segunda-feira, 14 de novembro de 2011

CV(Liberal):O FIM INEVITÁVEL DE NEVES

PRAIA-Não se fala de outra coisa. O “consenso” entrou na ordem do dia e é a grande novidade da abertura da época política – como se sabe, uma espécie de abertura da época de caça, só que numa versão bem mais mortífera. Isto é, José Maria Neves, nas suas deambulações de fim-de-semana resolveu apelar à concórdia, à unidade, ao juntar de esforços para vencer a crise que durante anos negou. É o “consenso”, pois…
Quis o destino – coisa que não terá ocorrido por acaso – que os apelos ao “consenso”, proferidos pelo Primeiro-ministro, tivessem precisamente acontecido em redutos da oposição. Não foi por acaso, José Maria Neves pode ser um mitómano, pode revelar um discurso bipolar, no entanto não é tolo de todo e escolheu a passagem por São Vicente e Santo Antão, precisamente para piscar o olho aos autarcas da oposição que, durante dez anos, teimou olhar com desprezo, senão mesmo empreendendo objectiva sabotagem.
O Primeiro-ministro que durante 10 anos sempre se opôs à descentralização administrativa do país, que sempre secundarizou a Associação Nacional dos Municípios Cabo-verdianos (ANMCV) enquanto pedra fundamental para reforço do poder local, e estrangulou financeiramente os municípios ligados à oposição, subalternizando-os em relação às autênticas câmaras paralelas que são muitas das associações comunitárias, vem agora estender a mão e, por incrível que pareça, receber anuimento das câmaras que perseguiu – sem que nenhum desses autarcas tenha tido a coragem e o dever de lhe dizer: “O senhor é que teimou durante 10 anos em fazer guerra aos cabo-verdianos que não votavam em si. Mas antes tarde do que nunca. Da nossa parte estamos, como sempre estivemos, preparados para dar o nosso contributo por Cabo Verde e para Cabo Verde. Todos juntos somos poucos”…
O homem que agora vem pedir consenso é o mesmíssimo Primeiro-ministro que durante 10 anos esteve surdo às vozes do país, perseguiu e ostracizou adversários – e mesmo camaradas de partido de facção divergente -, prejudicou quadros e destruiu empresários, inquinou a vida democrática e permitiu e foi cúmplice da teia larvar de corrupção e compadrio que vai dominando o país.
Esta criatura sem vergonha na cara, mentiroso relapso, vem agora pedir “consensos” e apelar à unidade dos cabo-verdianos alegando o bem maior da salvação do país, como se a memória do povo fosse curta, como se os cabo-verdianos fossem uma horda imensa de néscios.
Em boa verdade se diga com clareza: José Maria Neves está-se borrifando para o combate à crise ou salvar Cabo Verde. O que ele quer verdadeiramente é safar a pele!
José Maria Neves, afirmando, negando, renegando e afirmando consecutivamente, prometendo e não cumprindo, manipulando e disfarçando, não tem quaisquer condições para continuar à frente de um país que mereça ser olhado com respeito. Nove meses depois de ter feito o “tri” nas legislativas, o Primeiro-ministro está desgastado, desacreditado e cada vez mais isolado. Cabe ao seu partido – para que não hipoteque definitivamente o seu futuro como instituição respeitável – indicar-lhe a porta de serventia e mandá-lo para casa. Era um favor que faziam à nação e uma caridade à criatura.
Liberal
NEVES QUER “CONSENSOS”
Vendo aumentar a contestação ao Governo, o Primeiro-ministro procura inverter a imagem autoritária que lhe está associada, colando-se cada vez mais ao estilo do Presidente da República
Inflexão do discurso decorre de contestação crescente ao PM e ao Governo
Praia, 12 de Novembro 2011 - "Este não é o momento de só falarmos em problemas, aumentarmos as reivindicações, de criticarmos este ou outro nível de poder ou de fazermos oposição uns aos outros. É o momento de conjugarmos esforços para aproveitarmos todas as potencialidades que existem e podermos fazer face à situação de agudização da crise no plano internacional", disse ontem no Mindelo José Maria Neves.
Revelando uma inflexão no discurso, pela primeira vez o Primeiro-ministro veio falar em “conjugação de esforços e em “consensos” para fazer face à “crise Internacional”, sendo que neste particular continua a deduzir-se das suas palavras que persiste na opinião de que “a economia cabo-verdiana não está em crise”.
Ao mesmo tempo que a oposição e o poder local continuam a acusar o Primeiro-ministro de não ser aberto ao diálogo – e de ter mesmo vedado à oposição parte da informação sobre o Orçamento Geral do Estado para 2011-, JMN garante haver actualmente “ambiente de diálogo”, fundamental para fazer face à crise e resolver os problemas com que se debate o país.
Repescando velhas expressões de José Sócrates, quando era Primeiro-ministro, Neves defendeu que “todos somos poucos para este grande desafio”. Aliás, o plágio, ipsis verbis, de Sócrates já havia acontecido quando, no início da semana aos microfones da rádio nacional, referiu que “a economia cabo-verdiana, em si, não está em crise”.
Para vários observadores, o Primeiro-ministro parece ter, finalmente, percebido que o momento lhe é adverso, pelo que procura “mudar a postura do ‘quero, posso e mando’ para um registo dialogante, a que não será alheio o crescente prestígio público de Jorge Carlos Fonseca. “Neves está a colar-se ao estilo do Presidente, tentando inverter a contestação que o seu nome e o seu Governo estão a provocar na sociedade”, referiu a Liberal uma fonte próxima da Presidência da República.
Fontes: Inforpress/Lusa

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