domingo, 4 de outubro de 2009
ARGENTINA:Argentina solicita extradição de Julio Poch
O juiz argentino Sergio Torres solicitou formalmente a extradição do piloto Julio Alberto Poch, que foi detido há uma semana no aeroporto de Valência, Espanha.
O piloto é acusado de ter participado nos chamados ‘voos a morte’ durante a última ditadura militar argentina. O magistrado tem em seu encargo a investigação pelos crimes de lesa humanidade cometidos na "Escuela de Mecânica de la Armada (Esma)" de Buenos Aires, onde funcionou um dos maiores centros clandestinos de detenção durante o regime ditatorial.
O juiz formalizou o pedido logo após ter emitido o processamento do piloto por sua presumida participação em 950 casos de imposição de tortura, alguns seguidos de morte, e privações ilegais da liberdade. Além de sua suposta participação nos ‘voos da morte’, o ex-tenente de fragata está sendo investigado pelo desaparecimento da jovem sueca Dagmar Hagelin, das monjas francesas Alice Domon e Leonie Duquet, e do jornalista e escritor argentino Rodolfo Walsh.
O juiz Sergio Torres fez o requerimento à Chancelaria argentina, que deverá remetê-la ao Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha para que chegue ao juiz espanhol encarregado do processo de extradição.
Dupla nacionalidade
Julio Alberto Poch tem 57 anos e possui as nacionalidades holandesa e argentina. No momento de sua detenção, no dia 22 de setembro, estava realizando seu último voo antes de sua aposentadoria como piloto da linha aérea comercial holandesa Transavia. Durante uma escala deste voo, foi detido pela polícia espanhola no aeroporto de Manises, em Valência, após um intenso trabalho conjunto entre funcionários judiciais argentinos e holandeses.
Na semana passada, na Assembleia Geral das Nações Unidas, o embaixador argentino, Jorge Taiana, agradeceu a seu colega holandês pelos esforços políticos e diplomáticos que possibilitaram a prisão de Poch.
A investigação havia começado com uma denúncia de colegas de trabalho do piloto, que em várias ocasiões ouviram Poch contar detalhes sobre os ‘voos da morte’, nos quais os detidos-desaparecidos eram drogados e jogados vivos no Rio de la Plata. Como parte do inquérito judicial, um de seus colegas declarou que o piloto argentino contou que o objectivo destes voos era, segundo suas palavras, “matar e livrar-se dos terroristas”.
Tratado de extradição
Em dezembro do ano passado, o juiz Torres havia solicitado à Holanda a detenção de Poch “tendo em vista a extradição” por sua vinculação em quatro processos penais. Fontes diplomáticas explicaram que a captura não se realizou na Holanda porque a dupla nacionalidade do imputado teria dificultado sua extradição. Em troca, a extradição foi requerida de acordo com o previsto pelo Tratado de Extradição e Assistência Judicial em Matéria Penal, firmado entre Argentina e Espanha em 1987.
Na terça-feira, 6 de outubro, completam-se duas semanas da detenção de Julio Poch. Segundo estimativas, neste dia Poch deverá responder frente a justiça espanhola se aceita ou rejeita sua extradição para a Argentina. Caso se negue a ser trasladado a Buenos Aires, a justiça espanhola deverá iniciar um trâmite formal para o pedido do magistrado argentino.
RNW-Por Carolina Gil Posse
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário
Comentar com elegância e com respeito para o próximo.