sábado, 3 de outubro de 2009

PORTUGAL: BAIRROS SOCIAIS ULTRAPASSAM O ESTIGMA E A REALIDADE

Pobreza e desemprego. Os moradores da Bela Vista, do Vale da Amoreira e da Quinta da Princesa não hesitam em apontar o dedo à origem dos problemas que assolam a região: o consumo e a venda de drogas, a violência e os conflitos com a polícia. A PSP já anunciou uma nova estratégia de policiamento nos bairros - que os moradores apoiam. Mas querem mais, exigem cidadania. No dia-a-dia, a vida segue, devagar, à margem do estigma.


A vida está a andar para trás para Salvadora Mendonça. Aos 48 anos, queixa-se de que não pode dar aos filhos o que recebeu da mãe na infância em Cabo Verde: casa e comida. Vive na Zona H do bairro Vale da Amoreira, na Moita. Entre as cinco e as oito horas da manhã faz limpeza numa escola do Barreiro, serviço com o qual garante 127 euros mensais que, somados aos 120 euros da Segurança Social, compõem os seus rendimentos. É o que tem para alimentar os três filhos menores - de 14, 12 e oito anos. O marido está preso pela sétima vez por tráfico de drogas. Salvadora foi judicialmente notificada de que tem de abandonar o apartamento de dois quartos em que reside. Deixou de pagar a renda de 350 euros há muito, e os proprietários venderam o imóvel. Acabou de chegar do trabalho e enquanto estende a roupa lavada agarra-se a Deus: "Não peço nada para mim, que já estou velha. Mas tenho fé em Deus, queria dar alguma coisa para os meus filhos, não precisa ser assim igual aos outros, basta mais ou menos."

Do lado de fora dos edifícios que compõem as quatro zonas do Vale da Amoreira (J, H, C e F), as carências económicas traduzem-se em assaltos, tráfico de drogas e violência. A Praceta Pablo Neruda, rodeada de edifícios descascados e sujos e com alguns carros abandonados, não evoca qualquer poesia aos residentes. "Todos os dias ouvimos os vizinhos a queixarem-se de que foram assaltados. É um fio de ouro, é a carteira ou o telemóvel. Embora o bairro esteja mais calmo nas últimas semanas, desde a acção da polícia", comenta Normélia, 69 anos. O "mais calmo" é em comparação com a primeira semana de Setembro, quando uma onda de assaltos e tiroteios na zona resultou em conflitos com a polícia, dois baleados e três detidos.

Isabel Maria, 51 anos, está na pausa do almoço. Os braços e a T-shirt salpicados de tinta denunciam o ofício na construção civil. Na esplanada de um dos cafés do bairro, acerta detalhes com o vizinho, para quem está a lacar uma porta. Por mês, tira em média 300 euros, que reunidos com o salário de 570 euros da filha pagam as contas do mês e sustentam a família. Isabel não tem dúvidas de que a pobreza crónica da maioria da população é a causadora dos problemas que dão destaque ao bairro. "Consome--se drogas, vende-se drogas e saca-se da arma à mínima confusão. As pessoas têm medo de falar. Mas, se não protestarmos, como iremos mudar a situação?" Para além de falar, Isabel quer colocar a mão na massa. Planeia ensinar o trabalho na construção civil aos jovens desocupados do bairro e apresentou a ideia à junta de freguesia. "Precisamos de estar activos, dar a nossa parte para melhorar a situação."


A aridez do solo e o lixo e edifícios degradados sem cor definida compõem um cenário sombrio da Zona J. No centro comercial - que possui espaço para 24 lojas e que já abrigou uma charcutaria, uma peixaria, um cabeleireiro e um dentista - resistem solitários dois cafés e uma mercearia. As placas de "Vende--se" e "Arrenda-se" abundam entre os vidros partidos e portas arrombadas num edifício que agoniza. "Estou aqui há 28 anos e já perdi a conta das vezes em que fui assaltada. Se ainda não desisti, é porque restam alguns bons clientes. A decadência começou em 2002, fomos abandonados pela câmara. Os comerciantes tem medo de vir para cá", relata em anonimato a proprietária de um café. O medo de falar sobre os problemas e as soluções para o bairro domina a vida dos moradores. Embora sejam desconhecidos casos de represálias por pessoas ou instituições, é a regra de "ficar em silêncio" que impera. Maria vive num rés-do-chão, "mesmo em frente à confusão, onde há pancada e tiros". Saiu de casa para fazer as compras da semana na feira, tem de administrar com cuidado os 300 euros que recebe do rendimento social de inserção. Tem saudades do parque infantil e está preocupada com as ameaças do ambiente em que os três filhos, de 16, sete e três anos, estão a crescer. "A adolescência é uma idade complicada, nesta altura eles são influenciáveis e preocupa-me o envolvimento com drogas. Precisamos de mais protecção da polícia."


O Bairro Azul, um conjunto de edifícios com vista para o Sado e para o porto de Setúbal que faz parte do Bairro da Bela Vista, é escuro como breu. Não há iluminação pública e a dos edifícios avariou há tanto tempo que os moradores não sabem precisar. Há casas desocupadas e da rua avistam-se as paredes de tijolo nu que lacram o que um dia foram portas e janelas. Brígida Elisabete, 25 anos, e as amigas conversam ao relento rodeadas pelos filhos. Um toldo de plástico preso a árvore cobre o carro que há um ano é casa de Brígida, do marido e dos três filhos - de nove, cinco e três anos. Os bancos do Ford Fiesta vermelho improvisam a cama da família. O banho é engendrado em alguidares e o almoço preparado na grelha sobre o lume, no chão. "Morávamos com a minha sogra aqui no bairro, mas tive de sair porque a casa estava lotada. Existem apartamentos fechados, sem uso, e é isso que me deixa indignada."

Às onze horas da noite, o bairro está silencioso, não há movimentação que recorde os acontecimentos de Maio, quando carros e contentores de lixo foram incendiados, drogas e armas apreendidas, pessoas detidas e outras identificadas pela polícia como suspeitas de participarem nos motins. Sentados no murete que faz divisória com a Avenida Belo Horizonte, um grupo de três amigos entretém-se a comentar o dia. São ariscos, estão fartos de conviver com os próprios problemas e já não acreditam no futuro. João, 25 anos, já trabalhou na construção civil e como estafeta. Está à espera do primeiro filho e gostava de ser serralheiro. Inscrito no Centro de Emprego, conta que aguarda um posto de trabalho e vaga para estudar. Enquanto as oportunidades não chegam, passa o dia na Bela Vista.


Vitória (nome fictício) é vizinha da creche, da biblioteca e dos escuteiros da Bela Vista. Vive no centro do conjunto de edifícios amarelos, numa casa voltada para o pátio interno. Aproveita o fresco do fim da tarde e dos últimos dias de férias na varanda, a meter-se com as crianças da creche, que considera suas "netinhas". Tem 47 anos e há 31 vive no bairro. Trabalha nos serviços de acção social, directamente com os moradores, e, porque receia ser injusta ao retratar a realidade do bairro, prefere não dar o nome. Na Bela Vista criou os dois filhos: o mais velho, de 26 anos, é sapador-bombeiro e a rapariga, 16 anos, está a concluir o secundário. O marido, de 52 anos, trabalha no estaleiro naval da Setnave: como não tem contrato, os rendimentos mensais variam de acordo com o trabalho. Para concluir a remodelação do apartamento de dois quartos, falta apenas trocar o piso da casa de banho. "A Bela Vista é um bom lugar para se viver. Há problemas pontuais de violência, mas eles não são a regra do bairro. A minha tristeza é ouvir que não há futuro para os jovens. É claro que há, eles precisam de ocupação, de ser úteis para a comunidade." Como outros moradores de bairros sociais, Vitória não pensa que as diferenças de origem e cultura sejam causadoras de conflitos entre a comunidade. "Os problemas que o bairro enfrenta resultam da pobreza e da falta de oportunidades. A baixa escolaridade, a paternidade precoce, o envolvimento com as drogas e a criminalidade são consequências. É claro, a conduta dos pais serve de espelho para os filhos."

Quando Carla Maria Jeanne percebeu que passava mais tempo no Centro de Cultura Africana (CCA) da Bela Vista do que no seu próprio negócio, decidiu fechar o salão de beleza. O objectivo primordial do centro que fundou e dirige é a divulgação da cultura, mas desde o princípio percebeu que cultura não faz sentido sem intervenção social. Vizinho da esquadra da polícia, o centro está sediado no rés-do-chão de um dos pátios internos. De segunda a sexta-feira, as aulas de dança alegram e ocupam as crianças e os adolescentes. A auto-estima dos moradores é uma das preocupações centrais de Carla. "Com edifícios e pátios degradados, sem iluminação e muita sujidade, o sentimento geral dos moradores é o da revolta e da humilhação. O complexo de inferioridade tem raiz no lugar em que habitam, mas o preconceito vem de fora. O bairro e a sua população são tratados pelo poder público como uma questão de segurança."

