PRESIDENTES DE PORTUGAL E TURQUIA COM RESPECTIVAS ESPOSAS
Cavaco Silva apela a uma cultura de transparência e sublinha que o crescimento económico não pode acontecer à margem da ética.
SANTARÉM-Em Santarém, no discurso que assinalou o Dia de Portugal, o Presidente da República sublinhou que a ausência de princípios está na origem da actual crise.“Não esqueçamos que, na origem de alguns dos principais problemas que o mundo actualmente enfrenta, esteve a ausência de escrúpulos e, se há um ensinamento a retirar da conjuntura actual é o de que o desenvolvimento económico não pode processar-se à margem da responsabilidade social e do respeito por normativos éticos”. "A credibilidade dos agentes políticos é tanto mais necessária quanto a situação económica e financeira actual representa um desafio, sem precedentes nas últimas décadas, à qualidade das instituições democráticas, à competência e visão de futuro dos decisores e ao empenhamento responsável e solidário de cada um dos cidadãos" – frisou o Presidente.
A abstenção “empobrece a democracia”
Noutro plano, Cavaco Silva considera inaceitável a elevada abstenção verificada nas eleições europeias.Um facto que que merece uma profunda reflexão da classe política: "Em tempos reconhecidamente difíceis como aqueles em que vivemos, não é aceitável que existam portugueses que se considerem dispensados de dar o seu contributo, por mais pequeno que seja”.Para Cavaco Silva, "o alheamento não é uma forma adequada - nem, certamente, eficaz - de enfrentar os desafios e resolver as dificuldades". Uma abstenção como a registada nas eleições europeias de domingo, na ordem dos 62,95 por cento, é "um sintoma de desistência, de resignação, que só empobrece a nossa democracia", salientou. "Quando estão em causa questões que a todos dizem respeito, nenhum de nós se pode eximir das suas obrigações, sob pena de a gestão da coisa pública ficar sem esse escrutínio indispensável que é o voto popular", defendeu o Presidente da República. Por outro lado, a abstenção deve "fazer reflectir os agentes políticos", já que, sustentou, "a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas depende, em boa parte, da forma como aqueles que são eleitos actuam no desempenho das suas funções". "Se não tivermos órgãos de representação prestigiados, será difícil aumentar a participação dos eleitores e demonstrar-lhes que o seu voto é importante e útil para a formação das decisões de interesse geral", acrescentou Cavaco Silva, referindo-se ainda à importância da "credibilidade dos agentes políticos" no contexto da actual situação financeira.
RR
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