenciais, em Cabo Verde, multiplicam-se, quer no país quer na diáspora. Desta vez, o putativo candidato é Manuel Inocêncio Sousa, o actual Ministro de Estado e das Infra-estruturas, Transportes e Telecomunicações.
E o apoio a esta candidatura é liderado, em Portugal, pela Comissão para o Incentivo à Candidatura Presidencial do Engº Manuel Inocêncio Sousa, constituída por Démis Lobo Almeida, José Luís Neves, Nilton Vieira e Madalena Semedo.
A primeira expressão pública deste apoio terá lugar, no dia 20 de Março, num jantar no salão Mediterranean do Hotel Marriot, em Lisboa, com a presença do próprio Manuel Inocêncio Sousa. O encontro contará ainda com com uma parte cultural, com as presenças de Bana, Titina Rodrigues e Rita Lobo.
De acordo com Démis Almeida, da Comissão de Apoio, “trata-se de um incentivo para que a candidatura se realize”, num momento em que o próprio visado leva a cabo uma auscultação pública, no país, com vista à recolha de apoios.
E porquê Manuel Inocêncio Sousa? Embora reconheça capacidades em todos os outros candidatos mais ou menos assumidos (David Hoppfer Almada, Jorge Carlos Fonseca, Silvino da Luz e Aristides Lima) para Démis Almeida, “há um pequeno diferencial que nos leva a apoiar esta candidatura, que é a forma como ele exerceria a sua magistratura”.
Na sua opinião, essa função, em Cabo Verde, tem sido demasiado apagada: “tem havido alguma apatia no exercício deste cargo, fazendo do Presidente da República uma figura quase decorativa”. “Esta magistratura”, acrescenta, “tem de ser pró-activa e ser uma magistratura de influência, um agente promotor da mudança, conforme prevê a própria Constituição da República.”
Para esta Comissão de Apoio, Manuel inocêncio Sousa “tem sentido de Estado, é uma figura séria e respeitadora da moral social e tem todas as qualidades para vir a ser um bom Presidente da República”.
Em reacção às recentes declarações do Presidente da Assembleia da República, Aristides Lima, assumindo-se como candidato, na antena da RFI, Démis Almeida é peremptório: “O PAICV tem os seus próprios mecanismos internos de escolha de candidatos; não creio que seja muito correcto avançar sem que o partido tome uma decisão, até porque cria embaraços ao próprio partido.”
SAPO.CV-Por Joaquim Arena@

terça-feira, 9 de março de 2010

S.TOMÉ E PRINCIPE:Morreu poetisa e figura da luta pela independência Alda Espírito Santo

LUANDA-A poetisa Alda Espírito Santo, figura de primeira linha na luta pela independência são-tomense, morreu hoje em Luanda aos 83 anos, disse à Agência Lusa fonte do Governo de São Tomé e Príncipe.
Remetendo pormenores para depois de uma reunião do Conselho de Ministros, que está a decorrer, a mesma fonte disse apenas que Alda Espírito Santo estava internada numa clínica em Luanda, Angola.
Alda Espírito Santo, também conhecida por Alda Graça, nasceu em São Tomé em 1926 e teve a sua educação em Portugal. Ainda frequentou a Universidade, mas teve que abandonar, em parte devido às suas actividades políticas, mas também por motivos económicos. Sendo uma das mais conhecidas poetizas africanas de língua portuguesa, ocupou alguns cargos de relevo nos governos de São Tome e Príncipe, nomeadamente foi Ministra da Educação e Cultura, Ministra da Informação e Cultura e Deputada. Os seus poemas aparecem nas mais variadas antologias lusófonas, bem como em jornais e revistas de São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique. Depois de publicar "O Jogral das Ilhas, em 1976, publicou em 1978 "É nosso o solo sagrada da terra", considerado o seu trabalho mais importante.
In Lusa/Sapo.cv