Numa iniciativa do centro, os residentes estão a concluir a constituição da primeira comissão de moradores, 26 mulheres estão engajadas de forma a representar as diversas zonas do bairro.
O CCA solicitou ao Instituto do Emprego e Formação Profissional a instalação de um centro de capacitação local para os jovens, mas este foi negado pela falta de infra-estruturas no bairro. O argumento faz Carla temer a continuidade da marginalização da Bela Vista. "Os jovens são os mais afectados pelo desemprego e não têm alternativas quando terminam os estudos se não a construção. Se negam o centro de formação profissional pelo facto de o bairro não ter estrutura e as pessoas não têm emprego por falta de formação, os problemas manter-se-ão."


Elenira e Marisa, de 19 e 18 anos, de faca e saco na mão, caminham para a horta do bairro da Quinta da Princesa, no Seixal. Vão colher o milho, a abóbora, o feijão-verde e a couve que cultivam para preparar o almoço. É uma segunda-feira tranquila, nada de helicópteros a sobrevoar o bairro, carros da PSP a cercar as entradas ou revistas aos moradores que circulam. O cenário é típico de um bairro: crianças a brincar, pessoas a ir trabalhar, funcionários a fazerem a limpeza e o comércio local em pleno. Nada que se pareça com o episódio em fins de Agosto, quando conflitos entre moradores e polícia resultaram numa madrugada de tiroteios e detenções. As aulas ainda não recomeçaram e enquanto os pais trabalham, na construção e na limpeza, Elenira e Marisa são responsáveis pelos irmãos pequenos. "Não", garantem em uníssono, que o quotidiano do bairro não é de tiros.


Carlos Castro, 58 anos, responsável pelo Grupo Desportivo e Cultural, confirma o testemunho das jovens. "O bairro tem má fama, mas a origem das dificuldades está na falta de emprego, na pobreza, que deixa os jovens na rua sem ter o que fazer. Vou mentir se disser que não há problemas, mas os moradores dão-se bem." O grupo oferece treinos de andebol, atletismo e ténis para a comunidade.

É hora do almoço, mas um grupo de jovens permanece indiferente e mantém-se concentrado na Praceta do Lobito. Jogam às cartas, ouvem música e lamentam a própria condição e a do bairro. Escondem o nome e dizem-se fartos de levar "pancada" da polícia. "Eles chegam e pedem os documentos, mas muitos de nós não temos a situação regularizada porque somos filhos de imigrantes. Não querem que estejamos na rua, mas vamos estar onde, a fazer o quê?", pergunta Carlos, 24 anos. Rui, de 19 anos, gostava de ser mecânico de automóveis, estudou até ao sexto ano e já trabalhou nas obras e na Telepizza. Garante que se inscreveu duas vezes no curso, mas nunca foi chamado. "Porque as nossas famílias recebem rendimentos, a sociedade pensa que vivemos à custa dela e que somos animais. Eu gostava de ter um emprego, mas quem mora na Quinta da Princesa, a começar pelo endereço, tem dificuldade em encontrar trabalho", assinala.

A verdade, dura e crua, da Quinta da Princesa é que falta tudo, aponta o morador José Ribeiro, de 54 anos. "Falta manutenção dos edifícios, limpeza, parques, segurança, transporte e serviço de saúde. Falta emprego e ocupação para gente de todas as idades. A junta de freguesia, a câmara, a polícia, a comunicação social e os moradores, todos sabem dos problemas, o que falta é intervenção concreta."


Na escola básica do 1º ciclo está instalado o projecto "Tutores de Bairro", inserido no Programa Escolhas, que apoia 90 jovens de forma regular em actividades de reforço escolar, inclusão digital e ocupação dos tempos livres. Para além dos jovens, o projecto busca interagir com os pais, de modo a sensibilizá-los para a importância da educação continuada e da formação profissional. A psicóloga Sofia Peyssonneau, coordenadora do projecto, desafia a Quinta da Princesa. "A comunidade tem de ser a protagonista das acções e promover a sustentabilidade dos projectos. O combate à pobreza e a integração ao mercado de trabalho têm de resultar da articulação e da intervenção da comunidade."
DN.PT-Por Isadora Ataíde

CV:Cabo-verdianos em São Tomé e Príncipe vivem em extrema pobreza


Os cabo-verdianos em São Tomé e Príncipe vivem em extrema pobreza, a conclusão é do presidente da Plataforma das Organizações Não Governamentais esteve naquele país a conhecer a realidade dos patrícios.

Avelino Bonifácio conta que foi ver como os cabo-verdianos vivem lá e o que a Plataforma pode fazer para ajudá-los a melhorarem a qualidade de vida.

Após fazer um levantamento exaustivo, Bonifácio avança que a etapa seguinte é procurar parceiros para ampliar ou iniciar projectos para a comunidade, principalmente de luta contra a pobreza.
O presidente da plataforma que foi a São Tomé junto com o Secretário Executivo, Mário Moniz, apela deixa um apelo aos cabo-verdianos no sentido principalmente os que têm ou tiveram alguma ligação a aquele país para juntarem no apoio aos conterrâneos lá radicados.
RTC.CV

USA:EUA:Inscrições para sorteio de vistos começam 02 de Outubro e, Brasil único lusófono que continua de fora


Cidadãos de 182 países e territórios, incluindo Portugal, podem a partir de ontem dia 02 de outubro, candidatar-se a um visto de residência permanente nos Estados Unidos, ao abrigo do sorteio anual que decorre até final de Novembro.

De acordo com as instruções do sorteio divulgadas pelo Departamento de Estado norte-americano, as inscrições no Diversity Visa Lottery 2011 terminam a 30 de Novembro, e, pelo quarto ano consecutivo, o Brasil é o único país lusófono que integra o grupo de países cujos cidadãos não podem inscrever-se por terem enviado para os Estados Unidos mais de 50 mil imigrantes nos últimos cinco anos.
Segundo estatísticas dos Serviços de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos, entre 2002 e 2007, fixaram-se legalmente nos Estados Unidos 65.747 brasileiros, 14.295 dos quais em 2007.
Canadá, China, Colômbia, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Índia, Jamaica, México, Paquistão, Filipinas, Peru, Polónia, Coreia do Sul, Reino Unido (excepto a Irlanda do Norte) e os seus territórios e Vietname são os restantes países considerados não elegíveis para a atribuição dos vistos do Diversity Visa Lottery 2011 (DV-2011).
Portugal e os restantes países lusófonos continuam a integrar a lista dos países elegíveis para o sorteio, que atribui anualmente 55 mil vistos a cidadãos de 182 países com baixas taxas de imigração para os Estados Unidos.
Este ano não foi retirado nem acrescentado qualquer país à lista de territórios elegíveis.
As instruções para o sorteio estão disponíveis no portal www.travel.state.gov e a candidatura deverá ser submetida por via electrónica no endereço www.dvlottery.state.gov.
No âmbito do DV-2011, o sorteio dos vistos terá lugar no verão de 2010, mas os vistos só serão efectivamente atribuídos no ano fiscal 2011.
Os candidatos seleccionados serão notificados entre Maio e Junho de 2010, sendo os resultados do sorteio divulgados a 01 de Julho na Internet. Em Outubro começam as entrevistas nos consulados dos Estados Unidos dos respectivos países.
No sorteio para os vistos a atribuir em 2010 entraram no sistema mais de 13,6 milhões de inscrições válidas, tendo sido escolhidas aleatoriamente por computador cerca de 103 mil candidaturas aos 55 mil vistos disponíveis.
Para esse ano, foram atribuídos 51 vistos a Portugal, 46 a Angola, oito a Moçambique, outros oito à Guiné-Bissau e seis a Cabo Verde.
São Tomé e Príncipe e Timor-Leste não obtiveram qualquer visto.
Os candidatos ao visto devem ter formação superior ou nos últimos cinco anos ter trabalhado pelo menos dois numa actividade em que sejam exigidos dois anos de formação.
SAPO CV/LUSA

OLIMPÍADAS:Obama parabeniza Rio por feito histórico


Presidente comenta derrota com elegância: 'Uma das coisas mais valiosas no Desporto é que você pode fazer um ótimo jogo e ainda assim não vencer'


No seu primeiro discurso oficial depois da derrota da candidatura de Chicago, o presidente dos EUA, Barack Obama, elogiou o Rio de Janeiro pela conquista histórica.
- Gostaria de parabenizar o Rio de Janeiro e o Brasil por ter vencido. Acredito que é um evento verdadeiramente histórico, já que serão os primeiros Jogos Olímpicos na América do Sul - disse o presidente, que não estava no Bella Center, em Copenhague, no momento da decisão final.
Obama assistiu à escolha sozinho, da cabine do avião que o levou para casa pouco depois da eliminação de Chicago, na primeira rodada de votação.
A decisão de viajar para participar do lobby na Dinamarca só foi tomada esta semana. Sua presença colocou a cidade entre as favoritas, o que aumentou a frustração pela derrota inapelável.
O presidente, no entanto, fez questão de tentar levantar a autoestima dos americanos.
- Uma das coisas mais valiosas no desporto é que você pode fazer um óptimo jogo e ainda assim não vencer. Apesar de desejar ter voltado com melhores notícias de Copenhague, não poderia estar mais orgulhoso da minha cidade - completou.
Obama rebateu ainda algumas críticas que recebeu por ter viajado para Copenhague.
- Não tenho dúvida de que foi a candidatura mais forte possível. E tenho orgulho de ter conseguido participar pessoalmente. Gostaria mais uma vez de dizer o quanto estamos comprometidos com o espírito olímpico, que representa o melhor da humanidade.
GLOBO.COM

S.TOMÉ E PRINCIPE:Ajuda estrangeira a São Tomé e Príncipe na origem de escândalos por desvios



S.TOMÉ-A ajuda estrangeira a São Tomé e Príncipe, prestada por países como Brasil, Japão e Itália, deu origem nos últimos meses a, pelo menos, quatro casos públicos de alegada fraude, com desvio de géneros ou verbas.

