O REGRESSO DE MIS
O cenário está traçado. José Maria Veiga é candidato na Assomada, Manuel Inocêncio Sousa reocupa a pasta das Infra-estruturas e, em caso de vitória eleitoral autárquica, sucede a JMN no Governo e na liderança. Mas há um senão: e se o PAICV perde as eleições?
O anúncio de Inocêncio não surgiu por acaso...
PRAIA– O ex-candidato derrotado nas eleições presidenciais de 21 de Agosto, Manuel Inocêncio Sousa, quebrou o silêncio a que se havia remetido após o desaire e, em Lisboa, concedeu uma entrevista à Inforpress, anunciando que tenciona regressar à actividade política ainda antes do final do ano.
Aparentemente, não há nada de extraordinário nestas declarações de Inocêncio que, após as eleições, terá regressado à sua actividade profissional de engenheiro, deduzimos que na empresa de uma sua amiga – e ex-sócia, segundo ele – que ganhava todos [ou quase] os concursos públicos lançados pelo Ministério das Infra-estruturas, que então dirigia.
“Vou retomar brevemente a minha actividade política”, enquanto militante do PAICV, mas escusando-se a responder se tencionava regressar ao Governo, por onde permaneceu uma década e onde iniciou funções como ministro dos Negócios Estrangeiros. Muito menos aceitou pronunciar-se sobre rumores que circulam e que o indicam como eventual sucessor de José Maria Neves na liderança do partido tambarina.
JOSÉ MARIA VEIGA DEIXA AS INFRAESTRUTURAS…
Paralelamente, no que sugere uma extraordinária coincidência, A Nação anuncia na sua edição de hoje que José Maria Veiga – o sucessor de Inocêncio à frente do Ministério das Infra-estruturas – estaria a ser “empurrado” [a expressão é daquele jornal] para ser o candidato da estrela negra à presidência da Câmara Municipal de Santa Catarina de Santiago. O que, aliás, constitui um cenário bem provável, apesar da proliferação de potenciais candidatos e enunciação de pré-candidatos. Mas, como referiu fonte do partido a Liberal, “o único que tem condições para lhe fazer frente é o Alcídio [Tavares], mas o Veiga, querendo, tem o caminho livre”. Aliás, segundo A Nação, o próprio Veiga já teria manifestado, “internamente, o seu interesse em se candidatar”.
José Maria Veiga tem algumas vantagens em relações aos seus opositores. Desde logo porque, por interposta pessoa da sua própria mulher, Ernestina, controla as associações comunitárias do concelho, particularmente a Associação da Tabanka de Tomba Touro – contemplada a poucos dias da primeira volta das eleições presidenciais, em 7 de Agosto, com a benesse de uma transferência do Governo…
Aliás, Liberal já teve ocasião de abordar as estranhas ligações da família Veiga (mulher e marido) a situações pouco claras passadas no concelho de Santa Catarina e que, com segurança, indiciam compra de votos. A 16 de Agosto o nosso jornal esteve em Tomba Touro e Ribeirão Manuel, onde o nome de uma tal “Ernestina do PAICV” foi insistentemente referido, recordemos: “várias pessoas da terra, contactadas por Liberal, dizem apresentar-se em nome da Associação da Tabanka de Tomba Touro – uma das instituições particulares contempladas pela generosidade do Governo, dois dias antes das eleições de 7 de Agosto [neste caso, em particular, com a quantia de 1750 contos] -, de seu nome próprio e apelido Ernestina Veiga – nada mais, nada menos que a mulher do ministro das Infra-estruturas, José Maria Veiga.” Portanto, com “argumentos” destes José Maria Veiga surge como o pré-candidato mais bem colocado para receber o ámen da direcção tambarina e disputar a câmara ao MpD.
… INOCÊNCIO VOLTA AO MINISTÉRIO
Neste quadro, o anúncio de Inocêncio parece indiciar que as coincidências não existem. Com a sua pesada derrota eleitoral, as possibilidades de o homem de confiança de JMN regressar à vida política pela “porta grande” circunscrevem-se apenas ao Governo.
Por outro lado, José Maria Neves está cansado, impotente para responder às emergências de um país que, apesar de não estar em crise – como ele teimosamente afirma -, vive um dos seus piores momentos. Além do mais, o próprio Primeiro-ministro já havia confessado ter-se candidatado a contra-gosto e desejar empreender um percurso académico. Pelo que o regresso de Inocêncio surge como um sinal claro do “senhor que se segue” na liderança tambarina.
Regressado Inocêncio ao Governo, reocupada a pasta das Infra-estruturas, ganha a batalha eleitoral autárquica do próximo ano, Neves indicaria o sucessor no Governo e na liderança do partido e, teatral, num raro gesto de humildade, assumiria querer retirar-se por razão de estar há muito tempo no poder.
O sucessor, esse, assumiria funções num contexto interno em que, mais uma vez, os “ratos” seriam acusados da pesada derrota nas presidenciais e se provaria que o PAICV unido é uma máquina de ganhar eleições.
Naturalmente, este seria o final feliz da carreira política de José Maria Neves. Mas há um senão: e se o PAICV perde as eleições?
http://liberal.sapo.cv/noticia.asp?idEdicao=64&id=34398&idSeccao=523&Action=noticia


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