CRÓNICA:RESSONANCIAS46-POR JORGE CARLOS FONSECA

Cultura, história, «os primeiros anos do pós-independência», as «anfractuosidades» esquecidas – a propósito de comemorações do 35.º aniversário da independência e da criação do MpD
1. Sejamos objectivos: não se faz mais cultura por haver um ministério da cultura, nem se faz menos cultura por não existir um tal ministério. Desde logo, porque o Estado não faz cultura, depois, porque podendo caber ao Estado promover, estimular, apoiar os agentes e instituições da cultura, essa função bem pode ser realizada satisfatoriamente com a inexistência de um departamento governamental cujo objecto essencial ou exclusivo seja a cultura, como pode um ministério da cultura ou um ministro da cultura fazer pouco pela coisa cultural. Temos exemplos de uma e outra verdade por cá e extramuros.
O certo, porém, é que proceder-se, numa remodelação governamental levada a cabo a um ano do final de mandato (de um segundo mandato), à extinção de um ministério vocacionada para a cultura (divulgação, promoção, desenvolvimento por diferentes vias, inclusivamente a chamada indústria cultural) e incluir o sector num mais vasto e abrangente departamento ligado ao ensino superior e à ciência, pode simbolizar um recuo na importância que se dá, que o Estado dá, àquele domínio da vida individual e colectiva. De uma perspectiva simbólica, das representações colectivas ou do cidadão comum, é o sinal de retrocesso que é visto. Retrato acentuado pelo facto de o ministro remodelado deixar de constar do elenco dos membros do governo.
De um mesmo ponto de vista, surgem como mais acarinhados pela governação o ensino superior ou o sector das comunidades emigradas, o que, a final, pode não se traduzir – como também se sabe por experiências outras – em resultados mais consistentes para aqueles segmentos da actividade governativa. Estamos, pois, num domínio de representações simbólicas a que também não fogem as próprias opções de estruturação do aparelho do estado ou da administração.
2. Voltando à cultura, a (pelo menos) aparência de uma sua menor valorização não rima com o discurso oficial de há anos para cá segundo o qual a afirmação do país se faz sobremaneira pela via da identidade cultural, que a cultura, no seu sentido mais global e, digamos, mais profano, pode ser factor de desenvolvimento a todos os níveis, incluindo o económico (o discurso sobre o «turismo cultural» presente em qualquer programa de governo nacional ou até municipal) ou, ainda, que nesta era de globalização, a afirmação e a defesa de valores culturais próprios (língua, música, literatura, dança, tradições orais, artes), a protecção das nossas pequenas coisas e dos nosso pequenos mundo constituiriam, afinal e aparentemente de forma paradoxal, meio adequado de sobrevivência do nosso modo de ser específico, no caso, a nossa caboverdianidade.
Não apenas o discurso e o jargão oficiais, mas igualmente a ideia de uma marca (vem à nossa mente um slogan recente, ouvido de vez em quando em instantes publicitários ou de divulgação de mensagem política) destas ilhas. Lembro-me de apresentação de Cabo Verde a plateias de estrangeiros, pouco conhecedores do país, em jeito de cómoda e redutora súmula: um pequeno país de ilhas, com gente simpática e acolhedora, belas praias, razoável literatura e muito boa música.
Ora bem, aquela (pelo menos) aparência de recuo no «olhar» governamental para a cultura surgiria ainda reforçada com um raciocínio singelo e facilmente transmissível: se, com poucos meios disponíveis e um pedaço mínimo do bolo orçamental, um ministério e um ministro (e seus funcionários e colaboradores) exclusivamente vocacionados para um domínio específico pouco poderiam fazer pelo bem que é a cultura, tendencialmente menos poderá estar em condições de fazer um ministério e uma ministra que se têm de ocupar com a política da ciência e a do ensino superior (este, galopante a nível interno, sem que isto signifique naturalmente ignorar ou relativizar os enormes problemas, desafios e equívocos de que padece e que atravessam o sector, designadamente no que toca à exigência de qualidade do ensino ministrado e a outras exigências naturais, como a da investigação e produção científicas e técnicas)… para além da cultura.
3. Naquele sentido lato, poderemos falar de história. Da história destas ilhas, diversificada no seus momentos marcantes, do povoamento à independência, desta à instauração da democracia e do estado de direito, materializada numa constituição escrita e de ruptura com o período anterior. Uma história que devemos assumir por inteiro precisamente por ser História e cujo conhecimento deve ser factor de coesão social e elemento decisivo da afirmação do que se apelida identidade nacional, independentemente de avaliações conjunturais e/ou de cariz político e ideológico. Cabo Verde não nasce com a independência nem com a democracia. È tão nosso, enquanto nação única - enquanto comunidade social historicamente modelada ao longo dos tempos e edifício culturalmente balizado por odisseias, referências, permutas e valores muitos – o comércio de escravos processado na Ribeira Grande ou a transferência da capital para a Praia de Santa Maria, como a luta pela independência nacional e seu percurso naturalmente pouco linear ou a transição democrática e a inauguração do constitucionalismo moderno.
4. Há dias pude assistir, como convidado, a uma palestra sobre «os primeiros anos da independência» proferida pelo actual Presidente da República, na condição, creio, de actor proeminente daquele período da nossa história. Legítima a pretensão de trazer à memória momentos, personagens, glórias, dificuldades, curiosidades de minúcia, resultados do pós-independência, numa ocasião em que se pretende comemorar o 35.º aniversário da independência nacional. Devemos confessar, no entanto, que seria de esperar que o relato e a avaliação, a par de aspectos menos conhecidos dos corredores da governação e do poder, da descrição de diálogos e retalhos da memória das negociações com as instâncias do poder com sede em Lisboa ou de cruciais momentos no exercício do poder revolucionário nacional (os «cofres vazios» encontrados; a venda da ajuda alimentar para o financiamento de projectos capazes de criar emprego; a «fidelidade» das autoridades administrativas locais; a criação das «milícias populares» e dos «tribunais de zona»; o aparecimento das «frentes de alta intensidade de mão-de-obra), não olvidassem … a história por inteiro (daquele período, naturalmente). Outros aspectos da história do pós-independência, que não podiam (não deviam) ser «esquecidos», sob pena, como o foi, de o evento se traduzir num avolumar de registos seleccionados e integrantes de uma linda, romântica, linear, de um só sentido, fotografia de um artista interessado em mostrar uma (ou apenas algumas, vá lá!) face de uma realidade mais vasta, complexa, sinuosa e… rica (por que não?!). Falar do pós-independência e não «tocar» na erosão e, depois, na queda da «unidade Guiné-Cabo Verde» e seu impacto na estrutura do poder em Cabo Verde, nos acontecimentos da Brava em Setembro de 1979 ou de Santo Antão em 1981 ou, ainda, no chamado «fenómeno fraccionista ou trotskista» em 1979 ou nos excessos da segurança nacional (a polícia política de então) ou nas denúncias de violações dos direitos fundamentais - independentemente da perspectiva, dos pontos de vista e das razões que pudessem ser carreados – é falar e avaliar (de forma redutora e, portanto, inexacta) apenas uma parcela da nossa história recente. Pensar em construir uma história, apagando momentos, factos e personagens que retiram (ou mitiguem) ao seu percurso pedaços do seu carácter «glorioso», generoso, «humanista» ou altruístico não serve decididamente [estaria tentado a dizer «as anfractuosidades« do edifício político de então] a causa da reconciliação com a história ou os propósitos de reforço da identidade pátria.
5. Porque falamos de história – e da história toda – assinalamos a criação do Movimento para a democracia (MpD) a 14 de Março de 1990. Não pela razão de nascimento de um partido, mais um partido (ainda que seja, em princípio, saudável e mereça registo o surgimento de partidos políticos) mas pelo tempo, pelo modo, pelas razões com que foi criado então. Tratava-se, sim, de um movimento político popular e social muito forte, erigido em força política partidária, e que historicamente consubstanciou os anseios, as aspirações e as reivindicações crescentes de uma grande maioria de cabo-verdianos á liberdade e à democracia. Enfim, um movimento político e social que acabou por traduzir a ideia – que nos parece acertada na perspectiva ainda da história – de que «… a sociedade civil cabo-verdiana postulava uma saída democrática para o momento em que se pusesse definitivamente em causa o sistema e o regime antigos…».
* Como nos lembramos de uma «pérola» normativa contida numa postura municipal da Praia: «É absolutamente proibido vestir-se e despir-se nas anfractuosidades das rochas». jcafa@yahoo.com/jcfonseca@cvtelecom.cv