O mais recente envolve um crédito japonês de 1,6 milhões de dólares, posto à disposição da Câmara do Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços (CCIAS) do arquipélago para a transacção de materiais de construção, que terá sido desviado pelo secretário-geral da instituição, Cosme Rita, também deputado e dirigente do Partido da Convergência Democrática (PCD).
A acusação foi feita por um membro da Câmara, António Quintas Aguiar, membro da (CCIA), que considera que Cosme Rita fez uma "gestão familiar e partidária" do crédito japonês, beneficiando empresários e políticos locais.
 António Quintas Aguiar lidera um grupo de comerciantes que, através da empresa STP Trading, cujos director-geral e comercial estão alegadamente envolvidos noutro caso, relativo ao desvio de um crédito de cinco milhões de dólares do Governo brasileiro para a importação de bens alimentares.
 O processo-crime de que é alvo a empresa responsável pela importação diz respeito às suspeitas de alegada corrupção na importação de bens alimentares considerados impróprios para consumo e que foram adquiridos com um crédito brasileiro de cinco milhões de dólares (3,4 milhões de euros).
 No âmbito deste processo estão detidos há dois meses em prisão preventiva o director-geral e o director comercial da STP Trading, Armando Correia e Osvaldo Santana, respectivamente.
 Os comerciantes querem que seja levantada a imunidade parlamentar ao deputado Delfim Neves para responder como arguido neste processo, rejeitado pela Assembleia Nacional.
Outro caso relaciona-se com o alegado desvio de mais de uma tonelada de massa alimentícia e óleo alimentar doados ao país pela Itália.
O Governo são-tomense recorreu mesmo, em Maio, à ajuda da polícia portuguesa para obter a extradição de um alto funcionário do seu país dado como fugitivo da justiça: Demétrio Salvaterra, o mais recente director do Fundo de Estabilização dos Preços dos Produtos de Básicos (FEPPB).
 Em resposta Demétrio Salvaterra disse à RDP África em Portugal que o ministro do Comércio, Celestino Andrade, terá desviado cerca de 70.000 euros resultantes da venda de uma parte da ajuda alimentar italiana.
Em finais de Março os antigos director e tesoureiro do Gabinete de Gestão de Ajudas (GGA) de São Tomé e Príncipe foram condenados a nove e sete anos de prisão efectiva, respectivamente, e a pagar indemnizações ao Estado. Os antigos responsáveis do GGA eram acusados de falsificação, peculato e gestão danosa, num desfalque de cerca de quatro milhões de dólares (cerca de três milhões de euros), provenientes da venda da ajuda alimentar (arroz) fornecida pelo Japão.
Diógenes da Franca Moniz, antigo director do GGA, foi condenado a nove anos de prisão e a pagar ao Estado uma indemnização de cerca de mil milhões de dobras (cerca de 44.000 euros), enquanto ao ex-tesoureiro Aurélio Aguiar foi aplicada uma pena de sete anos de prisão e o pagamento de uma indemnização de 650 milhões de dobras (cerca de 28.500 euros).
Na sequência deste caso o Governo do Japão transferiu para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) a gestão dessas receitas.
OJE/LUSA.PT

CV:Cabo Verde menos corrupto, Portugal desce 4 lugares na Transparência Internacional

Cabo Verde foi o único país da CPLP que viu melhorada a sua classificação na lista de países menos corruptos, elaborada pela Transparência Internacional (TI), em que Portugal desceu quatro posições, de 28.º para 32.º.


No relatório anual referente a 2008, em que foram analisados 180 países, a seguir a Portugal (32.º), Macau (passou de 34.º para 43.º) e a Cabo Verde (passou de 49.º para 47.º), Brasil, Moçambique, Timor-Leste, Guiné-Bissau e Angola desceram no ranking, que continua a ser liderado pela Dinamarca, Nova Zelândia e Suécia.
O Brasil desceu de 72.º para 80.º lugar, Moçambique do 111.º para o 126.º, São Tomé e Príncipe de 118.º para 121.º e Angola e Guiné-Bissau desceram ambos, para o 147.º e o 158.º.
No final da lista, a Somália é o país mais corrupto, seguido por Myanmar (Birmânia), Iraque, Haiti e Irão.
No relatório, em que os países são avaliados por um conjunto de critérios que, somados vão de 0 (muito corrupto) a 10 (livre de corrupção), Portugal obteve 6,1 pontos, seguido por Macau (5,4), Cabo Verde (5,1), Brasil (3,5), São Tomé e Príncipe (2,7), Moçambique (2,6), Timor-Leste (2,2), Angola e Guiné-Bissau (ambos com 1,9).
Dinamarca, Nova Zelândia e Suécia obtiveram 9,4 pontos, enquanto a Somália, última classificada, registou apenas 1 ponto.
A posição de Cabo Verde no ranking, em que a ONG estima o grau de corrupção do sector público a partir do parecer de empresários e analistas dos respectivos países, foi comentado já "com satisfação" pelo Governo cabo-verdiano, tendo a porta-voz do executivo de José Maria Neves destacado os programas de combate à corrupção no arquipélago.
"É fruto de todo o esforço de boa governação que este executivo tem desenvolvido, em prol do desenvolvimento do país. As nossas instituições funcionam, temos um verdadeiro Estado de direito democrático, onde os direitos, liberdades e garantias são respeitados", realça a ministra da Presidência do Conselho de Ministros e Assuntos Parlamentares, Janira Hopffer Almada.
 "Estamos num bom patamar de crescimento e desenvolvimento e, como é natural, isso tem as suas consequências positivas, nomeadamente o baixo índice de corrupção, que comprova que o nível de vida da população cabo-verdiana vem melhorando e que explica as pontuações, em vários relatórios e análises, bastante positivas relativamente a Cabo Verde", acrescenta. Janira Hopffer Almada diz também que o Governo tem estado a investir "fortemente" na melhoria das forças policiais (Polícia Judiciária e Polícia Nacional), realçando ainda o papel determinante dos órgãos judicias. "Temos travado um combate feroz contra o tráfico de drogas e a criminalidade organizada", frisa, explicando que a Lei de Lavagem de Capitais, aprovada pelo Parlamento no início deste ano, teve como principal objectivo blindar o país contra as novas ameaças que o mundo enfrenta actualmente. Janira Hopffer Almada, reconhecendo que há ainda medidas a tomar, defende que toda a credibilidade externa que Cabo Verde vem ganhando é "prova, mais uma vez", de que "está a trabalhar desde 2001 com resultados palpáveis e com ganhos reconhecidos dentro e fora" do país.
OJE/LUSA.PT

OLIMPÍADAS:Carisma de Lula e poder do Brasil dão triunfo olímpico ao Rio de Janeiro


COPENHAGA-Luiz Inácio Lula da Silva só fala português. Mas o Presidente brasileiro não precisou de saber inglês para convencer os membros do Comité Olímpico Internacional (COI) a entregar, em Copenhaga, a organização dos Jogos Olímpicos de 2016 ao Rio de Janeiro, algo que era improvável até há bem poucos meses. O discurso genuíno de Lula da Silva e o poderio económico do Brasil contribuíram para a América do Sul (e um país lusófono), pela primeira vez, acolher o maior evento multi-desportivo mundial.

