terça-feira, 9 de junho de 2009

AVENTUREIRO BRITÂNICO DETIDO NA CIDADE DA PRAIA

PRAIA-O aventureiro britânico detido seis dias na Cidade da Praia numa pequena cela com 10 senegaleses, todos libertados segunda-feira, considerou que, de todos os 89 países que visitou desde o início do ano, Cabo Verde “é o pior”.

“Isto não é muito bom para Cabo Verde, não é bom marketing. Já estive em 90 países e este foi o pior, por causa da situação, por causa da polícia”, desabafou Graham Hughes à Agência Lusa, após ter sido libertado por decisão de um juiz do Tribunal da Comarca da Cidade da Praia.
Graham Hughes disse à Lusa sentir um “grande alívio” com o fim da detenção, lembrando que, ao longo dos seis dias, nunca foi informado sobre as razões da sua detenção, nem do prazo de 48 horas previsto na lei cabo-verdiana para manter detido um suspeito.
“Sábado, tenho de admitir, estava aterrorizado. Pensei que me fossem levar para lá trás (da esquadra) para me darem um tiro. Ninguém sabia que eu estava aqui. Eles podem dizer que eu me tinha perdido no mar. Estava com medo. Não sabia o que me ia acontecer”, sublinhou à Lusa.
“Ter conseguido enviar aquela mensagem de texto (sábado, após conseguir reaver por momentos o seu telemóvel, entretanto apreendido) foi o maior alívio da minha vida. Conseguir dizer (aos meus familiares) onde estava e o que estava a acontecer. Mas estava com medo do tratamento que poderia receber. Gostava que isto tivesse sido diferente”, acrescentou.
Graham Hughes, que está a dar uma volta ao mundo sem usar meios aéreos desde 01 de Janeiro deste ano, tendo chegado quarta-feira a Cabo Verde, país que é o 90º a visitar, contou á Lusa as condições em viveu os últimos seis dias, em conjunto com os 10 pescadores que contratara em Dacar para o trazer até à Cidade da Praia.
Era-nos dada comida duas vezes por dia mas tínhamos de ficar fechados numa pequena sala, de dez por dez metros. Estávamos 11 lá dentro. Não havia camas e dormíamos no chão, que era de cimento, o que era muito desconfortável. Não havia duches. Não pude mudar de roupa. Estou todo porco, como se pode ver”, referiu.
Graham Hughes, que pretende visitar 192 Estados membros da ONU em apenas um ano sem recorrer a meios aéreos, está a aproveitar a viagem para recolher fundos para uma organização não governamental, a WaterAid e a documentá-la para a Lonely Planet Television e para a revista National Geographic.
Questionado pela Lusa sobre se a edição final das filmagens contará com a “saga” em Cabo Verde, Graham Hughes respondeu que, após a forma como foi tratado, ainda terá de pensar.
“Após a forma como fui tratado, não sei. Talvez possa obter alguma compensação pelo que passei, não sei. De outra forma, não. Isto não é muito bom para Cabo Verde, não é bom marketing. Já estive em 90 países e este foi o pior, por causa da situação, por causa da polícia”, concluiu.
Ao longo dos seis dias de detenção, as autoridades policiais locais nunca permitiram aos jornalistas visitar os detidos nem deram qualquer informação sobre a sua situação, chegaram a ponderar a possibilidade de Graham Hughes estar envolvido numa rede internacional de tráfico de seres humanos, acusação que fez o britânico sorrir, ao mesmo tempo que a refutou.
Fonte:Lusa

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