CPLP:ENTREVISTA COM DOMINGOS SIMÕES PEREIRA

LISBOA-A CPLP está em movimento e a ganhar peso a nível internacional, defende o seu secretário executivo, Domingos Simões Pereira, que destaca, por outro lado, alguns passos na consolidação interna nesta comunidade de oito Estados.
Principia amanhã em Lisboa a Assembleia Parlamentar da CPLP – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Que matérias vão ser abordadas?
A Assembleia Parlamentar da CPLP é um órgão novo, criado em Abril de 2009 e esta é primeira reunião de trabalho. Espera-se que os participantes façam um ponto da situação no domínio da legislação e que reflictam sobre o papel que podem desempenhar numa organização multilateral. Espera-se que abordem a questão de circulação de pessoas e de cidadania. Está na mesa a aprovação do estatuto de cidadão da CPLP e a abertura das fronteiras no espaço da comunidade...
O que implicaria a harmonização de legislações...
Pelo menos que cada um dos países fizesse as adaptações necessárias nas suas leis de forma a não comprometer a promulgação do estatuto de cidadão da CPLP.
Ainda nesta semana decorre em Lisboa a reunião dos pontos focais. Que projectos de cooperação mais relevantes estão a ser desenvolvidos? Este mecanismo de cooperação não entra em choque com os projectos bilaterais de cooperação?
A reunião discute a aprovação de projectos e todos os mecanismos de cooperação que os oito Estado entendem levar em conjunto. Quanto à segunda questão, um projecto é considerado válido para o conjunto dos Estados membros se merecer o consenso dos oito. Fizemos uma revisão do aproveitamento dessas oportunidades e concluímos que falta alguma articulação entre os Estados membros e também aproveitamento de sinergias. Por exemplo, as lições aprendidas num país nem sempre são utilizadas noutro; por outro lado, o Secretariado deveria apoiar mais e assistir o processo de identificação até à implementação dos projectos. Mas não há riscos de colisão com projectos bilaterais; em nenhum momento a CPLP se posiciona para concorrer a programas de carácter bilateral.
Quais são neste momento os principais pontos focais?
Aquilo que representar o interesse dos oito passa a entrar na agenda CPLP. Encontra-se na lista de projectos uma variedade muito grande, desde a área ambiental à nossa ligação ao PAM, programas na área da saúde, nomeadamente o plano estratégico de cooperação para a saúde.
Que se concretiza de que forma?
Cada um dos Estados tem sempre uma mais valia. Por exemplo, no caso do dengue, por razões infelizes, Cabo Verde acumula toda uma memória relacionada com esta doença, mas que é um contributo a nível mundial e, em especial, entre os Estados da CPLP, ao nível da prevenção, tratamento e identificação. Quem acompanhou a situação em Cabo Verde, apercebeu-se que o principal problema foi chegar ao diagnóstico correcto, e isto hoje está adquirido devido ao trabalho feito em Cabo Verde. E é um património adquirido para todos.
No capítulo da saúde, a CPLP realiza a partir de 16 de Março em Lisboa o 3.º Congresso sobre sida. Esta é uma prioridade da organização?
Tem havido desde 2000 atenção ao tema e a partir de 2009 passámos a ter um plano estratégico, sendo objectivo do congresso estabelecer um programa de intervenção...
Com medidas práticas?
Sem dúvida. Por exemplo, o Brasil decidiu apoiar a criação de um laboratório para o fabrico de antiretrovirais em Moçambique. O mesmo esforço está a ser feito em Cabo Verde pelo Brasil como parte da CPLP, disponibilizando meios para um objectivo comum importante: cada mais-valia criada irradia para todos os membros.
Ainda em Março decorre em Lisboa a 1.ª Reunião dos Ministros dos Mar da CPLP. Espera-se a aprovação da estratégia dos Oceanos que está em discussão?
Essa reunião vai abordar o documento e espera-se a formulação de uma visão estratégica para a gestão dos nossos recursos marítimos. Isto não vai salvar a totalidade destes recursos, mas cada um dos Estados membros vai ter um conhecimento claro do que está em jogo.
Os oceanos não são apenas uma questão económica, são também um factor estratégico e diplomático. Essa é uma dimensão contemplada?
Todos os domínios estão em consideração. O domínio diplomático é importante e quando dispomos de um organismo multilateral como a CPLP, devemos fazer uso desta para entendermos as questões e pesarmos mais nos conflitos que possam surgir. Por outro lado, pretende-se que haja uma visão estratégica concertada entre os oito deste património que são os oceanos.
Essa visão estratégica tem de passar também pela afirmação do português nas organizações internacionais, na ONU por exemplo, e no reforço do ensino do português nos Estados membros?
A utilização do português na ONU é uma exigência e não posso deixar de referir o particular esforço feito pelos Chefes de Estado, tendo o Presidente Cavaco Silva à cabeça, quando em 2008, à margem da 63.ª Assembleia Geral promoveu um encontro para debater o tema. Assisti ao encontro e posso dizer que os Presidentes questionaram de forma directa os embaixadores da ONU sobre as estratégias a seguir e entraram em detalhes específicos para saber como colocar o português como língua oficial da ONU. Na 63.ª Assembleia Geral, como na 64.ª, todos os Presidentes falaram em português.
Mas esse objectivo continua distante?
Não podemos olhar apenas às Assembleias Gerais da ONU. A utilização do português já se verifica em organizações regionais como a União Africana, mas não basta isso. O problema é que chegamos às reuniões e, por vezes, não há tradutores.
Como ultrapassar esse problema?
A solução passa pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), que está em fase de reestruturação e uma das vertentes a privilegiar é a formação de tradutores.
Que papel pode ter o IILP na afirmação do idioma comum no mundo?
Achei muito interessante uma constatação feita por um especialista inglês em que este afirmava que a maioria das línguas quer concorrer com o inglês, quando isso já não faz sentido. O inglês é algo básico. Assim, devemos pensar, em termos da CPLP, que aquele que recruta no mercado de trabalho procura para além do inglês. O português tem uma oportunidade muito grande; além do número de pessoas que o falam, é a sua localização geográfica em todos os continentes. E há coisas extraordinárias, por exemplo, no Senegal, há permanentemente 15 mil pessoas a aprenderem o português...
Por motivos económicos....
Ainda bem que é assim. Isto significa que temos algo que desperta a atenção dos mercados. O português está a tornar-se uma mais-valia económica. E podemos falar disso com mais propriedade: em 2009, o Instituto Camões promoveu um estudo sobre o valor económico da língua e concluiu que 17% do Produto Interno Bruto de Portugal está relacionado com ganhos da língua. São transacções económicas dependentes da língua. Por isso, é importante que os decisores e a sociedade civil entendam que a língua não é só uma questão de nostalgia, de afecto, é mais do que isso, são ganhos económicos efectivos. E ainda há muito que não sabemos aproveitar, por exemplo, os Estados da CPLP continuam em muitos casos a praticar a dupla tributação, continuamos a ter problemas com a exportação de capitais, não temos liberdade de circulação generalizada de pessoas que procuram trabalho. Por exemplo, pode existir aqui mão-de-obra em excesso enquanto essa mesma especialidade falta num outro Estado e não temos uma solução para isso no âmbito da CPLP.
O Brasil é actualmente membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas; Portugal prepara uma candidatura. Seria importante a CPLP ter sempre um membro presente neste órgão da ONU?
Seria excelente. Uma das coisas que a CPLP tem conseguido nos últimos é a concertação política de esforços, seja a nível da ONU seja a nível das organizações regionais, seja ao nível de candidaturas a cargos de entidades internacionais, é importante compreendermos que valemos mais quando falamos a uma só voz. Oito votos é um peso importante em reuniões internacionais e não é por acaso que a Austrália, Marrocos, a Ucrânia e a Indonésia, por exemplo, procuram a aproximação à CPLP. O princípio de que uma oportunidade para um é uma oportunidade para todos, é algo a preservar. Por exemplo, Angola e Brasil foram convidados a estarem presentes na recente reunião do G20 e pouco depois vimos a Guiné-Bissau a presidir a uma Assembleia Geral da ONU. Quem é que nos diz que uma coisa não teve a ver com a outra?
DN-Entrevista conduzida por Abel Coelho de Morais
PUBLICADO NO DN-DIA 07 DE MARÇO