“O mundo reconheceu que chegou a hora do Brasil”, exultou o Presidente brasileiro, depois de Jacques Rogge, presidente do COI, ter anunciado o triunfo do Rio de Janeiro. “Essa vitória é uma retribuição a um povo que, muitas vezes, só aparece [de forma negativa] na imprensa e nas páginas dos jornais. Os que pensam que o Brasil não tem condições de receber os Jogos vão surpreender-se”, prometeu Lula, o grande vencedor da batalha diplomática e política em que se transformou esta eleição.
Depois das derrotas nas corridas aos Jogos de 2004 e 2012, o Rio de Janeiro dissipou, finalmente, os receios dos membros do COI, também graças à pujança daquela que o Banco Mundial prevê ser a quinta maior economia do planeta em 2016.
Lula repetiu até à exaustão que das dez maiores economias mundiais só o Brasil nunca tinha organizado os Jogos. E apelou ao coração dos votantes: “Para os outros países candidatos, será mais uma edição. Para nós, será a oportunidade de construir um novo Brasil.”
O “efeito Obama” falhou
Joseph Blatter, presidente da FIFA e também membro do COI, confessou-se arrepiado com a apresentação brasileira, em que não faltaram os elogios à alegria e cultura do país, à beleza natural do Rio e à prometida renovação da “Cidade Maravilhosa”, um dos trunfos da candidatura carioca.
Também assim se explica o fracasso do “efeito Obama”. O Presidente norte-americano envolveu-se directamente na recta final da candidatura de Chicago, realizando uma viagem-relâmpago a Copenhaga. Mas não resultou. A cidade norte-americana foi excluída logo na primeira volta, algo que até ajudou o Rio, que contou nas rondas seguintes com os votos dos apoiantes iniciais dos norte-americanos.
Lula chorou
Tal como Pequim 2008 marcou mais um ponto na afirmação internacional da China, os Jogos de 2016 são mais um passo na ascensão do Brasil, um país que obteve a “cidadania internacional” e é agora de primeira classe, como salientou Lula da Silva. No espaço de dois anos, os brasileiros organizam os dois mais importantes eventos desportivos do mundo, já que em 2014 acolherão o Mundial de futebol.
A importância do momento emocionou Lula da Silva, que chorou na conferência de imprensa após o anúncio oficial. Mal Jacques Rogge revelou o vencedor, sucederam-se os abraços e as lágrimas na comitiva carioca. Mas tal como se espera um ambiente especial nos Jogos de 2016, também os festejos em Copenhaga tiveram imediatamente um toque brasileiro. A canção Cidade Maravilhosa, criada por André Filho em 1934 e que se transformou num verdadeiro hino dos cariocas, não parou de ser cantada, até mesmo quando, ao final da tarde, foi assinado o contrato entre o COI e a candidatura do Rio.
Os festejos na Dinamarca foram apenas uma pequena amostra do que se passou na praia de Copacabana, onde alguns dos 6,1 milhões de cariocas se juntaram para ouvir a boa notícia. E se normalmente as entidades organizadores apelidam os “seus” Jogos como os melhores de sempre, o Brasil está apostado em que os Jogos de 2016 sejam os mais maravilhosos de sempre.
PUBLICO.PT-Por Hugo Daniel Sousa




CPLP:CPLP "extremamente preocupada" com risco de guerra civil


LISBOA-A CPLP está "extremamente preocupada" com a situação na Guiné-Conacri, disse hoje o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros português, alertando para o risco de guerra civil que pode levar muitos refugiados à vizinha Guiné-Bissau.

"A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e nós [Portugal], enquanto presidência, estamos extremamente preocupados[...]. Há uma situação de grande fragilidade na Guiné-Conacri e um risco real de guerra civil se não houver uma atitude de grande responsabilidade dos actores políticos, principalmente de Mussa Dadis Camará, cuja candidatura à presidência da República em Janeiro de 2010 não seria aceitável pela comunidade internacional", disse João Cravinho à agência Lusa.
Pelo menos 157 pessoas foram alegadamente mortas segunda-feira, no maior estádio de Conacri, pelas forças militares quando participavam numa manifestação de protesto contra o dirigente da junta militar que tomou o poder em Dezembro, capitão Mussa Dadis Camará.
Para João Cravinho, que falava à agência Lusa à margem de uma conferência sobre os 30 anos das relações luso-chinesas, a comunidade internacional condena o uso da força e considera "inaceitável" a possibilidade de o actual Presidente, que ocupa o cargo em resultado de um golpe de estado, se candidatar à Presidência da República.
O secretário de Estad dos Negócios Estrangeiros e Cooperação adiantou ainda ter transmitido terça-feira esta posição ao ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Conacri, com quem se reuniu à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.
João Cravinho apontou também a "situação extremamente difícil" em que se encontra a Guiné-Bissau, país vizinho e membro da CPLP, e manifestou o empenho da comunidade de países lusófonos "no contexto da comunidade internacional para promover uma solução pacífica no país".
"No que toca à Guiné-Bissau, a situação é extremamente difícil porque a Guiné-Conacri, entre outras coisas, em função de conflitos na região, em países como a Libéria ou a Serra Leoa, tem um muito elevado número de refugiados de outros países. Ora, se houver guerra civil é possível que muitos desses refugiados procurarão ir para a Guiné-Bissau, que já vive uma situação de grande fragilidade e precariedade" sublinhou.
DN.PT/LUSA.PT

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

OLIMPIADAS:Cidade maravilhosa recebe Jogos de 2016




A cidade brasileira do Rio de Janeiro acabou de ser eleita para organizar os Jogos Olímpicos de 2016.


O Rio superou assim as candidaturas de Madrid (esta na votação final) Chicago (EUA) e Tóquio (Japão).
Pela primeira vez na história, uma cidade sul-americana foi escolhida pelos membros do Comité Olímpico Internacional para acolher os Jogos Olímpicos.
Esta competição chega ao Brasil dois anos depois da organização, pelo País, do Campeonato do Mundo de futebol, de 2014.
Chicago foi a primeira cidade a ser excluída na primeira votação, que contou com uma abstenção e onde 95 membros do COI deram a conhecer a sua escolha.
A candidatura de Tóquio ‘caiu’ na votação que se seguiu. Participaram mais dois membros do Comité, mas houve novamente uma abstenção.
A notícia da escolha do Rio para cidade dos Jogos de 2016 foi recebida com euforia por uma multidão em Copacabana.
Lula enxuga as lágrimas na entrevista coletiva em Copenhague: discurso emocionado
Cariocas ficaram atrás de Madrid na primeira votação. Na terceira e decisiva, entretanto, a vitória foi de lavada: 66 a 32
Dá para dizer que foi uma vitória de virada. Após o anúncio do Rio de Janeiro como sede dos Jogos de 2016, nesta sexta-feira, o Comitê Olímpico Internacional divulgou os números das votações nas três rodadas.
1ª rodada 2ª rodada 3ª rodada
RIO DE JANEIRO 26 46 66
MADRI 28 29 32
TÓQUIO 22 20 -
CHICAGO 18 - -
Na primeira, Madrid foi a cidade vencedora, com 28 votos, dois a mais do que a candidatura carioca. Chicago foi a eliminada, com 18. Na segunda rodada, o Rio conseguiu uma virada e tanto. Ficou perto até de conseguir a maioria dos votos, o que eliminaria a necessidade da terceira rodada. Somou 46 votos, contra 49 de Madri e Tóquio, somados. Os japoneses levaram a pior e saíram da disputa.
Na rodada decisiva, a vitória foi de lavada: 66 votos para o Rio, e 32 para Madrid. Os espanhóis vivem, assim, uma experiência parecida com a de quatro anos atrás. Na briga pelos Jogos de 2012, a cidade teve a maior votação da segunda rodada, mas foi eliminada em seguida, ficando atrás de Madrid e Londres. Os ingleses venceram na quarta rodada e ganharam o direito de receber as Olimpíadas.
ABOLA.PT/GLOBO.COM

ECONOMIA:FMI afasta cenário de recessão em Angola


LUANDA-O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia de Angola cresça 0,2% este ano e 9,3% em 2010, afastando a anterior previsão de recessão, tal como já havia feito o Banco Mundial.
A revisão em alta da previsão do FMI (a anterior era de uma contracção de 3,6%) consta do World Economic Outlook, divulgado hoje, mas ainda se afasta dos números do Governo angolano, na base do Orçamento de Estado revisto para este ano (6,1%).A previsão do FMI para o continente africano é de um crescimento económico de 1,7% em 2009 e de 4,0% em 2010.
Na África Austral o crescimento deverá ser nulo este ano, recuperando para 6,1% no próximo ano."O crescimento em África abrandou significativamente em resultado do colapso do comércio e dos distúrbios nos mercados financeiros globais, mas deverá recuperar o andamento à medida que se processa a recuperação económica", refere o relatório divulgado pelo FMI.
É salientado que os países produtores de petróleo como Angola são dos mais afectados em 2009, devido à forte quebra de receitas no início do ano.
A inflação angolana deverá acelerar para 14% este ano e 15,4% em 2010.
As contas correntes só voltarão a terreno positivo em 2010 (2,2%), sofrendo um défice de 3,4% este ano.
Para o FMI o cenário está ainda sujeito a "significativa incerteza", nomeadamente porque uma recuperação económica global mais lenta que o esperado poderá atrasar a recuperação do preço das matérias-primas e as receitas, remessas e investimento directo estrangeiro.
A melhoria das perspectivas para a produção petrolífera angolana em 2009 levaou também o Banco Mundial a rever em alta as previsões para o crescimento económico do país, afastando o cenário de recessão.
A última previsão é nula, mas os economistas do Banco Mundial em Luanda acreditam que o crescimento angolano poderá até ser positivo, se o sector petrolífero crescer mais de 10%.
O preço do petróleo subiu e a produção de petróleo angolana inscrita no Orçamento de Estado revisto, 1,8 milhões de barris diários, está apenas 6,5% abaixo da registada no ano passado.A recuperação do sector petrolífero angolano levou também o Banco BPI a rever em alta previsões para o PIB angolano em 2009, para menos 2,0%, enquanto o Governo angolano espera um crescimento de 6,1%.
No segundo trimestre de 2009 o preço internacional do petróleo inverteu a tendência de queda, e Angola conseguiu manter níveis de exploração petrolífera próximos de 1,7 milhões de barris diários, acima da quota fixada pela OPEP.Segundo dados do Ministério das Finanças angolano em Janeiro, o preço do petróleo angolano rondava os 39 dólares, tendo subido para 55,9 dólares em Maio.Em Fevereiro o BPI previa uma quebra do PIB na ordem dos 5% em 2009, com o sector petrolífero a recuar 14% e o não-petrolífero a subir ligeiros 4%.
No ano passado Angola registou dos mais elevados ritmos de crescimento económico do mundo - 15%, aproximadamente, graças aos preços-recorde do petróleo acima dos 140 dólares e a um nível de produção próximo dos 2 milhões de barris diários.
OJE/LUSA

