quarta-feira, 19 de maio de 2010

BRASIL:Se os políticos deixassem "de inventar" era mais fácil governar o mundo

MADRID-Se os políticos fizessem mais "o óbvio" e deixassem tanto de "inventar" era mais fácil governar o mundo, afirmou hoje Lula da Silva, considerando que é mais difícil "não governar que governar".
"Se nós, como políticos, fizéssemos apenas o óptimo e não tentássemos inventar tanto seria muito mais fácil governar o mundo. É uma palavra pequena mas muito necessária na arte de governar. Tudo fica menos complicado quando se pratica o óbvio", afirmou o presidente brasileiro, num seminário sobre a economia brasileira em Madrid.
"Um inventor pode inventar o que quiser, mas um governante tem que fazer o óbvio", insistiu.
Recordando os seus quase oito anos à frente da presidência brasileira, Lula da Silva insistiu que esta vontade de Governar deve ser o fio condutor da acção dos líderes: "Não é complicado governar. Complicado é não governar", disse.
Num discurso de mais de 45 minutos, o presidente brasileiro - que hoje visita Portugal - defendeu o realismo na economia e medidas que são "óbvias", mas que muitos consideram complexas de implementar.
"Temos que aplicar o que Henry Ford dizia: pagar salários que permitam aos trabalhadores da Ford comprar os carros que produziam", disse.
E num momento de falta de confiança, de receio sobre a situação económica global, Lula da Silva reiterou um dos elementos centrais da sua governação: "ajudar os brasileiros a gostar de si próprios, a ter autoestima".
"O brasileiro é um povo que esteve séculos à espera de uma oportunidade. Aprendeu os seus modos por doutrina, por termos sido colónia, por considerarmos que éramos insignificantes e que tudo o que vinha de fora era melhor. Que se fosse dos EUA ou de alguns países europeus então era 'top'", afirmou.
"Não nos respeitávamos e achávamo-nos de segunda categoria. Por isso fiz a campanha 'eu sou brasileiro e não desisto nunca', porque nenhuma nação vai para a frente se não acreditar em si própria", insistiu.
O resultado foi criar uma sociedade que é hoje "orgulhosa", cujos embaixadores "andam de cabeça erguida" e cujos representantes sabem que "são levados a sério nos países onde estão".
JN.PT

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