UE:Bruxelas quer criar um FMI europeu

BRUXELAS-A Comissão Europeia está a estudar a criação de um "FMI europeu", um organismo que poderá servir como ajuda para países em fortes dificuldades financeiras como a Grécia e impor limites a instrumentos financeiros como Credit Default Swaps (CDS) - seguros contra o incumprimento da dívida de um país - que têm agravaram a situação financeira da Zona Euro.
O comissário europeu dos assuntos económicos e monetários, Olli Rehn, vai informar hoje o executivo comunitário de todas as "discussões em curso" sobre o tema, disse o porta-voz do comissário, Amadeu Altafaj Tardio. Os planos para "reforçar a coordenação económica e a vigilância dos países" em toda a Europa serão centrados nas 16 nações que usam o euro, actualmente sob pressão devido à crise orçamental grega.
O porta-voz de Rehn, adiantou que a comissão "está pronta para propor um instrumento europeu" semelhante ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e apontou o final de Junho como um primeiro prazo para apresentar todos os pormenores sobre a forma, e quem, vai financiar o fundo pretendido.
A chanceler alemã Angela Merkel considerou "boa e interessante" a ideia de criar um fundo monetário europeu para ajudar financeiramente países da zona Euro em dificuldades, lembrando que, no entanto, será preciso alterar os tratados.
Merkel lembrou que o chamado princípio da facilidade impõe que a União Europeia tenha de contribuir para ajudar financeiramente um país membro da União, como a Letónia ou a Hungria, por exemplo, sempre que estes recebam ajuda do FMI. Mas no que respeita a um país membro da Zona Euro, não há essa facilidade porque os tratados em vigor a excluem, nomeadamente através da chamada Cláusula No Bail Out do Tratado de Maastricht. A crise grega despertou um enorme debate sobre a forma como os países do euro lidam com os problemas de outro Estado-membro.
OJE

CV(INFORPRESS):Governo de Cabo Verde quer participação dos emigrantes na privatização dos TACV

ASSOMADA-O primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, afirmou sexta-feira na cidade de Assomada que o Governo pensa mobilizar os emigrantes para a privatização dos TACV - Transportes Aéreos de Cabo Verde, da gestão dos portos, da Electra, assim como das várias empresas a serem criadas no domínio da energia.

O chefe do Governo teceu estas considerações ao presidir à cerimónia da inauguração da segunda agência do Banco Comercial do Atlântico na cidade de Assomada, tendo considerado que Santiago Norte apresenta números considerados nucleares no processo do desenvolvimento de Cabo Verde, para além da emergência de novos sectores que vão ser motores do processo de crescimento económico nesta região.
De acordo com o José Maria Neves a região norte da ilha de Santiago tem-se revelado uma dinâmica extraordinária, tanto no presente como pela perspectiva do que apresenta para o futuro, num momento em que, a seu ver, a abertura de uma nova agência nesta cidade simboliza uma grande aposta de dar volta à crise.
Nesta perspectiva, acrescentou o primeiro-ministro, já há "sinais extremamente encorajadores" de que nos próximos anos o ritmo de crescimento e de desenvolvimento de Cabo Verde será acelerado, com vista ao desenvolvimento de muito mais negócio, não só na região norte como também em todas as ilhas de Cabo Verde.
Em representação do BCA, o presidente do Conselho de Administração, Joaquim Sousa assegurou que a instituição que dirige mantém intacto o plano estratégico de abertura de novos balcões, considerado um grande desafio e ousadia para o mercado financeiro cabo-verdiano.
Enquanto presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina, Francisco Tavares felicitou o BCA pelo investimento, alegando que o município se torna no segundo concelho do país em matéria da remessa dos emigrantes, na ordem dos 300.000 contos no último ano, sendo ultrapassado apenas pelo município da Praia.
Tavares garante que a economia está estruturada na Região Norte de Santiago e que já se depara com um sinal claro da dinâmica.
OJE/INFORPRESS

CV(LUSA):PM acredita que cumprirá a 100 por cento das metas traçadas

PRAIA-O primeiro ministro de Cabo Verde disse hoje(8 de Março) à Agência Lusa que o Governo está "muito próximo" de cumprir, "quase a 100 por cento", as metas traçadas no início da legislatura, há quatro anos atrás.

No dia em que cumpre o quarto aniversário da VII Legislatura, José Maria Neves indicou que já foram muitas as realizações desenvolvidas pelo executivo e que um próximo governo, a sair das legislativas do início de 2011, terá a vida mais facilitada.
"Acho que há grandes marcos e grandes realizações. Cabo Verde transformou-se radicalmente nos últimos anos. Sinto-me gratificado porque conseguimos cumprir o essencial do programa de Governo, que era modernizar o país, garantir maior coesão social, construir fatores de competitividade e fazer um desenvolvimento amigo de ambiente", sublinhou.
"Cumprimos na modernização das infraestruturas e instituições, na densificação do tecido empresarial e no desenvolvimento do capital humano", acrescentou.
No seu entender, Cabo Verde "tem hoje uma visão e um rumo", razão pela qual o próximo governo, que já assumiu querer liderar, "poderá ter um desempenho superior porque tem bases muito mais sólidas para o desenvolvimento do país".
Até ao final de legislatura, José Maria Neves disse ser ainda necessário ao Governo redinamizar "alguns sectores importantes para o aceleramento do ritmo de crescimento da economia, para a geração de emprego e para debelar a pobreza.
"Precisamos também de desenvolver e modernizar a agricultura e a pecuária, mobilizar mais água, diversificar as tecnologias de rega, o «cluster» das tecnologias da comunicação e informação, o «cluster» do mar e as indústrias culturais e ainda acelerar o ritmo de crescimento das energias renováveis", indicou à Lusa.
"A partir daí considero que teremos cumprido quase a 100 por cento as metas preconizadas no início desta legislatura", concluiu José Maria Neves, que celebrou hoje(leia-se 8 de Março) o quarto aniversário do governo com uma reunião de mais de três horas com altos responsáveis da Administração Pública cabo-verdiana.
No final, José Maria Neves condecorou com o Primeiro e Segundo Grau da Medalha de Mérito várias instituições que contribuíram para o desenvolvimento do país.
LUSA.PT-POR JSD.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