ANGOLA:UNITA ameaça não votar nova Constituição, discorda de método de eleição presidencial


LUANDA-A UNITA, maior partido da oposição angolana, ameaça não votar a nova Constituição do país se não estiverem garantidas condições para que a soberania do povo seja respeitada.O novo texto constitucional está em discussão na comissão técnica parlamentar criada para debater e analisar as propostas de ante-projectos constitucionais dos partidos políticos e os contributos da sociedade civil. Mas a ameaça da UNITA, como explica o seu presidente, Isaías Samakuva, em comunicação pública sobre a questão, surge porque o maior partido da oposição teme que o MPLA, que tem uma maioria de 191 em 220 deputados eleitos no Parlamento, "esteja a criar condições para subverter a Lei Constitucional". Isto porque há cerca de um ano que está em curso em Angola uma acesa polémica sobre a forma como a Constituição vai definir o método de eleição do Presidente da República após o próprio Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, ter avançado com a ideia de que este é eleito como o cabeça de lista do partido mais votado nas eleições para a Assembleia Nacional (Parlamento).
Actualmente o Presidente é eleito em sufrágio universal, directo e secreto em eleição distinta das legislativas, como a UNITA; e a maioria da oposição quer que se mantenha, enquanto o MPLA preconiza, com a sua proposta de ante-projecto constitucional, que o Chefe de Estado seja eleito em simultâneo com os deputados e como cabeça de lista do partido mais votado.
As eleições presidenciais tinham sido anunciadas por José Eduardo dos Santos para este ano, seguindo-se às legislativas que ocorreram em Setembro de 2008, mas a nova Constituição veio servir de argumento ao MPLA e ao seu líder, José Eduardo dos Santos, para fazer depender a realização das presidenciais à sua aprovação, contemplando o texto já o novo método de eleição presidencial."As eleições marcadas para 2009 não foram nem serão convocadas.
A Lei Constitucional (actual) não é respeitada. Os compromissos assumidos também não. A palavra dada não é cumprida (...) o MPLA já não quer que o povo eleja o Presidente da República", acusa Isaías Samakuva.
Perante este cenário o presidente do partido do "Galo Negro" defende que a não terem lugar as presidenciais em conformidade com a actual Constituição "abala a legitimidade política do Presidente da República".
A possibilidade de não votar na comissão parlamentar o projecto final de Constituição, como ameaça a UNITA, teve na terça-feira um primeiro sinal, quando os elementos deste partido não se fizeram presentes durante a reunião da comissão técnica constitucional do Parlamento por discordarem dos métodos impostos pela maioria do MPLA no órgão.Já numa reacção às acusações da UNITA, o MPLA, pelo porta-voz Norberto dos Santos "Kwata Kanawa", veio afirmar que o partido do "Galo Negro" está equivocado quando afirma que o partido no poder já não quer eleições directas para a Presidência da República.
Isto porque, segundo Norberto dos Santos, o Chefe de Estado continuará, se a proposta do MPLA vingar, como se espera, a ser eleito por voto directo, secreto e universal, tendo em conta que este é o cabeça de lista mais votado de entre os partidos concorrentes.
O MPLA alega ainda que o candidato a Chefe de Estado terá a sua fotografia no boletim de voto para esbater quaisquer dúvidas.Sustenta ainda o porta-voz do MPLA que, ao contrário do que afirma a oposição, "não existem quaisquer diferenças" entre a proposta do MPLA e as ideias do seu líder e Presidente da República, José Eduardo dos Santos, sobre esta matéria.
OJE/LUSA

ANGOLA:Fronteira de Cabinda com República do Congo abre após negociações diplomáticas

LUANDA-Os cidadãos angolanos retidos na República do Congo depois das autoridades de Brazzaville terem, no fim-de-semana passado, decidido fechar a fronteira de Massaby com Cabinda, deverão regressar hoje a casa após negociações diplomáticas.
A República do Congo encerrou o posto fronteiriço de Massaby, que liga a cidade congolesa de Ponta Negra à vizinha cidade angolana de Cabinda, na sequência da expulsão de centenas de congoleses que estavam ilegais em Angola.
No entanto, após uma reunião entre o vice-ministro das Relações Exteriores angolano, George Chicoty, e o embaixador congolês em Luanda, Jean Baptiste, na quarta-feira, os países garantiram que este episódio não poderá afectar as antigas e boas relações entre Luanda e Brazzaville.
Além de centenas de angolanos retidos no lado congolês de Massaby, estão ainda retidas dezenas de camiões com bens alimentares e cimento, entre outros, essenciais para a vida na província de Cabinda, que tem na República do Congo grande parte da origem das suas importações.
De acordo com fontes citadas pelas rádios Nacional de Angola e Ecclesia, os primeiros cidadãos angolanos já começaram a atravessar a fronteira de regresso a casa nas primeiras horas de hoje, embora a situação não esteja ainda normalizada.
Para isso é aguardada uma decisão de Brazaville, que procedeu a esta medida de retaliação pela expulsão de cidadãos congoleses de Angola, no sentido do completo restabelecimento da normalidade.

De entre os argumentos usados pelas autoridades congolesas estão a ideia de que os ilegais repatriados "nem todos são da República do Congo", adiantou o embaixador congolês, Jean Baptiste.
 Neste contexto, quando se referiu a esta questão, o vice-ministro angolano, George Chicoty, admitiu que existem problemas por resolver com as autoridades dos dois Congos (Kinshasa e Brazzaville).
Nas últimas semanas também a República Democrática do Congo (Kinshasa) tem recorrido à expulsão de angolanos (muitos dos quais refugiados há vários anos no país, para onde foram durante a guerra civil angolana, de 1975 a 2002), em resposta aos largos milhares de congoleses que anualmente são devolvidos ao seu país quando apanhados em actividades ilegais ligadas ao garimpo de diamantes.
Para fazer face à situação dos ilegais George Chicoty entende ser necessário "encontrar mecanismos que permitam que quando um Estado toma uma decisão possa vincular o outro, ou trabalhar num contexto melhor preparado porque cada país tem a sua própria soberania".
OJE/LUSA

OLIMPÍADAS:Com reforço de Lula, ‘seleção’ brasileira usa a emoção na cartada final por 2016


