A “brincadeira” vai custar ao erário público qualquer coisa como 25 787 contos mensais e, não contente com isto, o Governo decidiu dar um “subsídio compensatório” de 20 mil escudos a membros do Gabinete do Primeiro-ministro

Governo é um mãos largas, porque a crise é só internacional...
PRAIA– A notícia passou praticamente despercebida, mas a edição online do Expresso das Ilhas deu-lhe um considerável destaque. É que, precisamente no mesmo dia - 14 de Novembro - em que o Primeiro-ministro anunciava as medidas de “contenção da crise internacional”, o Boletim Oficial (BO), por sua vez, anunciava o descongelamento das contratações na administração pública.
As admissões cifram-se no impressionante número de 89 novos funcionários públicos, nomeadamente – e segundo o Expresso das Ilhas” – “sessenta e um técnicos superiores, sete inspectores, cinco técnicos-adjuntos, dois inspectores-adjuntos, dois condutores, três médicos, quatro procuradores, quatro secretários de embaixada e um administrativo”, ou seja, um universo preponderante de técnicos superiores, naturalmente os que mais irão onerar o erário público. Está o leitor admirado? Não há razão para isso, afinal Cabo Verde não está em crise – como o Primeiro-ministro insistentemente vem afirmando – e o país pode dar-se a esses “luxos”. É só uma “coisa ridícula” de mais 25 787 contos em salários mensais.
Mas admirados mesmo - senão mesmo indignados – devem ficar os governos europeus, particularmente o de Portugal, que vêm reduzindo o número de funcionários para combater a crise, e que mesmo assim continuam a abrir os cordões à bolsa para que Cabo Verde possa “não estar em crise”…
Refira-se que o congelamento das admissões na administração pública havia sido decidido no Orçamento do Estado para 2011, porém – e há pormenores que passam despercebidos, sendo essa mesma a intenção -, um pequeno artigo contemplava a possibilidade de o Conselho de Ministros revogar a decisão e, sem qualquer controlo, poder fazer as contratações que muito bem entendesse. E o Governo, claro, aproveitou para dar emprego a mais 89 amigos e camaradas.
E, ao mesmo tempo que o Executivo de José Maria Neves anunciou ir mexer no Código Laboral, para – segundo as próprias palavras do Primeiro-ministro – imprimir “uma maior flexibilização do mercado de trabalho, uma redução substancial dos custos do trabalho”, o mesmo BO de 14 de Novembro anunciava que o pessoal técnico superior do Centro Jurídico da Chefia do Governo, adstrito ao Gabinete do PM, vai receber um “subsídio compensatório”, com efeitos retroactivos a 1 de Outubro, no valor de 20 mil escudos.
Praia, 18 de Novembro 2011
http://liberal.sapo.cv/noticia.asp?idEdicao=64&id=34410&idSeccao=523&Action=noticia
Sem comentários:
Enviar um comentário
Comentar com elegância e com respeito para o próximo.