segunda-feira, 8 de março de 2010

CV(LIBERAL):GOVERNO SEM MOTIVOS PARA COMEMORAÇÕES E EM DÍVIDA PARA COM OS CABO-VERDIANOS

PRAIA-O Movimento para a Democracia (MpD) considera que o Governo que completa hoje quatro anos de governação não tem motivos para comemorações, porque falhou em relação às políticas que se propôs para o país.
Para Carlos Veiga, o Executivo liderado por José Maria Neves "falhou na economia, no desemprego, na redução da pobreza, na garantia da segurança aos cabo-verdianos, na justiça e falhou também no que respeita à Electra e aos TACV, o que significa um falhanço em questões fundamentais para o desenvolvimento de Cabo Verde.
Em declarações também nas antenas da RCV, o líder do MpD vai mais longe e diz que este Governo não soube prevenir e prever os efeitos da crise e não soube ajudar os empresários a enfrentarem a crise (como se ouviu queixar no ano passado pelo próprios, na comunicação social) e, por isso, avança Veiga, “não motivos para celebrar”.
Pelo contrário, refere o Presidente do MpD, “os cabo-verdianos estão a sofrer e a passar por momentos difíceis, porque o Governo revelou-se completamente incapaz de cumprir as suas promessas", sublinhou, apontando a remodelação governamental como uma lição que traduz o esgotamento desta governção.
JMN NÃO CUMPRIU METAS
A mesma leitura tem a UCID ao defender que o Governo está em dívida para com a Nação cabo-verdiana, porque não cumpriu as metas traçadas para esta legislatura que já se encontra no fim.
"Temos neste momento uma enorme franja da população no desemprego, com todas as dificuldades daí advenientes, porque o Governo não conseguiu reduzir o desemprego para um dígito”, afirmou António Monteiro. Prometeu também o crescimento em dois dígitos, infelizmente, não cumpriu. O Executivo prometeu mais cidadania e mais democracia e o que sentimos neste momento é que a democracia está a ser posta em causa, porque há um grande ponto de interrogação no tocante à qualidade da nossa democracia", continua, acrescentando que perante a promessa de mais segurança, existe um sentimento acentuado de insegurança entre os cabo-verdianos.
PAICV AUSPICIOSO
Como não podia deixar de ser o partido que suporta o Governo, o PAICV, na voz de Armindo Maurício, apontou este mandato, com um período mais auspicioso da governação em Cabo Verde.
"Na infra-estruturação deve-se destacar a construção de 3 aeroportos internacionais, a expansão e modernização das estradas em todas as ilhas, o forte investimento no capital humano - é só ver os resultados obtidos pela criação da Universidade de Cabo Verde, os resultados obtidos na área da formação profissional onde houve uma grande arrancada para o futuro, o que vai dar combate, sobretudo, para dar combate o desemprego na camada jovem com a sua qualificação e o seu enquadramento no mercado de trabalho e é preciso ver também, as demais áreas da Educação".
O Governo assinala hoje, 8 de Março, quatro anos de mandato da VII Legislatura. Para comemorar esta data, José Maria Neves reúne-se com altos responsáveis da Administração Pública numa reflexão conjunta subordinada ao tema "Cabo Verde: Nação Vencedora", marcada para esta tarde, na Sala das Conferências do Palácio do Governo.
LIBERAL.CV

HOLANDA:Explosão oxigenada na Holanda

“O país que no passado era caracterizado por sua tolerância”. Assim a Holanda tem sido descrita na imprensa internacional. O sucesso do partido anti-imigração do político Geert Wilders nas eleições municipais da última quarta-feira não passou despercebido em outros países.
O Partido da Liberdade (PVV) teve ótima votação nas duas cidades em que participou da eleição para a câmara municipal. O partido alerta contra a ‘islamização’ da Holanda e tem apostado suas fichas na questão da segurança - o PVV quer instalar ‘comandos municipais’ para manter a ordem nas ruas.As reações na imprensa internacional vão de espanto e desilusão até cumprimentos.
Bomba
‘Uma bomba loura explodiu na Holanda’, escreve o Times britânico. “E a bomba está a caminho da Inglaterra à procura de uma boa briga”. O jornal faz referência à visita do líder do PVV, Geert Wilders, à House of Lords, onde irá apresentar seu filme anti-islã ‘Fitna’.
‘Holanda dá uma guinada para a direita’, destaca a imprensa alemã. O jornal Münchner Merkur vai ainda mais longe: “O político de extrema-direita Wilders evita uma discussão real sobre questões relacionadas ao islã e continua a incitar o ódio aos estrangeiros”. O jornal usa um tom cortante: “Como se tivesse que defender a Holanda contra hordas medievais, ele usa o medo e preconceitos burros, sobre os quais não cansa de martelar. Wilders faz uso de argumentos idiotas”.
Xenofobia
O jornal dinamarquês Politiken escreve que a extrema-direita é hoje um desafio ainda maior para a Europa democrática do que foi a esquerda dogmática dos anos 70. E de acordo com o espanhol El País, a “direita xenofóbica” está em franco progresso na Holanda.
No website do canal árabe Al Jazeera também se discute sobre a popularidade do PVV: “Muçulmanos holandeses têm que se impor com todos os meios contra leis anti-islã”, escreve um leitor. Segundo um outro leitor, a ameaça não é tão grande quanto parece: “Isto é mais uma tempestade num copo d’água. Wilders não tem tanto apoio assim dos holandeses. Ele tem que andar protegido em seu próprio país, isso já diz o suficiente”.
O sucesso de Wilders deve ser visto como consequência do fato de que um crescente grupo de holandeses está farto dos imigrantes, escreve o New York Times. “O medo do desconhecido contribuiu para que Wilders tivesse um bom resultado”.
Modelo
O canal de televisão belga RTBF tem uma visão diferente: “O radical de direita e xenófobo Wilders se beneficiou do difícil momento econômico”.
Mas do mesmo país também vêm cumprimentos: “A Holanda agora é um modelo para os que querem tomar as rédeas em seus próprios países”, diz o site belga Skynet pela boca de Filip Dewinter, líder do partido nacionalista de direita Vlams Blok.
No dia 9 de junho acontecem as eleições nacionais na Holanda. De acordo com todas as pesquisas o PVV de Geert Wilders terá uma grande quantidade de votos. Uma delas inclusive prevê que o PVV será o maior partido do país.
RADIO NEDERLAND-POR Martijn van Tol