COPENHAGUE-Com o reforço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o time brasileiro em Copenhague mostrou estar bem entrosado na última apresentação antes da eleição do Comitê Olímpico Internacional (COI), nesta sexta-feira. A candidatura carioca usou seu mais forte argumento - o de que os Jogos Olímpicos nunca foram para a América do Sul - e mostrou um pouco do que o Rio de Janeiro tem a oferecer. E se o presidente americano, Barack Obama, deu boas-vindas ao mundo no coração da América, os cariocas lembraram que os braços do Cristo Redentor, que sempre estiveram abertos, agora querem abraçar as Olimpíadas de 2016.
- O desafio é outro: expandir as Olimpíadas para outro continente, acender a pira olímpica em um país tropical, na mais linda cidade - disse Lula.
Presidente de honra da Fifa, João Havelange foi o primeiro a falar e lembrou que uma vitória do Rio de Janeiro celebraria seu 100º aniversário. Havelange, assim como Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), é membro do COI e não tem direito a voto na primeira rodada.
Havelange passou a bola para Nuzman, que fez breves saudações em francês. 
- O Brasil está mais ativo do que nunca no cenário global. O movimento olímpico tenta alcançar os jovens no mundo. Todos somos parte da mesma equipe que organizou os Jogos Pan-Americanos de 2007. Na era moderna, serão 30 Jogos na Europa, cinco na Ásia, dois Oceania. Queremos trazer os Jogos para a América do Sul, abrir as portas de um novo continente para carregar o movimento olímpico.
Nuzman convidou os membros do COI a sentirem “um gostinho do que o Rio oferece”. Um vídeo, ao som de “Aquele Abraço”, entrou no telão e, nele, apareceram belas imagens de praias, futebol, samba, funk - mas não de favelas - e, claro, de conquistas brasileiras no esporte.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que o pré-sal é um dos trunfos brasileiros. O governador, Sérgio Cabral, e o prefeito, Eduardo Paes, lembraram a integração das três esferas do governo e que a Copa do Mundo de 2014 vai ajudar na organização dos Jogos Olímpicos.
- A Copa do Mundo servirá de trampolim para os Jogos – disse Paes.
Pelé recebe aplausos no Belle Center Usando um colar laranja, a bela Isabel Swan, velejadora que em Pequim conquistou o bronze na classe 470, disse aos membros do COI que o Rio de Janeiro é sua casa. Pediu aplausos a Pelé, que assistia a tudo ali ao lado. E contou as histórias de superação do nadador paraolímpico Daniel Dias e de Bárbara Leôncio, revelação do atletismo. Foi então que o protagonista entrou no palco.
- Com muito orgulho, represento aqui as esperanças e sonhos de mais de 190 milhões de brasileiros. Somos um povo apaixonado pelo esporte. Olhando para os cinco aros olímpicos, vejo neles o meu país. Não só somos um povo misturado, mas um povo que gosta muito de ser misturado. Digo com muita franqueza: chegou a nossa hora. Entre as dez economias do mundo, somos o único país que nunca recebeu os Jogos. Essa decisão abrirá uma nova fronteira. O desafio do COI é outro: expandir as Olimpíadas para outro continente, acender a pira olímpica em um país tropical, na mais linda cidade.
Lula saiu de cena, e, no telão, mais um vídeo, com o tema: "a paixão nos une". Do outro lado do Atlântico, o sol, que andava se escondendo nos últimos dias, apareceu no Rio de Janeiro. Na Praia de Copacabana, um palco com dois grandes telões estava armado para a festa do anúncio.
GLOBOESPORTE.COM

INDONÉSIA:Ratna Sari foi resgatada com vida 40 horas depois do sismo na Indonésia


No meio dos escombros e quando já não esperavam encontrar sobreviventes do violento sismo que matou mais de mil pessoas na ilha indonésia de Sumatra, segundo dados da ONU, as equipas de socorro encontraram Ratna Kurnia Sari, uma estudante de 20 anos, que sobreviveu 40 horas debaixo dos destroços da destruição em Padang.
Ratna Kurnia Sari tem dificuldade em andar e as roupas que traz no corpo estão cheias de poeira, mas a estudante de 20 anos sabe que, no meio da desgraça, teve muita sorte: sobreviveu na ruínas da sua escola em Padang onde ficou soterrada dois dias. A poucos metros dela, uma outra mulher de 20 anos, Nopa Labianawho, chama freneticamente pela equipa de salvamento. Para chegar a ela, é preciso levantar os blocos de cimento e a terra da escola que ruiu. Como houve para Ratna, ainda há esperança para Nopa. O soldado Ali Muzer não esconde a satisfação ao fim de horas de esforço a debelar as ruínas da escola onde Ratna se encontrava. “Tirei-a dali. Ela está consciente. Está apenas ferida numa perna”, disse. Os salvadores trabalham contra o tempo, com poucos meios e debaixo da forte pressão das famílias de desaparecidos. “Penso que conseguiremos salvar as duas”, afirmou Mas Rizal Rabis, um bombeiro de 30 anos que passou toda a noite junto às ruínas da escola, referindo-se ao caso de Nopa depois de Ratna ter sido salva. Estavam as duas num grupo de 15 estudantes e uma professora que se encontravam na escola no momento forte abalo.
O sismo, cujo epicentro foi a cerca de 50 quilómetros da costa e da cidade de Padang, teve uma intensidade de 7,6 graus na escala de Richter e deixou um rasto de destruição e desolação.
A ONU diz que pelo menos 1100 pessoas terão sucumbido ao terramoto de quarta-feira. As autoridades indonésias falam em pelo menos 777 vítimas mas admitindo que poderão vir a ser “milhares”. “Pensamos que milhares de pessoas terão morrido”, disse à AFP o chefe do gabinete de crise do Ministério indonésio da Saúde, Rustam Pakaya.

Indonésia pede ajuda internacional para vítimas do terremoto de Sumatra
O governo da Indonésia reivindicou nesta sexta-feira (2) ajuda internacional para as vítimas do terremoto."Necessitamos ajuda dos países estrangeiros para que mandem trabalhadores de resgate qualificados e equipamento moderno", explicou a ministra da Saúde indonésia, Siti Fadilah Supari.
Os governos de Austrália, Coreia do Sul e Japão, entre outros, devem enviar à região afetada pessoal especialista em situações de emergência. A prioridade é localizar sobreviventes soterrados.
PÚBLICO.PT/GLOBO.COM

OLÍMPIADAS:Obama: 'Gostaria de dar as boas-vindas ao mundo no coração da América'

Presidente dos EUA e primeira-dama foram o ponto alto da apresentação da cidade na disputa pela sede das Olimpíadas de 2016 em Copenhague
COPENHAGUE-Como era de se esperar, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a primeira-dama do país, Michelle Obama, foram os principais pilares da apresentação da candidatura de Chicago à sede dos Jogos Olímpicos de 2016, nesta sexta-feira, no auditório Bella Center, em Copenhague. Enquanto Michelle apelou para o lado emocional, citando a doença de seu falecido pai e a paixão dele por esportes para falar da importância dos Jogos Paraolímpicos, Obama ressaltou ser um apaixonado pelas Olimpiadas e que gostaria muito de receber o evento perto de onde mora.- Peço que vocês votem em Chicago. Se fizerem isso eu garanto que Chicago e os Estados Unidos deixarão o mundo orgulhoso - disse.

O presidente americano destacou que Chicago é a cidade mais americana de todas e que reúne entre seus moradores pessoas das mais diversas etnias: - Há cerca de um ano, numa noite de novembro, milhares de pessoas de vários lugares do mundo se juntaram em Chicago para acompanhar o resultado das eleições para presente dos Estados Unidos.

O interesse não era em mim individualmente, mas no que representava a nossa diversidade, o que ela poderia ser de fundamental para a sustentação do trabalho para que possamos viver de forma pródiga. Esse trabalho está longe de terminar, mas começou com força e gostaria de andar poucas quadras da minha casa com minhas filhas e minha mulher e dar as boas-vindas ao mundo para o nosso bairro. Cada vez mais as pessoas estão se juntando e chegando a Chicago. Com os Jogos teremos uma grande oportunidade pela união das nações e aumentar nosso potencial como povo. Gostaria de dar as boas-vindas ao mundo no coração da América - disse Obama, que ao fim da apresentaçao recebeu do COI um diploma por sua contribuição à divulgação do desporto.

Obama acrescentou que criou raízes em Chicago. A exemplo de sua mulher, ele também citou o pai. Segundo o presidente dos EUA, seu pai serve de exemplo de como seu país é aberto ao mundo: - Eu nasci no Havaí, morei na indonésia, então não tive raízes definidas. Fui para Chicago e conheci as ruas, trabalhei com homens e mulheres, branco, negro, latinos, asiáticos e pessoas de todas as religiões. Descobri que é a cidade mais americana de todas, onde cidadãos de mais de cem nações estão presentes, em cada vizinhança, cada uma com caracteristica única. Mas todos fazem parte de uma cidade, onde encontrei a minha casa. Chicago é o lugar onde celebramos nossas diferenças e também nossas coisas em comum, com festivais e eventos esportivos, onde milhões de pessoas estranhas umas às outras se abraçam para celebrar uma vitória no esporte. O presidente americano disse também que Chicago tem todas as características do espírito olímpico e que gostaria de sair de casa com a família e dar "bom dia" para todo o mundo.
Michelle faz apelo emocional
Antes de Obama, a primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, discursou usando a doença que seu pai, um apaixonado pelo desporto, segundo ela, teve antes dos 30 anos para destacar a importância dos Jogos Paraolímpicos. Michelle começou falando que quando criança sonhava ser como os grandes desportistas. Segundo Michelle, está é a chance de Chicago, sua cidade-natal, ser iluminada pelas luzes dos Jogos. - Estou honrada por estar aqui. Nasci e fui criada no sul de Chicago, não muito longe de onde os Jogos serão abertos e encerrados. O desporto sempre uniu nossa comunidade - disse. Depois fez uma ode ao seu pai e aos Jogos Paraolimpicos: - O desporto foi um dom que compartilhei com meu pai. As minhas principais lembranças dos Jogos são torcer por Olga Korbut (ginasta) e Carl Lewis (atleta). Estou pedindo para vocês escolherem Chicago, para escolherem a América, não apenas como primeira-dama dos Estados Unidos, não só como mãe de duas jovens meninas, mas estou pedindo como uma filha. Meu pai teria muito orgulho de ver esses Jogos em Chicago, significaria muito mais para ele, que com pouco menos de 30 anos teve esclerose múltipla. Mesmo com auxílio de muletas ele nunca parou de brincar com a gente e nos ensinou as raízes fundamentais dos Jogos, o objetivo de ter a honra de jogar de forma digna. Meu pai não viveu para ver os Jogos Paraolímpicos com a força que têm hoje, isso daria a ele muito orgulho.
A apresentação de Chicago começou às, com uma explanação da porta-voz da candidatura, Anita Franz, dizendo que as Olimpíadas transformariam a cidade em um grande "playground". Também falaram o novo presidente do Comitê Olímpico americano, Lawrence Probst, e o prefeito de Chicago, Richard Daley, que citou Jesse Owens como exemplo de um afro-americano que saiu de Chicago para mostrar em Berlim, em 1936, durante o período da Alemanha nazista, que os Jogos Olímpicos representam esperança e justiça.
Também se pronunciaram Patrick Ryan, presidente do Comitê Organizador de Chicago; Doug Arnot, arquiteto do Comitê dos Estados Unidos, que prometeu uma Olimpíada sustentável, e Robert Ctvrtlik, ex-jogador de vôlei, campeão olímpico em 1988 (Seul) e Mundial em 1986 (França). Ctvrtlik disse que as universidades da cidade mostram que a Olimpíada será voltada para os jovens e a educação do país.
Durante a apresentação de Chicago, alguns vídeos foram exibidos, o primeiro apresentando a cidade como a Casa do Blues, e fazendo referência ao bronze, à prata e ao ouro em monumentos. Vários clips mostraram depoimentos de jovens e crianças sobre a vontade de ver as Olimpíadas em Chicago. Curiosamente, um clip foi apresentado com o som de uma música do U2, uma banda irlandesa, ao fundo.

