domingo, 13 de novembro de 2011

CV(Expresso):PR preocupado com o uso excessivo do álcool em Cabo Verde

PRAIA-Jorge Carlos Fonseca defendeu, ontem, que é imperioso que o alcoolismo seja encarado como prioridade nacional, por forma a fazer face a esta problemática que ameaça corroer os alicerces da nossa sociedade. Na sua intervenção no debate público promovido pela ACPA (Associação Cabo-verdiana de Prevenção de Alcoolismo) na Biblioteca Nacional, na Praia, o Presidente da República afirmou que o alcoolismo é uma questão de saúde pública e que a sua preservação e tratamento exige empenho sério e decidido de toda a sociedade cabo-verdiana.
"Este esforço deverá abranger as áreas da educação, da prevenção, da legislação e regulamentação, do controlo da produção, dos preços das bebidas alcoólicas, da publicidade, bem como do tratamento e da reinserção social", frisou o PR.
"O sofrimento que o alcoolismo vem causando num número apreciável de famílias, as grandes repercussões ao nível do trabalho, da saúde das pessoas e do desenvolvimento da juventude, fazem com que ele seja considerado, de modo apropriado, uma urgência nacional", ressaltou, apelando às instituições que têm um papel determinante nesta matéria, em especial as das áreas da saúde, educação, juventude, as igrejas e organizações da sociedade civil a juntarem os seus esforços na luta contra o alcoolismo.
O presidente da ACPA, Orlando Borja, fazendo jus ao tema que deu mote ao debate, "Alcoolismo: uma urgência nacional" recorreu-se a inquéritos e dados estatísticos que dão conta que o "alcoolismo já é um dos graves problemas de saúde pública" e uma das sete primeiras causas de morte em Cabo Verde, um "fardo cujo diagnóstico e tratamento acarretam custos elevados para o sector de saúde".
Baseado nestes dados, Orlando Borja apontou que a idade de consumo de bebidas alcoólicas baixou dos 13 anos, em 2007, e já atinge crianças a partir dos 6 anos; o consumo perigoso afecta 6 por cento dos homens e 2 por cento das mulheres, que os acidentes relacionados com o consumo abusivo do álcool aumentam e que a média de reforma por incapacidade já atinge os 40 anos derivado em grande parte pelo consumo do álcool.
Apesar destes dados, Borja fala da ausência de medidas claras, acções e meios para enfrentar este problema, ou em existindo, "são demasiado tímidas". Pelo contrário, o presidente da ACPA constata que " há um alastramento de lugares de venda de bebidas alcoólicas por todo o lado e a qualquer hora; uma intensificação de uma publicidade sem ética e sem responsabilidade social que incentive ao consumo abusivo do álcool pelos adolescentes e jovens; um aumento de promoções de actividades e de formas de venda que incentivam e facilitam os jovens no consumo de bebidas alcoólicas".
Entretanto, contrapõe, "a fiscalização da produção e venda é tão ausente que crie um efeito contrário e acções e programas de prevenção do consumo do álcool são desconhecidos".
Orlando Borja concluiu apelando os presentes a "remar contra a maré da indiferença e do comodismo, em alusão à falta de intervenção sistemática das entidades responsáveis. "Somos todos responsáveis por esta situação. As medidas já tardam. Já é hora de despertarmos", concluiu.
A Associação Cabo-verdiana de Prevenção de Alcoolismo foi fundada em 2008, por iniciativa dos membros de um grupo terapêutico do Hospital Agostinho Neto, como forma de alertar a sociedade para os problemas ligados ao consumo do álcool.
No âmbito da comemoração de aniversários de abstinência de alguns membros deste grupo terapêutico, a ACPA promoveu, ontem, na Biblioteca Nacional, na Praia, um debate público sobre a problemática do alcoolismo, subordinado ao tema "Alcoolismo: uma urgência nacional".
11-11-2011, 12:20:23

António Monteiro, Redacção Praia
Fotos de Quim Macedo
http://www.expressodasilhas.sapo.cv/pt/noticias/go/pr-preocupado-com-o-uso-excessivo-do-alcool-em-cabo-verde

Sem comentários:

Enviar um comentário

Comentar com elegância e com respeito para o próximo.