domingo, 7 de março de 2010

PORTUGAL:«Portugal tem excesso de corrupção e compadrio» – Carvalho da Silva

LISBOA-O líder da CGTP crê que é tempo de moralizar a vida política, para que se resolvam os problemas do país. «A sociedade portuguesa tem excesso de corrupção, compadrio, de promiscuidades, e não estão apenas no espaço do Governo», atestou Carvalho da Silva.
«Um dos pressupostos fundamentais para serem encarados os problemas que o país tem, passa pela moralização da governação no plano geral, e não apenas da actividade do Governo», adiantou, em entrevista à TSF e ao Diário de Notícias.
O sindicalista considera que os casos que envolvem o nome de José Sócrates, «uma herança de relações sociais que sistematicamente criam problemas», são «uma coisa que o primeiro-ministro tem que resolver». Carvalho da Silva notou ainda que «a Justiça mostra fragilidades para dar resposta» a estes «problemas».
Passando aos prazos do Pacto de Estabilidade e Crescimento – redução do défice para 3 por cento até 2013 –, Carvalho da Silva acredita que a Europa vai «acabar porque ter que alargar os prazos». «Não sejamos anjinhos nisto, não façamos uma espécie de papel de bom aluno, fazendo de conta que não sabemos a porrada que vamos levar», frisou
ABOLA.PT

sexta-feira, 5 de março de 2010

CPLP:Cabo Verde vai legalizar cidadãos ilegais oriundos da CPLP

PRAIA-O Governo de Cabo Verde aprovou um decreto-lei que estabelece um processo especial de regularização da situação dos cidadãos originários da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP).
A decisão foi tomada ontem em Conselho de Ministros, tendo em conta que, segundo os dados governamentais, existem em Cabo Verde 6455 cidadãos estrangeiros em situação irregular, em que 3059 são oriundos dos restantes sete países da CPLP, desconhecendo-se se há casos de portugueses.
"Neste momento, estão em Cabo Verde 6455 estrangeiros em situação regular. Desse número, 3059 são cidadãos da CPLP", disse ontem a porta-voz do Conselho de Ministros cabo-verdiano, Janira Hopffer Almada.
A também ministra da Presidência do Conselho de Ministros e da Juventude afirmou, porém, que o total de estrangeiros a residir e a trabalhar ilegalmente no arquipélago poderá ascender a muito mais, admitindo números entre os 10000 e os 15000.
"A imigração é já uma realidade incontornável em Cabo Verde e continuará a sê-lo nos próximos anos", sublinhou Janira Hopffer Almada.
Segundo a ministra, em termos de registo de pedidos de legalização, através de autorização de residência, a Direcção de Estrangeiros e Fronteiras (DEF) contabilizou 2288 pedidos pendentes, 801 deles de cidadãos da CPLP.
A porta-voz do Governo lembrou que foi a partir dos anos 90 que Cabo Verde "despertou verdadeiramente para o problema imigratório", com a constante chegada de cidadãos dos restantes 14 países que integram a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
"Há que admitir que os imigrantes que optaram por fazer de Cabo Verde o país de acolhimento souberam interpretar os desafios que a nação cabo-verdiana traçou e se nortearam pelo grande objectivo que é o desenvolvimento do País. E os cidadãos da CPLP, que constituem a maioria, têm prestado um inegável e importante contributo para que Cabo Verde continue na senda do desenvolvimento", sublinhou.
Janira Hopffer Almada realçou ainda que o Governo de Cabo Verde acredita que os ilegais que estão a ajudar ao desenvolvimento do país poderiam contribuir "ainda mais" se estivessem devidamente legalizados e integrados.
"Por isso, o Governo de Cabo Verde entende que, por compromissos históricos com a nação lusófona, deve conceder, no âmbito de medidas de legalização de estrangeiros, um tratamento especial aos seus cidadãos", concluiu.
OJE/LUSA

quinta-feira, 4 de março de 2010

CV DIÁSPORA:“A CRISE VEIO SEM SER CONVIDADA… NO ENTANTO NÓS NÃO ESTIVEMOS PARADOS”