GLOBOESPORTE.COM-Por Rafael Maranhão

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

INDONÉSIA:Terra volta a tremer na Indonésia; Governo estima milhares de mortos

A terra tremeu pela segunda vez em menos de 24 horas, na Indonésia. Um sismo de magnitude 6.8 na escala de Richter atingiu, esta manhã, a ilha de Samatra. Milhares de pessoas podem ter perdido a vida.
O balanço actual aponta para pelo menos 400 mortos, mas há ainda milhares de pessoas soterradas entre os escombros e o Governo admite que o número de vítimas possa ser bem mais elevado. "Estimamos que milhares de pessoas estejam mortas" declarou o chefe da célula de crise do Ministério da Saúde, Rustam Pakaya.
As equipas de resgate continuam a vasculhar os edifícios destruídos.O sismo atingiu Padang, uma cidade portuária com quase um milhão de habitantes. O epicentro fica a cerca de 280 quilómetros da região que ontem foi abalada por um outro terramoto.
O Presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, pediu ao Governo para levar o máximo de ajuda às vítimas por avião ou barco, uma vez que as totas terrestres estão quase intransitáveis."Enviámos 200 médicos e enfermeiros, oito toneladas de medicamentos, oito toneladas de alimentos para bebés e tendas", indicou entretanto M. Pakaya. Muitos habitantes estão a abandonar Padang, ante o receio de novas réplicas susceptíveis de provocar um tsunami.
SIC.PT

CHINA:China comunista inicia comemorações de 60 anos

O número um chinês, Hu Jintao, apareceu por volta das 10h locais (23h de Brasília de quarta) na Praça da Paz Celestial (Tiananmen), onde Mao Tse-tung proclamou, em 1º de outubro de 1949, a fundação da República Popular da China. (Foto: AFP)
A China iniciou na manhã desta quinta-feira (1º) as comemorações de seus 60 anos de comunismo, com 60 salvas de canhão na Praça Tiananmen, em Pequim.

As comemorações terão uma parada militar e um desfile de 100 mil pessoas, em meio a um esquema de segurança sem precedentes. (Foto: AFP)


A 1 de Outubro de 1949, no termo de uma guerra civil, Mao Tsé-Tung proclamou em Pequim, perante uma multidão entusiástica, o nascimento da República Popular da China. Seis décadas depois, os chineses terão algumas razões para celebrar a efeméride: Mao continua a ser o herói da pátria. Mas a China há muito deixou ficar para trás as prioridades estabelecidas pelo velho dirigente comunista e caminha na estrada da prosperidade
Em 1981, cinco anos depois de Mao morrer, a China comunista acertou contas com o seu fundador. Uma declaração pública elogiou os seus feitos até 1957 e culpou-o pelo que correu mal desde então. A versão ainda hoje se mantém.
Mao Tsé-Tung nasceu em 1893 numa China que estava a partir-se em bocados. A dinastia Qin entregara o pais à anarquia e as potências estrangeiras olhavam com cobiça para o velho Império do Meio. A nação precisava de um herói para se salvar. Mao assumiu esse papel. Com 13 anos, juntou-se aos revolucionários que lutavam contra os Qin.
Duas décadas depois, tornou-se chefe dos camponeses que derrotaram os invasores japoneses e os nacionalistas do Kuomintang.
Quando entrou em Pequim, há 60 anos, Mao anunciou que a nação se tinha "levantado". Com isso queria dizer que a China estava de novo unida.
Mao, a quem chamavam "o sol vermelho", orgulhava-se de dizer que era filho de um camponês.
Mas a história é outra. O seu pai era dono de uma quinta na aldeia de Shaoshan e viva em desafogo. Mesmo contra a vontade do pai, Mao pôde ir para a escola e para a universidade, onde se fez professor. Ali começou a ler Marx e Lenine e tornou-se amigo de outros que como ele pensavam que o socialismo - na sua versão camponesa - era a solução para os problemas da China. Para os que lhe davam ouvidos, Mao era um idealista que queria criar um mundo onde todos fossem iguais. Quando publicou o Livro Vermelho, começou a Revolução Cultural que inspirou a juventude chinesa. Mas depois da sua morte, a imagem mudou. Sabe-se hoje que, no poder, Mao causou a morte a milhões de pessoas. Muitos morreram com fome nos anos do Grande Salto em Frente, outros eram dissidentes que foram assassinados em purgas.
O seu médico, Li Zhisui, contou que Mao não gostava de usar fatos e trabalhava na cama ou à beira da piscina. Jung Chang, autora de Mao - A História Desconhecida, escreveu que "Mao era o homem mais rico da China de Mao.".

Do casaco de Mao à gravata de Hu
Mao conquistou a China com um casaco verde de colarinho apertado e dois bolsos no peito. Nos primeiros anos da República, o casaco foi promovido a traje do partido e assim se manteve até ao final do século. Quando subiu ao poder, em 2002, Hu Jintao atirou-o para o baú e vestiu os comunistas de fato e gravata. Num partido que faz segredo das suas mudanças, foi a moda que denunciou a revolução. À primeira vista, o sistema político na China mudou muito pouco desde 1949: o Partido Comunista continua a ser uma organização paralela ao Estado dominado por oligarcas e que não tolera oposição. Mas se a estrutura do partido ficou congelada no tempo, os homens que nela se mexem têm pouco a ver com os primeiros comunistas revolucionários. A nova geração de líderes é mais educada, o mérito e a competência contam para se chegar ao topo e o processo de decisão é hoje mais consultivo e descentralizado do que nunca.O partido mudou para sobreviver à queda em dominó do comunismo, em 1989, que também ameaçou Pequim. Hu Jintao tem a receita para continuar a resistir: melhorar continuamente a qualidade de vida dos chineses. Como escreveu a revista Time, a China está a viver uma nova revolução: a das "expectativas".

População
Há razões para acreditar que a China se tornará no país mais poderoso do mundo. Uma é a sua população - 1,3 mil milhões de pessoas. Por cada dez homens no mundo, dois são chineses. Em 1949, a proporção era igual, mas os problemas demográficos não tinham comparação aos de hoje. A China é um país sobrepovoado. Usando a metáfora de Malthus, tem convidados a mais para os lugares à mesa. Para resolver o problema, em 1979, os comunistas proibiram os casais de ter mais do que um filho. A medida devia ser provisória, mas ainda hoje se mantém.
Turistas
Durante os seus primeiros anos, a República Popular da China esteve de portas fechadas ao resto do mundo. Os estrangeiros que entravam eram sobretudo diplomatas do bloco soviético. As coisas mudaram muito desde então. A China abriu-se ao mundo na década de 1970. Hoje milhões de turistas chegam ao país todos os anos. Muitos procuram os lugares emblemáticos da revolução como a aldeia de Shaoshan, onde Mao cresceu. O ponto alto aconteceu no Verão do ano passado quando Pequim acolheu os Jogos Olímpicos. Para o ano, Xangai organiza a Exposição Mundial
Reserva da moeda
Talvez mais do que "fábrica do mundo", a China é hoje o "banco do mundo". O milagre económico de Deng tornou o país no maior exportador mundial. Isso, aliado ao investimento externo, permitiu acumular uma quantidade extraordinária de moeda estrangeira. Nos seus cofres, Pequim tem dois biliões de dólares, a maior reserva do mundo. Nos últimos anos, a China passou também ela a investir. A África, rica em recursos naturais e esquecida pelo Ocidente, tem sido um dos alvos. Mas também os fundos de investimento dos EUA que tremeram com a crise.
Universitários
A educação das massas camponesas era um sonho de Mao que a China comunista partilhou. Em 60 anos, a Pequim alfabetizou quase toda a sua população. Hoje 206 milhões de crianças chinesas vão à escola e 20 milhões de jovens estão nas universidades do país, que dá sinais de querer fugir à armadilha da mão-de-obra barata. Além desses, há 300 mil chineses em universidades estrangeiras. O desafio de Pequim é fazê-los regressar e convencer os cérebros, que formou, a não fugirem para países onde lhes paguem melhor.