ROTERDÃO:Na senda de conversas regulares com cabo-verdianos residentes na Holanda a Rádio Atlântico conversou com PCA da Cabolux Daniel do Rosário um dos cabo-verdianos de sucesso no País das Tulipas.
Rádio Atlântico - Cabolux é uma empresa com mais de 14 anos de existência e tem a sua sede mãe em Roterdão. Mas pelas informações que obtive a empresa internacionalizou-se. Em que outros Países estão Presentes?
Daniel De Rosário - A Agência Cabolux existe há 14 anos. É uma empresa idónea, de cabo-verdianos para toda a comunidade africana de língua oficial portuguesa, residente na Europa. Durante esse tempo todo, fomos paulatinamente conquistando os paradeiros de Cabo-verdianos de uma forma particular, principalmente espalhados por todos os cantos da Europa. E hoje graças ao nosso profissionalismo, o nosso desempenho, a nossa seriedade, a nossa eficácia, somos o maior transitário Cabo-verdiano da Europa para Cabo Verde e restantes países dos PALOP. A nossa sede está em Roterdão temos agência em Lisboa (Benfica), em São Vicente e na Praia
RA - Porquê a abertura de uma filial em Portugal e na Praia?
DR - A nossa presença em Portugal, justifica-se numa altura onde a procura é mais forte de que a oferta. Ofertas são muitas, mas nós oferecemos mais qualidade, mais eficiência e um serviço personalizado. Depois de termos feito uma pequena sondagem, principalmente junto da nossa comunidade lá radicada e na maioria na linha de Sintra, decidimos aventurar mais uma vez e levar a nossa presença, os nossos serviços e fazer com que realmente sentem mais perto de Cabo Verde, porque a Cabolux continua sendo a maior ponte de ligação dos cabo-verdianos na Europa com a nossa Terra Natal. Na Praia para completar o nosso serviço personalizado e servir de apoio aos futuros projectos que já temos em forja.
RA - Que problemas tem tido em Lisboa e na Praia?
DR - Como é óbvio, a empresa vai crescendo e com ela junto o bom e o mau. O bom é que a nossa presença marcante torna cada vez mais forte e o mau são as consequências, entre os quais a crise mundial que nos assola neste momento. Tal como em Lisboa, na Praia deparamos com muita burocracia. Coisas que pensamos que no mundo actual já não existiam. Mas infelizmente, estes e outros factores de natureza humana continuam prejudicando imensamente no desenvolvimento sustentado destas ilhas.
RA - A crise económica mundial afectou muito as empresas que se dedicam ao vosso ramo de actividade. No caso da empresa que dirige como sentiram essa crise?
DR - A crise veio sem ser convidada, chegou, entrou e não quer ir embora. A crise afectou-nos como qualquer outra empresa, principalmente na área de transporte, não só de cargas como de passageiros. No entanto nós não estivemos parados. Tanto mais que, mesmo com esta crise, abrimos mais duas agências, uma em Lisboa e outra na Praia. Foi mais uma vitória para a Cabolux!
RA - O que fizeram para sair dela?
DR - Friamente estudamos e analisamos a melhor forma de sobreviver. Investimos no sector informático de forma a diminuir custos e oferecer mais, melhor e barato para os nossos clientes. É uma situação bastante preocupante. Por exemplos os nossos políticos não estão muito a ajudar na solução desta crise. Pessoas continuam discutindo futilidades e prejudicando uma sociedade toda. Veja só o caso da Holanda, o que aconteceu só por causa de uma presença militar no Afeganistão! Como é possível. Enquanto isso milhares de pessoas continuam perdendo o emprego, outros tantos continuam desempregados, a fome alastra cada vez mais e aqueles que procuram ajudar, são-lhes oferecidos barreiras e burocracias.
RA - Sabemos também que em Cabo-Verde a Cabolux está associada a outras empresas do ramo. Fale-nos um pouco do porquê dessa associação?
DR - Isso. Desde Outubro de 2008, a Cabolux passou a ser membro da Aliança Krioula, o primeiro Operador Turístico Cabo-verdiano da sua classe. Essas empresas todas ligadas ao sector de viagens e turismo, juntaram as suas experiências e Know how. Já estivemos pela segunda vez na feira de turismo aqui na Holanda, Lisboa e Inglaterra, Espanha e pensamos ir também para a feira de turismo na Alemanha.
A nossa presença nestas feiras tem como finalidade oferecer aos visitantes, a beleza pura (por enquanto) de Cabo Verde, a sua cultura e morabeza. Nós não vendemos Cabo Verde e nem exploramos os que lá estão: os Cabo-verdianos! O nosso interesse é divulgar cá fora o que de bom temos para oferecer as pessoas. E nós, Aliança Krioula, mais do que ninguém, temos a capacidade de organizar feiras de turismo nacional e internacional, palestras, degustações, cruzeiros etc. etc. Estamos muito bem apetrechados para trabalharmos com todo o profissionalismo que esta área exige.
RA - A CABOLUX esteve presente na feira do turismo que decorreu recentemente na cidade holandesa de Utrecht. Qual a importância da vossa Participação na referida Feira?
DR - A nossa presença junto da Aliança Krioula, vai reforçar mais uma vez a nossa entidade cultural aqui na Holanda. E mais uma vez levamos os nossos visitantes a escolherem pela Morabeza de Cabo Verde e da sua gente e não pelos hotéis que nem sequer são nossos. Não é por nada que no nosso stand, para além da cachupa abundou muito ponche de mel, de mancarra, de leite, de groselha, de tambarina, grogue e muita música, onde fomos classificados de ter a melhor música da feira de 2010. Mais uma vez nós fizemos com que Cabo verde apesar das nossas insuficiências, ultrapassou as barreiras e fizemos todos os presentes (principalmente da Arménia) dançarem as nossas músicas ao som do grupo Tabanka (bsôt é bom d más) e do Tote de Zabelinha e seus colegas músicos.
A estes músicos que fizerem vibrar centenas de pessoas que por nós passaram, UMA NOTA DEZ porque não há mais alto. Um obrigado em nome da Cabolux, da Aliança Krioula, dos Tacv, do Barracuda e por fim da CI.
RA - Houve mais empresas cabo-verdianas participando na feira de turismo de Utrecht?
DR - Infelizmente éramos os únicos a promover Cabo Verde. Houve também um outro grupo a promover o turismo para as ilhas do Sal e Boavista na Holanda, o grupo TUI, com os seus voos directos e somente para estas duas ilhas, onde eles têm hotéis próprios para exploração.
RA - A Cabo Verde Investimentos tem como papel promover Cabo Verde fora do País. Como empresário tem ideia que essa promoção está a ser bem feita?
DR - Não. Sinceramente que não. Se cabe ou não realmente a CI fazer esse trabalho é uma pergunta que fica no ar. A CI sempre que pode e quiser apoia. Só que muitas vezes é tardio demais e que acaba por agravar as coisas. Isso tudo por factores de vária ordem, por exemplo meios financeiros e humanos. Mas é por isso que a Aliança Krioula passou a existir. Uma Organização que não é estatal (e que até então não teve nenhum apoio nem atenção especial por parte do Governo de cabo Verde) e que não se pode comparar com operadores estrangeiros que usam Cabo verde só e puramente para enriquecerem. Precisamos de um Ministério de Turismo virado para Cabo verde com o único objectivo de OFERECER Cabo Verde.
RA - Já agora qual é a sua opinião sobre o turismo praticado em cabo verde?
DR - O que está sendo praticado em Cabo Verde é um suicídio! Cabo Verde não está a ganhar com esse tipo de turismo. Eu falo em nome pessoal. E o medo que nós tínhamos há já alguns anos atrás, está a acontecer: o nosso turismo é o do Algarve em Portugal é o de Canárias. A terra fica rica em hotéis, bares, restaurantes e discotecas estrangeiras e povo paga por isso. Sim digo pagar, porque o nível de vida sobe de tal forma, que é o consumidor nacional quem vai pagar.
Estamos ainda a tempo de reaver as coisas e por um ponto final nas decisões que o nosso governo vem tomando em relação aos investimentos e a modalidade de turismo praticados. Queremos um turismo como oferta e não como venda! Deixemos que os turistas fiquem somente no Sal e Boavista e que os nossos convidados visitem as outras ilhas. Porque temos muito para mostrar e oferecer de forma condigna e à moda Cabo-verdiana.
RA - Que balanço faz da feira se comparar com a do ano passado?
DR - Este ano em termos de contactos directos para cabo Verde, foi de longe melhor que o ano passado. As pessoas este ano procuraram Cabo Verde. E lá estávamos nós com toda a nossa pomposidade oferecendo o bom de Cabo verde. As pessoas já começaram a descobrir o nosso país como destino por excelência para a prática do turismo. Agora, resta Cabo verde e a quem de direito dar uma melhor atenção para este mercado desta zona norte da Europa. Os europeus desta zona abrangendo os países nórdicos, são pessoas que vivem para viajar.
RÁDIO ATLÂNTICO-Por Norberto Silva