2009 : Hu Jintao, Um comunista para o que for preciso
Quando, no primeiro dia de Outubro de 1949, Mao apareceu na Cidade Proibida, no topo da Praça Tiananmen, a anunciar o início da República Popular da China, Hu Jintao tinha sete anos e andava na escola da cidade de Taizhou, a mais de mil quilómetros de Xangai. Filho de mercadores abastados, o rapaz tinha tudo para se tornar uma vitima da revolução e das purgas dos fanáticos maoistas que estavam para vir. Mas o cauteloso Hu soube trocar as voltas à história. Hoje, 60 anos depois de Mao conquistar Pequim, ele é o homem que governa a velha-nova China. Hu tornou-se o rosto da quarta geração de líderes comunistas chineses quando sucedeu a Jiang Zemin, em 2002. Sete anos no poder não deixaram cair a máscara que esconde este chinês, um comunista engravatado que gosta de dançar e jogar ténis de mesa, a acreditar numa linha que foi apagada da sua biografia oficial. Em China's New Rulers - The Secret Files, (um guia sobre a liderança chinesa) Hu é retratado apenas no seu lado político: um governante cauteloso "que cita Confúncio" e um perfeito militante "que irá para onde for destacado e fará o que for preciso" - e, por isso, chegará ao topo da hierarquia política do Estado chinês.Hu entrou para o Partido Comunista em 1966, quando estava a terminar o curso em engenharia hidroeléctrica, numa prestigiada universidade de Pequim, e a China respirava a Revolução Cultural. Trazia o Livro Vermelho debaixo do braço. Cumprindo os ensinamentos de Mao, que mandava os jovens educados dessa época para as zonas mais pobres e remotas do país, Hu começou trabalhar na província de Gansu. Em 1982, chegou a Pequim onde caiu nas boas graças do liberal Hu Yaobang. Quando fez 42 anos, foi nomeado secretário do partido em Guizhou. Seis anos depois seria enviado ao Tibete para reprimir, sem piedade, a vaga de protestos dos monges budistas. Uma acção que lhe abriu as portas da Comissão Permanente do partido em Pequim. Iniciava assim o percurso pelas altas esferas do poder. Hu foi o homem do consenso em tempos contraditórios. Ou não fosse ele o Presidente da moderna China.

Militares
Pequim vestiu-se de vermelho e preparou uma parada militar para impressionar hoje o mundo, nos seus 60 anos. Pela primeira vez em dez anos, 5 500 soldados vão desfilar pela Avenida da Paz Celestial e mostrar o seu moderno arsenal. O 'filme' terá poucas semelhanças com a da entrada de Mao na capital à frente de um exército de um milhão de camponeses. Rodeada de inimigos, a China comunista fez da modernização militar uma missão. Em 1964, testou a sua bomba nuclear. Hoje tem o maior exército do mundo.

PIB per capita

Se Mao pudesse voltar à vida, nem que fosse por um dia, ficaria desiludido ao ver o resultado da sua revolução. É verdade que a China é mais rica do que alguma vez foi durante o maoísmo. O PIB 'per capita' atingiu os 2770 dólares e #37 multinacionais chinesas estão no top 500 da revista Fortune. Mas o milagre económico chinês ainda não chegou a todos. O fosso entre ricos e pobres é maior do que nunca. Perto de 207 milhões de chineses vivem com menos de 85 cêntimos por dia. Durante o Grande Salto em Frente, em 1958, milhões de chineses morreram de fome. Mao fazia questão de notar que a morte não discriminava ninguém...

Esperança de vida
Um bebé nascido no ano zero da China de Mao tinha à sua espera uma vida de fome, guerra e doença, que devia terminar por volta dos 36 anos. Um bebé que nasça na China de hoje pode contar com uma vida bem menos dura e fazer planos para os próximos 73 anos. Em seis décadas, mais do que duplicou a esperança média de vida dos chineses. O feito foi conseguido à custa do milagre económico, mas não só. Para os novos líderes comunistas, a saúde da população tornou-se uma prioridade. Um sinal de empenho foi dado com a resposta ao surto de pneumonia atípica em 2003.

Peso PIB Mundial
A acreditar nas contas do professor Angus Maddison, há 60 anos a China produzia perto de 4 % da riqueza do mundo. Hoje, o número andará perto dos 16%, embora esse seja assunto de discussão. Mais certo é que a China é a terceira maior economia do mundo, que em 2010 vai ultrapassar o Japão e no final da década estará a par dos EUA. Mas em tudo isto, Mao tem muito pouco de que se orgulhar. O milagre económico chinês foi um feito do seu sucessor, Deng Xiaoping, o reformista que ao comunismo juntou alguma dose de capitalismo.
DN.PT-Por Hugo Coelho
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LITERATURA:II edição Prémio Literário Carlos de Oliveira

MÁRIO LÚCIO,CABOVERDIANO, ESCRITOR, MÚSICO.....
O escritor caboverdiano Mário Lúcio Sousa, mais conhecido fora do país como músico, foi o vencedor da segunda edição Prémio Literário Carlos de Oliveira, do município de Cantanhede, com a obra “O Novíssimo Testamento”, foi hoje anunciado.

Com um prémio pecuniário de 5 mil euros, a divulgação do galardão teve de ser adiada uns meses pelo facto de terem concorrido 67 originais de autores de países de língua portuguesa, nomeadamente de Cabo Verde e Brasil, além de Portugal, revelou à agência Lusa o presidente da Câmara Municipal, João Moura.

Mário Lúcio Sousa disse à agência Lusa que não conhecia Carlos de Oliveira antes do prémio, ou que apenas leu e esqueceu, e que o galardão “é agora a dupla coroa” que o engrandece.“O prestígio dele é ouro, e o ouro neste caso é prestígio. Por isso sinto este prémio como uma distinção da literatura caboverdeana clandestina, essa que cochicha nas mãos dos imberbes. As ilhas produzem boas memórias. E quem teve a iniciativa de preservar memórias com esse prémio está a alimentar outras memórias”, acrescentou.

Na acta de atribuição do galardão o júri refere que a obra “se distingue de todas as outras apresentadas a concurso”, pela “grande originalidade da abordagem que faz ao religioso, o que evidencia um vasto conhecimento sobre o tema”, e pela “notável capacidade de escrita que se encontra bem patente na riqueza e vastidão do léxico utilizado”.

Mário Lúcio Sousa - acrescenta - retoma em “O Novíssimo Testamento” as Escrituras Sagradas, “reinventa-as por meio do recurso a um contrafactual herdado da teologia medieval, colocando a hipótese de Jesus ter sido mulher e explorando as vastas implicações e consequências dessa hipótese”.

O júri deste prémio, instituído pelo município e pela Fundação Carlos de Oliveira, foi formado por representantes das duas instituições, da Universidade de Coimbra e da Associação Portuguesa de Escritores. Entre eles figuravam os escritores Arsénio Mota e Cristóvão de Aguiar e os docentes da Faculdade de Letras de Coimbra Osvaldo Silvestre e António Apolinário Lourenço.

Nascido em 1964, Lúcio Matias de Sousa Mendes, com o nome artístico de Mário Lúcio, ou Mário Lúcio Sousa, possui já uma vasta carreira musical, tendo sido um dos fundadores e líder do extinto grupo “Simentera”, iniciando posteriormente uma carreira a solo já com três CD’s gravados, com colaborações de Gilberto Gil (Brasil) e de Luís Represas (Portugal).

É autor das seguintes obras literárias: “Nascimento de Um Mundo” (poesia, 1990) “Sob os Signos da Luz” (poesia, 1992), “Para Nunca Mais Falarmos de Amor” (poesia, 1999), “Os Trinta Dias do Homem mais Pobre do Mundo” (Ficção, 2000 - prémio do Fundo Bibliográfico da Língua Portuguesa, 1ª edição), “Adão e As Sete Pretas de Fuligem” (teatro, 2001), “Vidas Paralelas” (romance, 2004), “Salon” (Teatro, 200)
SAPO.CV/LUSA