terça-feira, 2 de março de 2010

CV(ANAÇÃO):Novo Governo toma posse hoje

PRAIA-O novo Governo, fruto da remodelação governamental anunciada pelo Primeiro-ministro José Maria Neves, na passada quarta-feira, 24, toma posse esta manhã.
O destaque vai para a criação da pasta das Comunidades Emigradas, pela primeira vez no cenário governamental, desde a independência nacional, a cargo do ex-ministro da Juventude e dos Desportos, Sidónio Monteiro.
As mudanças marcam a saída de Vera Duarte e Manuel Veiga e ainda a ascensão do ex-Secretário de Estado Octávio Tavares para o cargo de Ministro da Educação e Desporto de Fernanda Marques para a pasta do Ensino Superior, Ciência e Cultura.
Continuam no elenco José Brito, acompanhado do secretário de estado, Jorge Borges no agora Ministério dos Negócios Estrangeiros. Janira Hopffer Almada acumula ainda à pasta da Presidência do Concelho de Ministros a pasta da Juventude.
O ministério da Economia foi extinto e Fátima Fialho dirige agora o Ministério do Turismo, Industria e Energia. O Ministério do Trabalho e Solidariedade Social passa a incluir também a Família e continua sob a tutela de Madalena Neves.
A pasta da competitividade, Investimentos, Empreededorismo e Desenvolvimento empresarial fica a cargo do Primeiro-ministro José Maria Neves, coadjuvado por Humberto Brito, ex-secretário da Economia que assume as funções de Secretário de Estado Adjunto do Estado do Primeiro-Ministro.
A um ano das eleições legislativas, a remodelação governamental já foi duramente criticada pela oposição que considerou a medida eleitoralista.
A NAÇÃO

segunda-feira, 1 de março de 2010

CV:Recenseamento eleitoral na diáspora cabo-verdiana adiado pelo menos um mês

PRAIA-O recenseamento eleitoral na diáspora cabo-verdiana, previsto para começar hoje, foi adiado pelo menos um mês, uma vez que a nova lei, aprovada pelos deputados a 5 de Fevereiro, ainda está por publicar no Boletim Oficial.
Em declarações à agência Lusa a porta-voz do governo de Cabo Verde, Janira Hopffer Almada, indicou que cabe ao parlamento cabo-verdiano nomear as comissões de recenseamento na diáspora, o que só poderá ser feito depois da publicação da nova Lei Eleitoral no Boletim Oficial.
Segundo a também ministra da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares cabo-verdiana o parlamento só volta a reunir-se em sessão plenária entre 22 e 26 de Março próximo, pelo que se aguarda que, até lá, a nova legislação seja oficialmente ratificada.
"Para que a lei tenha eficácia jurídica tem de ser publicada no Boletim Oficial. O governo já cumpriu o que prometeu ao criar as condições para desencadear todo o processo", sublinhou Janira Hopffer Almada, lembrando que as próximas eleições legislativas decorrerão no início de 2011 e as presidenciais previsivelmente em Outubro do mesmo ano.
A questão do recenseamento dos eleitores cabo-verdianos na diáspora foi levantada em Abril de 2009, quando o governo apresentou no Parlamento o respectivo pedido de alteração ao Código Eleitoral, destinada a criar condições para que a população emigrada possa participar nas escolhas políticas do arquipélago.
Na ocasião o Governo tinha previsto concretizar a operação de actualização dos cadernos eleitorais entre 1 de Junho e 31 de Dezembro de 2009, mas o desacordo da oposição levou a que a questão fosse integrada no pacote da Revisão Constitucional, concluído apenas a 5 deste mês.
Segundos os dados do último recenseamento eleitoral, que permitiu a realização das legislativas e presidenciais de 2006, o total de eleitores cabo-verdianos residentes no estrangeiro é de 28.004, representando 10,76% dos 260.126 inscritos.
Esse total, dividido pelas principais comunidades - Portugal, França, Holanda, Senegal, Brasil e Estados Unidos -, não reflecte porém a tese de que existem mais cabo-verdianos fora do que no arquipélago, que podem votar nas presidenciais e legislativas, mas não nas autárquicas.
A importância do voto dos imigrantes tem sido decisiva na escolha dos novos poderes do Estado, sobretudo para a Presidência da República, pois permitiram eleger e reeleger Pedro Pires nas duas últimas eleições, realizadas em 2001 e 2006.
OJE/LUSA

CV:Cabo Verde quer Durão Barroso e Sócrates nas conferências do 35.º aniversário da independência

PRAIA-O primeiro-ministro de Cabo Verde disse hoje que tem a intenção de convidar várias personalidades nacionais e internacionais, entre elas José Manuel Durão Barroso e José Sócrates, para conferências ligadas ao 35.º aniversário da independência.
José Maria Neves falava após uma inédita visita que o presidente cabo-verdiano, Pedro Pires, efectuou ao Palácio do Governo, destinada a "conhecer" o edifício e a "confraternizar informalmente" com o executivo sobre o passado, presente e futuro do arquipélago.
"Vamos fazer 12 conferências, convidando grandes personalidades nacionais e internacionais. Começamos hoje à tarde com o Presidente de Cabo Verde (Pedro Pires) porque foi o primeiro chefe do Governo e, como tal, esteve nos principais desafios da independência e da construção do Estado de Cabo Verde", afirmou.
A conferência marca o início de um conjunto de celebrações que, até ao fim do ano, assinalarão o 35.º aniversário do nascimento de Cabo Verde, a 5 de Julho de 1975, e é subordinada ao tema "Os Primeiros Anos após a Independência".
"Começamos com o Presidente da República, mas haverá outras personalidades, uma por mês. No final, faremos uma brochura com todas as conferências. Queremos analisar o percurso de Cabo Verde nos 35 anos, mas também perscrutar o futuro, ver que desafios temos e construir uma visão partilhada desse futuro", sublinhou.
José Maria Neves disse ser intenção convidar, entre outros nomes, e além do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e do primeiro ministro português, José Sócrates, o chefe do executivo do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, o bispo de Cabo Verde, intelectuais cabo-verdianos, portugueses, brasileiros e africanos "de grande envergadura".
O governo pretende ver analisados temas como a Parceria Especial com a União Europeia (UE), os Descobrimentos (cumprem-se em 2010 os 550 anos da descoberta do arquipélago), o programa de ajuda pública norte-americana a Cabo Verde - Millennium Challenge Corporation (MCC) -, e as mudanças climáticas e sociais.
OJE/LUSA